Capitulo 16

753 Palavras
Alguns dias depois Heitor Lins Eu estava olhando ela de longe, de cima de uma das bocas de fumo, na laje, ela estava lá na loja dela toda feliz sabe, atendendo as mulheres que entravam e saiam da loja. Ela estava toda sorridente, e continuava com aquele mesmo sorriso que me deixava completamente doido desde moleque. Vejo ela jogar a cabeça para frente se curvando e juntando todo o cabelão dela e amarrar em um coque no alto da cabeça. E mesmo sem eu ter trocado uma palavra com ela ainda, dava para perceber o quanto ela havia mudado, a personalidade tava a mesma, sempre alegre, mas a maturidade, de longe dava para ver. E como eu queria ir até lá falar com ela, sentir o seu cheiro de morango, sentir o abraço dela, saber tudo o que havia acontecido com ela naquele tempo que eu tinha ido embora. E pô eu morro de saudades dela, é essa saudade que estava me matando de dentro para fora. Eu queria ir falar com ela, mas sobre o que eu iria falar ? Ela era bem nova quando eu fui embora, e eu não podia simplesmente chegar nela e falar " Oi Cecília, eu sou o Heitor", e com toda certeza ela está brava e com razão, até por que eu falei que iria voltar, falei que iria vir buscar ela e eu não voltei... Mas eu sequer parei de pensar nela por nenhum segundo. É claro p***a, com 23 anos na cara eu vivi, sai, bebi e fiz muitas coisas que eu não me orgulho, mas em nenhum momento eu tirei ela dos meus pensamentos, em momento nenhum eu pensei em outra coisa que não fosse ver ela de novo e meter o pé com ela daqui, eu ainda queria dar uma boa para ela. Suspiro coçando o meu pescoço enquanto dava a última tragada no cigarro e jogava no chão pisando em cima dele para apagar, escuto alguns passos subindo as escadas de alumínio e eu olho para trás vendo o MT. O cara era firmeza, ajudava pra c*****o, e ele me contou o quanto odiava o José, ele havia abusado da irmã dele e matado ela sem dó, ele também teve a chance de torturar ele, na verdade todos tiveram sua chance na tortura. — Heitor, o escorpião mandou te avisar que o caminhão chegou com as cestas básicas — MT fala parando ao meu lado e eu continuo olhando para a Cecília que estava conversando com uma menina de cabelos pretos longos — Separaram as 6 cestas para o abrigo ? E eu já estava ligado que estava tudo mudado lá, Lorena e Cecília cuidaram bem daquele lugar. — Separamos sim....posso perguntar um negócio, namoral ? — Olho para ele assentindo e ele suspira — Você já morou aqui né ? — Sim — E você conhece a Cecília — ele fala e eu ergo a sobrancelha esperando ele continuar — Eu percebi isso só pela forma que você olha pra ela quando você está aqui, e aquele dia da invasão o TH tinha perguntado pra você se você estava pronto para ver a "sua garota", foi aí que me liguei — Eu morei aqui quando era mais novo sabe, nós vivíamos pra cima e pra baixo juntos, aí meu pai me encontrou, eu não podia voltar aqui para buscar ela porque ele e o José tinham uma rixa, e um dos motivos de eu estar aqui ainda tomando conta desse morro é por conta da Cecília — falo e eu sentia que podia confiar nele, e olha que eu não confiava em ninguém com facilidade, mas o MT era firmeza — Eu sou amigo dela, mas ela é na dela e tal, não fala muito da vida dela com ninguém, mas todo mundo que mora aqui a um tempo fala que ela tinha um amigo que foi embora e deixou ela para trás — ele fala e meu coração aperta — Eu sou totalmente pirado nessa garota desde que eu tinha 12 anos, eu sempre quis voltar para buscar ela, e agora depois de 7 anos eu voltei, ela nem lembra mais de mim — vejo ele ficar em silêncio por alguns minutos enquanto pensava — Tenta falar com ela pô, sei lá, vai lá na lanchonete da dona Lorena no domingo, ela sempre ajuda a Lorena nas parada lá, aí quem sabe tu não dá sorte Solto um suspiro concordando e olho para a Cecília novamente. Linda pra c*****o.
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