capitulo 18

987 Palavras
Heitor Lins Escutava cada palavra que meu pai falava sobre a conversa dele com a Cecília. — Ai ela me disse que geral estava agradecendo pelas mudanças, e quando eu disse que era o meu filho que era o dono daqui e não eu ela pediu para eu agradecer você por estar ajudando a comunidade — p***a a minha linda continuava da mesma forma — Pô eu gostei da mina, e tu precisava ver o tanto de coisas que ela estava levando para a casa lá, comprou bola de futebol para os meninos de lá, e eles ficaram todos animados fala aí MT Os dois tinham ido buscar o caminhão com as cestas básicas, que estava no começo do morro e aí quando chegaram aqui começaram a me falar. — A criançada de lá se amarra na Cecília, ela sempre está comprando os negócios pra eles, teve uma vez que ela levou todo mundo de lá para comer pizza, mas também foi um dia que o José não estava no morro, aí ninguém achou r**m, os pivete se acabaram nas pizzas Dou um sorriso lembrando da Cecília, é do mesmo jeito que ela era antes, querendo sempre ajudar todo mundo, o coração dela era grandão. — Eu gostei da mina, é uma mina responsa — meu pai falou me olhando Vejo meu tio entrar na sala com alguns panfletos nas mãos, nós havíamos distribuído panfletos para todo mundo falando das cestas básicas, que seriam entregues amanhã, e cada família tinha direito a uma cesta básica tamanho família. E que vinha coisa pra c*****o, tinha sacos de arroz, sacos de feijão, açúcar, leite, mistura, achocolatado, biscoito de sal, biscoito de maisena, farinha de trigo e mais um monte de coisa. E já estava na hora de alguém fazer alguma coisa pelo morro, estava na hora desse morro se reerguer do fundo do poço, geral vivia na miséria por que o filha da p**a do José só se importava consigo mesmo. Agora todo mundo pelo menos vai ter comida dentro de casa, por que a maioria nem isso tinha aqui, e eu quero ajudar pra c*****o essa favela ainda. [...] — Muito obrigado de verdade Zeus, a gente estava precisando disso — um dos moradores fala com os olhos cheios de lágrimas enquanto colocava a cesta básica no chão e a garotinha que parecia ser filha dele falava sem parar sobre as coisas que tinham dentro da cesta — Que isso pô, não precisa agradecer não, se você precisar de mais é só dar um toque que eu descolo outra para você — falei e vejo ele limpar os olhos e olhar para o céu e falar "obrigado meu Deus" baixo e me abraçar em seguida fazendo eu sorrir fraco, ele se separa de mim me agradecendo novamente e pega a cesta básica colocando no ombro enquanto segurava na mão da garotinha Estava todo mundo agradecendo, e alguns ficavam igual a ele, chorando e agradecendo a Deus. E dava mó negócio bom no peito sabe. Eu ficava com os barulhos do José na minha mente, se o cara já era um filho da p**a quando eu cheguei aqui, imagina quando eu fui embora, o cara deve ter continuado do mesmo jeito ou até ter piorado, o povo aqui passando fome enquanto ele comia do bom e do melhor, um cuzão mesmo. Vejo o MT vindo para o meu lado enquanto eu anotava na prancheta quantas cestas tinham sido pegas, nós faz os cálculos rápido de quantas famílias tinham no morro, e quantas cestas tinham, dava uma cesta para cada família e ainda sobrava cesta pra c*****o. — Morte foi buscar a Cecília lá pô, ela vai vir buscar as cestas para levar para o abrigo, tua chance de pelo menos falar com ela — MT fala baixo pra mim e eu não consigo evitar de dar um sorriso — Valeu aí — faço toque com ele que dá um sorriso também MT era firmeza pô, e eu sabia que podia confiar nele. Continuo anotando os negócios das cestas até que vejo o Morte parar uma caminhonete na calçada e ele descer, e logo em seguida a Cecília desce pelo lado do carona. Porra, coração ficava acelerado pra c*****o só de ver ela de perto sabe. Será que eu infarto ? Vejo eles entrando na fila e eu reparo mais nela, coisa linda, ela sorria o tempo todo olhando para a fila, parecia até feliz de ver que o povo tinha comida na mesa. E eu conto mentalmente quantas pessoas tem antes deles, 11 pessoas ainda. Que p***a. [...] — Muito obrigado de verdade, você não sabe como está ajudando a gente — a mulher me agradece enquanto o marido faz o mesmo e pega a cesta segurando na mão de uma menina enquanto a mulher segurava duas crianças uma de cada lado Olho para a Cecília de novo e vejo que faltava apenas uma mulher para chegar então a vez dela. A mulher pega a cesta e agradece e então saí fazendo eu tentar esconder o sorriso e olho para a Cecília que me olha e desvia o olhar rápido. — É para o abrigo — ela fala e eu olho os olhos cor do mar, e como eu senti saudades dela, é ela ali... tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe, p***a — Você é a Cecília, né ? — pergunto Como se eu já não soubesse. Vejo ela me olhar estranho e concordar sem entender, desvio o meu olhar para o naruto que anotava na prancheta. — Ai MT, separa 6 cestas para a moça levar para o abrigo, e mais uma para ela levar para a casa dela — Pera aí, 7 cestas ? Não moço não precisa, alguém pode ficar sem e.. — Eu interrompo ela que estava toda preocupada mexendo as mãos e eu dou um sorriso de leve Ela não muda mesmo.
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