“A melhor forma de vencer o inimigo é combatendo fogo com fogo.”
Ivan Czar
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4 meses depois…
Meu corpo suado, trêmulo, já não aguentava mais e cada dia estava piorando nesse inferno de vida. Olho meu rosto machucado no espelho do minúsculo banheiro imaginando sempre o pior, talvez minha mãe nem tenha resistido. Nem mesmo uma notícia se quer e nunca consegui nada além de sangue em minhas mãos, além das lutas clandestinas de vale tudo também estive em momentos inoportunos, era apenas aquele peão que seria usado para limpar o chão que Cezare caminhava.
Gritei descontando toda a raiva socando o punho no espelho quebrado ele em vários pedaços, estando isolado tendo apenas o direito de lutar e ficar sozinho. Andei furioso por todo o quarto não me importando de ter me cortado no vidro, o sangue escorria por entre os dedos e caíam em gotas pelo chão.
Estava ficando insano, louco até, vingança era o objetivo, respirava pelo objetivo de conseguir pelo menos ver minha mãe.
Sentei na cama pensando em uma maneira de conseguir saber pelo menos onde a colocaram, se estavam cuidando dela como deveriam. Agora que sei onde estamos, nada poderia me impedir de criar uma rota de fuga de Moscou, seria fácil embarcar sem ser visto e partir para a América.
A dificuldade é Cezare estar com minha mãe, usando ela para uma automotivação impiedosa, um homem que tem tudo a seus pés, perigoso e manipulador. Depois de todos esses meses as coisas mudaram, as lutas ficaram cada vez mais violentas até chegar ao ponto de ter que matar ou morrer tentando sobreviver.
Sangue em minhas mãos poderia ser até mesmo de inocentes, mas o que eu mais queria era acabar com tudo isso. Uma movimentação tomou conta do cômodo me pegando de surpresa, um homem armado entrou e acertou um golpe em minha nuca, senti o chão abaixo de mim e então meus olhos se fecharam.
Seis horas mais tarde…
Meu corpo sacolejou, então abri os olhos me deparando com muitos coturnos sujos de terra e roupas com a estampa do exército, o ar estava mais denso e o frio parecia ter cessado trazendo um sol escaldante em minhas costas.
— Levanta. — um homem falou, ele era moreno alto de corte bem baixo em seus cabelos. — Estamos passando pela fronteira da Alfândega.
Coloquei os braços à frente do corpo e dei o impulso necessário, então levantei analisando as roupas que estava usando. Era o mesmo uniforme que os demais usavam.
— Derek, este é meu nome. — ele falou de forma amigável dando espaço ao seu lado. Olhei para os outros homens notando suas características físicas, a forma como seguram suas armas e como eram suas posturas.
— Ivan. — respondi sentando ao seu lado. Então passamos por um tipo de controle de divisão com vistorias no caminhão, então seguimos estrada deserta para um rumo diferente.
Perto de anoitecer o caminhão teve sua primeira parada onde montamos um acampamento para poder seguir viagem no dia seguinte.
— Aqui. — Dereck lançou um grande embrulho de lona e peguei com firmeza. — Uma barraca para nós.
— Obrigado.
Segui para fora como todos os outros, então comecei a montar a barraca ao lado de outras mais, quase anoitecendo Derek pegou alguns tijolos e montou um pequeno fogão e depois tirou um embrulho do bolso de sua calça abrindo e tirando de lá uma pequena pedra Branca, depois colocou fogo nela e posicionou uma panela em cima para podermos preparar a ração, aproximei acreditando que seria incrível ver todas aquelas chamas sem precisar de alguma lenha.
— É C4. Tem grande combustão. — Dereck explicou. — Sente aí!
Me sentei no chão onde ele indicou e então comecei a admirar o fogo que era capaz até de nós aquecer, Derek estava cozinhando.
— Acho que vou pelo menos tentar abrir a barraca. — comentei levantando.
— Não cara, fica tranquilo que fazemos isso juntos. — ergueu a mão e então voltei para meu lugar.
— Estive pensando…
Olhei para seu rosto, Derek concentrado no que fazia e então percebi que um de seus olhos não tinha nenhuma íris, apenas o branco e uma cicatriz sobre a pele pegando boa parte do rosto. Ele bateu com a colher sobre a panela e colocou ela pendurada na armação improvisada que fez para cozinhar.
— O que te fez estar nessa merda. — ele limpou as mãos em um pano pendurado em seu ombro e olhou para mim.
— Eu apenas lutava.
— Que bosta cara! — debochou rindo. — Cada um aqui teve o que mereceu, mas veneramos Cezare por isto.
— Vocês veneram um hipócrita.
— A maioria não saberia onde enfiar a b***a se não fossem as missões. — repreendeu.
— E o que você fez?
— O termo correto seria: quem perdeu. — Dereck retornou para o que estava fazendo, era intrigante estes homens se manterem sob as ordens de um homem odioso.
— O que você perdeu?
— Uma família, filhos, paz… — havia muito ódio em sua voz e arrependimento, dor.
— É passado, me conte sobre você.
— Morava em Nova Jersey com minha mãe, já meu pai não está mais vivo. Eu segui carreira de lutador e talvez tenha sido uma péssima escolha, Cezare a tomou de mim!
— Como te disse, veneramos Cezare. Ele não faz m*l às mulheres. — não acreditei em suas palavras, ela estava debilitada, talvez não tenha suportado o cativeiro e partido. Nesses quatro meses minhas esperanças estavam se esvaindo por entre meus dedos.
— São suas palavras, ele ameaçou a vida dela para que eu pudesse fazer parte de seus jogos sujos.
— Você ainda vai entender. — disse balançando a cabeça negativamente. — É melhor montarmos a barraca antes de escurecer totalmente.