“A recompensa pode não ser o que se pode esperar no final, mas talvez a justiça seja um caminho a ser tomado.”
Ivan Czar
***
Sede por vingança…
Analisei o papel do convite em minhas mãos, as letras em dourado com o nome do desgraçado me fazem odiá-lo ainda mais. Acabei recebendo o convite assim que desembarquei novamente na Rússia, era uma forma de se conseguir o que ele tanto desejava— o poder.
Busquei entender a importância da pasta que carregava por esses dias, então sem poder esperar abri e li todo o conteúdo ao qual me deixou cada vez mais surpreso com um tipo de dossiê completo de algumas organizações internacionais e percebi para qual propósito Cezare me enviou para esta missão.
Pedi para um dos homens me deixar na casa ao qual fiquei hospedado nos últimos meses, então pensei em um bom plano para conseguir ter minha mãe de volta e poder ir para a América com ela. Então tomei um banho e deixei que os homens me levassem até ele, enquanto o carro seguia estrada a frente, ajustei a pistola no cós da calça jeans que estou usando. Tempo depois notei que a mansão estava bem perto, o carro foi manobrado pelo jardim dos fundos e então os homens me levaram para dentro até me deixar na mesma sala onde tive uma última conversa com o anfitrião.
Olhava Cezare recebendo seus convidados de uma forma calorosa, relembrando e remoendo a raiva e a culpa todas as noites, era para que Derek pudesse ao menos ter visto seus filhos antes de partir.
Ele amava-os, falava de suas crianças o tempo inteiro e de como elas eram espertas igual a mãe, mas infelizmente Cezare usava a desculpa de que não poderia ultrapassar as fronteiras do México para poder pelo menos trazê-los.
Depois da última missão, ele havia me convocado de volta para a mansão, porque ele teria um breve anúncio e também seria a oportunidade de pôr as mãos na pasta que carrego dentro da bolsa junto com minhas coisas. Foi aí que percebi a minha oportunidade de poder conseguir minha mãe de volta e até mesmo, conseguir sair deste lugar.
Havia muitas pessoas pelo local, parte delas eram quase todas da família e outras, apenas convidados de grandes posses. Cezare cumprimentou alguns homens perto de uma porta enquanto caminhei lentamente até em sua direção, em minha cintura havia uma arma escondida, um revólver calibre 38 que Derek havia me dado em uma das missões.
— Ivan! Que bom que chegou rapaz. — Cezare virou a cadeira de rodas em minha direção me fazendo parar com os pés paralelos.
— Venha comigo. — sua voz foi autoritária e então vi a oportunidade que nunca poderia desejar perder.
Ajustei a bolsa sobre os ombros e o segui. Cezare tomou rumo para uma porta vermelha ao lado direito abaixo das escadarias. E então esperou que eu entrasse para poder fechar.
— Sabe meu rapaz, você foi muito bom nesses tempos ao meu lado. E até que gosto do seu nome. — ele movimentou as rodas da cadeira indo em direção ao seu gabinete pegando dois copos e uma garrafa com um líquido amarelo. Colocou sobre o colo e seguiu em minha direção.
Deixei a bolsa cair no piso tendo a atenção do homem à minha frente.
— Sente-se. Acompanhei-me em um drink. — fiz o que ele pediu me sentando em um sofá espaçoso que tinha ali. Olhei a decoração com algumas molduras e bastante livros e estantes, algumas peças e detalhes em ouro eram bem chamativos, não tanto quanto o lustre de diamantes no teto.
— Nunca imaginei que poderia contar tanto com alguém antes de você. — Cezare serve um copo para mim enquanto servia o outro para si, peguei o copo analisando o cheiro do líquido de uma forma desconfiada.
— Não sou homem de imaginações Cezare, sou realista. — retruquei podendo ver as rugas em seu rosto ficarem atenuadas.
— Gostei. É por homens como você que estou disposto a ser quem sou César. — ele apontou o indicador para mim mantendo um sorriso satisfatório e a conversa seguiu.
— Você deveria temer homens como eu. — falei entre dentes tendo os olhos do homem novamente para mim. — Mas estou disposto a negociar.
— Negociar? — senti o tom de sarcasmo. — Não está em condições para isto.
— Estou sim. Carreguei a maldita pasta por mais de dez dias em minhas costas e a culpa de uma vida Cezare! Agora para conseguir o que quer terá de me dar algo em troca!
Seu olhar analítico me fez tremer, uma sensação de angústia no peito. Seus lábios se contorcem em um sorriso e então a porta foi aberta entrando por ela uma mulher bem vestida com um vestido na cor azul claro, seus cabelos alinhados perfeitamente em um coque alto e ela usava um par de jóias rubi destacando sua beleza.
— Mãe?
— Filho! — seus olhos foram para mim e depois para Cezare com tanto pavor que acreditei que ela sofreria um m*l súbito a qualquer momento. Apressei os passos para estar perto dela e poder beijar seu rosto, sentir seu cheiro e abraçá-la.
— Meu filho está vivo— sua voz saiu entrecortada e notei a angústia que obteve em cada palavra proferida. — Você mentiu para mim!
— Menti. Ou melhor , não importa mais. —Cezare parecia tranquilo quanto a situação, acendendo um cigarro e tomando sua bebida. Para mim já não fazia mais sentido segurar todo o ódio que sinto pelo homem à minha frente, então retirei a arma da cintura e mirei diretamente em seu peito.
— Vai atirar, rapaz? Se for, então faça de uma vez. — homens entraram no ambiente e seguraram minha mãe que soltou um grito de surpresa.
— Mas acredite, estes homens vão fazer o pior com sua querida mãe. Eles são fiéis ao meu império, seja um traidor ou um inocente, tanto faz, eles não ligam para isto.
— O QUE VOCÊ QUER? DIGA O QUE QUER! — Cezare ergueu a mão direita e um gemido escapou dos lábios de minha mãe, olhei para ela e notei que um dos homens mantinha um punhal em sua garganta, ele era com cabo de dragão com de olhos de rubis.
— Sua mãe se casará comigo. Não tenho herdeiros e ela é uma mulher ainda jovem, apesar das marcas de sofrimento em sua pele. — certamente minha mãe era jovem, perto de se iniciar seu ciclo de menopausa, ela ainda poderia ter filhos se quisesse.
— Não! Eu não aceito isso.
— Ela vai se casar. Porquê se não for… Considera-se um homem morto. — Senti algo bater forte em minha cabeça, caí de joelhos aos gritos de minha mãe. Havia prometido ao meu pai que cuidaria dela e agora estava falhando mais uma vez.