Capítulo 9 Ivan Czar

1701 Palavras
"Estar no fundo do poço não quer dizer o fim, porque dali você pode escalar as paredes e ter um novo recomeço." Ivan Czar *** 1983 Cinco Anos depois… Estava destruído, dilacerado talvez. Cezare destruiu todas as esperanças e acredito que deveria ter sido diferente. Precisava jogar conforme o jogo pedia, dar a ele o que ele mais queria ter e com sorte, tomar o que é seu — a monarquia. Os homens deveriam ter a quem confiar de verdade, um líder de grandeza e postura, não apenas temer o imprevisível. — Você sabe que será difícil, não sabe? — dedos circulavam o meu peitoral trazendo uma sensação de aperto no coração, como um vazio. Analisei a expressão calma da mulher em cima de mim, deitada e nua. — Não para mim Kristen. — respondi de forma seca fazendo com que os olhos verdes dela se encontrassem com os meus. — Você se acha um herói, Cezare vai acabar com tudo sem que perceba. Eu tenho medo disso… — confidenciou a última frase, branda e suave me fazendo prestar mais atenção. — Você está do lado dele. — empurrei seu corpo para o lado da cama e me sentei aos pés da mesma. Senti as mãos macias em minhas costas me causando repulsa, então levantei não desejando mais aquele contato. — O que foi Ivan? Está emburrado agora? — respirei fundo e virei vê-la vestir-se. Aproximei quando seu corpo já estava novamente com os tecidos de seda cobrindo seus s***s. Pressionei meu punho fechado em sua garganta mantendo o contato firme, Kristen tremeu em resposta. Seus olhos verdes estavam dilatados e parecia ofegante diante de meu olhar penetrante. — Não deseje ter o que já tem Kristen, no decorrer dos anos fiz alguns inimigos e não me importo de ver sangue nas minhas mãos. Soltei seu corpo e ela apenas se apressou em pegar o resto das roupas e me deixar sobre o quarto de Motel no centro de Moscou. No momento não queria pensar em nada, sabia que minha mãe estava nas garras daquele homem e não poderia colocar tudo a perder por conta de uma simples f**a. A essa altura, minha mãe estaria casada e sendo forçada a ter um filho ao qual não desejava. Então peguei minhas roupas sobre o chão e me vesti para conseguir finalizar parte do plano, porque em cada missão, consigo mais aliados, a confiança dos homens e até admiração. Dessa forma, todos ou quase todos estarão ao meu lado quando estiver na fase final. Abri a porta já podendo ver Robert chegando no fundo do corredor, usando uniforme de segurança particular. — Tomou o café da manhã? — perguntou educadamente, apenas saí trancando a porta. — Sem tempo para isto. — ele me olhou com uma expressão de sacana, uma das sobrancelhas erguidas e o sorriso de lado sem revelar os dentes. — Vi uma ruiva sair furiosa daqui, mas acredito que seu humor não foi aplacado como imaginei. — Robert me entrega um pacote bem embrulhado. — Vamos ao clube. Os planos mudaram e parece que tem mais uma carga a caminho que… Cezare mandou uma escolta especial. — Interessante. — balbuciei enquanto caminhamos para fora do Motel. Robert acabou se tornando um grande amigo e aliado após ter salvo sua vida em uma das emboscadas nas missões. — Já podemos colocar o plano em prática. — revelou baixo enquanto passávamos por entre as pessoas do saguão. Meus pensamentos sempre eram direcionados a minha mãe. Saímos na rua podendo ver os carros comuns do ano em movimentos, algumas pessoas seguiam suas vidas como deveria ser. Andamos até o GAZ-21, lançamento do ano da fábrica Volga de automotivos soviéticos. — Perfeito. — Entrei no veículo de luxo e Robert me acompanhou. — E os orçamentos? — perguntei para me atualizar sobre os negócios da organização. — Deram uma caída. Tudo está estranho desde a semana passada, Cezare não deixou mais a mansão. — Tem algo de errado nisso tudo. Lembro que da última vez em que estive em um solo inglês neste continente, foi o dia em que mais derramei sangue por Cesare e o dia em que o mesmo decidiu que Robert era apenas mais uma vítima de sua ganância. — Isto não acontece há muito tempo. — ele concorda. — Vamos primeiro ao clube de depois, faremos uma visita de inspeção na mansão. — Enquanto isso, tente relaxar. — ele diz em deboche me fazendo sorrir irônico. Dirigindo por toda Moscou, indo ao norte em um dos clubes de Swing, entre muitos que Cezare tem em sua posse. Estacionei em frente dele, era composto por cores escuras em sua fachada e havia um grande número de pessoas entrando por ela. Descemos do carro e então entramos na área VIP. Mesmo de dia, os negócios sempre estavam em movimento, essas pessoas eram hipócritas, mesquinhos atrás de dinheiro e de sexo. Algumas delas conseguiram o sucesso e outras, bem, essas pessoas que eram selecionadas, faziam trabalhos mais baixos. Andamos entre as pessoas que bebiam em meio ao escuro do local, luzes baixas se faziam presente enquanto nos distanciamos para uma parte onde ninguém saberia identificar. Uma sala de reuniões por assim dizer, na cor vermelha e alguns tons escuros de vinho e os detalhes da decoração em dourado, um lustre de cristal relembrando gotas de chuva e algumas peças de flores. Mais ao fundo um grande palco onde mulheres padronizadas dançavam nuas, se não fosse pelos planos já teria atraído uma delas para completar minhas conquistas. Um homem de terno se aproximou da nossa mesa enquanto esperávamos a entrada de Cezare. Ele era alguns centímetros mais baixo, o nariz fino e os dentes não tão alinhados assim, parecia estar bêbado quando começou com uma conversa. — Este clube é sensacional. — sorri internamente, ele me cheirava à ganância e a cocaína recém usada. — Para quem sabe desfrutar é claro. — respondi sendo rude. — Não me importo com o que vejo aqui, só me importarei em ter a cabeça do dono em minha bandeja. — notei seus movimentos no sofá de couro ao meu lado, retirou um pacote do bolso do paletó e ajeitou o pó sobre a mesa e usou a droga, com o auxílio de um canudo puxando diretamente para o nariz, ele resmungou algo e sorriu de forma esquisita. — Está explicado então. — Olhei para o palco em minha frente. — Com licença? —apareceu uma morena maravilhosa com um vestido casual, justo no b***o e com uma saia drapeada. Em seu pescoço um pingente no formato de rosa feito de ouro. — Fique a vontade. — respondi em russo, estava mesmo ficando bom com o pronunciamento desta língua. Ela se ajeitou no sofá de couro entre nós dois, era elegante e seus fios loiros estavam milimetricamente arrumados para fora do chapéu de camurça que usava. Ganhei seu olhar após o cumprimento e então percebi que sua mão estava sobre a mão do homem ao meu lado. — A proposta de uma parceria, seria irrecusável nesse momento? — olhei para as pernas da mulher que as cruzou propositalmente. — Não vejo nada tão inconveniente sobre isto, só precisamos da pessoa certa Greco. — pensei na conversa paralela que ambos estavam tendo enquanto tentava ver algo de interessante nas dançarinas. — Já tenho uma pessoa em mente— senti como se suas palavras estivessem sendo direcionadas a mim e então olhei para eles. — O que acha russo? — odeio esse apelido. Nunca serei russo, meu nascimento é americano e tenho orgulho do que sou. Retirei o canivete do bolso da calça e coloquei sobre a mesa, ambos ficaram apreensivos com meus movimentos. — E o que você ganha com esta aliança? — não sou ingênuo ao ponto de não saber sobre isto, ou não o conhecer o bastante. — Poder. Império, não importa! Quero te ajudar nisso. — ri de toda a situação. Robert estava entretido com uma mulher em seu colo, totalmente alheio à situação em que me encontrava. Seria um t**o se não o conhecesse bem, há boatos de um jovem italiano que andou por esta região atrapalhando alguns dos negócios e talvez seja este o infortúnio de que tanto esperei. — Ajudar a destruir… Conheço muito bem você. — O que quer dizer com isto? — ele está se fazendo de desentendido, mas segue seus rastros no seu tempo de estadia por aqui. — O carregamento do mês passado não chegou a São Petersburgo. Quer aliados Greco? Seja um aliado. — levantei da mesa deixando os, precisava de alguma bebida forte, pensar em alguma solução. Aquele carregamento era importante e acabou me prejudicando em outros aspectos, Dante é um cara promissor, mas sua obsessão por mais poder o levaria a ruína, assim seria para quem estivesse ao seu lado. Uma aliança com os Italianos será arriscado agora. — Quero o especial da casa. — encostei no balcão vendo a mulher do outro lado preparar a bebida, ela era perfeita nas curvas, os cabelos cacheados no estilo rebelde, a pele morena brilhando e poderia dizer que os b***s estavam rijos no tecido fino de sua blusa preta. — Aqui está. — ela esbarrou seus dedos em minha mão ao entregar o copo e depois piscou para mim. Tomei o conteúdo vermelho de uma só vez e então senti minhas costas queimarem com os olhares da acompanhante de Dante. Ela me parecia diferente, com algum mistério em seus olhos castanhos. Os cachos caindo levemente em seus ombros enquanto se movimentava para beijar o rosto daquele homem ridiculamente pomposo, os dentes sem amparo e aquele olhar ambicioso, liberando fogo quando se dirigia a mim. Com certeza havia ganhado mais do que sua empatia, talvez fosse. Cezare chega no recinto quando tocou outra música e eu estava prestes a arrastar a morena do bar para um dos quartos da área VIP. Sua postura imponente me causava grande combustão, sensação de que poderia acabar com ele ali mesmo se pudesse. Ele cumprimenta todos e se acomoda em uma mesa reservada, seus olhos se encontram com os meus e seu sorriso despertou o mais profundo temor de minha alma.
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