Capítulo 10 IVAN CZAR

1104 Palavras
“O perigo mora ao lado, ou até mesmo embaixo de uma saia." — Ivan Czar Uma saia no cumprimento de três dedos acima dos joelhos, olhos castanhos e misteriosos. Deixei a morena do bar sair do quarto, peguei a peça pequena que ela usava, levando até o nariz e imaginando como seria o sabor daquela mulher misteriosamente sedutora. Deliciosa e irresistível, e um pouquinho perigosa. Seus olhares ainda queimavam em minha pele, como uma marca em brasa e então, decidi retornar para a reunião particular onde poderia rever minha admiradora. Coloquei a calcinha no bolso da calça assim que consegui me vestir e seguir diretamente para lá. — Czar! Você está aí. — Cezare manobrou sua cadeira de rodas até mim perto do balcão de bebidas. Me mantive firme no lugar e pela visão periférica vi que a mulher misteriosa estava sendo beijada à força por Dante. — Estou. — respondi rápido indo até eles e deixando Cezare sem reação. Sentei no meu lugar e então Greco soltou a pobre mulher. — Então vamos aos negócios! — escutei Cezare dizer vindo em nossa direção, seu olhar era gélido para mim. — Obrigada. — Escutei os sussurros da moça e então afirmei com apenas um balançar de cabeça. - Temos aqui um potencial investidor, Dante. Levante-se para nos dizer sua proposta. — ele o faz, sentir algo de muito estranho no comportamento de Cezare, parecia ansioso. — A ideia inicial será na importação de uma mercadoria rara, um tanto exótica vinda diretamente de um dos meus fornecedores da região Sul Coreana. — E o que seria de tão importante esta mercadoria? — seria a melhor hora para comentários irônicos? Não, mas estava pouco me lixando e meu comportamento mudava diante de Cezare. — Escravas sexuais. Mulheres de raças diversificadas, estou falando de uma importação mundial. Algo revolucionário, juntamente de algumas armas à feu, munitions et drogues. — Ah é! Sim. Colocaremos mulheres dentro de um contêiner, passando fome e frio, ao ponto de perdermos a maioria dessas pessoas e fora que terão que passar essa Mercadoria pelas fronteiras. — Ivan, acalme-se. — Robert levantou deixando uma mulher loira, frustrada para trás. Ele veio ao meu encontro e então percebi que havia explodido, pego meu canivete da mesa e levantado até estar no bar de novo. — E o que sugere Czar? — Dante provoca. — Não me chame assim, p***a! — demonstrei todo o ódio, direcionando tal sentimento para Cezare que ficou apreensivo e então com um aceno de mão, seguranças entram por onde chegamos mais cedo. Respirei profundamente tentando me acalmar. — Podemos investir em aviões. Mais fácil de ultrapassar as fronteiras sem ser monitorado, além de podermos levar um pouco menos de provisões, seriam algumas horas ao invés de dias ou meses em alto mar. — É uma boa sugestão, sou obrigado a concordar. — Dante falou fazendo uma careta para mim. Pedi outra bebida e me sentei na banqueta, retribui os olhares de sua acompanhante. — Economiza tempo, dinheiro e mortes. Parece muito mais viável. — diz acendendo um cigarro, soltando a fumaça de forma elegante. Dante se aproximou dela e lhe acertou o rosto com um tapa. — Cale-se v***a! — meu sangue ferveu com a cena, ela caiu no chão com a mão no rosto banhado de lágrimas. — Encoste mais um dedo seu cretino! Bate nela outra vez! VAMOS! — segurei seu pescoço fechando meu punho com força, ele não tem como escapar, seu corpo era mais esbelto e sem músculos. O ar lhe falta e então ele começou a se debater, fechei a outra mão e acertei o rosto com potência, seu sangue sujou minha camisa branca e aquilo me satisfez, tanto quanto uma boa f**a faria. — Você é um o****o, lambedor de botas. — cuspiu no chão e então dei as costas para ele, ignorando seus insultos. — Está bem, querida? — segurei a cintura dela sentindo os arrepios em minha coluna com o contato. — Estou sim. — diz limpando as lágrimas com as costas das mãos. Definitivamente não estou me reconhecendo, mas de uma coisa tenho plena certeza, não posso ver violência contra qualquer mulher em minha frente, é abominável, uma prática que requer muita frieza e crueldade. A mulher não é apenas um ser extraordinário, elas são capazes de gerar vida, de suportar altos picos de hormônios em seu corpo, das mudanças que eles provocam e até mesmo dos abusos que a vida pode trazer injustamente. Mulheres devem ser veneradas, colocadas em um patamar lá no alto ou pelo menos serem respeitadas. — Você é um t**o Russo! — Czar, fique pronto. Estaremos partindo para a mansão. — Cezare falou guardando o telefone no bolso da calça. — Houve algum problema? — perguntei a contragosto, segurando meu ódio por estar recebendo suas ordens mais uma vez. Robert confirmou algo com apenas seu olhar, algo que mudaria tudo e que eu já sabia do que se tratava. — Estaremos indo. — Robert falou por mim. — Antes que me esqueça, Dante. Não estou disposto a aceitar sua proposta, meus negócios são apenas com homens e crianças, não negocio mercadorias frágeis. — Cezare deu as costas para todos, levando sua cadeira de rodas para longe de nós. — Vai se arrepender por isto! VOCÊS VÃO SE ARREPENDEREM POR FICAREM EM MEU CAMINHO. Segui Robert, precisamos muito estar na mansão, e com sorte eu possa ver minha mãe, já faz muito tempo e meu coração se aperta com tal possibilidade, porque a saudade está muito grande. —Espere! Parei ao som da voz da mulher que em poucos segundos havia tomado minha atenção e meus desejos. — Não me deixe aqui por favor! Este homem é c***l, ele… — Venha, se desejar. Mas não prometerei nada a você. — Isto é verdade, não poderei prometer algo que seria incerto, meu lugar não é aqui, e estou disposto a conseguir o que tanto desejei por anos — ir embora com minha mãe. Dar a ela uma vida digna e uma família com muitos netos para ela mimar e amar. — Não preciso de promessas. — ela resmungou indo atrás de nós. Por um segundo pensei que as coisas seriam apenas atrativas, algo que não precisaria tanto de desconfiança, mas percebi que esta mulher é diferente, discreta algumas vezes como agora. Ela caminhava analisando tudo ao seu redor e a todos, cada passo como se estivesse usando memória fotográfica. Era intrigante. Segurei sua mão enquanto entrávamos no salão onde as pessoas bebiam e se esfregavam, dançando uma música qualquer, e então aquela corrente elétrica novamente entre nós.
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