Capítulo 10 de 10 IVAN CZAR

1598 Palavras
— Está com medo? — segurei mais firme em sua mão, parecia estar suando. — Um pouco. — afirmou nervosa. Puxei seu corpo para mais perto quando saímos do clube, o frio se fez presente com o tempo mais fechado. O céu escuro e um vento gelado, ela estremeceu e então abri a porta do GAZ-21, ela entrou se acomodando enquanto dei a volta para pegar meu lugar e dirigir. — Está certo, de ônibus então? — meu amigo diz sarcástico me fazendo rir internamente. — De ônibus seu folgado. — respondi dando a partida no carro e deixando ele para trás. O caminho todo queria pensar em coisas positivas, o tempo até a mansão foi de muito silêncio, apenas as nossas respirações. — Obrigado. — ela suspirou. — Por ter me defendido. — Faria isso por qualquer mulher. —o que era verdade, mas por ela, meus instintos de proteção falaram mais alto. — …Que eu conhecesse é claro. — Perdão! Meu nome é Natasha. Estacionei o carro nos jardins da mansão, ela estava toda iluminada nesta noite. Algo estranho que não me parecia certo, uma sensação de tristeza, um presságio talvez. — Ivan. Pode me chamar de Ivan. — seus lábios se moveram formando um lindo sorriso, na verdade um sorriso sedutor que acabou mexendo comigo. Abri a porta e sai para ajudar ela também, segurei sua mão delicada e então deixamos o carro. Subimos a pequena escadaria e enfim, a porta de entrada. Pelo trajeto, percebi uma movimentação estranha de seguranças, como Robert havia me alertado mais cedo. A casa estava normal como era de costume, Cezare estava sentado em sua poltrona utilizando de um cachimbo, tranquilo demais para uma convocação simples. — Chegou o meu braço direito— Senti ironia em sua fala, andei juntamente de Natasha sentindo meus pelos da nuca arrepiarem. — Cezare? Chegou alguém? — Ah! Sim querida. Vem aqui em baixo recebê-los! Olhei para a escadaria e vi a mulher descer, usando um vestido rosa que deixava evidente o volume em sua barriga, os braços dela estavam mais magros e seu olhar em mim fez meu mundo desmoronar. Soltei a mão de Natasha que assim como eu, ficou surpresa com a visão. — Mãe? Mãe! — corri em sua direção, era ela. Ela está… Abracei seu corpo com tanta saudades, minhas lágrimas caíram conforme suas mãos acariciavam meus cabelos. Todos esses anos, planejando sair daqui, só cometendo crimes e matando pessoas para um homem c***l. Ele havia destruído aquela mulher sorridente e amorosa, minha mãe não disse nada além de chorar em meus braços. O amargo subiu no fundo de minha garganta, o calor como a brasa que queima para fundir aço, corria juntamente do sangue em minhas veias. Irei matá-lo. Não importa quantos homens terei de enfrentar, minha mãe não irá sofrer mais por minha causa. Ajudei ela a sentar no sofá, e então me virei para o homem tranquilo em minha frente, tragando sua droga, imponente. Como se fosse um Deus, mas ele não é. — Como você pôde? — segurei meu canivete no bolso, queria muito ver seus olhos quando a morte lhe abraçar. — Correção. Eu posso Czar, é meu filho que ela carrega no ventre. O futuro de toda a corporação, o renovo de que tanto precisamos. — Minha mãe não é a p***a de uma mercadoria! — não consegui ver mais nada além do golpe que executei, livre e preciso. Diretamente em sua garganta, o sangue jorrou de forma prazerosa, algo que eu nunca imaginei que conseguiria pelo menos chegar perto dele sem ser interceptado ou acabar desmaiado no chão. Cezare se esqueceu do perigo que o rondava, nem sequer imaginou que poderia ter um reencontro desta forma. — Confiei que… — Nunca fui fiel a você Cezare, sempre quis me vingar de tudo e agora, sei que lhe tirar a vida é pouco. Irei lhe tomar tudo o que você conquistou, isso sim é ser justo. Minha mãe não tem preço! O sangue jorrava do corte como se estivesse aberto uma torneira, o barulho que sua garganta fazia em plena agonia era como uma melodia, nunca imaginei desejar uma morte como desejei agora. Olhei no fundo de seus olhos, segurando o colarinho de sua camisa social azul, busquei qualquer tipo de relutância, uma faísca de ódio, mas só tive decepção ao me deparar com o vazio. — IVAN! — a voz de dor invadiu meus sentidos, deixei que o corpo de Cezare caísse sobre a sua própria cadeira e então, direcionei meu olhar para minha mãe. Ela segurava a barriga, estava abaixada no chão e sua expressão era de muita dor, no carpete de camurça branco estava uma mancha de sangue que não era de Cezare. — Mãe! Mãe! Olhe pra mim, mãe! — apressei meus passos até ela e peguei seu corpo no estilo noiva enquanto seus gritos eram ouvidos por todos, não me importei se chamasse a atenção dos seguranças, minha mãe está sofrendo é preciso ajudar. Levei ela até o andar de cima, entrei em um dos quartos e depositei seu corpo na cama, notei que Natasha havia me acompanhado e em seu rosto havia uma expressão de pavor. —Vou chamar um médico. — diz nervosa se afastando de nós. Segurei na mão da mulher que amo, minha mãe é tudo para mim e não posso a perder. As lágrimas se fizeram presentes em meu rosto, então ela gemeu erguendo a outra mão e limpou algumas delas. — Está tudo bem, querido. — ela apertou minha mão e me senti culpado por ter exposto meu lado sanguinário. — Perdão, mãe! Me perdoe. — supliquei em meio aos gemidos sôfregos que saiam de sua garganta. — Sim amor, eu perdoo… O bebê vai nascer! — ela gritou chorando e me deixando mais aflito com sua situação. Alguns minutos mais tarde, um médico entrou pela porta do quarto juntamente de Natasha, ele era alto e muito magro, dedos longos e finos, usava um óculos de armação arredondada e seus cabelos bagunçados, parecia ter acabado de sair às pressas. — Olá, Charles, sou Obstetra. Posso analisar a paciente? — ele apertou minha mão e então dei espaço para que ele fizesse seu trabalho. Ele começou com as verificações simples de medir a pressão, por exemplo. —Houve algum sangramento? — Sim! — respondi vendo o médico pedir licença e introduzir o braço por baixo do vestido de minha mãe. — Bom dona… — Elisa. — ele repete o nome após minha mãe responder entre suas respirações profundas. —A dilatação do colo está indo muito bem e sua bolsa já está estourada. Devemos aguardar a evolução até o nascimento. Preciso ficar um tempo com a paciente e orientá-la sobre os passos seguintes a serem tomados. Concordamos, então Natasha me puxou para fora do quarto. Fiquei sem entender suas atitudes, mas a segui, ela fechou a porta atrás de si e então suspirou. — c*****o! Ela vai ficar bem. Ela vai… — tentei me acalmar em vão, os gritos de minha mãe estavam um pouco mais frequentes. — Olha, os partos sempre são complicados. Mas ela vai ficar bem sim. — Natasha se posicionou atrás de mim e começou massagear meus ombros, senti um grande alívio momentâneo. Mas o sofrimento de minha mãe estava me deixando em agonia, seus gritos se tornaram meus pesadelos. Minha mãe teria mesmo de sair dessa, mas seu estado era de exaustão, sua magreza me causava medo, ela estava debilitada. — Sei disso. Mas ela não está nada bem! Temo pelo pior. — Tenha calma! Precisamos pensar positivo e não entregar os pontos dessa forma. — balancei a cabeça concordando e então os gritos ficaram mais fortes, desesperado andei de um lado para o outro, desejando o bem estar de minha mãe e também do bebê. Minutos pareciam horas e as horas pareciam ter-se passado dias, os gritos de minha mãe estavam falhos, cansados, mas segundos depois podemos ouvir o choro de um bebê ecoar por todo o local, olhei para Natasha e ela estava com um grande sorriso no rosto. Não me segurando, abri a porta com tudo e me deparei com o médico e o embrulho em suas mãos, era o bebê. Aproximei e o peguei de seus braços, era pequeno, mas forte e robusto para um recém nascido. Avistei minha mãe sobre a cama e os lençóis estavam banhados no sangue, meu coração disparou como louco. Ela apenas sorriu e sussurrou o nome do bebê, me aproximei da cama e coloquei o pequeno nos braços dela. — Lindo. Meu… Mathias. — o bebê resmungou e então me apressei para o segurar quando percebi a moleza nos membros de minha mãe. — Estou me sentindo em paz filho. — Não mãe! Agora não. Olhe, vamos embora deste lugar, ok? Vamos construir uma boa casa e irei me alistar para o exercício, vou ser policial como meu pai foi. Mas fica comigo! — Não estou… Aguentando. Por favor, filho. Cuide do Be-bê por mim! — acariciei seus cabelos, ela fechou os olhos já suspirando cansada. — Vai ficar tudo bem mãe! Vai ficar tudo bem. — seu corpo amolece e sua cabeça cai em meu ombro, fechei os olhos com força, não querendo acreditar. O choro do bebê era a única forma de sentir que tudo havia acabado, ele também sentia falta de sua mãe. O buraco em meu peito foi a convicção de que não haveria mais a quem me agarrar, estarei sozinho agora, minha mãe partiu e devo aceitar o que me é de merecido.
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