Capítulo 12 IVAN CZAR

1443 Palavras
"A dor pode ser tão profunda quanto aparentava sobre seus olhos. Ela não se perde assim como uma amizade ou uma paixão, ela fica e se instala ali por toda a sua vida" Ivan Czar *** Segurei o corpinho do meu mais novo irmão com cuidado, deitei ele sobre o berço do quarto que foi planejado para as suas acomodações. Olhei ele dormir por um tempo, não queria pensar em mais nada, e também não esperava que alguém se importasse com minha dor. — Ivan? Olha, precisamos resolver esses problemas. — Meu peito estava aberto, exposto para qualquer infecção sentimental, poderia morrer aqui mesmo, se fosse o caso, morreria nas mãos de Cezare, tentando nos libertar. Seria melhor… — Ela se foi. Não podemos mudar o que aconteceu, mas precisamos ver o que é melhor agora. — Natasha por algum motivo ficou ao meu lado, o tempo passou e desejei que os homens de Cezare acabasse com minha agonia, esperei o primeiro que entrasse pela porta e de alguma forma, tirasse minha vida. Mas olhando para o berço, percebi o quanto estava sendo um i****a. Sorri de mim mesmo, limpei as lágrimas do rosto e me afastei do bebê. — Eu mudei tudo. Esse final é merecido! Agora precisamos dar um fim a dois cadáveres, não é isso? — não queria ser rude, mas também precisava ficar sozinho e pensar em uma solução. — Desculpa Ivan. Eu vou… — ela apenas saiu e me senti péssimo, suspirei levando a mão aos cabelos. Deixei o quarto na intenção de encontrar Natasha e pedir desculpas. Ela estava na sala, sentada no sofá com a cabeça baixa. — Perdão. Não quis… — Você quis. — Está bem. Vou ligar para um amigo vir, ele vai ajudar com… — paguei o telefone do bolso e fiz a chamada. — Edgar falando. - Preciso que venha até a mansão, traz o Tom e o Jack— desliguei a chamada, encarei o corpo de Cezare tomba para trás e pensei em como o médico não ficou apavorado com a cena. — Você está bem? —ela riu da própria pergunta, balançando a cabeça e depois me olhando de forma intensa. — Não, mas preciso. Você está? — perguntei me lembrando de ter sido rude com ela. — Sim. — Natasha parecia distante. — Boa… Noite? — Edgar chegou já se deparando com o resultado de meu descontrole emocional. — O que houve aqui? Ivan? — c*****o! — Jack falou deixando uma bolsa grande cair aos seus pés. — Isto me parece ser acerto de contas. — Tom falou confiante se aproximando do corpo, olhou para mim desconfiado. — Só tirem isso daqui. Por favor! —falei me levantando e alongando o corpo. — Apenas tirar? Só tirar, é isso? — Edgar estava nervoso. — Puxa vida! — E o Conselho zeezo i ogon' (ferro e fogo)? — Não há outro jeito, Tom. — murmurou Jack me deixando pensativo. — E a solução seria? — retrucou. — Tomar o lugar de Cezare. — Olhei para Natasha e ela parecia interessada no assunto. — Isto implicaria em um confronto Ivan! Não temos muitos aliados para enfrentar o Conselho. — suspirei me sentindo exausto, os nervos doloridos. —Enfrentaremos com o que temos. Só precisamos de uma boa estratégia. — Ou conquistaremos espaço. Funciona, mas levaria algum tempo. — Natasha comenta chegando perto de mim, suas mãos passearam pelas minhas costas e então fechei os olhos apreciando cada contato seu. — Daremos conta por aqui. — Edgar respondeu me deixando parcialmente aliviado do peso que carregava — um saco de estrume para ser exato. — Você precisa descansar. — os lábios de Natasha tocaram de forma suave em meu ouvido, levando estímulos a lugares não estimulados. — Estarei lá em cima, caso precisem… É só me chamar. — levantei aos olhares de meus amigos e tomei rumo para o andar de cima. Passei diretamente pelo quarto onde o corpo de minha mãe descansava, queria pelo menos me sentir vivo nesse momento, ter algum motivo para prosseguir com tudo isso, quando escutei o choro abafado de Mathias. Parei no mesmo lugar, a porta estava entreaberta, havia algo de estranho, como uma sensação r**m. Decidi entrar no quarto, estava tudo no lugar, como antes, mas a única coisa de diferente eram algumas marcas de pegadas feitas com lama, elas levavam até o bebê que chorava muito. — Ei! O que houve ? — aproximei do berço e notei que o bebê estava mais agitado do que o normal. Coloquei a mão sobre seu rostinho e constatei uma temperatura um pouco elevada. O pequeno abriu os olhinhos e notei que eram escuros, isso não fazia sentido. Mathias não teria olhos escuros, ambos os pais têm a mesma coloração azulada. Foi quando percebi, alguém esteve aqui enquanto conversávamos lá embaixo. — Não. Isso não pode acontecer! Apressei os passos deixando o bebê para trás, meu sentimento era de impotência, havia mais manchas no chão, levando para os fundos da propriedade, as pegadas terminavam em uma parede ampla da casa, então olhei ao redor não encontrando mais nada além da última porta dos quartos da mansão ao meu lado esquerdo. Talvez tivesse algo que não estava vendo, mas de cabeça quente não iria conseguir chegar em lugar algum. Gritei como se o ato pudesse me tirar a dor do peito, meus punhos bateram na parede acima da minha cabeça. Nada estava certo, haveria algo que eu preciso fazer, nem que para isto seja necessário derramar sangue pelo caminho. — IVAN! — escutei os gritos de Natasha ao longe, parecia tudo em câmera lenta. Meus joelhos se encontraram com o chão, eu havia prometido e mais uma vez falhei. O bebê foi roubado, feito uma troca. Mas quem teria interesse nesse bebê? Não fazia sentido algum. Na verdade, a vida agora não teria mais nenhum motivo para continuar. — O que houve? — senti as mãos dela em meu rosto, tentando olhar em seus olhos castanhos. — IVAN! Fala comigo! — não conseguia ouvir, não conseguia responder ou sentir algo, parecia que seus toques estavam em minha pele. Estava inerte em meus pensamentos obscuros, em minha dor. *** — Ivan de Lucca Filho. — A voz grave ecoou pelo ambiente. — Nome de pobretão. — O que você… Quer, de mim. Meu corpo tremia, dolorido. Há dias que não toquei em comida alguma, tão pouco bebi algo, amarrado pelos pulsos e suspenso por argolas de ferro, meus braços dormentes e a roupa molhada em meu corpo só piorava a situação. — Quero a sua alma. — Outro homem apareceu, mas este eu conhecia bem. Arrastando sua cadeira de rodas, os cabelos grisalhos e compridos, demonstravam ser de cor clara por conta do pouco pigmento amarelado em alguns pontos. — Não tenho… Alma. — Todo homem tem uma alma, e a sua… Está bem em cima da minha cama, semi nua. — Desgraçado! — berrei ao máximo que consegui, sem fôlego e com o corpo em estado crítico, não poderia fazer mais nada além de aceitar o fim. — Sua mãe me dará um filho. — escutei sua voz se distanciar. — O sucessor de todo meu império. Deixei que o corpo se sustentasse por si só. Não suportava tal situação, sentia repúdio de mim mesmo. Do homem ao qual levaria tudo, faria de tudo para conseguir a liberdade e a vingança, erguia os olhos até enxergar um dos subordinados de Cezar e fechar a porta de ferro. *** O barulho do ferro se chocando um contra o outro ainda parecia estar presente em minha mente. Meu grito de agonia, o temor pelo que poderia ter acontecido com minha mãe, tudo veio à tona. O ódio, a fúria nunca esteve tão viva dentro de mim como agora, olhei para aqueles olhos castanhos que me cativou no primeiro momento lá no clube, por um momento tive pensamentos loucos, vozes pedindo crueldade, a insanidade de um homem chegar ao limite. Fechei minhas pálpebras e com meus punhos também fechados, desferir golpes no chão vendo seu corpo se afastar, a cada soco um grito reverbera por entre meus lábios, Natasha estava assustada e encolhida na parede, seus olhos castanhos estavam mais belos e vibrantes. Levantei caminhando em direção a ela que parecia tremer, suspirei e em seguida ofereci minha mão que continham marcas da recente violência sobre o chão. — Não vou te machucar. — Afirmei. Ela segurou minha mão estendida e notei a umidade se misturando ao calor de seu contato. — Precisa ter calma, vamos solucionar tudo isso. — Sua voz oscilante era atrativa, algo que me despertou por completo.
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