Capítulo 20 Į V A N. C Z A R

1105 Palavras
"Nos punhos tomei o que sempre deveria ter sido meu. " Ivan Czar *** A sala era em conjunto com a cozinha, tudo limpo e organizado. Os móveis eram brancos com detalhes em cinza e na sala os sofás vermelhos, uma televisão e uma mesinha de canto com um vaso de planta de folhagens finas. Caminhei para os cômodos dos fundos, procurando por algo e nada, um quarto suíte simples com cama e uma varanda, busquei por algo pessoal em seu closet e novamente nada, frustrado por não conseguir alcançar meu objetivo, tornei para a sala, peguei algo para beber na geladeira e me sentei no sofá. Decidindo esperar, talvez ela não tenha vindo diretamente para cá, o que dificultaria a surpresa. Meus pensamentos estavam deixando maluco, a vontade de retornar estava quase vencendo quando a porta fez um barulho anunciando a chegada de Natasha. Ela parou por uns segundos, girando em seu redor e acendeu a luz me deixando com a visão um pouco turva. — Boa noite Natasha. — Seus olhos castanhos dobraram de tamanho, ela deixou o guarda-chuva ao lado da porta, Suspirou tentando buscar a calma e retirou os sapatos. Deixei a taça com o vinho sobre a mesinha ao lado da planta, aguardei por qualquer coisa, menos pelo que veio a seguir. Ignorou a mim indo para o quarto, esperei que ela voltasse, mas estava demorando quase meia hora, então busquei pela sua presença. Pisando no quarto escutei o chuveiro, então sentei em sua cama sem me importar, retirei os sapatos deixando os de lado, ela saiu do banheiro de roupão tomando um susto comigo. Foi para o closet me deixando intrigado, nenhuma mulher havia feito o que ela está fazendo agora, sempre quiseram se jogar para cima de mim. Deitei na cama, a paciência não seria o meu forte, mas estava contando com ela nesse momento. — O que faz aqui? — Disse em um sopro de fôlego. Ela estava vestindo um conjunto de moletom rosa com os braços cruzados na linha dos s***s. — Vim te buscar. — Levantei vendo ela vacilar com a postura. — Me buscar? — Decidi que assim será melhor, para o bem de nós dois. Estarmos juntos. — Ah! Você decidiu isso! — Sim, eu decidi. — Mantive a postura vendo seus olhos faiscaram. — Sai da minha casa. — Natasha apontou o dedo para a saída, fechei a expressão fazendo ela morder os lábios nervosa. — Sairei com você, ou se preferir ficarei aqui, para mim tanto faz— Deitei novamente na cama esperando ela brigar, xingar ou qualquer coisa do tipo. —Então está bem, quem sai sou eu— Apressei em pegar sua cintura para mim, ela caiu em cima de meu corpo e seus lábios encostaram nos meus. Sua respiração era uma grande desordem, segurei seu pescoço e mudei nossas posições. — Você ainda não entendeu? — Mordi os lábios inferiores dela fazendo seu corpo tremer em resposta. — Tudo em você me pertence agora. — Ivan, Espere. — Ela une as sobrancelhas. — Tem algo de errado, você foi seguido por alguém? Se desvencilhou de meus braços, então fiquei atento a um barulho estranho seguido de um estrondo, o chão tremeu abaixo de nós então puxei Natasha para nos proteger. Após o silêncio, levantamos do chão. — Merda! Você foi seguido. — Ela corre para o closet. — Não é a hora de pensar em sapatos mulher! Vamos sair daqui! — Me senti nervoso, peguei a arma em meu colete que estava por baixo do paletó e decidi averiguar o andar. — Não há saída Ivan! — Ela parou ao meu lado jogando na cama algumas armas e uma corda de alpinismo. — Mas que c*****o é isso? — Nós vamos descer pela lateral do prédio. — Ela amarrou a corda na janela e imaginei aquele troço quebrando comigo. Natasha pegou algumas pistolas ajeitando sobre a roupa que nem tinha notado ela ter trocado, um cinto com um coldre, um suspensório com alguns bolsos pequenos e ela foi distribuindo tudo o que tinha de armamento sobre o corpo. — Tome isso— Ela me ofereceu uma pistola. 40 de raiamento preciso. Segurei a arma imaginando de onde ela havia tirado tudo isso. Outro estrondo e Natasha já estava se pendurando pela janela. — p**a que pariu! — Minha visão ficou turva com a altura, dei dois passos para trás e decidi que enfrentar corpo a corpo seria melhor do que cair de cara no asfalto. — Está com medo de cair? — Ouvi as risadas dela do lado de fora. — Não estou com medo de trinta metros! — Peguei na corda sentindo o suor descer, fechei os olhos e sentei na sacada, outro estrondo me fez escorregar, agarrei a corda com força e busquei um apoio para os pés. — Correção, são quarenta e cinco metros. — Ela gritou estando na metade do trajeto. Respirei fundo e comecei a copiar seus movimentos, questão de força não era problema, mas sim o pavor do desequilíbrio constante. No meio do trajeto, tiros eram ouvidos juntamente de gritos de Pânico. Desci com mais agilidade, olhei para cima e vi uma mulher debruçada sobre a janela do quarto onde estávamos, ela segurava algo brilhante nas mãos, como uma faca. Me segurei em um suporte de varanda e dei um nó firme na corda para podermos continuar, a mulher ingenuamente cortou a corda causando um tranco por conta dos nossos pesos. Natasha olhou para mim assustada e sinalizei para que ela continuasse, porém um tiro é disparado e senti que a corda ficou esticada, olhei para cima vendo a mulher sumir então direcionei minha atenção para Natasha, seu corpo pendurado me dando a certeza de que a perderia se demorasse mais alguns minutos. Apressei meus movimentos ao som descompassado de meu coração, rapidamente chegando perto de seu corpo, apoiei os pés na parede me mantendo na horizontal, puxei Natasha para perto, desafivelar seu corpo da corda e colocar ela sobre meu tronco, os esforços eram mais árduos, carregando um peso extra, temendo pelo pior, deixei seu corpo no chão sentindo Minhas mãos queimarem com o esforço físico. Retirei do bolso meu celular ligando para Robert. Momentos depois, quando já não me restava alguma esperança, ouvi uma sirene cortar o silêncio, os paramédicos trouxeram todos os materiais que precisam socorrer Natasha. Levaram seu corpo para a ambulância, sentei ao lado da maca, fechando os olhos e pensando no pior. Queria estar preparado para as notícias ruins, não desejei perder a mulher que me transmitia sentimentos fortes, mas neste momento o medo era predominante.
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