Andando pelo castelo, não consegui descobrir muitas coisas sobre Dylan. Este lugar era realmente muito grande; acabei me perdendo várias vezes.
Estava muito entediada, passei o dia inteiro neste enorme castelo, sozinha, e para piorar, já estava escurecendo, e eu estava faminta.
— Droga, Dylan... onde você foi? – Pergunto em voz alta.
Volto à sala onde estava quando ele foi embora. Ando até a poltrona e me sento bufando irritada.
Nessas horas sentia falta da tecnologia; meu smartphone seria muito útil agora.
Escuto o som de alguns passos e ajeito minha postura na poltrona com empolgação. Pela primeira vez em horas, veria alguém.
— Violet? O que está fazendo aqui? – Alaric pergunta assustado.
Olho para sua mão e vejo algumas pastas, me pergunto mentalmente qual seria o conteúdo delas.
— Eu que te pergunto. – Dou uma risada. – O que está fazendo aqui? Você não deveria estar viajando?
Alaric pisca os olhos algumas vezes e sorri antes de se aproximar em passos largos.
— Precisava pegar alguns pergaminhos antigos antes da viagem. – Alaric diz amigável.
Ele para ao meu lado e me observa alguns segundos em silêncio. Sinto minhas bochechas corarem com seu olhar intenso.
— Você conseguiu encontrar? – Pergunto curiosa.
Alaric sorri de uma forma fofa que destaca suas covinhas; o cientista senta no sofá em minha frente.
— Encontrei, mas não tinha exatamente as informações que gostaria. – Alaric coça a nuca e sorri. – Mas os que encontrei estão em uma língua antiga; confesso que não sou muito bom nisso.
— Pode me mostrar? Talvez eu possa te ajudar. – Sorri amigável. – Meu pai me ensinou algumas línguas antigas em nossos estudos.
Alaric ri entusiasmado e me entrega sua pasta. Seus olhos me observam com expectativa; ele sorri animado quando me vê abrir a pasta.
— São cópias dos pergaminhos. Dylan me mataria se eu tirasse os originais do castelo. – Ele sorri envergonhado. – Os originais estão em uma câmara para preservação, junto com alguns livros antigos e outros materiais históricos.
Abro a boca chocada com sua revelação; eles tinham uma câmara de preservação de materiais históricos? Espera, eles tinham acesso a materiais históricos? Estava surtando internamente com essa informação.
— Uma câmara? – Finjo tranquilidade. – Poderia vê-la?
Alaric faz uma careta e um som estranho, algo que o deixou incrivelmente adorável.
— Não sabia que gostava de coisas assim. – Ele comenta animado.
Sinto minhas bochechas esquentarem com seu olhar entusiasmado. Ele não era o homem fechado e sem sentimentos que tanto pensava; Alaric parecia ser uma pessoa divertida quando não estava sob pressão de ter que substituir as responsabilidades de seu irmão. Parece que ele era como eu, alguém que apenas queria ficar no seu canto, uma pessoa que gostava de coisas que normalmente seriam entediantes para as outras pessoas.
— Meu pai foi professor de história na faculdade antes de eu nascer. Com uma mãe arqueóloga e um pai professor de história fica difícil não gostar de coisas assim. – Dou uma risada fraca. – Meu pai era um homem muito inteligente... ele amava história, ciências, estudar línguas. Ele sempre me ensinava algo novo.
Uma sensação nostálgica me invade ao falar de meu pai. Era como se houvessem séculos desde que isso tudo aconteceu; depois de sua morte, até mesmo minha percepção de tempo já não era a mesma.
— Você é incrível, Violet. Sempre me surpreendo com você. – Alaric diz com os olhos brilhando.
Sorri envergonhada antes de começar a ler os papéis. Estava lendo concentrada; vez ou outra acabava pegando Alaric me observando encantado, não sabia o que sentir ao certo com seu interesse repentino por mim.
Os primeiros papéis não tinham muita coisa relevante; eram apenas dados desconexos sobre construções antigas. Havia muitos papéis na pasta, e até agora nenhuma informação relevante, apenas mais um motivo para aumentar o meu tédio.
— Até agora não achei nada relevante, apenas dados incompletos sobre construções. – Digo olhando para seu rosto.
— Estou impressionado. Você realmente está entendendo esses documentos. – Alaric sorri. – Você estava bastante concentrada.
— Não foi muito difícil, e estou feliz em ajudar. Antes de você chegar, eu estava bastante entediada. – Respondo com um sorriso.
Alaric ri entusiasmado e me olha de um jeito que não consigo entender. Ele faz uma expressão que me deixa confusa e depois sorri com os olhos escuros.
— O que aconteceu? Eu disse alguma coisa errada? – Pergunto, curiosa.
— Só acho impressionante essa ser a ideia de diversão para você. Não imaginei que fosse uma pessoa assim. – Alaric comenta.
Sorrio aliviada e agradeço.
— Você tem um sorriso bonito, Violet. Eu daria mais motivos para você sorrir se pudesse ver isso com mais frequência. – Alaric diz com a voz rouca e um sorriso em seu rosto.
Coração acelerado, coro e agradeço timidamente.
— Você fica bonita concentrada, e sua inteligência é algo belo.
Alaric estava mais próximo que antes, não havia notado sua aproximação. Seus olhos me observavam de um jeito diferente, algo que nunca havia feito antes.
— Obrigada. Acho que devemos parar por agora. – Digo desconfortável.
— Tudo bem, pode ficar com esses papéis e ler com calma. – Alaric sorri envergonhado. – Você me diz a tradução quando eu voltar da minha expedição.
Sinto o alívio se instalar em mim e um sorriso cansado surge em meu rosto.
— Alaric? – A voz grossa de Dylan ecoa pela sala.
Olho para porta encontrando Dylan com uma expressão nada amigável. Ele me olha por alguns segundos e trinca seu maxilar após olhar seu irmão.
Me afasto rapidamente de Alaric que olha para Dylan com irritação.
— Espero não estar atrapalhando nada. – A voz de Dylan era fria.
— Não atrapalhou. Eu estava apenas traduzindo alguns papéis. – Digo nervosa.
Meu coração batia acelerado como se fosse pular de meu peito. Dylan e Alaric se olhavam fixamente, sentia a tensão aumentar no ambiente.
— Foi bom vê-la. – Alaric sorri me cumprimentando.
Dylan inspira profundamente ao ver seu irmão piscar pra mim de forma descontraída antes de se dirigir a porta. Ao passar por Dylan, eles se encaram em silêncio por alguns segundos.
— Dylan eu... – Sou interrompida.
— Não importa o que esteja acontecendo entre vocês dois. Isso é patético e inapropriado. – Dylan esbraveja se aproximando.
Seus olhos cor de mel estavam escuros de uma forma que nunca vi antes e isso me deu calafrios.
— Alaric e eu não temos nada e mesmo se tivesse, você não manda em mim! – Gritei sentindo meu coração acelerar.
Meu peito subia e descia devido ao ódio que sentia. Dylan se aproxima ficando apenas a alguns centímetros de distância de meu corpo.
— Estou cansada de todos nessa vila acharem que podem me tratar como quiserem. – Aponto o dedo para seu rosto. – Você pode mandar em qualquer um aqui, mas não em mim!
Por alguns segundos vejo surpresa no rosto de Dylan, mas logo ela se transforma em uma expressão raivosa.
— Não me provoque, garota. — Dylan fala entre dentes.
— Ou vai fazer o quê? — Pergunto sarcástica.
Dylan me puxa pela cintura cortando a distância que faltava entre nossos corpos, seu rosto fica perto o suficiente para que consiga sentir seu hálito de menta em sua respiração.
Meu coração batia descompassado como se a qualquer momento fosse parar e sair de meu peito. Meu olhar encontra o seu e um arrepio percorre minha coluna.
— Eu não faria isso se fosse você, Violet. – Ele diz com a voz rouca. – Não entre em um jogo do qual não pode vencer.
Sua voz causa arrepios pelo meu corpo e uma sensação nova surge em meu peito.
— E quem disse que você vencerá essa? – Minha voz sai igualmente rouca carregada de sarcasmo.
Dylan ri e n**a com a cabeça antes de aproximar meu rosto de minha orelha, sua respiração me causa cócegas.
— Humana, você é mais corajosa que pensei. Ninguém nunca ousou me desafiar. – Ele sussurra em meu ouvido. – Eu teria cuidado se fosse você.
— Cuidado? – Gaguejo ofegante.
Nossos olhares se encontram novamente e um sorriso surge em seu rosto.
— Você não sabe onde está se metendo, humana. – Seu alerta soa sedutor.
Dylan se afasta me deixando ofegante, seus olhos cor de mel me estudavam concentrados, como uma fera prestes a atacar sua presa. Meu coração estava tão acelerado que temia que ele explodisse.