Suspiro enquanto ajusto o laço no meu cabelo diante do espelho. Sinto nervosismo percorrer meu corpo ao arrumar o vestido.
— Ok... lá vou eu. – Digo, olhando meu reflexo.
Dou uma última olhada antes de sair do quarto.
Meus passos apressados ecoam pelo grande corredor. Mesmo após uma semana neste castelo, ainda me perco em seus corredores. Por isso, Dylan pediu para colocarem flores diferentes nos vasos de cada corredor. Agora estou no corredor das rosas brancas, que me levará à sala de jantar.
— Você está atrasada. – Dylan diz assim que me vê entrar na sala de jantar.
Sorrio sem graça, indo para o meu habitual lugar à mesa. Ele se levanta, dá uma volta rápida na grande mesa e, antes de me sentar, puxa a cadeira. Sorrio agradecida.
Olho para o grande relógio na parede e suspiro profundamente, tentando manter a paciência.
— Apenas dois minutos. – Respondo sem olhar para o seu rosto.
— Não importa! – Sua voz ecoa pela sala enquanto ele volta ao seu lugar.
Dylan se senta e me encara sem expressão facial por longos segundos.
— Aprenda a respeitar os horários, Violet. – Sua voz soa grave. – Combinamos que todos os nossos jantares seriam às 19:00 em ponto, então esteja aqui na hora marcada.
Suspiro novamente, determinada.
— Isso não vai acontecer novamente. – Prometo.
Dylan sorri satisfeito.
— Espero que cumpra sua palavra da próxima vez.
Fico pensando por que Dylan era tão metódico e autoritário, questionando-me sobre os motivos por trás de sua rigidez com horários e regras.
Dylan parece disposto a amenizar a atmosfera e se inclina na mesa com uma expressão mais suave.
— Violet, percebi que anda bastante tempo na biblioteca do castelo. Que tipo de livros você anda lendo ultimamente? – Ele pergunta, revelando um interesse que me surpreende.
Sorrio envergonhada, hesitante em compartilhar meus gostos mais pessoais.
— Bem, eu estava lendo "Alice no país das maravilhas". É um livro encantador, mas acho que não seria do seu interesse.
Dylan arqueia uma sobrancelha, curioso.
— Por que você acha isso? Estou interessado em conhecer seus gostos.
— É um livro mais voltado para o público infantil, com uma história mágica e cheia de encanto. Não sei se seria do seu agrado. – Explico, esperando não decepcioná-lo.
Surpreendentemente, Dylan sorri.
— Na verdade, "Alice no país das maravilhas" é um dos meus favoritos de infância. Li diversas vezes quando era mais jovem.
Fico boquiaberta, não esperava essa revelação.
— Sério? Eu não imaginava que você gostaria desse tipo de livro.
Ele ri levemente.
— Às vezes, um escape para a fantasia e imaginação é exatamente o que precisamos, independentemente da idade.
Enquanto Dylan e eu conversamos sobre livros, uma lembrança se destaca em minha mente.
— Na verdade, Dylan, enquanto estava na biblioteca, encontrei um livro antigo que me chamou a atenção.
Seus olhos se iluminam com interesse.
— Um livro antigo? Sobre o quê?
— Parecia tratar da linhagem da sua família. Uma obra fascinante que remonta às gerações passadas. – Comento, notando seu olhar atento.
Dylan se inclina um pouco mais na mesa.
— Isso é intrigante. Onde você o encontrou?
— Na seção mais afastada da biblioteca, quase esquecido por ser um livro em um idioma antigo. Pode ser uma fonte boa de informações sobre a história da sua família, talvez te ajude em alguma coisa.
Seu interesse parece crescer, e Dylan me encara com uma expressão mista de surpresa e curiosidade.
— Violet, você poderia me dizer o conteúdo desse livro? – sua curiosidade era evidente.
— Algumas histórias sobre Alexios e seus relatos, nele também encontrei indicações de outras obras sobre a linhagem de Alexios. – Sorri envergonhada. – Inicialmente não acreditei que você fosse realmente um descente dele, mas ao que tudo indica, você realmente é descendente direto de Alexios, e herdeiro de seu trono.
Dylan suspira e me observa.
— Eu lhe disse que era. – Ele dá de ombros. – Em que esses livros podem me ser úteis?
— Lembro que Alaric disse algo sobre uma maldição. – Digo atraindo sua atenção. – Um dos livros menciona brevemente algo sobre. Mas ainda estou procurando respostas em outros exemplares.
Dylan parece surpreso e seus olhos ficam mais escuros.
— A maldição... você encontrou algo sobre sua origem? – Sua voz é esperançosa.
— Eu estou tentando entender.. menciona bruxas e criaturas das trevas. – Minha voz soa confusa. – Não consigo entender o que isso significa.
A expressão do rosto de Dylan muda rapidamente ficando obscura.
— Violet, acho que chegou a hora de te explicar sobre essa maldição. – Sua voz é calma. – Acho melhor irmos ao escritório, lá poderei te explicar melhor.
— Mas... – Minha voz soa receosa. – Você sempre faz questão de nossos jantares.
Dylan suspira e dá um meio sorriso, como se estivesse orgulhoso de meu empenho por manter nossa rotina.
— Você está certa... mas esse assunto não pode esperar. – Dylan se levanta. – Me acompanhe por favor.
Meu coração bate acelerado e um frio toma conta de minha barriga ao vê-lo sair da sala de jantar. Dylan sempre fez questão de nossos jantares e pra isso não acontecer, algo muito grave deveria estar acontecendo.
Me levanto apressada e ando em direção ao escritório, ao entrar no cômodo, encontro Dylan olhando para as chamas da lareira perdido em seus pensamentos. Pigarreio atraindo sua atenção.
— Então, Violet... você está pronta para me ouvir? – Dylan pergunta virando em minha direção.
Sua pergunta me deixa confusa, me aproximo alguns passos.
— Estou... mas... – Ele me interrompe.
— Você ouviu isso? Ouviu esse som? – Dylan pergunta com uma expressão séria.
— Eu não ouvi nada. – Respondi confusa.
Dylan eleva sua cabeça farejando o ar, como um animal farejando sua presa. Derrepente, seus olhos ficam totalmente escuros e uma expressão assustadora assume seu rosto.
— Invasores... – Ele sussurra.
Escuto uma explosão seguida de uivos e badaladas de um grande sino.
— Dylan, o que está acontecendo? – Pergunto assustada ao ver sua expressão mudar.
Ele se aproxima em um passo curto.
– Se esconda e fique calada! – Ele ordena.
— Dylan... eu..
— Violet, isso é algo sério e não tenho tempo para seus questionamentos e perguntas insolentes. – Ele me segura pelos ombros. – Me obedeça que tudo ficará bem.
Os sons de estavam mais altos e próximos, meu coração estava acelerado, como se algo muito r**m estivesse acontecido.
Dylan puxar uma estátua de cima da lareira e ela se abre revelando uma passagem secreta.
— Use isso para abrir a passagem no final do corredor. – Dylan diz me entregando seu anel. – Corra o mais rápido que conseguir, não olhe para trás.
Outra explosão, agora mais próxima. Dylan rosna baixo e seu corpo fica tenso.
— Siga por esse corretor e depois vire a esquerda, continue andando até ver uma porta. – Ele suspira. – Isso levará a um lugar seguro.
— Dylan, o que está acontecendo. – Minha voz era apavorada.
— Por favor, Violet. Apenas me obedeça dessa vez. – Ele acaricia meu rosto. – Não olhe pra trás, apenas corra.
As lágrimas escorrem pelo meu rosto e o desespero toma conta de mim.
— Não... eu não vou. Não vou te deixar aqui! – O desespero é perceptível em minha voz.
Dylan me abraça com força e sinto meu corpo tremer com o contato, antes que consiga dizer algo, ele me empurra contra a passagem secreta.
— Não olhe pra trás e não pare de correr por nada, pequena. – Dylan diz antes da passagem ser coberta pela lareira.