Realeza

1000 Palavras
— Uau. – Exclamo, observando ao redor. – Eu não imaginava que esta seria sua casa. Dylan sorri timidamente enquanto caminha em direção ao interior do castelo. — Pensei que naquele dia em que me resgatou... bem, pensei que aquele quarto fosse sua casa. – Digo, envergonhada. — Aquela é minha casa. – Ele sorri constrangido. – Mas depois do ataque, tive que vir morar aqui... bem, é uma herança de família. Dylan dá os primeiros passos, e eu o sigo pelo longo corredor adornado com decorações antigas, estátuas e quadros. A sensação é de caminhar por um dos castelos antigos que meu falecido pai costumava destacar nas ilustrações dos livros de histórias infantis. Dylan segue adiante, mas eu paro diante de um quadro intrigante. Um homem robusto de meia-idade, cabelos negros, olhos azuis, sentado em um trono, ostentando uma coroa. Ao seu lado, uma bela mulher de olhos cor de mel e cabelos loiros. O homem se assemelha muito a Dylan, exceto pela cor do cabelo e olhos, idênticos aos da mulher, e pelos lábios volumosos. — É como se estivesse olhando para um reflexo de Dylan no passado — murmurei enquanto observava a obra. — Parece que estou contemplando um reflexo de Dylan no passado — murmurei enquanto observava a obra com fascinação. Dylan chama meu nome no final do corredor, resgatando-me do transe. Avanço rapidamente pelo extenso corredor até alcançá-lo. — É por aqui. – Ele diz, segurando uma imponente porta de madeira. Agradeço timidamente ao passar por ele; Dylan sorri gentilmente ao entrarmos no cômodo. Deixo meu olhar percorrer a sala, apreciando a decoração intrigante. Seria uma sala de reuniões? Não conseguia afirmar com certeza, mas a atmosfera sugeria mais do que simplesmente isso. Dylan chega até mim, seus olhos analisando meu rosto. Sinto a intensidade da sua fúria ao observar a expressão em seu rosto. Instintivamente, desvio o olhar para baixo, tentando esconder-me atrás dos meus cabelos. Entretanto, Dylan gentilmente levanta meu rosto, seus dedos tocando o hematoma no meu rosto. Sinto um calafrio percorrer minha espinha ao ver a preocupação em seus olhos ao notar o sangue na minha boca. — Ele te agrediu? – Sua voz ressoa com escuridão. – Irei acabar com ele. — Já houve tanta confusão para um único dia — murmuro, sentindo-me vulnerável diante do olhar preocupado de Dylan. Ele suspira, como se compartilhasse da minha exaustão. Dylan, com determinação, diz: — Vou ajudar a cuidar dos ferimentos. Por favor, espere no sofá. Ele se encaminha para uma porta próxima, abrindo-a para revelar um banheiro. Aguardo ansiosamente, sentindo-me ansiosa pela ajuda que ele oferece. Após alguns minutos, Dylan retorna segurando uma grande caixa de primeiros socorros. Dylan se aproxima, e nossos olhares se cruzam, fazendo minhas bochechas esquentarem. Sentia meu coração acelerar e o ar ficar pesado, era como se alguém ligasse o aquecedor no máximo. Abano meu próprio rosto nervosa. — Está tão quente aqui. – Comentei nervosa — Curioso, lá fora está nevando. – Ele eleva uma sobrancelha. – Está bastante frio. Preocupado, toca em minha testa. Solto um suspiro ao sentir sua mão. — Você não está com febre, pelo menos. Tento desviar minha atenção de sua aproximação, meu pensamento vagueia sobre as descobertas novas sobre Dylan, ele era mais misterioso que pensava. — Eu vi um quadro no corredor. – Gaguejo. — Aqui tem bastante quadros, está falando de qual deles? – Ele pergunta sarcástico. Reviro os olhos. Parece que sua gentileza já estava indo embora e seu lado insuportável já estava voltando a cena. — Esse era diferente. – Digo o mais calma que consigo. Dylan passa um líquido em minha testa que me faz gemer de dor, em seguida passa algo pastoso, semelhante a uma pomada de ervas, seu cheiro era refrescante. — Tinha um homem com uma coroa e uma mulher ao lado dele... pareciam ser Reis, quem eram? — Aquele era Alexios Komnenos e sua esposa Eleanor Fitzgerald Komnenos. – Ele diz sem me tirar sua atenção de minha testa. Komnenos Fitzgerald? Já ouvi esse sobrenome antes em algum lugar. Fico em silêncio por alguns minutos tentando me lembrar de onde havia ouvido esse nome. — Eles pareciam com você. – Digo tímida. — Sim, eles eram meus bisavós. – Dylan fala colocando o curativo em minha testa. Dylan segura meu pulso e passa uma pasta de ervas, sinto minha pele esquentar e a dor diminuir. Arregalo meus olhos. Sabia de onde conhecia esses nomes. Eu estudei sobre eles com minha turma de história na escola no ensino fundamental, meu pai até me ajudou com as pesquisas para um trabalho sobre Alexios Komnenos Angelos Palaiologos Doukas, mais conhecido como o grande líder. Ele era um grande rei grego na idade média, Alexios se casou com Eleaonor Fitzgerald Plantagenet Percy, filha mais nova do rei Edward lll. Então, Dylan era um príncipe? Isso não fazia sentido, a descendência deles havia sido extinta a muitos séculos. Mas a semelhança deles era inegável, e esse castelo não poderia ter surgido do nada. — Dylan, mas até onde sei a descendência de Alexios acabou a muitos séculos atrás. Dylan supira e guarda os itens na caixinha antes de se levantar. — Minha família não é comum, Violet. – Seus olhos ficam escuros. Fico em silêncio por alguns segundos antes de voltar a falar: — Mas, isso não faz sentido. Como pode ser da linhagem de Alexios se você é tão jovem? — Nós lobos envelhecemos de forma diferente que os humanos, mas ainda envelhecemos. – Ele suspira. – Sei que não acredita que nós somos lobos e que existe muito mais nesse mundo que vocês humanos conhecem. Então, não adianta te explicar. Dylan anda até o banheiro me deixando sozinha na sala. Me levanto e o sigo entrando no banheiro. — Não significa que não quero ouvir sua explicação. – Digo irritada. – Mas tem que admitir que essa história de lobos e vampiros é estranha saindo da boca de um adulto como você, Dylan.
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