Castelo

1000 Palavras
— Senhor, solte-me! Não sou uma invasora. – Exclamo, tentando puxar meu braço. – Você está me machucando! — Calada! – Ele bate em meu rosto com força. O impacto de seu tapa faz um chiado surgir em meu ouvido. Arregalo os olhos, assustada, tentando me desfazer de seu aperto em meu pulso. — Você vai pagar por invadir nosso território, b***a maldita. Seus olhos ficam escuros, e seu rosto começa a assumir uma forma assustadora, como se estivesse se transformando em algo que não parece humano. — Solte-a agora! – A voz grave de Dylan me faz pular, assustada. Meus olhos estavam marejados, e meus soluços eram altos. O homem apertou meu pulso, fazendo-me gritar de dor. — Solte-a, Kennan, eu não vou mandar novamente! – Dylan diz entre dentes, aproximando-se de nós. O homem solta um rosnado gutural, seus olhos fixos intensamente nos meus. Meu coração bate descompassado enquanto ele se aproxima, a respiração gélida roçando meu rosto. O meu grito angustiante ecoa pela vila, mostrando o pânico que toma conta de mim. Como um raio, Dylan se lança sobre ele, um redemoinho de fúria. O impacto ressoa como um trovão, arremessando-o violentamente para longe. Os rosnados preenchem o ar, uma sinfonia assustadora de selvageria desenfreada. — Não estou entendendo. Você está defendendo esse demônio! – O homem grita furioso enquanto se levanta. – Resolveu juntar-se a eles, Alfa? Dylan o empurra com força, fazendo o homem cair no chão novamente, e o olha com desprezo. — Não me questione, obedeça! – Sua voz soa intimidadora. – Se tocar nela novamente, eu não hesitarei em matá-lo! O homem rosna baixo, e Dylan o encara por alguns segundos. — Suma daqui, Kennan. – Dylan fala como um rosnado. O homem se levanta e sai rapidamente, sem olhar para trás. Tentava controlar minhas lágrimas, mas era inevitável; tudo isso havia sido muito assustador para mim. Nunca tinha visto alguém desse jeito, nunca tinha visto alguém me olhar daquela forma. Se não fosse por Dylan, eu não sei o que teria acontecido comigo. — Ei, fica calma. – Dylan diz se aproximando. – Você se machucou? Tento falar, mas o nó em minha garganta me impede, um soluço forte escapa de meus lábios enquanto meus braços envolvem meu próprio corpo. Choro como nunca chorei na vida, como se todas as lágrimas que segurei por tanto tempo estivessem saindo agora. Lágrimas que guardei ao ver minha família morrer, ao ter que fugir, ao me machucar, ao ser atacada enquanto tentava me curar, ao perder minha casa e liberdade, ao ser a responsável por toda essa tragédia em minha vida e, por fim, por essa agressão. Dylan me fitava com curiosidade, como se nunca tivesse testemunhado alguém em uma situação semelhante. Ele tenta tocar em mim, mas recuo um passo, reagindo com apreensão. — Ei, deixe-me ver isso.– Sua voz é suave. – Não vou te machucar, prometo. Algo em Dylan me instigava a confiar nele, e eu não conseguia identificar exatamente o quê. Talvez fossem seus olhos puxados, cor de mel, que transmitiam sinceridade com seu olhar curioso. Ou quem sabe fosse sua voz rouca e imponente, capaz de inspirar confiança em todos ao redor. Não conseguia definir com precisão, apenas sentia que deveria ouvi-lo. Em um transe, mantive meu olhar fixo nos seus olhos claros enquanto sua mão tocou com gentileza o meu pulso. Sua mão envolve delicadamente meu pulso, e o calor da sua pele desencadeia arrepios pelo meu corpo. Seus olhos claros examinam meu rosto com apreensão, como se estivessem buscando permissão para explorar. Nervosa, arfo antes de confirmar com um sutil balançar de cabeça. Seus dedos longos percorrem suavemente a extensão do meu pulso, provocando o acelerar do meu coração. Seus toques desencadeiam sensações únicas, desbravando territórios nunca antes explorados por mim. — Dylan – Meu murmúrio sai como um gemido dolorido. Sinto o calor subir às minhas bochechas quando seus olhos se encontram com os meus. Uma corrente elétrica percorre meu corpo ao vê-lo arquear a sobrancelha. — Isso dói? – Sua voz, agora mais suave e envolvente. Assinto com a cabeça, mordendo meu lábio inferior, sentindo como se meu coração estivesse prestes a saltar do peito a qualquer momento. — Vou cuidar disso. – Sua voz soa gentil. Dylan me segura pelo braço com uma delicadeza que jamais esperaria de uma pessoa tão bruta quanto ele. Em silêncio, caminhamos pela vila até um grande portão de ferro. — Irei levá-la à minha casa. – Ele explica. Ele abre os portões, revelando uma grande colina. Em seu topo, uma imponente construção de pedra se destaca, lembrando um castelo medieval. A aura majestosa da estrutura contrasta com a rusticidade dos arredores da vila. — Bem-vinda ao meu refúgio. – Dylan comenta, guiando-me em direção à entrada do castelo. Enquanto subimos a colina, detalhes da construção se tornam mais visíveis. As torres altas, as ameias ornamentadas e as grossas paredes de pedra evocam uma atmosfera que parece pertencer a épocas passadas. — Espero que se sinta confortável. – Dylan sorri, abrindo as portas maciças do castelo e revelando um interior que mistura a robustez medieval com toques de conforto moderno. No amplo saguão de entrada do castelo, um lustre gigante de cristal ilumina o ambiente, refletindo nos grandes quadros nas paredes de pedra. Olhava ao redor, tentando absorver todas as informações. Tudo parecia tão diferente da vila que estávamos há poucos minutos; tudo era tão luxuoso e elegante, algo que contrastava bastante com a personalidade de Dylan. Sempre o imaginei com uma casa simples, uma cabana pequena de madeira. Observava encantada as obras de arte na parede, as grandes esculturas, os detalhes na escadaria. Tudo tão luxuoso, tão antigo. Me aproximo da parede observando os quadros com admiração, cores tão belas e vivas que me transmitiam uma paz inexplicável. Examinando uma pintura com grande atenção, me vejo chocada ao notar a assinatura de Vincent van Gogh. A surpresa me invade, levando-me a questionar se aquela obra é original.
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