— Acorda! Acorda logo!
Abro os olhos e vejo Ivy com uma expressão preocupada. Ela suspira aliviada e senta na ponta da cama.
— Ivy? Aconteceu alguma coisa? – Pergunto confusa.
— Eu vim ver como você estava, e algo estranho aconteceu. – Sua voz estava trêmula, assim como suas mãos.
Me sento na cama e esfrego os olhos; estava muito sonolenta, o remédio que Alaric me deu ainda fazia efeito.
— Não estou entendendo, estou com muito sono. – Minha voz sai arrastada.
— Quando entrei no quarto, você estava com os olhos abertos, sussurrando algo que não entendi. Seus olhos estavam violeta, e a pedra em seu pescoço brilhava da mesma cor. – A voz de Ivy é trêmula, e seus olhos estavam marejados.
Sento na cama tentando me manter acordada o suficiente para acalmá-la.
— Fiquei confusa, e quando me aproximei, toquei em você, e de repente, um homem surgiu no quarto, olhando-me de forma intimidadora. – Ela fala com nervosismo, e lágrimas rolam por seu rosto.
— Um homem? – Pergunto com a voz confusa. – De onde ele veio?
Um arrepio percorreu minha coluna enquanto meus olhos percorrem o quarto. Minha sonolência foi embora devido ao choque de sua revelação, fico em estado de alerta.
— Eu não sei quem ele era, como entrou aqui. Eu perguntei, e ele sorriu de um jeito muito perturbador. – Ela senta ao meu lado na cama. – Tentei acordar você, mas o homem se aproximou furioso.
Meu coração estava acelerado; Ivy estava muito inquieta e nervosa. Abraço seu corpo tentando acalmá-la, e ela suspira controlando o ritmo de sua respiração.
— Você fechou os olhos, e a pedra de seu colar parou de brilhar; o quarto escureceu. – Ivy olha para um ponto fixo na parede como se estivesse se lembrando dos acontecimentos. – Eu senti ele próximo, mas as risadas demoníacas vinham de direções diferentes...
— Eu... eu não sei o que está acontecendo. – Minha voz sai assustada. – Vamos perguntar ao Alaric se ele viu alguém entrar aqui.
Os olhos de Ivy focam em meu rosto, e vejo sua expressão de pavor.
— Você não entendeu; esse homem surgiu do nada. Não tinha como ter entrado aqui. – Suas mãos seguram meus ombros. – Eu não senti o cheiro dele, eu não sei explicar, é como se ele estivesse camuflado por alguma magia.
Pra mim, toda essa história de magia, lobos, vampiros e bruxas não passava de uma bobagem que eles acreditavam. Mas não podia negar que algo grave aconteceu; algo que nunca havia visto Ivy chorar ou ficar assustada, nem mesmo quando invadiram meu quarto naquela noite do ataque.
— Acho melhor sairmos daqui. – Digo segurando seu braço. – Vamos procurar Alaric.
— Alaric está ocupado... – Ivy fala soluçando. – O que era aquilo? Como não consegui sentir aquela coisa entrando aqui?
Ivy parecia estar entrando em pânico. Tento acalmá-la, mas nada a fazia entender que estávamos seguras aqui. Eu precisava fazer algo, e precisava ser rápido.
— Vamos ao laboratório de Alaric. – Digo acariciando seu cabelo. – Ele vai conseguir nos ajudar.
— Ele não está no laboratório; agora ele está na vila resolvendo algumas coisas. – Ela diz sem desfazer o abraço.
Me levanto e a puxo pelo braço, fazendo-a ficar de pé. Ivy me olha sem entender meu gesto.
— Não acho que Alaric possa ignorar isso. – Falo irritada enquanto a puxo para fora do quarto.
Ignorando os apelos de Ivy, avancei em direção à porta, determinada a sair. Ivy se colocou firmemente em meu caminho, tentando bloquear minha passagem.
— Violet, você não pode sair. Alaric e Dylan deram ordens expressas para não deixar você ir para a vila. — Ivy tentava me convencer com uma voz firme.
— Estou cansada de todos mandarem em mim! — Respondi, minha irritação crescendo.
Ivy, séria, explicou:
— Dylan é o alfa da alcateia, e na ausência dele, com Ayla doente, Alaric está no comando. Devemos obedecer.
— De novo essa história de alcatéia? Até quando vão sustentar essa maluquice? – Grito a assustando. – Saia da minha frente Ivy, ou eu irei te tirar daí!
— Violet, eu não posso. – Sua voz é nervosa. – Por favor, se acalme! Vamos esperar Alaric em seu laboratório.
Minha irritação atingiu um limite, e, sem pensar, empurrei Ivy para o lado, fazendo-a cair no sofá. Ela chamou por mim atordoada, mas eu a ignorei completamente, saindo da casa determinada a não ser controlada por mais ninguém.
Ao sair da casa, meus olhos sensíveis se contraem diante da luz do Sol. Lembro-me da última vez que estive sob seus raios, na minha antiga casa, quando minha família ainda estava viva. Um aperto no peito me lembra que nunca mais verei aqueles rostos queridos.
Descendo os degraus da varanda, percorro a vila. Os olhares desconfiados e expressões ameaçadoras das pessoas ao meu redor passam despercebidos, já que mantenho meu olhar fixo no chão.
Caminhando em meio à multidão, sinto um aperto mais forte no peito, lembrando-me da perda irreparável. Um homem, de repente, segura meu braço com força, fazendo-me dar um salto assustado.
— Você não é da alcatéia, não vejo alguma marca em você. – Ele cheira meu braço. – E esse cheiro... não é uma de nós com certeza.
Tento me afastar mas seu aperto era forte demais para que eu conseguisse me livrar.
— Me solta! – Digo em pânico.
Seus olhos ficam escuros e uma expressão assustadora toma conta de seu rosto.
— Você é uma deles? Uma espiã sugadora de sangue? – Sua voz estava mais grossa e seu aperto mais forte. – Diga-me demônio, como passou pela entrada de nossa vila sem que a percebessem?
— Me solte! Eu não sei do que você está falando! – Digo tentando puxar meu braço.
Seus olhos estavam mais escuros e assustadores, como se dobrassem de tamanho. Meu coração estava muito acelerado, sentia que iria sair de meu peito.