DANDARA
Acordei hoje sentindo um sentimento muito estranho, um pressentimento, eu diria. No meu celular tinha inúmeras mensagens, ligações de voz e até mesmo ligações de vídeos da Clara, ela não sabia que eu já estava de volta. Mas eu não iria avisar agora, queria fazer uma surpresa.
Levantei, escovei os dentes e fui separar uma roupa pra vestir, deixei tudo organizado na cama. Tomei meu banho, lavei meus cabelos, fiz uma boa esfoliação de pele e sai do banheiro. Vesti um daqueles vestidos indianos só que curto, penteie meus cabelos cacheados e deixei eles soltos, fiz uma maquiagem levinha e nos pés eu calcei uma rasteirinha simples.
Eu estava levando uma bolsinha pequena, onde só seria necessário um papel, um celular e as chaves.
Desci as escadas e Nayra já estava pronta, ninguém estava acordado aínda, então sai de casa. Chamamos um carro e fomos para o complexo do Lins. Nayra estava muito nervosa, diz ela que era a primeira vez que pisava em uma comunidade, o carro deixou a gente um pouco distante da entrada, e juntas fomos andando mesmo.
Eu já sabia onde Clara estava, ela estava morando com a mãe de Dante, mas eu já sabia também que ele não morava lá a muito tempo. Então, fui tranquila!
No caminho, encontrei a Karol e a Catarina. Karol era minha antiga amiga, hoje é a mulher do Dante, e a Catarina nunca valeu nada.
- Olha lá, se não é a p*****a que deu pro meu marido! - Karol soltou piada, mas eu não parei.
Nayra quis parar para responder, ela já sabia da história toda. Mas eu não, eu não queria responder, eu vim aqui com um único propósito!
Cheguei no portão da mãe do Dante e bati no portão, logo ele foi aberto. Aquela senhora morena bonita, que estava com a touca de cetim na cabeça chega deu um berro quando me viu.
- Meu Deus, eu nem acredito! - Ela falou com empolgação.
Logo, Clara apareceu atrás dela.
- Mentira!!! - Clara gritou vindo correndo me abraçar.
Ela pulava de alegria! Era uma animação danada encontrar ela novamente.
- Você tá linda demais! - Clara falou me reparando da cabeça aos pés. - Seu cabelo, meu Deus! Ele tá enorme!!! - Ela continuava elogiando.
Entre nós nunca teve inveja, rancor e nenhum sentimento que ofuscasse nada entre nós, então, eu confiava e amava muito ela.
- Entra, pelo amor de Deus! Vou já passar um café! - Dona Cátia falava rápido, transparecendo sua alegria.
Eu entrei sorrindo, enquanto Nayra estava mais afastada ainda.
- Essa aqui é a Nayra, uma amiga que eu fiz em Portugal. - Apresentei.
Dona Cátia nós fez entrar e tomar um café com ela, Clara foi comprar pão na padaria e Nayra foi junto para conhecer a comunidade, deixando eu e Dona Cátia sozinhas.
- Mas me diga, como foi saber que era um menino? - Ela me perguntou passando o café.
- Foi estranho, eu não me imaginava mãe, quem dirá de um menino. - Falei passando a mão na minha barriga.
Pelo o horário, Nicolas ainda estava dormindo na barriga.
- Eu criei bem o meu filho. - Ela falou se sentando, me fazendo companhia na mesa. - Ele que se desvencilhou do caráter dele, mas eu criei ele bem. - Ela falou.
- Nem todos os filhos são os exemplos dos pais, dona Cátia. - Falei.
As meninas então voltaram, e juntas tomamos um café bem animado.
Dona Cátia depois me mostrou tudo o que tinha comprado para o Nicolas, ela fazia questão de dizer que estava ansiosa para conhecer o neto. Como pode, a mãe ser tão diferente do filho!?
Depois de tudo, nos despedimos mas eu prometi voltar depois, principalmente para ela conhecer o netinho dela. Estávamos saindo era uma e pouca da tarde já, eu tinha beliscado bastante na casa dela, então, não estava com fome. Mas paramos numa padaria porque eu queria muito um quibe que estava chamando atenção.
Quando estava pagando escutamos um tiro e a bala pegou bem próximo de mim, me fazendo me agachar na hora, próxima ao caixa.
Os funcionários da padaria fecharam as portas imediatamente, mas eu estava nervosa demais, Nayra tremia mas me fazia perguntas pra saber se eu estava bem.
O nervosismo tomava conta, comecei a ter uma crise de ansiedade e quando dei por mim, minha bolsa havia estourado.
E fora da padaria ocorria uma operação intensa.