CAP.16

913 Palavras
DANTE Cheguei em casa pra tomar um banho, tinha acabado de sair do plantão. Com as ameaças da uma uma operação, eu estou fazendo plantão até de madrugada. Entrei direto para o banho, não dando muita atenção para a Karol, mas ela não perdeu a oportunidade e logo veio atrás de mim. - Você acredita que aquela p*****a da Dandara tá aqui na favela? - Ela me perguntou. - Deve ter ido visitar a Clara. - Respondi sem dar muita importância. - Você devia proibir ela de vim aqui, Dante. - ela falou batendo o pé. - Toda vez que ela vem aqui, eu devo ser chacota! Ela foi sua amante e eu... - Interrompi ela. - Amante não! Eu e ela ficamos antes de eu assumir você cem porcento, Karol. - Expliquei logo. - Sim, mas não acho justo ela ficar vindo aqui com aquela barriga e... - Interrompi ela mais uma vez. - Karolina, eu não sou dono da favela, sou gerente. Quem manda em quem anda e desanda por aqui, é o dono. Dandara tem amigas aqui ainda, é óbvio que ela vai vim! - Falei logo. - E a barriga dela é de grávida, não tem como ela tirar! - Falei por último fechando a porta do banheiro na cara dela. Pelo o lado de fora ela gritava, esbravejava enquanto eu entrava no meu banho. Não entendia o porque dessa raiva toda dela, não entendia mesmo. Elas eram amigas, todas elas, eram um trio. Clara, Dandara e Karol. Mas alguma coisa aconteceu que a Clara se afastou dela e logo em seguida, Dandara também. Deixando a amizade de Karol de lado, um tempo depois ela começou a amizade com essa tal Catarina. Eu já tinha ficado algumas vezes com a Karol quando fiquei com a Dandara, mas Dandara era o sonho de qualquer homem, então pedi pra Clara não falar nada. Mas é óbvio que a Karol tinha que saber e se gabar, jogando tudo na cara da Dandara que logo em seguida me esculhambou e parou de me dar trela. A Dandara não chamava atenção somente pelo o corpo não, mas também pela a postura, a maturidade, o jeito de ser responsável mesmo sendo tão nova... Terminei meu banho, esquentei a comida e quando sentei pra comer, Karol voltou a falar... - Você se afastou de mim pra ficar com aquela azeda e no final, ela deu o golpe da barriga em você. -Ela começou falando. - Mas bem que você mereceu, você me trocou! - Ela jogou na minha cara, me fazendo perder a paciência. Me levantei da mesa com raiva, eu não tinha nem começado a comer direito, bati o prato na mesa com raiva, o fazendo quebrar. - Já chega! - Gritei. - Eu achei que era frescura quando alguém dizia que não gostava de você, mas você é extremamente ridícula e s*******o! Você é podre por dentro! - Gritei com ela que se encolhia na cadeira, e sai de casa batendo porta. Quando pisei fora de casa estourou o aviso pro alto e o tiroteio começou, na hora fiquei preocupado com a Dandara, mas deixei pra lá. Ela devia estar segura agora. Entrei na operação e dessa vez, os policiais estavam fortes demais. Os estabelecimentos foram fechados as pressas, as crianças tiveram que ficar todas na escola, o postinho de saúde também foi fechado. Foi uma correria do c*****o, sem necessidade! Mas, eles só entram em horário assim, sempre pra desestabilizar os moradores. Senti meu celular tocando no bolso, mas ignorei, deixando ele tocar. Um tempo depois voltou a tocar, e de novo, de novo e quando vi, tinha mais de dez ligações da Clara e da minha mãe. Parei em um beco vazio e comecei a escutar o áudio da minha mãe. "Filho, pelo amor de Deus, ajuda a Dandara! Ela tá passando m*l, tá na padaria do Cláudio, corre lá meu filho!" - ela falava desesperada. Não respondi, mas fui socorrer a Dandara. Fui tomando cuidado, atirando nos policiais que apareciam. Chamei três vapores pra me ajudar a Dandara, precisaria de cobertura pra levar ela pra casa da minha mãe. Quando cheguei na padaria, bati na porta e nada de abrirem, provavelmente estavam com medo. - É o chefe p***a, abre! - Gritei e eles logo abriram Na hora que abriram a porta, meus olhos cruzaram os dela, ela estava suada, vermelha, parecia com dor. Entramos todos na padaria, deixando ela meio aberta. - Dandara! - Chamei me aproximando dela. - A bolsa dela estourou assim que começou o tiroteio, ela precisa sair daqui! - A menina do lado dela falou. Entrei em desespero, sei que é perigoso, mas o posto de saúde fica longe, o lugar mais próximo daqui é a casa da minha mãe. Olhei e vi que elas estavam com algumas bolsas, imaginei ser coisas de bebê. - Faz a segurança, vai! - Gritei para os meninos. - Não grita na rua, tá?! - Pedi pra ela enquanto pegava ela no colo. Assim que a porta da padaria foi aberta saímos juntos, fui correndo com ela no colo, com o maior cuidado pra não sermos vistos, os meninos ajudaram com a bolsa e a menina veio junto também. Dandara se conhecia de dor nos meus braços, o suor estava tanto que chegava a atrapalhar. A menina bateu desesperada no portão da minha mãe e assim que ela abriu, Dandara soltou um grito de dor. Confesso, eu estava tocado.
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