Seis meses haviam se passado desde que mergulhamos de cabeça na vida universitária, e cada dia era uma aventura emocionante. Nunca pensei que poderia apreciar acordar cedo, mas agora era parte da rotina que eu realmente gostava.
Pelo menos uma vez por semana, nossas mães nos ligavam, ansiosas por atualizações sobre nossa vida aqui. Naturalmente, omitíamos muitas coisas. A liberdade que experimentávamos era tão intoxicante que m*l sentíamos falta de casa.
A parte desafiadora era equilibrar nossa vida secreta, família, universidade, notas e as noites nas baladas. Sim, estávamos aproveitando ao máximo tudo o que não fizemos e bebemos a vida toda.
Fazíamos parte de um grupo de seis pessoas: Eu, Zarina, Cléa, Alana, Liam e Matteo. Éramos os verdadeiros animadores de festas. E logo nos encontraríamos novamente, mas desta vez não era apenas uma festinha universitária, era algo mais sombrio.
Cléa havia arranjado um jeito de nos introduzir em um barzinho/balada secreto, o mais famoso de toda a França, localizado no submundo de Paris, pelo menos era o que diziam.
Era seguro? Provavelmente não. Mas o que poderia dar errado? Seria r**m se alguém reconhecesse meu rosto, seria r**m se alguém soubesse meu sobrenome, mas não ali. Ali, eu era uma Monroe, não uma Mikhailov.
Entrar nesse mundo sombrio era um risco que estávamos dispostos a correr. No final das contas, estávamos sedentos por adrenalina e pela emoção do desconhecido. Sob a capa da noite parisiense, éramos livres para ser quem quiséssemos, longe das expectativas e da pressão de nossas famílias.
À medida que nos aproximávamos do local, a excitação pulsava em nossas veias. A ideia de explorar um lugar secreto e proibido despertava uma sensação de empolgação que nunca havíamos experimentado antes.
Adentrar aquele mundo clandestino era como abrir uma porta para um novo universo de possibilidades e perigos. Mas estávamos determinados a aproveitar cada momento, vivendo no limite e desafiando as convenções.
Enquanto nos preparávamos para adentrar no submundo parisiense, uma mistura de emoções tomava conta de nós: nervosismo, excitação e uma pontinha de medo. Mas, acima de tudo, havia uma sensação de liberdade e de estar verdadeiramente vivendo.
— Mali, você tem certeza sobre isso? — perguntou Zarina pela décima vez. — Eu não estou com um bom pressentimento — acrescentou.
— O que poderia dar errado? — respondi com outra pergunta. — Nós não estamos na Rússia — acrescentei, sussurrando em seu ouvido.
Entramos e senti como se todos estivessem nos observando, mas não dei a mínima. O que é belo é para ser visto, não é?
Fomos até o bar e viramos alguns shots. O som do ambiente começou a tocar "Gasolina", e não fingimos timidez; dançamos como se só nós estivéssemos ali.
Senti um olhar sobre mim, como se minha pele queimasse, mas não conseguia identificar de onde vinha. Olhei ao redor, mas era indecifrável.
Pensei que talvez não tivesse sido uma boa ideia ter vindo. E se alguém nos reconhecesse? E se fosse um rival da Bratva? E se tudo isso chegasse aos ouvidos do meu pai?
Mas, ao olhar para Zarina, percebi que ela estava tranquila. Eu era a única surtando. Decidi ignorar meus receios e fui até o bar, pedindo mais três doses de José Cuervo e virando uma a uma. Sentia o líquido descer rasgando minha garganta, mas fingi estar acostumada.
Voltei para junto dos meus amigos, que estavam com algumas pessoas da universidade.
— Vamos sentar mais pra cima — disse Cléa. — Meus pés estão me matando — acrescentou.
Apenas seguimos Cléa para uma área mais "reservada". Havia alguns homens lindos e estranhos ali, alguns com o mesmo porte de meu pai, o que me assustou um pouco.
Olhei para Zarina, que abaixou a cabeça como se conversássemos sem trocar uma palavra.
Eu ainda sentia os olhos penetrantes sobre mim, mas ainda não sabia de onde vinham.
O babaca do Cris resolveu quebrar o silêncio entre nós.
— Vamos brincar de Verdade ou Desafio? — perguntou ele com um olhar travesso.
— Verdade ou Desafio? — perguntei intrigada. Já tinha ouvido falar e visto esse jogo em filmes, mas, como nunca havia ido a festas na Rússia, nunca o joguei. Pensei comigo mesma.
— Sim, nunca jogou? — Ele perguntou incrédulo.
— Já sim — menti descaradamente. — Mas acho fácil demais. Posso falar que sou filha do Papa e, como não sabemos nada sobre o passado um do outro, ninguém poderia contestar. O que acham de Tequila ou Desafio? — perguntei, querendo apimentar mais o jogo.
Cris deu uma risada animada e assentiu, aceitando minha proposta.
— Tequila ou Desafio, hein? Gosto disso! Vamos começar — ele disse, pegando uma garrafa de tequila do bar.
Sentamos em círculo, o ar carregado de antecipação. Os copos foram distribuídos e a garrafa girou, apontando primeiro para Alana.
— Desafio — disse ela com confiança, um sorriso travesso nos lábios.
— Eu te desafio a dar um beijo de cinema no Matteo — disse Cris, seus olhos brilhando com a expectativa.
Sem hesitar, Alana se levantou e foi.
Até Matteo, que pareceu surpreso, mas divertido com o desafio. Ela se inclinou e o beijou, arrancando aplausos e gritos de aprovação do grupo. A energia ao nosso redor aumentou, tornando o ambiente ainda mais vibrante e cheio de vida.
A garrafa girou novamente e desta vez parou em Liam.
— Desafio — disse ele, com um sorriso desafiador.
— Eu te desafio a beber três doses seguidas de tequila — disse Cléa, rindo.
Liam aceitou o desafio sem pestanejar, levantando-se para pegar as doses e virando-as uma após a outra, recebendo aplausos de todos.
Então, chegou a minha vez. A garrafa parou em mim e senti todos os olhares sobre mim.
— Desafio — declarei, tentando manter minha voz firme.
Cris sorriu maliciosamente, claramente planejando algo interessante.
— Eu te desafio a ir até aquele cara ali — ele apontou para um homem alto, de aparência misteriosa, no outro lado da sala. — Sentar no colo dele e beijar sua boca o beijo tem que durar pelo menos dez segundos se não conseguir cumprir o desafio terá que tirar a roupa e dançar em cima do balcão.
Meu coração acelerou ao ouvir o desafio de Cris. Senti um misto de adrenalina e nervosismo, mas não poderia recuar agora. Levantei-me com determinação, olhando para Zarina, que me deu um olhar de encorajamento.
— Tudo bem, desafio aceito — respondi, tentando soar confiante.
Caminhei até o homem alto e misterioso no outro lado da sala. Ele estava conversando com algumas pessoas, mas quando me aproximei, seus olhos se fixaram em mim. Sua expressão era indecifrável, mas ele não parecia hostil.
— Oi — disse, tentando parecer casual, mas minhas mãos estavam suadas e o nervosismo era evidente. Não acredito que meu primeiro beijo seria com um estranho mais velho do que eu. — Droga — murmurei para mim mesma. — Eu...
— Precisa de algo? — Ele me olhou como se quisesse me decifrar, ajeitando-se na cadeira. Sem perder tempo, sentei em seu colo, sentindo todos os olhares sobre nós. Não consegui falar nada, então apenas beijei sua boca. Ele não me empurrou, ao contrário, retribuiu o beijo.
Seus lábios tinham gosto de whiskey e cigarro, uma combinação que nunca imaginei que pudesse funcionar. Seus lábios carnudos engoliam minha boca enquanto sua mão passava pela minha nuca. Contei mentalmente quanto tempo faltava e, assim que a contagem terminou, me afastei dele.
Seus olhos viraram duas bolas negras, e a intensidade do seu olhar me queimava como brasa. Foi estranho e intenso.
— Valeu pelo beijo, mas era só isso — disse com uma risada, saindo de perto dele e voltando para a roda.
Todos me olharam com uma mistura de surpresa e admiração, enquanto eu tentava esconder o rubor em minhas bochechas. O jogo continuou, mas aquela sensação de estar sendo observada ainda persistia, dando à noite um toque de eletricidade e mistério. Mesmo com a tensão no ar, continuei a me divertir, determinada a aproveitar cada momento dessa noite inesquecível.