Enquanto o jogo continuava, eu me sentei ao lado de Malia, ainda tentando processar o que havia acontecido. Ela me deu um sorriso de aprovação, apertando minha mão de leve.
— Você foi incrível, Mali. Não sei se teria conseguido fazer isso — disse ela.
— Acho que eu mesma não acredito que fiz — respondi, rindo. Foi tão intenso.
Cris girou a garrafa novamente, e a noite seguiu com risos, desafios e doses de tequila.
Quando o jogo finalmente terminou, nosso grupo decidiu se espalhar pela pista de dança. A música pulsava ao nosso redor, e eu me deixei levar pelo ritmo, tentando esquecer meus receios. Malia e eu dançamos juntas, rindo e se divertindo.
Estava na hora de irmos embora, para descermos tínhamos que passar na frente do homem com aparência mafiosa que Malia havia beijado na hora do jogo de desafio.
Assim que passamos por ele, o homem segurou o
braço de Malia, fazendo-a parar no
lugar.
— Quer sair daqui, princesa? — Ele disse, e um frio passou por todo o meu corpo. — Me passa seu número — ele acrescentou.
— Foi m*l por ter te iludido achando que rolaria algo entre nós, mas eu estava apenas cumprindo um desafio — Malia respondeu.
— Você não sabe com quem está brincando, boneca — ele disse com um timbre forte.
— Não sabia que homens mais velhos se iludiam com apenas um beijo. Dorme que passa — ela retrucou, debochada.
Ele se levantou e segurou o braço dela, dizendo algo em seu ouvido. Como eu estava perto, pude ouvir exatamente cada palavra dita.
— Você vai se arrepender da sua brincadeirinha. Você acordou o monstro em mim, pequena abelhinha, e eu não vou descansar até ter você gritando o meu nome enquanto fodo sua b****a.
Malia virou o rosto para ele e deu um tapa em sua cara, o que fez o homem à nossa frente ficar com mais ódio ainda.
— Vai sonhando, velhote. Sabe quando vai ouvir eu gemendo o seu nome? Quando o capeta aparecer em terra para te buscar — ela se soltou dos braços dele e desceu as escadas.
— Você vai se arrepender dessa noite, abelhinha. — ele gritou do segundo andar.
A adrenalina corria em nossas veias enquanto descíamos rapidamente. Zarina e eu trocamos olhares preocupados, cientes de que aquele encontro poderia ter consequências sérias.
— Você está bem? — perguntei a Malia, tentando manter a calma.
— Sim, estou. Mas precisamos ficar de olho.
Acho que fiz um inimigo esta noite — ela respondeu, com uma mistura de determinação e preocupação.
— E se isso cair nos ouvidos de papai, já era o grande sonho — Malia acrescenta de cabeça baixa.
Ela entra em seu quarto e eu vou para o meu. Aquele homem não tinha cara de ser alguém normal. Vivemos e crescemos no meio da máfia; não é difícil identificar um mafioso. A vestimenta, os relógios, o anel de família… tudo tem um detalhe familiar.
Deitada na cama, minha mente estava a mil. Só espero que esse homem não seja a ruína de Malia. Ela finalmente estava livre, mas para voltar à redoma era só um estalar de dedos. Eu sabia o quanto ela tinha lutado para chegar até aqui, e não podia suportar a ideia de vê-la perder essa liberdade tão duramente conquistada.
A manhã seguinte chegou rapidamente. O sol se infiltrava pelas cortinas do meu quarto, mas o peso das preocupações não havia diminuído. Malia e eu nos preparamos para o dia, tentando manter a normalidade, mas a tensão era palpável.
No campus, seguimos nossa rotina, mas estávamos constantemente em alerta. Participamos das aulas e das atividades, mas sempre de olho no entorno, procurando por qualquer sinal de perigo.
Depois das aulas, encontramos um café tranquilo onde pudemos discutir nossas preocupações sem interrupções. Malia estava visivelmente abalada.
— Malia, você está bem? — perguntei preocupada.
— Estou com dor de cabeça e ressaca. Acho que vou para casa — ela respondeu.
— Mas… não acha que é melhor falarmos com alguém sobre ontem?
— Esquece, Zarina. Acho que às vezes você se esquece que não somos pessoas normais, não é? Por mais que eu gostaria, eu não sou apenas uma Monroe, do mesmo jeito que você não é apenas uma Minisk. Acho que, às vezes, você entra tanto no papel que se esquece que somos filhas de mafiosos, filhas de um império na Rússia — ela disse a última parte baixo, mas pude sentir a irritação e o desgosto em sua voz.
As palavras de Malia ecoaram na minha mente. Ela tinha razão. Por mais que tentássemos viver uma vida normal, nossa origem estava sempre presente, como uma sombra constante.
— Eu sei, Malia. Só queria que pudéssemos ter uma vida diferente, mesmo que por um tempo. Mas você tem razão, precisamos ser realistas sobre quem somos e os perigos que enfrentamos — respondi, tentando acalmar a tensão entre nós.
Malia suspirou e balançou a cabeça, os olhos ainda cheios de uma mistura de frustração e tristeza.
— Eu também quero essa vida diferente, Zarina. Mas não podemos ignorar a realidade. Precisamos ser cuidadosas, sempre — ela disse, a voz mais suave agora.
Decidimos voltar para casa, a tensão entre nós diminuindo um pouco, mas ainda presente. No caminho, concordamos em ser mais cautelosas e a evitar situações que pudessem atrair a atenção indesejada.
Quando chegamos ao apartamento, Malia foi direto para o quarto descansar. Eu fiquei na sala, refletindo sobre tudo o que ela havia dito. Precisávamos encontrar uma maneira de equilibrar nossa busca por uma vida normal com a necessidade de proteger a nós mesmas e aos nossos segredos.