Meu nome é Etore Monti Don da máfia Francesa Camorra. Atualmente, tenho 31 anos e herdei o comando da máfia quando completei 21 anos, após o falecimento do meu pai. Ele sucumbiu a uma doença grave, e embora tenha liderado a Camorra com mão firme, não sei se teria durado muito mais tempo no comando.
Desde então, tenho lutado para manter o legado da família e a supremacia da Camorra, especialmente diante de nossos maiores rivais: a Rússia, ou mais especificamente, a Bratva, o império liderado pelo Don Nicolai Mikhailov. Nossas máfias têm travado uma guerra implacável por anos, mas recentemente tenho notado uma mudança sutil em suas abordagens. Nicolai tem buscado um tratado de paz, mas até agora, não vi vantagens significativas para o meu lado.
No entanto, tudo está prestes a mudar.
Faz um mês que conheci o tormento de minha vida. Me pergunto como pude deixar isso acontecer. Como uma mulher que não deve ter nem seus 1,65 pode acabar com minha sanidade?
Assim que meus olhos a encontraram no meio daquela multidão, eu soube que ela seria minha, por bem ou por m*l. Ela ria com os amigos como se todos ao seu redor fossem insignificantes. Ela dançava ao som de “Gasolina” como se fosse a melhor música do mundo, seu quadril balançando no ritmo. A visão me causou falta de ar.
Mas tudo piorou quando ela decidiu provocar minha obsessão. Ela veio até mim, se sentou em meu colo, mesmo que estivesse tímida demais para isso. E então, me beijou. Naquele instante, o mundo parou. Aquele beijo, dado por uma menina loira, mudou minha vida para sempre.
Quando tudo parecia bom demais para ser verdade, ela se afastou. Levantou-se, agradeceu e saiu, deixando-me ali com minha obsessão. Naquele momento, uma porta se abriu em mim que nunca mais se fecharia.
Ao final da noite, quando estava indo embora, ela passou por mim como se eu não fosse ninguém, como se nada tivesse acontecido há poucas horas. Não aguentei e segurei seu braço com mais força do que pretendia. Mas aquela boca não estava mais tão doce.
“Aquela boquinha afiada, maldita boca afiada,” pensei. “Eu fui apenas uma aposta,” ela disse. Mas será que ela tem noção de que a aposta dela não terminaria assim tão facilmente?
Porque eu a quero mais do que já quis qualquer coisa na minha vida. Saio desses pensamentos quando chego na sede.
Lá, encontro Lukas.
— E então, encontrou alguma informação sobre ela?
Lukas me olhou, hesitante, antes de responder. Ele sabia que qualquer informação sobre aquela mulher era crucial para mim.
— Sim, encontrei algumas coisas, Etore, — disse Lukas, entregando-me um envelope grosso. — Ela se chama Malia Monroe. Tem 18 anos e está na universidade de moda em Paris. Ela é russa, mas até o momento não parece vir de uma família com ligações aparentes ao submundo.
Abri o envelope e comecei a folhear os documentos. Havia fotos dela em diversos lugares, algumas sorrindo com os amigos, outras concentrada no campus. Cada imagem aumentava minha obsessão.
— Ela sabe quem eu sou? — perguntei, com um tom mais frio do que pretendia.
— Não, pelo que pude apurar, ela não faz ideia. Mas, Etore, você precisa ter cuidado. Essa situação pode ficar complicada rapidamente.
— Algo mais? — perguntei.
— Sim, tem algo estranho, — ele disse.
— Fala logo, p***a! — disse, irritado.
— Por mais que esse nome tenha informações sobre ela atualmente, não encontro nada sobre o passado dela, como se alguém tivesse bloqueado o sistema ou se ela tivesse outro nome antes de vir para Paris.
Meu sangue gelou. Malia Monroe, se esse era mesmo o nome dela, tinha algo a esconder. Uma jovem com um passado apagado não era comum, especialmente uma estudante aparentemente inocente de moda. Havia algo muito mais profundo nessa história.
— Continue investigando, Lukas. Quero saber tudo sobre ela. Não importa o quão fundo você precise cavar.
Lukas assentiu, ciente da urgência da minha demanda.
Durante os dias seguintes, minha mente não conseguia se desviar de Malia. A ideia de que ela pudesse estar escondendo algo só fazia minha obsessão crescer. Quem era ela realmente? E por que parecia tão familiar e ao mesmo tempo tão misteriosa?
Uma semana depois, Lukas entrou em meu escritório com um olhar determinado.
— Tenho novidades, — ele disse, sem esperar que eu perguntasse. — Malia Monroe não é apenas uma estudante comum. Descobri que ela é a filha mais nova de Nicolai Mikhailov. A menina foi trancada em uma redoma a vida toda.
Senti um choque percorrer meu corpo. Malia, filha do meu maior rival.
— Explique, — murmurei, controlando a fúria e a curiosidade.
— Nicolai Mikhailov criou Malia em isolamento. Estudou nas melhores escolas projetadas por ele, sem contato com o mundo exterior. Sua vontade de liberdade gerou confusão na família. O fato de ela estar em Paris mostra que, pela primeira vez na vida, ela não abaixou a cabeça para o pai.
Lukas fez uma pausa, permitindo que eu assimilasse a informação.
— Se Nicolai sonhasse metade do que ela ou a prima fazem em Paris, elas já não estariam mais aqui. Não existem fotos dela quando criança, e ninguém fora da Bratva conhece qualquer detalhe sobre Malia. Nicolai garantiu que ninguém nunca descobrisse sobre ela.
Meu cérebro trabalhava freneticamente. Nicolai havia mantido Malia em segredo, protegido sua existência do mundo. E agora ela estava aqui, em Paris, sob o meu alcance. A filha de Nicolai Mikhailov não era apenas uma garota qualquer; ela era um trunfo, uma peça fundamental no tabuleiro de xadrez que era nossa guerra.
— Lukas, intensifique a vigilância. Quero saber cada passo que ela dá, cada pessoa com quem fala. Não podemos subestimar o que essa garota significa, tanto para nós quanto para a Bratva.
Lukas assentiu, deixando-me sozinho com meus pensamentos. Malia era mais do que uma simples obsessão. Ela era uma oportunidade, um ponto fraco em Nicolai que eu podia explorar.