Sinto meu coração apertar enquanto tento processar a realidade do que acabou de acontecer. A sensação de vulnerabilidade me consome quando percebo que ele sabe quem eu sou de verdade, que conhece os segredos que eu tanto lutei para esconder. Malia Monroe, o símbolo do fracasso, e Malia Mikhailov, um mistério até para mim mesma.
Viro-me e começo a andar em direção ao meu apartamento, lutando para conter as lágrimas que ameaçam transbordar. Não posso parecer fraca diante dele, o homem que me deu meu primeiro beijo e que agora parece ser uma ameaça à minha vida.
Assim que entro no meu quarto, agradeço por Zarina não estar por perto. Fecho a porta e permito que as lágrimas rolem livremente. Meu corpo desliza até o chão enquanto o choro se intensifica, uma dor profunda tomando conta de mim. Parece que tudo está desmoronando ao meu redor, meu pai certamente me consideraria uma decepção se descobrisse sobre isso, e minha vida estaria arruinada para sempre.
Como pude ser tão ingênua? Como pude me deixar levar por um momento de impulso? Se meu pai descobrir, tudo estará perdido, meus sonhos, minha liberdade, tudo será apenas uma lembrança distante.
Enquanto as lágrimas continuam a cair, uma sensação de desamparo me envolve. Sinto-me perdida, como se estivesse presa em um labirinto sem saída. A pressão sobre meus ombros parece insuportável, como se o peso do mundo estivesse sobre mim.
Pego meu celular e olho para a tela por um momento, lutando contra o impulso de ligar para Zarina ou para minha mãe em busca de conforto. Mas como explicar o que acabou de acontecer? Como compartilhar o peso desses segredos?
Com um suspiro, coloco o celular de lado e me permito afundar ainda mais na escuridão de meus pensamentos. O medo me consome, o medo de ser descoberta, o medo de perder tudo o que construí até agora.
Mas também há uma centelha de determinação dentro de mim. Uma vozinha teimosa que se recusa a se render ao desespero. Se há uma coisa que aprendi, é que preciso ser forte, mesmo nos momentos mais difíceis. Preciso encontrar uma maneira de lidar com essa situação, de proteger a mim mesma e aos que amo.
Com um suspiro profundo, ergo-me do chão e limpo as lágrimas do rosto. Sei que não será fácil, mas não posso permitir que o medo me paralise. Tenho que encontrar uma solução, uma saída deste labirinto de segredos e mentiras.
Eu não posso e não serei a única a sair machucada nesse jogo de poder. Se ele quer brincar, então vamos brincar. Ele entenderá o que é mexer com uma Mikhailov. Ele não sabe no que está se metendo, mas eu farei ele entender, mesmo que no final dessa história eu tenha que morrer para isso.
Primeiro passo: ligo para Kira, uma amiga da Rússia. Diferente da minha família, a família dela ensinava todos os seus filhos a serem os melhores hackers da Bratva, então ela será útil para mim.
Pego o telefone e ligo para ela.
— Oi, amiga, tá podendo falar?
— Só um minuto — ela responde, e consigo ouvir passos, como se estivesse andando. — Agora posso.
— Preciso de um favor seu — digo, com a voz mais trêmula do que eu gostaria.
— Pode falar, você sempre esteve ao meu lado quando eu precisei na escola, farei qualquer coisa que me pedir.
— Eu não posso confiar em muitas pessoas no momento, mas eu preciso de você. Um mês atrás, fui a um bar no submundo de Paris. O nome do bar é “Les Repaire des Ombres”. Em um desafio, conheci um homem, mas eu não sei o nome dele. Você consegue, para mim, olhar as câmeras do local e descobrir o nome dele? Descobrir tudo sobre ele. Eu preciso estar um passo à frente dele.
— É urgente? — ela pergunta, a voz agora mais séria.
— Muito. Preciso disso ainda hoje, se possível.
— Ok, vou começar a trabalhar nisso agora mesmo. Te dou um toque assim que tiver algo. Cuide-se, Malia.
— Obrigada, Kira. Você é a melhor.
Desligo o telefone e respiro fundo. É um risco, mas preciso saber quem é esse homem. Preciso de informações para me proteger e para saber como agir.
Enquanto isso, entro no chuveiro e deixo a água cair sobre mim, como se pudesse arrancar um pouco da dor que carrego. Fecho os olhos e respiro fundo, tentando encontrar algum alívio naquele momento de solidão e silêncio. A água quente é reconfortante, mas sei que não pode lavar todas as minhas preocupações.
Saio do banho e escolho uma roupa sexy. Enrolo meus cabelos, calço um salto alto e faço uma maquiagem que intensifica meus olhos, aplicando um batom vermelho como o fogo. Olho-me no espelho e vejo uma mulher decidida, pronta para enfrentar qualquer coisa.
Passo perfume e pego a chave do meu carro, colocando-a dentro da bolsa. Sento-me no sofá, aguardando ansiosamente o telefonema de Kira. A espera é agoniante, mas tento me manter calma. Cada segundo que passa parece uma eternidade.
Finalmente, meu telefone toca. Atendo imediatamente.
— Malia, consegui o que você pediu — diz Kira. — O nome dele é Etore Monti. Ele é Don de Camorra o rival de seu pai. Vou te enviar todos os detalhes que consegui. Cuidado, ele é perigoso.
— Obrigada, Kira. Você me salvou.
— Cuide-se, amiga. E qualquer coisa, estou aqui.
Desligo o telefone e imediatamente abro a mensagem de Kira, absorvendo cada detalhe sobre Etore Monti. Meu coração bate mais rápido ao ler sobre suas conexões e atividades. Agora que sei quem ele é, posso começar a planejar meus próximos passos.
Levanto-me do sofá, determinada a não ser a única a sair machucada nesse jogo de poder. Etore Monti não sabe no que se meteu, mas vai descobrir. Vou usar todas as informações que tenho para virar o jogo a meu favor.
Com uma última olhada no espelho, pego minha bolsa e saio do apartamento, pronta para enfrentar o que vier. A noite em Paris está apenas começando, e eu estou mais preparada do que nunca para jogar o jogo que Etore começou.