Desde o ocorrido, Malia tem estado estranha, fechada. Não vai mais para as festas, é como se realmente tivesse medo de perder toda a liberdade que conquistou.
Já eu tenho vivido o máximo que consigo, sem deixar passar nada. É como se algo dentro de mim soubesse que faltava muito pouco para tudo se acabar.
Hoje a galera havia me chamado para uma festa na praia e eu aceitei ir. Me arrumei e estava linda com um conjunto praiano mais elegante.
Tentei bater na porta do quarto de Malia, mas ninguém atendeu. Então, enviei uma mensagem para ela e saí do apartamento.
Cléa já estava me esperando. Entrei no carro e fomos para a tal festa, que seria na praia Côte d’Azur. Chegando lá, meus olhos passaram pelo local.
Mas pararam naquele homem, o homem mais lindo que meus olhos já haviam visto. Eu o desejei como nunca havia desejado alguém na vida.
Eu entregaria a minha alma se ele pedisse.
Ele estava encostado em sua moto, cercado por um grupo de amigos, todos rindo e se divertindo. Mas ele se destacava, não só pela sua beleza, mas pela aura de confiança e magnetismo que emanava. Ele parecia ser pouca coisa mais velho do que eu. Senti um arrepio percorrer meu corpo enquanto meus olhos fixavam nos dele, que, para minha surpresa, encontraram os meus e se mantiveram ali, presos como se estivéssemos os únicos naquele lugar lotado.
Cléa percebeu meu interesse e deu um sorriso malicioso.
— Parece que alguém se interessou — disse ela, dando uma leve cotovelada em meu braço.
— Quem é ele? — perguntei, tentando parecer despreocupada, mas minha voz traía minha curiosidade e desejo.
— Ah, aquele é Liam. Dizem que ele é italiano e só vem aqui para curtir. Ele é conhecido aqui, meio que o rei das festas. Mas, cuidado, dizem que ele pode ser perigoso. Não só no sentido criminal, mas no sentido emocional também. Muitas garotas já se machucaram ao se envolver com ele — Cléa respondeu, sua expressão ficando um pouco séria.
Algo dentro de mim, no entanto, ignorou o aviso. Havia algo irresistível nele, algo que me puxava como um ímã. Resolvi que precisava conhecê-lo.
— Dizem que ele vem de uma família poderosa da Itália, mas não sei ao certo.
Meu coração batia acelerado enquanto caminhávamos em direção ao bar improvisado na areia. Cada passo parecia nos aproximar mais dele, e minha mente estava dividida entre excitação e apreensão.
Quando chegamos ao bar, Cléa começou a conversar com algumas amigas, mas minha atenção estava completamente focada em Liam. Ele estava agora mais próximo, e pude observar seus traços com mais detalhes: os olhos intensos, o sorriso sedutor, a postura relaxada, mas alerta.
Como se percebesse meu olhar, ele se afastou do grupo e caminhou em minha direção. Meu coração disparou ainda mais, e senti minhas mãos suarem levemente.
— Olá — ele disse, sua voz suave e profunda. — Nunca te vi por aqui antes. Qual o seu nome?
Senti meu coração acelerar, e por um momento, quase esqueci como falar.
— Zarina. Meu nome é Zarina — respondi, tentando soar confiante.
— Zarina. Nome bonito para uma garota bonita — disse ele, um sorriso encantador brincando em seus lábios. — Sou Liam.
— Prazer em conhecê-lo, Liam — respondi, meu rosto esquentando com o elogio.
Passamos a noite conversando, e eu me senti atraída por ele de uma forma que nunca havia sentido antes. A festa ao nosso redor parecia desaparecer, e tudo o que importava era a conexão crescente entre nós.
— Então, Zarina, o que te trouxe a esta festa? — perguntou Liam, enquanto tomávamos nossas bebidas.
— Alguns amigos me convidaram. Achei que seria bom sair um pouco e aproveitar a noite — respondi, tentando manter a conversa leve.
— E você está aproveitando? — ele perguntou, com um olhar penetrante que parecia ver além das minhas palavras.
— Sim, estou — respondi, sorrindo. — E você?
— Agora que te conheci, a noite ficou muito melhor — ele disse, e pude sentir a sinceridade em sua voz.
Liam pegou minha mão e me levou até sua moto.
— Quer dar uma volta? — ele perguntou.
A ideia de uma aventura me empolgou. Só se vive uma vez, pensei, e aceitei o passeio sem hesitar.
Subi na garupa e senti meu coração disparar, como se fosse saltar pela boca. O vento soprava em meus cabelos enquanto atravessávamos as ruas, e a sensação de liberdade era intoxicante. Depois de longos minutos em cima daquela moto, finalmente chegamos à beira-mar. Ele me ajudou a descer da moto com uma gentileza surpreendente.
— A vista é linda — disse, observando o horizonte.
— Não mais linda que você — ele respondeu.
Eu sabia que ele provavelmente dizia isso para todas as garotas, mas algo dentro de mim queria acreditar que ele não falava da boca para fora.
Ele se aproximou e me beijou, um beijo suave e calmo que contrastava com o som das ondas quebrando ao nosso redor, intensificando ainda mais o momento.
Lentamente, ele passou a mão pelo meu corpo. O beijo estava tão bom que não dei importância, apesar de ser o meu primeiro beijo e tudo parecer estar acontecendo rápido demais. Eu estava dividida entre a cautela e a vontade de deixar acontecer.
Aquela noite na praia, com a lua iluminando nossas faces, parecia saída de um sonho. Eu sabia que podia estar me deixando levar por uma fantasia, mas, no fundo, queria aproveitar aquele momento único.
— Então, Zarina, o que acha de darmos um mergulho? — ele perguntou, com um brilho travesso nos olhos.
Eu sorri, sentindo a excitação crescer novamente.
— Vamos lá — respondi, tirando os sapatos e correndo em direção à água.
Enquanto corríamos juntos para o mar, a realidade parecia desvanecer, deixando apenas nós dois, a praia e a promessa de uma noite inesquecível.