Capítulo 18 Etore

1188 Palavras
Passei semanas de olho nela, mas, diferente do que eu pensei, Malia havia parado de ir a festas. Ninguém do submundo, além de mim, poderia saber sobre ela. Eu a observei dia após dia. Malia era diferente de tudo que eu conhecia em uma mulher; no caso dela, uma menina. Seus olhos, quando estavam no campus, tinham um brilho que eu não conseguia decifrar, como se ali fosse realmente onde ela gostaria de estar. Algumas vezes, eu a via olhando para os lados, como se sentisse minha presença. Em seus olhos, havia medo. Sua prima sempre estava ao seu lado. Embora cursassem programas diferentes, Zarina Minisk também não existia, vivendo sob o nome verdadeiro de Zarina Ivanov Mikhailov. A proteção que Nicolai Mikhailov dava a ambas era evidente. Ele havia feito um trabalho meticuloso para apagar suas verdadeiras identidades e protegê-las do mundo, mas agora eu conhecia a verdade. A rotina de Malia era quase monótona: aulas, lojas de tecido, academia e, ocasionalmente, o café onde a vi pela primeira vez. Zarina a acompanhava em quase todos os momentos, exceto nas raras ocasiões em que Malia conseguia um pouco de tempo sozinha, geralmente para uma caminhada noturna pelo seu prédio, que ficava perto do campus e do rio Sena. Eu me mantinha à distância, observando, estudando seus hábitos, suas vulnerabilidades. Certa noite, quando a vi sair sozinha para uma dessas caminhadas, decidi que era hora de me aproximar novamente. Esperei até que ela estivesse longe de qualquer multidão e me aproximei silenciosamente. — Malia, — chamei, vendo-a se virar bruscamente, os olhos arregalados de surpresa e medo. — O que você quer de mim? — sua voz tremia, mas havia uma determinação subjacente ali. — Quero respostas. E acredito que você também, — respondi, tentando suavizar meu tom. — Não estou aqui para machucá-la, Malia. Quero entender por que você está aqui e o que você está escondendo. — Você não sabe nada sobre mim. Acha que pode vir até aqui e vou te contar todo o meu passado e tudo sobre minha família? Acho que você se enganou sobre quem eu sou. Eu amo a minha família e morreria por cada um deles se fosse necessário. — Então você não os culpa pela vida de merda que teve? — perguntei incrédulo. — Vida de merda? Eu sempre tive tudo o que quis. Realmente não pude ir para as festinhas e nem nada do tipo, mas agora, olhando para você, eu até entendo o porquê. Não sei o que espera de mim, mas não sou e jamais serei o seu triunfo perante a minha família. Você é um louco iludido. Sério mesmo que se iludiu com um beijo? Hahahaha. Eu tenho pena de você. Se sabe quem eu realmente sou, então provavelmente você também é de alguma máfia, mas sabe, eu pouco me importo. Sabe por quê? Nem que você fosse o último homem na Terra eu seria sua. Sua reação foi um balde de água fria. A certeza com que ela falava, a força de suas palavras, abalou minha confiança. Malia não era apenas uma peça vulnerável; ela era uma força a ser reconhecida, moldada pela dureza de sua criação e pela proteção feroz de sua família. — Eu não estou tentando te usar contra sua família, — menti, tentando encontrar uma a******a. — Só quero te proteger. Você está em perigo, Malia. Ela deu um passo para trás, seus olhos se estreitando. — Proteção? — Ela quase cuspiu a palavra. — De você? Eu não preciso da sua proteção. Eu sei muito bem como me cuidar. E se está tentando me assustar com ameaças veladas, saiba que não funciona comigo. Eu me aproximei um pouco mais, tentando não parecer ameaçador, mas determinado. — Você não entende o que está em jogo aqui. Seu pai fez muitos inimigos, e você, sendo quem é, está no meio de tudo isso. — Se eu estou no meio de tudo isso, é um risco que estou disposta a correr. E se acha que pode me usar para chegar ao meu pai, está muito enganado. — Ela olhou diretamente nos meus olhos, desafiadora. Minha raiva fervia sob a superfície. — Você vai se arrepender disso, garota. Vai se arrepender de não querer ficar comigo pelo bem. Tudo bem, se não quer pelo bem, será pelo m*l. Mas no final, não diga que eu não te avisei. — Ameaças? Não acha que está muito velho para fazer tais coisas? Nem mesmo com um casamento forçado eu seria sua. Você acha que investigando minha vida sabe tudo sobre mim, moço, mas é aí que você se engana. — Ela se virou e saiu, entrando em seu prédio sem ao menos olhar para trás. A julguei m*l. Achei que fosse uma dessas meninas bobas que não sabem nada sobre a família, que eles escondiam a verdade dela. Mas estava enganado. Ela sabe exatamente quem é quem em sua família. Minha obsessão grita dentro de mim para tê-la ainda mais. Mas ela me deu uma boa ideia. Se ela não quer ser minha, será minha mesmo não querendo. Por ela, eu termino uma guerra; por ela, travo uma batalha com o d***o. Por ela, apenas para tê-la sob meu domínio, atravesso um vulcão em erupção. Aquela noite foi um ponto de virada. A recusa de Malia, a força com que ela rejeitou minha proteção, minha proposta, só acendeu ainda mais meu desejo de possuí-la. Já era noite quando voltei para a sede. Acendi um cigarro e servi um copo de whiskey, sentindo o álcool aquecer minha garganta enquanto contemplava o que havia acontecido. Lukas entrou pela porta, me olhando com curiosidade. — Ainda aqui? — ele perguntou. — Eu a julguei m*l, — comecei, a irritação evidente na minha voz. — Achei que cairia no meu papo, que conseguiria convencê-la com meu charme, no jogo de sedução, sei lá. Nunca fui rejeitado por mulher alguma e, por causa de uma fedelha, minha obsessão me consome. Lukas esboçou um leve sorriso, mas manteve a seriedade. — Mas você sabe que isso é mais fácil do que imagina de tê-la mesmo que ela não queira, não é? — Do que está falando? — perguntei, confuso. — O pai dela quer paz, Etore. Os conselheiros querem que você case, e por que não juntar o útil ao agradável? Um casamento por contrato. Você dá a paz que Nicolai Mikhailov tanto deseja em troca da filha dele. Fiquei em silêncio, processando a ideia. Um casamento arranjado. Era uma solução simples e direta, mas carregada de implicações. Malia seria forçada a ser minha, e eu conseguiria a aliança que tanto desejávamos. Mas isso não resolveria minha obsessão, apenas a legitimaria. Ainda assim, a ideia era tentadora. — Você realmente acha que Nicolai aceitaria isso? — perguntei, minha mente já começando a formular um plano. — Ele quer paz mais do que tudo. E se isso significar garantir a segurança da filha dele com um casamento, acho que ele consideraria. — Lukas respondeu, observando minha reação. — Um casamento arranjado… — murmurei, pensativo. — Isso resolveria muitos problemas de uma vez.
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