Onde quer que eu vá, atraio os olhares. As mulheres cochicham entre si, os homens me olham com cobiça, mas não me importo. Sigo meu caminho até o bar, o ódio e a raiva consumindo cada parte do meu ser.
Assim que paro na frente da porta, me questiono sobre o que vim fazer ali. O que direi a ele? E se ele nem estiver aqui? Esses pensamentos rondam minha mente.
Enquanto minhas mãos se aproximam da porta, sinto dois homens pararem atrás de mim, seus olhares fixos em mim.
— Acabou a brincadeirinha, Malia Mikhailov — um deles diz, seu tom sério fazendo meu sangue ferver e minhas pernas tremerem. Alguém sabe de mim.
— Seu pai está te esperando em seu apartamento — ele continua, sua expressão dura.
Fudeu. É a única coisa que consigo pensar. Meu pai está em Paris. Agora, minha tão sonhada liberdade acabou.
Ao chegar ao meu carro, sinto a presença dos homens que me seguiram o tempo todo. Cada momento parece uma eternidade enquanto dirijo em direção ao apartamento. Minha mente está em turbilhão, perguntas sem resposta ecoam em meus pensamentos. Será que meu pai sabe sobre Etore? O que ele quer comigo?
Ao subir as escadas em direção ao apartamento, o peso da incerteza se torna quase insuportável. Meu coração martela no peito, e a sensação de estar encurralada se intensifica a cada passo.
Chego à porta do apartamento e hesito por um momento antes de abrir. Não há como fugir, e enfrentar meu pai é inevitável. Com um último suspiro, giro a maçaneta e adentro o apartamento, preparada para enfrentar o que quer que esteja por vir.
— Que merda você fez, Malia? — Ele disse assim que eu entrei no apartamento. — Então era isso? Queria ir estudar no exterior para ir a festinhas?
— Não, senhor Mikhailov. Eu quis vir para o exterior para ter liberdade de fazer minhas próprias escolhas. Estou cansada de você achar que pode escolher tudo por mim.
— Então acha mesmo que isso valeu a pena? Meu único erro foi ter tentado te proteger do mundo em que vivemos. Acha mesmo que, se alguém te conhecesse antes, hoje você já não seria uma mulher casada? Eu te livrei dessa vida, mas não consigo mais fazer isso. Pois agora ele conhece o seu rosto. Eles sabem quem é Malia Mikhailov. Em Paris, eu tenho inimigos, menina. Eu queria paz com meus inimigos e agora sabe qual o preço da paz?
Eu o olho incrédula. Não pode ser isso que estou imaginando. Etore não podia ter jogado tão baixo.
Meu pai continua. — O preço da paz entre Bratva e Camorra é o seu casamento com Etore Monti, o Don da máfia de Camorra.
Meu coração afundou no peito, e por um momento, senti como se o chão tivesse desaparecido sob meus pés. A ideia de me casar com Etore Monti, o homem que tinha me beijado à força, que representava tudo o que eu desprezava e temia, era insuportável.
— Você não pode estar falando sério — eu disse, minha voz m*l conseguindo sair.
— Estou, Malia. — A voz do meu pai era fria e definitiva. — Eu tentei manter você longe desse mundo, mas agora é tarde demais. A única maneira de garantir a paz é esse casamento.
— Isso é loucura! — Eu gritei, minha raiva finalmente explodindo. — Você está me vendendo como se eu fosse um pedaço de carne!
— Não é isso — ele respondeu, sua voz firme. — É sobre proteção. Sobre garantir que a nossa família não seja destruída. Etore é perigoso, mas com você ao lado dele, posso garantir que ele não tocará em nenhum de nós. É um sacrifício necessário.
Minhas mãos tremiam, e eu me virei para olhar pela janela, tentando encontrar alguma forma de escapar dessa situação. As luzes de Paris brilhavam lá fora, mas, de repente, a cidade que eu tanto amava parecia um lugar sombrio e opressor.
— Eu não vou fazer isso — disse finalmente, minha voz cheia de determinação. — Eu não vou me casar com ele. Prefiro fugir, me esconder, eu prefiro a morte a ter que me casar com Etore Monti. qualquer coisa menos isso. — Eu disse deixando uma lágrima cair de meus olhos.
Meu pai suspirou, exasperado. — Você não entende, Malia. Não há para onde fugir. Eles vão te encontrar. E quando encontrarem, será muito pior do que aceitar esse casamento.
A raiva borbulhava dentro de mim, mas, ao mesmo tempo, uma sensação de impotência tomava conta. Eu estava presa, sem saída.
— Darei a você a noite para pensar — ele disse, sua voz mais suave, mas ainda carregada de autoridade. — Amanha venho te buscar para o seu noivado. — Ele diz e se vira para sair.
— Se me entregar para Etore Monti pode esquecer que um dia você teve uma filha senhor Nicolai Mikhailov, pois neste dia eu deixarei de ser sua filha.
A declaração saiu da minha boca com uma força que eu nem sabia que possuía. Meu pai parou na porta, a tensão preenchendo o silêncio entre nós. Ele se virou lentamente, seu olhar duro se encontrando com o meu.
— Você está ameaçando a sua própria família? — ele perguntou, a raiva misturada com incredulidade em sua voz.
— Estou dizendo a verdade. — Minha voz tremia, mas minha determinação era clara. — Prefiro morrer a viver uma vida que não escolhi. Se você me entregar para Etore, nunca mais terá uma filha.
Meu pai me olhou por um longo momento, e por um instante, vi uma sombra de dúvida passar por seus olhos. Mas, então, ele endureceu novamente.
— Você não entende o que está em jogo, Malia. — Sua voz era fria e calculada. — Este casamento é a única coisa que garante a nossa segurança. Se você escolher fugir, estará condenando não apenas a si mesma, mas a toda a nossa família.
— Eu não vou desistir tão facilmente. — Respondi, tentando manter minha voz firme. — Vou encontrar uma maneira de sair dessa situação, sem sacrificar minha liberdade ou minha dignidade.
Ele balançou a cabeça, claramente frustrado, mas não disse mais nada. Sem mais uma palavra, ele saiu do apartamento, deixando-me sozinha com a enormidade da situação.
Desabei no sofá, a adrenalina finalmente se dissipando e dando lugar a um desespero avassalador. Lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto eu tentava processar tudo o que estava acontecendo.
Depois de um tempo, a exaustão tomou conta, mas minha mente continuava a trabalhar freneticamente. Eu precisava de um plano, e rápido. Não podia permitir que minha vida fosse decidida por outras pessoas, especialmente não por Etore Monti.