— E você teria Malia, do jeito que quer. Mesmo que ela não queira.
Lukas tinha razão. Era uma solução fria e calculista, mas eficaz. E, no fundo, sabia que Malia, mesmo relutante, não teria outra escolha. Em nosso mundo, decisões assim eram comuns, e resistir significava perigo e incerteza.
— Vamos fazer isso, — decidi finalmente. — Prepare uma reunião com Nicolai. Vamos discutir os termos da paz e do casamento.
Lukas assentiu, já pegando o telefone para fazer os arranjos.
— Não, deixe-me fazer a ligação. Depois, você resolve o resto.
Peguei o telefone e disquei o número de Nicolai. Ele atendeu de forma abrupta, sem dar espaço para formalidades.
— Quem fala? — perguntou, sem me dar chance de introduzir a conversa.
— Sou Etore Monti, Don da Camorra. Você quer paz, Nicolai? Quer acabar com a matança dos dois lados? Então, eu tenho um preço para isso...
Houve um momento de silêncio do outro lado da linha, seguido de um tom intrigado.
— Qual seria seu preço, Etore Monti?
— Meu preço? — dei uma gargalhada. — Meu preço é a sua filha, Malia Mikhailov.
Ouvi o som de sua respiração acelerar, seguido de uma voz furiosa.
— Como você... Ela nunca aceitaria esse casamento!
— Isso não é problema meu. Se você quer a paz, esse é o meu preço. Esperarei sua resposta. Você tem uma semana para decidir. — falei, desligando o telefone antes que ele pudesse responder.
Me sentei de volta no sofá, acendendo outro cigarro. A imagem de Malia, desafiadora e resoluta, passava pela minha mente. Ela não sabia ainda, mas logo estaria ligada a mim de forma indissolúvel. E eu, finalmente, teria o que tanto desejava.
O jogo havia mudado. Agora, não se tratava apenas de uma obsessão. Era uma questão de poder e controle. E eu estava determinado a vencer, a qualquer custo.
Sei que posso estar cometendo o maior erro da minha vida. Malia Mikhailov é um furacão de mulher que não abaixa a cabeça para ninguém. Sempre tem uma resposta na ponta da língua e responde à altura. Não se deixa abalar por ninguém, muito menos por um homem. Sei exatamente que posso estar querendo transformar minha vida em um verdadeiro inferno, mas por aquela mulher de 1,60m, com a beleza mais deslumbrante que já vi, eu aceito passar pelo inferno que for. Ela será minha, de um jeito ou de outro.
A decisão havia sido tomada, e agora tudo dependia de Nicolai. Eu sabia que a proposta o colocaria contra a parede, forçando-o a escolher entre a paz e a vontade da filha. Em nosso mundo, compromissos eram selados com alianças de sangue e laços familiares. Malia seria minha entrada definitiva na dinastia Mikhailov, solidificando meu poder e pondo fim à guerra que havia devastado nossas famílias por gerações.
E assim, enquanto a fumaça do meu cigarro se dissipava no ar, minha determinação se solidificava. Estava pronto para enfrentar qualquer desafio, qualquer consequência. Porque, no final, tudo o que importava era possuir Malia, a qualquer custo.
Os dias seguintes foram repletos de uma tensão palpável. Cada movimento parecia carregado de significados ocultos, e cada palavra dita pelos meus homens era uma peça no tabuleiro que eu estava montando. Nicolai tinha uma semana para decidir, e enquanto o tempo passava, a ansiedade se misturava à minha impaciência.
Na quarta noite, enquanto revisava os relatórios diários e bebia mais um copo de whiskey, Lukas entrou na sala com um olhar grave.
— Temos uma resposta. — Ele disse, me passando o telefone.
— Algo a me dizer, Nikolai? — Perguntei, mais ansioso por sua resposta do que gostaria.
— A decisão não foi fácil, e não pense que ela está de acordo com isso, mas em nome da paz e do bem-estar das nossas famílias, aceito sua proposta. Malia será sua esposa.
Um sorriso lento se formou em meu rosto. O jogo estava finalmente se desenrolando como eu queria. Olhei para Lukas, que aguardava ansioso.
— Mandarei a localização da catedral onde será nosso noivado no domingo. Espero não me decepcionar, Nikolai. Lá acertamos todos os detalhes do nosso contrato. — Desliguei o telefone e olhei para Lukas.
— Prepare tudo para domingo na cathédrale familiale. Quero que seja perfeito.
Lukas assentiu e saiu rapidamente para organizar os detalhes. Eu me sentei novamente, acendendo mais um cigarro. A imagem de Malia, desafiadora e irresistível, dançava em minha mente. Logo, ela estaria ao meu lado, minha de um jeito ou de outro.
Os dias que se seguiram àquela ligação foram uma mistura de excitação e tensão. Enquanto meus homens faziam os preparativos para o noivado, eu não conseguia afastar a imagem de Malia da minha mente. Ela era um enigma, uma força que eu ainda não compreendia totalmente, mas estava determinado a desvendar.
Como um bom solteiro, decidi aproveitar minha última noite de liberdade. Alex, meu subordinado, havia preparado uma despedida de solteiro, e eu não hesitei em ir ao local que frequentava frequentemente.
Chegando lá, minha ruiva habitual, Sofia veio para o meu colo e começou a deslizar, sem perder tempo.
Ela logo abaixou a cabeça e abocanhou meu m****o, chupando com vontade e me fazendo gozar na boca dela. Depois, subiu novamente para o meu colo e tentou me beijar, mas meu corpo travou e minha mente foi de encontro àquela loira maldita, Malia.
A imagem dela invadiu meus pensamentos com força. Sua recusa, sua determinação, a maneira como me desafiou — tudo isso tomou conta de mim, mesmo naquele momento de prazer carnal. Afastei a ruiva com uma gentileza forçada, percebendo que nenhum outro corpo, nenhum outro beijo, poderia satisfazer a obsessão que eu sentia por Malia.
— Algum problema, chefe? — A ruiva perguntou, confusa e ligeiramente ofendida.
— Não é você. — murmurei, tentando afastar a imagem de Malia da minha mente. — Só...
preciso de um momento.
Levantei-me, ajeitando as roupas e me afastando da confusão de corpos e música alta. Precisei de ar, de clareza. Saí para a varanda, acendendo um cigarro e deixando a fumaça preencher meus pulmões enquanto tentava processar a tempestade de emoções dentro de mim.
A despedida de solteiro continuava atrás de mim, mas eu já não estava ali. Minha mente estava presa em um futuro que agora parecia inevitável e intrincado, com Malia no centro de tudo. Não importava quantas ruivas ou festas eu frequentasse, meu destino estava entrelaçado com o dela, e a obsessão só crescia.
O que ela fazia comigo? Como uma única mulher podia me fazer sentir assim? Eu, Etore Monti, acostumado a ter tudo e todos aos meus pés, agora estava à mercê dos caprichos de uma fedelha loira que nem ao menos queria estar comigo.
Apaguei o cigarro e voltei para a festa, mas minha mente estava decidida. Malia seria minha, de um jeito ou de outro, e não havia nada que pudesse mudar isso.