A semana passou voando, e reunir tudo o que precisávamos levar parecia uma tarefa impossível. Entre caixas empilhadas e listas intermináveis, a ansiedade pairava no ar.
Surpreendentemente, tio Nic estava mais conformado com a ideia de Malia ir para a universidade. Ele até nos presenteou com um apartamento perto do campus. Claro, nós queríamos liberdade, mas também valorizávamos o conforto. Deus me livre pensar em ter que dividir o banheiro com outras meninas ou ficar em quartos separados da Malia.
Querendo ou não, éramos mimadas. Sempre tivemos tudo o que queríamos, e não seria agora que seria diferente. Queríamos liberdade, mas isso não significava que não queríamos conforto.
Malia e eu estávamos empolgadas com a nova fase de nossas vidas, mas também estávamos um pouco nervosas. Era a primeira vez que estaríamos longe da família e de toda a segurança que conhecíamos. Mas, ao mesmo tempo, era uma oportunidade para explorar o mundo, conhecer novas pessoas e nos descobrirmos além das expectativas e limitações que nos foram impostas.
Enquanto arrumávamos nossas coisas, entre risadas e lembranças compartilhadas, uma sensação de gratidão inundou meu coração. Apesar de todos os obstáculos, tínhamos uma família que, de uma forma ou de outra, nos apoiava. E isso era mais do que muitas pessoas podiam dizer.
Olhei para Malia, seus olhos brilhando com emoção e determinação. Ela era minha melhor amiga, minha confidente, minha irmã. E juntas, enfrentaríamos o desconhecido, prontas para conquistar o mundo que nos aguardava além dos muros familiares.
Com um suspiro de antecipação, fechei a última caixa e sorri para Malia.
— Estamos prontas para isso. Juntas, como sempre.
Para evitar riscos e garantir nossa locomoção, Malia e eu ganhamos um carro que estaria à nossa espera quando chegássemos. Tudo o que precisávamos estaria lá, pronto para quando chegássemos.
Cheguei na casa de Malia junto com minha família, e todos já estavam lá. As famílias de minha mãe e tia Zoya estavam cheias de lágrimas. E, por mais triste que fosse nos separar delas, estava na hora de vivermos nossa vida.
Abracei minha mãe, que passou os dedos carinhosamente pelos meus cabelos. — Oh, minha menina, o seu futuro será lindo. Não se esqueça de seus princípios, mas também não deixe de viver aventuras.
Em seguida, meu pai veio até mim. — Minha pequena e eterna princesa Zarina, não deixe de viver. Estude e conquiste tudo o que deseja, mas lembre-se das regras. Ainda que você não esteja usando seu sobrenome, ainda assim é uma Mikhailov Ivanov. Não se esqueça disso.
Seus olhos estavam cheios de amor e preocupação. Ele sempre foi firme sobre a importância de nossa herança, mas hoje havia um brilho de orgulho e confiança.
Depois de me despedir da minha família, vi que Malia estava em uma despedida semelhante. Tio Nic, com sua postura sempre rígida, surpreendentemente a abraçou, sussurrando algo em seu ouvido. Malia acenou com a cabeça, e quando seus olhos se encontraram com os meus, ela sorriu, um sorriso cheio de esperança e determinação.
Finalmente, era hora de ir. Entramos no carro junto com o motorista que nos levaria até o aeroporto, senti uma mistura de liberdade e responsabilidade. Era um novo começo, uma chance de descobrir quem éramos além das expectativas e limitações impostas por nossa família.
— Está pronta para isso, Malia? — Perguntei, olhando para ela.
— Mais do que nunca. — Ela respondeu, sua voz firme. — Estamos juntas nessa, Zarina. Sempre estivemos e sempre estaremos.
Chegamos ao aeroporto e descemos do carro, dando um abraço em Alfredo, o motorista dos Mikhailov.
— Obrigada, senhor Alfredo — agradecemos juntas.
Ele retira nossas malas do carro e diz:
— Aproveitem Paris, não deixem de se aventurar e viver coisas belas. Lembrem-se de que só se vive uma vez, e no mundo em que vivemos, m*l sabemos quando cortarão nossas asas. Por isso, vocês têm que viver intensamente; não se sabe quando um chamado mudará a vida de vocês.
Alfredo então entra no carro e desaparece de nossa vista. Entramos no aeroporto e seguimos todos os procedimentos necessários. Levávamos apenas uma pequena bolsa de mão, pois todas as nossas coisas já estariam em Paris quando chegássemos.
Passamos pelo raio-X e fizemos o check-in. Graças a Deus, ou melhor, à nossa família, não precisávamos enfrentar aquelas longas filas; a primeira classe da Emirates nos aguardava.
Fomos para a sala VIP do aeroporto e, alguns minutos depois, chamaram nosso voo. Levantamos e fomos até as aeromoças, mostramos nossos bilhetes e embarcamos. Cada uma de nós tinha uma cadeira super confortável que se reclinava completamente. Assim que nos acomodamos, recebemos uma taça de champanhe.
Paris nos esperava, e eu m*l podia conter a excitação. Estava ansiosa para explorar a cidade e viver todas as aventuras que ela prometia. No fundo, sabia que essa viagem poderia mudar tudo em nossas vidas.
O avião decolou suavemente, e eu observei pela janela enquanto a cidade se tornava uma tapeçaria distante de luzes cintilantes. O brilho da champanhe na minha taça refletia a luz ambiente, criando um efeito mágico que combinava perfeitamente com a atmosfera de expectativa e aventura.
Ao meu lado, Sofia estava igualmente entusiasmada. Nós duas sonhávamos com Paris desde crianças, e agora estávamos prestes a transformar esses sonhos em realidade. Conversamos animadamente sobre os planos para os próximos dias: visitar a Torre Eiffel, caminhar pelo Champs-Élysées, explorar o Louvre e nos perder pelas charmosas ruas de Montmartre.
— Você já pensou no que vai fazer primeiro quando chegarmos? — perguntei a Malia, tentando disfarçar a ansiedade que sentia.
— Acho que vou querer comer um croissant autêntico, daqueles que a gente só vê em filmes, sabe? — ela respondeu, sorrindo. — E você?
— Quero ver a cidade do alto, talvez subir na Torre Eiffel ou em algum mirante. Preciso sentir que estou realmente lá, entende? — respondi, já imaginando a vista panorâmica de Paris.
O voo foi tranquilo, e logo estávamos pousando no Aeroporto Charles de Gaulle. A emoção só aumentava conforme nos aproximávamos do nosso destino. Após desembarcar, fomos recebidas por um representante da família Mikhailov que nos levou diretamente ao nosso novo lar temporário: um charmoso apartamento no coração de Paris, com uma vista deslumbrante do rio Sena.
Ao abrir a porta do apartamento, senti um misto de deslumbramento e gratidão. O lugar era exatamente como eu tinha imaginado: janelas grandes que deixavam entrar a luz suave da manhã parisiense, móveis elegantes e uma atmosfera que exalava história e cultura.
— É ainda mais bonito do que eu esperava! — exclamei, enquanto explorávamos cada canto do apartamento.
— Sim, é perfeito! — Malia concordou, seus olhos brilhando de felicidade