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O conto do Rei Magnus

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Sinopse

Isadora entra em um casamento arranjado com o temido Rei Magnus acreditando que sua vida será apenas dever, silêncio e sobrevivência dentro de um trono frio. O reino a observa como mais uma esposa descartável de uma linhagem marcada por perdas e cobranças cruéis.

Mas o que ninguém espera é que, por trás da rigidez do rei e da fragilidade aparente da rainha, nasce algo muito mais perigoso para os inimigos do trono: lealdade, união e um amor que se constrói na dor, na p******o e na escolha diária de permanecer.

Enquanto a corte a pressiona, os rumores tentam destruí-la e o próprio destino parece testá-la a cada passo, Isadora se recusa a ser apenas um símbolo. Ela se torna presença, força e centro de um reinado que começa a mudar quando o impossível acontece.

Após anos de julgamento e silêncio, o trono finalmente recebe seu maior sinal de continuidade: dois herdeiros que não apenas garantem a dinastia — mas consolidam a união de um rei e uma rainha que o reino subestimou até o último instante.

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início
Um dia a notícia chegou como uma sentença. A princesa Isadora estava sentada diante da penteadeira quando a porta do quarto se abriu com força. Sua mãe entrou acompanhada do rei conselheiro. Os dois tinham expressões sérias. — Aconteceu alguma coisa? — perguntou ela, sentindo um aperto estranho no peito. O pai se aproximou. — Filha... recebemos uma proposta de casamento. Isadora sorriu de leve. Era comum. Desde os dezesseis anos recebia propostas de príncipes, duques e nobres. — E quem é o pretendente? O silêncio que se seguiu fez seu sorriso desaparecer. A rainha segurou as mãos da filha. — É o rei Magnus. O mundo pareceu parar. — Não... Sua voz saiu num sussurro. — Não... não pode ser ele. Magnus. O rei do reino vizinho. O homem cuja fama atravessava fronteiras. O carrasco. O c***l. O viúvo de cinco esposas. Cinco. Todas mortas. Isadora levantou tão rápido que a cadeira caiu atrás dela. — Não! Seu peito subia e descia em desespero. — Não! Eu não vou! — Filha... — Todas morreram! As lágrimas surgiram imediatamente. — Todas elas morreram! Como podem me pedir isso? O rei fechou os olhos. — Nosso reino está falido. — Então me vendam como escrava! Vai dar no mesmo! — Isadora! — É verdade! Ela começou a recuar. As mãos tremiam. — Ele matou as esposas dele! — Não existe prova disso. — Mas todas morreram! A princesa sentiu o ar faltar. As histórias eram conhecidas. A primeira rainha teria morrido após uma queda misteriosa. A segunda desapareceu durante uma caçada. A terceira morreu de febre. A quarta afogada. A quinta durante o parto. Acidentes. Sempre acidentes. Mas ninguém acreditava. Ninguém. — Eu vou morrer... As lágrimas escorriam sem controle. — Vocês estão me mandando para morrer. A rainha começou a chorar também. — Filha, nós não temos escolha. — Sempre existe escolha! — Não para um reino à beira da guerra. O pai abaixou a cabeça. Aquilo foi pior. Porque Isadora percebeu que a decisão já estava tomada. Não era um pedido. Não era uma proposta. Era um acordo. Ela caiu de joelhos. — Por favor... Sua voz falhou. — Por favor, não façam isso. A rainha correu para abraçá-la. Mas Isadora estava em pânico. O corpo inteiro tremia. O coração disparado. — Eu não quero morrer... — Nada vai acontecer. — Cinco mulheres morreram! Ela se afastou. Os olhos vermelhos. Assustados. — Cinco! O rei não conseguiu encará-la. Porque no fundo ele também tinha medo. Mas a aliança com Magnus salvaria o reino. Salvaria milhares de pessoas. Mesmo que custasse a felicidade da própria filha. Quando seus pais saíram do quarto, Isadora ficou sozinha. Imóvel. Em choque. Horas depois, a criada encontrou a princesa sentada no chão. Abraçada aos joelhos. O vestido amassado. Os olhos inchados. — Alteza... — Quantos dias? — O quê? — Quantos dias até eu me casar com ele? A criada engoliu seco. — Trinta. Isadora fechou os olhos. Trinta dias. Trinta dias até ser entregue ao homem mais temido dos reinos. Trinta dias até descobrir se as histórias eram mentiras. Enquanto isso, a centenas de quilômetros dali, o Reino de Valdoria se movimentava como nunca. Servos corriam pelos corredores. Criados limpavam salões. Jardineiros trabalhavam dia e noite nos jardins do castelo. Tapeçarias novas eram penduradas. Móveis eram substituídos. Tudo precisava estar perfeito. No centro de toda aquela agitação estava o homem que causava medo em metade do continente. O rei Magnus. Alto. Imponente. De expressão severa. Seu nome era suficiente para fazer soldados experientes ficarem em silêncio. Ele observava os preparativos da varanda do castelo. — O quarto da rainha está pronto? — perguntou. — Ainda não, Majestade. — Então terminem hoje. — Sim, Majestade. O servo saiu praticamente correndo. Magnus voltou a observar os jardins. Ao seu lado estava seu conselheiro mais antigo. — Ela está assustada. Magnus soltou um suspiro cansado. — Eu imaginei. — O reino inteiro comenta sobre isso. — Eu também imaginei. O conselheiro hesitou. — As pessoas acreditam que o senhor matou suas esposas. O silêncio caiu. Magnus continuou olhando o horizonte. Seu rosto não demonstrava nada. Mas seus olhos escureceram. — Eu sei. A voz saiu baixa. Pesada. Cinco mulheres. Cinco funerais. Cinco tragédias. E nenhuma delas causada por ele. Mas ninguém acreditava. A primeira esposa morreu após cair de um cavalo durante uma caçada. A segunda sofreu uma doença rara. A terceira foi vítima de uma epidemia. A quarta morreu afogada quando uma embarcação virou. A quinta... A quinta ainda era a lembrança mais dolorosa. Morreu ao dar à luz uma menina que também não sobreviveu. Desde então, Magnus nunca mais sorriu da mesma forma. Nunca mais permitiu que alguém se aproximasse verdadeiramente. E a fama de c***l só cresceu. Porque a dor o transformou. Ele se tornou mais frio. Mais rígido. Mais severo. Mais distante. — Ela provavelmente me odeia sem sequer me conhecer — disse ele. — Talvez. Magnus soltou uma risada sem humor. — Talvez eu também me odiasse se estivesse no lugar dela. O conselheiro o observou por alguns segundos. — Então por que insistiu nesse casamento? Magnus ficou em silêncio. Demorou para responder. — Porque estou cansado de viver em um castelo vazio. A resposta surpreendeu até o velho conselheiro. Magnus apoiou as mãos na pedra da varanda. — Não espero amor. Não espero carinho. Nem confiança. Mas gostaria que ao menos uma pessoa me enxergasse como um homem... e não como um monstro. O conselheiro não respondeu. Porque pela primeira vez em muitos anos, o rei parecia cansado. Muito cansado. Naquela mesma noite, Magnus entrou pessoalmente no quarto preparado para a futura rainha. Tudo estava impecável. Cortinas novas. Flores frescas. Uma lareira elegante. Uma enorme varanda com vista para os jardins. Ele caminhou pelo cômodo em silêncio. Observando cada detalhe. — Troquem essas rosas. Uma criada arregalou os olhos. — Majestade? — Descobri que a princesa prefere lírios. — Sim, Majestade. Ele assentiu. Depois passou os dedos sobre a moldura dourada de uma janela. Pensativo. Em algum lugar, naquele exato momento, estava a jovem que se tornaria sua esposa. Provavelmente chorando. Provavelmente aterrorizada. Provavelmente imaginando que ele era um assassino. Magnus fechou os olhos por um instante. — Espero que um dia você descubra a verdade. Murmurou para si mesmo. Do lado de fora, a lua iluminava o castelo. E pela primeira vez em muitos anos, o rei c***l e temido sentiu algo que não permitia sentir havia muito tempo. Nervosismo. Porque em trinta dias a princesa chegaria. E ele não fazia ideia se encontraria uma esposa... Ou alguém que passaria todos os dias desejando escapar dele. Ou se ela seria a sexta esposa a morrer.

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