Capítulo onze.

1331 Palavras
Touch, Touch, Touch. Respiro fundo ainda o encarando, seu sorriso é galanteador, imagino o porque tamanha perfeição, Deus realmente havia caprichado de uma forma significativa naquele queixo. Nossos olhos estão fixados, suas pupilas dilatam e se eu pudesse ver as minhas, diria que estavam da mesma forma. Meu corpo se aquece, minhas bochechas fervem, meu coração acelera em um descompasso, o tempo para, uma breve melodia ecoa em minha cabeça, aquelas carregadas de magia - a Bela e a Fera - repuxo os lábios em um sorriso longânimo. Meus dedos rabiscam a caderneta desnecessariamente, minha vontade era fechar os olhos e chocar meus lábios contra os dele. Meus pensamentos estão inundados, tanto que quase me esqueço da única frase capaz de me desvincular daquele olhar ávido. Olhos verdes com manchas castanhas Altamente tóxico e sedutor. Pisco e sou liberada do meu transe. Contudo, ele continua encarando-me com o mesmo olhar fervoroso. Gilbert você precisa de uma frase que te tire desse transe. Bato a ponta da caneta no balcão, ele desvia os olhos, seu sorriso se desfalece e ele fica aparentemente sem graça. — Acho que vou querer um suco de laranja — ele bate a ponta dos dedos no balcão fazendo um barulhinho chato. — Um suco de laranja está a caminho. Vou até o espremedor e começo a fazer o suco. Sinto seus olhos ligados a mim, porém sou incapaz de olhar para trás. Tinha um pavor absurdo de cortar o dedo no espremedor, não sei porque. Meu cérebro trabalha com vontade, afim de compreender o que realmente estava acontecendo dentro de mim, eu sei que não era um sentimento comum, sei que provavelmente era um sentimento puro e verdadeiro crescendo dentro do meu coração rapidamente, mas a questão era... Por que Gilbert Blythe? Sou interrompida pela voz de Winnie. — Oi meu amor. Escuto o estalo do beijo, torço mentalmente para que ela não me peça um suco de morango pois serei capaz de enfiar as sementes dentro de sua goela. Respiro fundo, caminho até eles. Entrego o suco para Gilbert que nitidamente desvia dos toques precisos de Winifred. Meu coração agora palpita, de ódio. Tire suas mãos de cima dele, sua desenfreada. — Garçonete — seu tom é provocativo — pode me trazer um suco de morango, sem sementes. Mordo o lábio inferior. Queen Bee é uma ova, deveria ser Queen Cow. — Você pode chamá-la de Anne — Gilbert a encara — você a conhece e por um acaso tem um crachá em seu avental. — Quem se importa? — ela sorri irônica. — Eu me importo, e certamente Anne também. — a voz dele é gentil. Meu Deus não tem como não amá-lo. — Obrigada Blythe — Winifred revira os olhos ao ver meu sorriso grato — você não sabe o quanto significa para mim saber que você é uma das poucas pessoas que tem educação. Ela desvia o olhar para o chão, claramente atingida. — O seu suco chegará em breve. Saio com passos lentos, com os ouvidos afiados para descobrir o que ela estava dizendo para Gilbert. Não contive uma risada maldosa quando escutei ela dizer: — E se ela cuspir no meu suco? — Consequências de suas atitudes impensadas, Winifred. . . . Diana e Jerry estão atrasados. No estábulo só estava eu, Cole e Margot preparando o cenário. — Não é possível, eles devem ter parado no meio do caminho depois de se encontrarem para dar uns amassos — Cole deduz. — Diana tem Crush no Jerry desde sempre — Margot tagarela — então acredito que provavelmente sim. — E você Margot, tem Crush em alguém? — Cole incita. — Na verdade eu até tinha um pouco em Roy Gardner, até ouvir ele falando de uma forma bem peculiar sobre a mulher gato, eu não acho ele uma má pessoa, mas também não é o cara certo para mim. — Já eu — ergo os ombros — não posso confessar mas também é inegável dizer que não sinto nada quando estou perto do Blythe. Eu não sei, ele tem um certo charme que mexe comigo. — As sobrancelhas unidas, masseter contraído, aquele olhar acalento cheio de desejo que se derrama sobre você, e aquele cheiro maravilhoso de homem — Cole pousa a mão no coração — macho alfa que diz? — Eu não sei o que seria da minha vida sem as suas comparações ridículas Cole. Você realmente alegra o meu dia, de uma forma efervescente. — Chegamos — Diana e Jerry cruzam a entrada do estábulo. Margot e Cole trocam olhares significativos e eles dois ficam ruborizados. — Vou ser obrigada a perguntar — caçoo — onde estavam os mocinhos? — Coincidentemente a caminho, nos encontramos na porta — Diana diz sincera. — Faz quantos minutos? Sabemos que Green Gables é grande o suficiente para dar um perdido e depois uns amassos. — Não estávamos fazendo isso — Jerry se enrola — não que eu não quisesse. Diana o encara, o ar fica mais denso, todo mundo fica sem graça. — Hmmmmm — Cole quebra o gelo — o francês deu a deixa, agora é só agarrar em Diana. Ela semicerra os olhos para ele, como se o repreende-se de ser tão espontâneo e sincero. Cole era sempre assim, não se importava com o que pensariam dele, pois por muito tempo se importou com isso e seu coração estava mergulhado no lamaçal do desespero quando eu o conheci, agora, mais do que nunca, ele é todos os dias como a manhã mais bonita, alegre, melódica e cheia de esperança; já Diana, apesar sua criação ter sido cem por cento com base em tudo que a família dela queria que ela fosse, ela não costuma se importar com a opinião alheia, para ela o que importa é o que ela pensa, viveu toda sua vida ouvindo como se comportar, como caminhar, como se sentar, como saborear um delicioso prato de comidas ricas, que agora tudo que deseja na vida é um pedaço de pizza, viver intensamente tudo que se perdeu e claramente, ser minha melhor amiga e mergulhar de cabeça nas minhas aventuras um tanto arriscadas. — Certo então o que estamos esperando para começar? Jerry puxa seu notebook enquanto me mostra os efeitos de vozes. Uma fina demais, uma grossa demais, robótica demais, uma perfeita. Diana me ajuda a colocar a peruca. O rosa ficou exageradamente ridículo, não sei se porque eu nunca fui muito chegada ao rosa, ruivas ficam tenebrosas usando rosa. Margot cobre minhas sardas e prende meus cabelos vermelhos como o fogo para trás em um coque. — Acho que ninguém conseguirá encontrar um fio ruivo solto sequer — ela me encara convencida de que seu trabalho havia sido feito com bastante cautela. — Ótimo. A máscara cobria minhas sobrancelhas ruivas. Mas os cabelos, mulher gato não seria a mulher gato sem aquela cabeleira preta. — Vou arriscar a peruca preta — aponto para a mão de direita de Diana. Ela morde o lábio inferior duvidosa, como se pensasse se era ou não a escolha certa. — Vamos filmar, depois Jerry você faz as configurações, vamos assistir todos juntos pra ter certeza de que nada passou batido — respiro fundo procurando mais palavras — o cenário está perfeito, ninguém diria que isso aqui é o estábulo onde Matthew passou toda sua vida. Eles concordam. — Mas o que quero mesmo saber é se vamos pedir algo para comer porque meu estômago está roncando. — Jerry pisca envergonhado. — Cole, você pode pedir umas pizzas? — sugiro. — É claro que eu posso pedir umas pizzas — ele diz alegre — vou lá fora enquanto vocês filmam. E então ele sai com o celular na mão, eu e os demais ficamos no estábulo preparando o nosso vídeo, quero dizer o meu vídeo de aparição tão esperado. Sinto meus músculos rígidos devido a tensão, e se descobrirem que sou eu? E se me acharem ridícula? E se caçoarem de mim o resto de minha vida pelo simples fato de eu não ter coragem de mostrar o meu rosto? — Está pronta Anne? — Diana confirma antes de iniciar o vídeo. Movimento a cabeça em um sim. Que se dane o que vão pensar de mim, já vivi muito tempo me importando com os pré julgamentos de pessoas que não fazem ideia de como é ser como eu. . . .
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