Vinte e nove

1567 Palavras
Situações complicadas que não devem ser reveladas. — Que desgraça! — Diana diz assim que termino de contar tudo que havia acontecido. — Diana, você acha que eu estou fadada a sofrer? É predestinação? O que eu posso fazer?! — Pensei que fosse mais inteligente — ela ergue os ombros — desculpe, eu não queria te ofender, eu juro. — ela se senta ao meu lado — Mas escute... Se desde o começo você tivesse dito para ele que era a mulher gato, ele revelaria que ele era o fantasiado. Você não podia prometer a Prissy tal segredo, se você e Gilbert viram, outra pessoa poderia ter visto — ela respira — uma sala de aula... Não é lugar para certas coisas! Roy Gardner é uma pessoa odiosa, certamente você não o beijou na festa, sabe? Não combinam nenhum pouco. Você não sentiria tanta conexão. Concordo movimentando a cabeça. — E Winifred, você deveria tê-la matado. Uma vez minha mãe brigou com uma mulher e ela disse que deveria tê-la matado. — Que horror Diana, mas por que?! — Porque mortos não falam. — ela da uma risada maldosa e depois franze o cenho encarando-me. Plano B poderia se resumir em um assassinato premeditado de Winnie? Eu vou pensar nisso com carinho. — Eu vou fingir que você não falou isso. — a encaro. No mesmo instante sinto uma lágrima que a pouco estava presa, cair. Permito que elas fluam, eu não podia aguentar tudo aquilo em silêncio, as lágrimas além de aliviar a alma, expressava o que estava dentro de meu coração. Cada gotícula minha, estava afundando em um poço sem fim, a sensação de estar caindo e nunca chegar a um final é h******l. Meu corpo só caia, caia e caia, e eu não desejava nem um pouco sentir o impacto do tombo. — Não precisa ficar assim — Diana me abraça — sei que você vai superar isso, como superou todas as outras coisas. Você é uma garota forte Anne. — Anne vim correndo assim que sai da aula — Margot entra no banheiro — sinto muito por Gilbert. — O que houve com ele? Ele encara Diana enquanto morde o lábio inferior, pensativa. — Duas semanas de suspensão. — E Roy? — Também! — ela senta no chão, as duas me abraçam — oh Anne, sinto muito por tudo. — Obrigada meninas, vocês não sabem o quanto é importante para mim ter vocês comigo. Nos levantamos e depois de eu ter certeza que estava cem por cento bem, saímos em direção as aulas. A vida já estava um fiasco, não podia ficar para trás nesse quesito também. . . . — Não tenho nem mais um minuto de paz aqui! — Margot disse saindo da cozinha abruptamente. Me viro para ver o que está acontecendo, mas tenho os pensamentos interrompidos por uma senhora que entra na lanchonete com passos lentos e modulados. Imediatamente, caminho até ela e a conduzo até a uma mesa. — Você é a garota que estava em um impasse aquele dia, não é? Me concentro nela assim que ouço a pergunta. — Sim, sou eu. — E como estão as questões do coração? — Mais complicadas do que a senhora imagina. — Conte-me, eu adoro ouvir histórias de amor, sejam correspondidas, ou não. — Resumindo, eu estraguei algo que nem havia começado, estou sendo persuadida a guardar um segredo para não prejudicar uma garota e eu nem gostava dela! Me sinto uma i****a, e como eu sou! Além de tudo estou perdendo de vez o garoto que eu amo. — Sua vida é uma montanha russa infernal — ela diz — mas se te alegra, posso garantir que você não é i****a por se submeter a isso. — Se eu não sou i****a, eu não sei o que sou. — Leal — ela diz — você tem caráter, menina. Um coração forte e valente. Sinto meus olhos marejarem. — Obrigada, a senhora é muito gentil. — Você pode me chamar de Tia Jô. — Tia Jô — sorrio e seco rapidamente uma lágrima que escapa — obrigada. — Eu só vim aqui para saber se você tinha resolvido suas questões, mas vejo que precisarei vir mais vezes. — Seria ótimo ter alguém com experiência de vida para conversar — confesso — meus tutores são muito reservados e sempre que falo de amor eles se sentem inibidos em responder, apesar de sempre darem o melhor. — Ter experiência significa ser uma velha ranzinza? — ela diz encarando-me. — Não! — respondo de imediato. — Estou brincando querida — ela sorri — se te conforta, nós velhos sempre temos algo para falar, seja um conselho ou uma bronca. — Obrigada, foi ótimo vê-la novamente. A ajudo a se levantar e depois nos despedimos com um abraço. — Abraço de caridade, Shirley? — Josie provoca. Margot do caixa revira os olhos. Eu estava sentindo que em breve ela não aguentaria as provocações da loira. Ruivas são geniosas e impulsivas, principalmente quando ofendidas. Estou limpando uma das mesas quando escuto o barulho do sino. Olho para fora na expectativa de que Gilbert fosse o próximo a cruzar a porta, mas tudo que vejo é Galle, dessa vez sozinho, sem John. — Anne — ele toca meu ombro. — Olá, Rick. — evito encará-lo. — Podemos conversar rapidamente? — O que você quer? Não vê que estou ocupada? — John queria saber de você quer vir conhecer nossa nova casa. — O que? Nova casa? Viro-me e nossos olhares se cruzam. — Decidimos ficar aqui por um tempo, até que ele a conheça direito, depois voltaremos para a nova Escócia. — E todo aquele assunto de ontem? Que ele disse "você irá embora comigo porque eu sou o seu avô?" — Ele estava emocionado, procure entender, é um homem que ficou dezesseis anos longe de você e quando soube de sua existência a procurou até encontrá-la. — Ele quer me tirar da minha família. — Não Anne, ele quer recuperar o tempo perdido. — ele acaricia sutilmente o meu braço — podemos dar uma volta? Uma volta seria ótimo para que eu colocasse a mente em ordem. — Vá Anne, está na hora do seu café. Eu dou conta. — Margot diz. — Mas e Josie? — Se ela me irritar eu a tranco no armário de produtos de limpeza e a tiro daqui cem anos. — Não faça nada do que vai se arrepender depois — digo a encarando afim de pressioná-la pois estava nítido que estava prestes a perder as estribeiras. — Confie em mim Anne. Depois do laxante, é muito difícil. Caminhamos nas ruas de Carmody, com passos sincronizados, o que era engraçado. Meu cérebro começa a receber o oxigênio necessário para pensar... Tudo que eu precisava era pensar, colocar em ordem cada pensamento que estava me corroendo. — Sinto muito por minhas atitudes no jantar, eu não sou esse tipo de cara. Meu cérebro para de pensar novamente. — Tudo bem... — respondo — mas não posso deixar de dizer que você foi um i****a. — Eu aceito suas ofensas Anne, com prazer. — Posso dizer que isso é uma novidade? Não são todas as pessoas que aceitam insultos e ainda se sentem bem com isso. — Você fica linda quando me ofende. — ele da um sorriso charmoso e respondo revirando os olhos. — Não gostei do Blythe — ele confessa — algo nele me faz ficar com o pé atrás, contudo, não sei quando entendi que isso me dava o direito de me intrometer em sua vida e suas escolhas. A conheço a um dia, exatamente. — Você não pode tirar conclusões precipitadas de alguém, por mais que para você seja o óbvio. Gilbert é incrível, tem um coração enorme e é como nós agora. — Como assim? — Ele é órfão. Faz algumas semanas que o pai dele faleceu, ele está se adaptando a isso ainda... — Você não é órfã, tem o John. — Meus pais morreram, eu sempre serei órfã. E eu não tenho só o John, eu tenho Marilla e Matthew. São minha família. — Você tem razão, você achou uma família — ele diz com um sorriso de contentamento — mas me diga, por que está com esse rostinho entristecido? — Digamos que as coisa estão um pouco confusas para mim. — Foi aquele vídeo daquele beijo? Você e o amigo do Gilbert? Assinto. — Não foi real, sabe? Ele me beijou sem que eu pudesse reagir. — E como nos filmes de romance adolescente, o Gilbert viu tudo? — Infelizmente. — E você não contou a verdade pra ele por que? — Porque... Existem situações muito mais complicadas que não devem ser ditas. — Você esconde o segredo de alguém? Está sendo chantageada a não falar com ele? — Basicamente. Ele era bastante instintivo. — Isso tudo é uma situação complicada. — ele entorta os lábios enquanto pensa — vou pensar em uma forma de resolver, como pedido de desculpas. — Você não parece ser uma pessoa que se redime. — Qualquer um faria isso Anne, se valesse a pena por quem fazer. E então, podemos recomeçar? — ele me oferece a mão em um cumprimento. — É uma chance, apenas. Não faça com que eu me arrependa — seguro em sua mão. — Eu prometo Anne, você não vai se arrepender!
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