Vinte e oito

1280 Palavras
O gosto amargo da derrota. — E você pensando que tudo ficaria como antes — Winifred me encara. Maldita. — O que você fez Winnie? — Josie lhe disse para não mexer comigo, não foi? Ela avisou! E você fez o que? Ignorou completamente o conselho dela porque pra você, tudo é como flores. — Não, não é isso. Mas eu não vou de jeito nenhum, deixar que o seu plano ou sei lá o que atrapalhe meu relacionamento com o Gilbert. — Escutou isso, Roy? Relacionamento — eles dois dão risada. — E você Roy... Como pôde? Gilbert ficará decepcionado com você. — Se ele quiser escutar você, Shirley. Todo mundo viu você saindo comigo, todo mundo ouviu a música e todo mundo assistiu. — Exceto o t**a, óbvio — Winifred dá uma risada — você é tão burra. Pego o celular que está estourando de mensagem. Diana: Que m***a você tá fazendo Anne? Anne: Me encontra no banheiro, agora. Tudo planejado! Dissimulada. — Escute Winifred, as coisas não vão ficar assim. — Escute você Anne — ela diz com a voz embargada — você não vai mais voltar com o Gilbert! — Quem disse? — Você não vai porque se você voltar... O diretor Bell vai ficar sabendo do caso de Prissy com o professor. — O que? Você está me chantageando com algo que sua amiga fez? — Ela deixou de ser minha amiga quando decidiu ficar do seu lado. -— Você é uma pessoa podre, Winifred. — digo — não pode ser feliz e quer empacar a felicidade dos outros. — Você escutou — ela diz séria bem próxima a mim, eu podia sentir o sopro quente de sua respiração — se você e Gilbert tornarem a se falar, eu vou contar para todo mundo que Prissy e o professor estão juntos... — Você acabaria com a Prissy, ela não seria aceita em nenhuma universidade, e o Sr. Philips não seria contratado nunca mais! — falo enfrantando-a - não faça isso. O Gilbert é só um garoto. — Pois bem, ele é só um garoto — ela da um sorriso cínico — e você com certeza não colocaria os dois em uma situação complicada por causa de um garoto. Se eu a conheço Anne, sei bem que você não costuma ser egoísta. Pularia de um avião sem paraquedas para salvar um amigo, não é? Quis tanto que a Prissy me deixasse, agora, aguente as consequências. — Não antes de fazer isso. Sinto o sangue pulsando na palma da mão, e sem pensar duas vezes lhe dou uma bofetada, o lado direito de sua face agora tem um vergão vermelho com os meus cinco dedos. Bati tão forte e com tanto gosto, que se eu me aproximasse poderia ver minhas digitais. — Eu vou m***r você sua p*****a — quando ela vem para cima de mim, Roy a segura. — Isso não é nem a metade do que quero fazer com você. Cada dia que passa eu posso ter uma única certeza, você nasceu pra ficar sozinha! — E você também sua vira-lata órfã. Eu não queria que as palavras dela tivessem tanto efeito. Mas, devido as condições e confusões que eu me encontrava, qualquer palavra de ofensa direcionada a mim tomava uma proporção muito maior do que deveria. Meu coração ficava despedaçado. Meu plano de destronar a Queen Bee tinha falhado. Eu não podia ser egoísta. Eu fiz uma promessa. Prissy não poderia arcar com as consequências de meus erros. E Gilbert, Gilbert estava destruído. O nosso amor estava destruído. — Pare de pensar c****a ruiva. — Você pode tirar o Gilbert de mim Winifred, mas você não pode tirar meus amigos, é um pena que você se colocou nessa posição de intocável. — Cale a boca! — Me dê licença — falo me retirando. Corro nos corredores do colégio, tudo estava perdido, mas Gilbert tinha que acreditar em mim. Ele não podia simplesmente acreditar naquela cena. O encontro sentado no pátio, encarando o céu azul daquela manhã não tão fria, ele não esboçava reação alguma, mas quando me viu se levantou e caminhou como se eu não estivesse ali. Naquele momento, cada pedaço do meu corpo pedia para ele voltar, mas ao mesmo tempo eu sabia que eu havia o perdido. Seguro em seu bíceps, ele evita me olhar nos olhos, mesmo assim ele se mantém parado. A minha respiração estava acelerada, a dele estava mansa. Ele molhou os lábios e meu cérebro gravou aquele movimento como se fosse a última vez que fôssemos ficar tão perto. — Você não precisa falar nada — ele diz. — Você não quer me ouvir? — sinto os olhos lacrimejando. Ele n**a. O silêncio apesar de ser uma boa resposta, é atormentador quando você quer ouvir o som da voz de quem você ama. — Eu perguntei pra você se você era a garota — finalmente sua voz soou — e você vem negando desde a primeira vez que a vi na lanchonete. — Eu estava confusa, você namorava, estava me pressionando e... — E você estava beijando meu melhor amigo naquela p***a de quadra! Respiro fundo. — Ele me convenceu a ir até lá. — Anne! — ele movimenta a cabeça com indignação — você estava comigo! E mesmo assim foi atraída por Roy. — Pela possibilidade dele ser o garoto... — Não é possível que você não percebeu — ele ergue os ombros — eu sempre soube que era você e quando eu senti aquele perfume adocicado de baunilha eu tive a certeza. Eu me apaixonei por você desde o dia em que eu a vi naquela pista de dança, eu me aproximei, eu dancei com você, olhei nos seus olhos — ele leva a mão a nuca — eu a beijei. — Eu... Eu... Roy criou um i********: e eu descobri que era ele. Ele me deu todas as informações daquele dia. — Porque eu contei pra ele. Ontem depois que cheguei em casa eu disse a ele que não tinha dúvidas de que era você, acha que ele descobriu como? Você é tão inteligente mas ao mesmo tempo tão... Inocente. — Eu sinto muito — digo perdendo o controle — você queria que eu fizesse o que? Ignorasse? Eu não poderia! — Se o garoto não fosse eu... E você ainda estivesse comigo e o suposto dono daquele beijo chegasse em você, o que faria? — Eu não sei. — Está vendo Anne, esse é o problema nem você sabe o quer. — Por favor Gilbert, não podemos acabar assim. — Diga-me que não sentiu nada quando beijou Roy — ele segura em minha mão — e vamos conversar direito assim resolvemos de vez isso. Prissy Andrews irá se prejudicar se eu prosseguir com esse relacionamento... Você é devota aos amigos Anne. Ele é só um garoto. Duas vidas destruídas. — Eu... Eu... — Não precisa dizer mais nada, Anne. Você já me respondeu. Ele solta minha mão e sai. No caminho avisto Roy vindo em nossa direção. Em segundos, os dois estavam no chão. Corro, seguro em Gilbert que está em cima do outro lhe dando socos e mais socos. — Isso é por você ser um desgraçado — ele diz com ira. — Por favor Gilbert, pare. Winifred vê tudo parada em uma coluna do pátio, com um sorriso cínico emoldurando seu rosto. Blythe levanta, ajeita a roupa e em segundos o Sr. Bell convoca os dois para a diretoria. Winifred sai com passos rápidos, mesmo assim sem perder a classe. E eu sigo para o banheiro, onde Diana me esperava, com uma única certeza: Eu fui derrotada. . . .
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