O começo do regresso.
Acordo pela manhã com uma única certeza... Cada minuto que se passava eu ficava ainda mais confusa em minha própria vida.
Pego o celular, Diana e Cole conversavam de madrugada mais do que qualquer outra pessoa no universo, não sei. Parece que ligavam o diálogo e não conseguiam parar.
Anne:
Bom dia girls.
Cole:
Bom dia amor da minha vida, já ficou sabendo dos babados?
Anne:
Não, eu durmo. Não sou desocupada como vocês.
Diana:
Arrogante que fala?
Anne:
Bom dia branca de neve.
Diana:
Então você e o Gil estão se pegando?
Anne:
Sim. Mas preferimos manter em segredo por enquanto.
Cole:
Ué, pra que? Para. Pega na mão e assume logo.
Anne:
Até daqui a pouco. Xoxo ;*
Diana:
É só pressionar que ela sai correndo. Medrosa.
Cole tinha razão. Sim, ele sempre tinha razão, apesar da maioria das vezes falar impulsivamente. Mas eu ainda não podia, não tendo questões em aberto. O que faria com o @naoseievc?
Beijar Gilbert me deixou com aquela sensação de que tinha sido ele, mas e se não fosse? Eu precisava pegar Roy Gardner no flagra, precisava dizer que eu sabia quem era ele e precisava que ele fosse sincero comigo. Não podia ficar escondendo de Blythe esses questionamentos, apesar de ter certeza que eu estava apaixonada por ele, pensar que talvez Roy é o garoto da festa, estava me deixando maluca!
— Anne — Marilla entra no quarto — preciso falar com você.
— Certo, eu estou atrasada... Mas hoje a noite eu virei para casa o mais rápido possível depois da lanchonete, ok?
— Sim, por favor não se esqueça de chegar cedo, precisamos realmente conversar.
— Está tudo bem? É sobre o que John falou ontem não é? Eu sei... Fiquei um tanto perplexa, mas... Não pensei sobre isso depois.
— Pensar é necessário.
— Sim... E como. Mas não se preocupe — dou um beijo na bochecha dela — eu não pretendo sair de Avonlea.
— Ah Anne... Eu sei que não, mas ele é o seu avô.
— E vocês tem minha guarda. Nada muda, Marilla. Eu prometo.
Ontem a noite durante o jantar John Linderman propôs que eu fosse morar com ele na nova Escócia. Eu disse que não, sequer cogitei essa ideia. Mas depois o clima ficou tenso, os ânimos alterados e como resultado: Matthew no celeiro.
Tentei manter a ordem mas tudo estava fora de controle, Blythe e Galle ficavam se provocando, jogando indiretas, deixando provocações no ar e eu tentava de todo jeito apaziguar a situação.
— E Gilbert? Senti que ele e aquele garoto tem uma rixa.
— Eles tem, acho que o motivo sou eu mas prefiro evitar pensar sobre isso.
— Cuidado com esse garoto.
— Marilla, o Gilbert não seria capaz de ferir uma mosca!
— Não ele, o Rick Galle, não sei... Bom, só tome cuidado e se apresse, Gilbert já está na porta.
— Gilbert está aqui?
Não combinamos nada disso!
— Sim, vá logo.
. . .
— Bom dia para a garota mais linda do universo.
Ele abre a porta do carro para mim e eu entro no banco da frente, fico surpresa ao escutar a música de fundo, coincidentemente Run too you. Espero ele dar a volta, enquanto admiro sua beleza matinal, pensando em como contar para ele que eu era a mulher gato e tinha a leve sensação de que ele era o mascarado que me beijou.
— Não combinamos de você vir me buscar Blythe, não queríamos manter a descrição?
Ele me dá um beijo.
— Eu não quero manter a descrição, você quer.
— Certo, eu quero manter a descrição — respondo.
— E eu não sei porque.
Por que provavelmente seu melhor amigo está conversando comigo de uma conta anônima e eu preciso resolver esse impasse?
O encaro e dou um sorriso torto.
— Quando chegarmos próximo ao colégio eu vou ir andando.
— Mas...
— Nada mais, Gilbert.
— Certo. E o garoto? Galle? Ele estava na sua casa ontem e ele sabe o que somos...
— Eu vou conversar com ele, não se preocupe. Prometo que ele não dirá nada a ninguém.
— Você não deveria ficar conversando com ele, sabe...
— Sei, todo mundo está desconfiando dele mas... Eu não posso evitá-lo. Querendo ou não ele é importante para o meu avô e eu devo ser gentil.
Gilbert revira os olhos enquanto da partida.
— Mas...
— Nada mais, Blythe.
. . .
Na aula de gramática eu observava Prissy e o professor trocando olhares, eu já tinha a confiança dela, isso era bom. Ruby Gillis estava se adaptando a não depender de Winifred Rose, só faltava Josie Pye que agora dividia o mesmo ambiente de trabalho que eu. Só faltava uma garota para destronar a Queen Bee. Todo o meu plano estava caminhando conforme o que eu havia planejado, exceto uma coisa: eu me apaixonar.
Não estava preparada para isso, apesar de desde o começo ser conduzida a encontrar o garoto da fantasia. Até então, não existia meu avô, e não existia Gilbert Blythe.
Nunca se esqueça das entre linhas.
— Sr. Philips, por favor compareça a sala da direção. — a secretária chamou e todo o colégio ouviu.
Todo mundo sabia que ser chamado desse modo significava "problemas".
Prissy se virou para mim e falou em um sussurro:
— Você!
Ergui os ombros como se não soubesse de nada, pois eu realmente não sabia. Segundos depois Roy Gardner estava em minha frente, encarando-me com seus olhos escuros e profundos.
— Você tem que vir comigo.
— Eu tenho que ir com você? Onde?
— Você sabe do que estou falando, Anne.
— Eu não faço ideia do que você está falando Roy.
— Você é a mulher gato — ele diz — eu sempre soube.
Meu coração palpita acelerado e minha respiração fica cada vez mais difícil.
— Você é louco!
— Eu a beijei no dia da festa a fantasia — ele confessa — eu queria te contar mas eu estava com receio.
— Ok... Mas eu não consigo acreditar nisso.
— Run too you era a música que tocava — ele fala em um sussurro — e você usava um perfume doce, essência de baunilha.
Não consigo controlar o calor que sobe desde os pés até a cabeça. Ele estava certo.
— Roy... Qual foi a frase que você disse quando veio até mim?
Se ele errasse a maldita frase, significava que não foi ele.
— Que morena.
Perco os sentidos, não vejo, não ouço, não sinto nada. Meus pensamentos são envolvidos pela escuridão. Eu estava ferrada!
— Não consigo entender... Por que você não disse antes?
— Venha comigo, é rápido eu juro — ele fala — preciso te mostrar algo.
— O que?
— A prova de que era eu.
— Como soube que era eu?
— Eu sempre soube, mas eu... Pesquisei nas câmeras de segurança, vi você chegando com a Diana e o Cole de carro... Ela estava de coelho e o Cole de zorro branco.
Puta m***a.
— O Gilbert... Ele sabe que você? Que nós?
— Não! É claro que não, se ele soubesse teria dito, ele estava fissurado naquela mulher. Digo, em você.
Ele me conduz para fora da sala. Caminhamos com passos rápidos, até chegar na quadra poliesportiva. Não tinha ninguém só eu e ele. As luzes se apagam, uma música inicia. Ele me abraça, seus braços me envolvem.
Eu não posso fazer isso.
Eu não posso fazer isso.
— Dance comigo — ele pede.
Quem apagou a m***a da luz? Quem colocou a música?
— Eu não posso — respondo tentando me desvencilhar dele.
— Você pode — ele diz.
E em segundos ele me beija.
Uma sensação de nostalgia. A música, os passos, a dança. Mas uma coisa estava diferente, ele não era o garoto.
Assim que desgrudo dele lhe dou uma bofetada.
— Como ousa mentir para mim?
— Eu não menti!
— Ah Roy, você quase me enganou direitinho... Mas você não se atentou a um detalhe — digo ávida — a bala!
Hálito de menta nunca seria hálito de cereja refrescante.
— Você é mesmo uma garota inteligente.
Ele diz enquanto acaricia o lado do rosto em que eu eu bati.
— Mas acho que agora Shirley, é tarde demais para resolver isso — com um sorriso vitorioso ele aponta para a porta, e eu vejo o vulto de Gilbert.
Droga, e eu inocente pensei que tudo estava sob controle.
Desvio os olhos para ver quem se aproximava.
Winifred Rose.
Eu podia até me lembrar que ela era uma garota má, mas eu acabei me esquecendo de que sua raiva era recente. E uma garota má com uma raiva recente, não perde a oportunidade em disseminar sua ruindade.
O meu próprio plano, se virou contra mim.