Pré-visualização gratuita PRÓLOGO
Marcos Narrando.
— Marcos, vamos jantar, eu pago — Hugo falou, se aproximando.
— Não, obrigado — falei, colocando a mão no bolso.
— Tem compromisso? — ele perguntou.
— Não — respondi, seco.
— Então... — começou, mas eu o interrompi.
— Eu sei o que esse jantar vai me custar, Hugo, e a resposta é não. Não vou virar guarda-costas de criança — falei.
— Não é criança, é adolescente — falou.
— Dá no mesmo — falei.
— Vou te pagar alguns milhares de dólares — ele falou.
— Não preciso do seu dinheiro, Hugo — falei.
— Faz esse favor pra mim que eu fico te devendo uma — ele falou.
"Agora ficou interessante."
Abri um sorriso de lado.
— O favor e os milhares de dólares... negócio fechado — falei.
— Para mim, tudo bem — ele falou.
— Bora jantar, você paga — falei, andando.
— Oportunista — ele falou, me acompanhando.
— Aprendi com você — falei, sorrindo.
Ele abriu um sorriso e negou com a cabeça.
Não gosto da ideia de virar guarda-costas. Gosto da ação, mas ter o Hugo me devendo um favor é bem mais interessante.
Dinheiro eu não preciso, mas nunca é demais. Também não é o que me move.
Pelo que ele me falou da menina, a mãe dela está prestes a morrer, e ele vai virar o tutor.
Como ele odeia esse tipo de responsabilidade, jogou para mim.
Achei que teria mais tempo, mas, infelizmente, a mãe da menina morreu e lá vou eu conhecer a pirralha.
Toquei a campainha e o Hugo abriu.
— Melhora essa cara, parece que vai para um matadouro — ele falou com um sorriso bobo no rosto.
— Vou ignorar você — falei, entrando.
Ele foi em direção à menina, que estava no sofá.
— Sofia, este é o Marcos. Ele vai ser seu guarda-costas — ele falou, chamando minha atenção.
"Ela tem o mesmo nome que minha mãe."
Eu olhei feio para ele. Odeio quando ele me chama de guarda-costas.
Ela se virou para me olhar.
Estava com o rosto e os olhos vermelhos pelo choro.
— Não preciso de um armário com o dobro do meu tamanho atrás de mim, tio Hugo — ela falou, secando as lágrimas.
— Eu não vou ser seu guarda-costas, pirralha. Estou fazendo um favor para o meu primo e, se passar dos limites, te tranco no quarto — falei sério.
Ela se levantou e me olhou com raiva.
— Eu não sou nenhuma pirralha — falou, nervosa.
— Estou vendo — falei e dei um sorriso para ela.
— Que bom que vocês se entenderam bem. Ele não vai ficar o tempo todo. Só vem quando você precisar sair. Ele te leva, te acompanha e traz de volta — o Hugo falou.
Ela ainda me olhava feio.
Prevejo o tamanho do trabalho que terei. A cara dela não n**a.
Diz que não é pirralha, mas age como tal. Tem um temperamento forte, não tem nem tamanho de gente e veio me enfrentar.
Devo confessar que, apesar de todo o seu sofrimento e da sua marra, ela é bonita pra c*****o e tem um corpo que não condiz com a idade.
Mas, enfim, ela vai ser um pé no saco.
Só que vai ter que se manter dentro das minhas regras.
Marrenta ou não, sofrendo ou não, vai ter que dançar conforme a minha música.