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Por Trás Da Fama

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Sinopse

📖 Por Trás da Fama escrito por Lohaine de Oliveira ✨ A História Liliana Reis vem de uma família tradicional e rica do Texas, mas construiu sua própria vida longe de casa — é a fundadora e dona da Electra, uma empresa de tecnologia de sucesso, algo que manteve em segredo por anos para não ser apenas "a filha da familia reis ...". Killian Reed é o quarterball estrela do Dallas Cowboys — rico, famoso, possessivo, acostumado a conseguir tudo o que quer. Ele e Liliana se conhecem desde crianças, através da amizade antiga entre as famílias. Por anos, ele a viu crescer e a quis, mas sempre com aquela mistura de orgulho e insegurança, tratando-a com distância e depois com um desejo avassalador. Tudo muda numa noite inesquecível em que os dois se rendem à tensão que sempre existiu entre eles — uma noite de paixão intensa, onde ele a leva ao céu repetidas vezes e a marca como sua. A partir daí, a dinâmica vira um jogo perigoso: querer e negar, fugir e ser puxada de volta. Liliana foge do que sente, temendo a exposição, os paparazzi e a intensidade dele. Killian não desiste — para ele, ela já é dele, mesmo que ainda não admita. Ele pede uma chance, confessa seus sentimentos, é rejeitado publicamente e não recua. Ela descobre que não consegue ficar longe. Entre treinos, jantares de família, segredos revelados e paparazzi em todo lugar, Liliana precisa enfrentar a verdade: não é só fama, não é só desejo — é amor. De um jeito intenso, possessivo e real. Com o apoio dos pais dele, da família e amigos — incluindo Ethan (irmão de Liliana e jogador do time) e Chloe (melhor amiga de Liliana, agora namorada de Ethan) — Killian a conquista pouco a pouco. Eles aceitam o compromisso, planejam o casamento e começam a construir uma vida juntos, onde finalmente tudo o que é deles não precisa mais ficar escondido. 💛 Em poucas palavras: Ele é o astro do futebol que tem o mundo aos pés. Ela é a mulher que construiu o próprio império em segredo. Ambos pertencem um ao outro desde sempre — só precisavam parar de lutar contra isso.

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Capítulo 1 — O Retorno
O almoço naquela cantina próxima à universidade sempre tinha um cheiro capaz de me trazer conforto. A luz suave, as mesas de madeira escura, as conversas em tom baixo, o som dos garfos contra os pratos e o café sendo servido compunham uma atmosfera acolhedora. Eu estava com Chloe, como em quase todos os dias. O sol entrava pelas janelas amplas e fazia brilhar os fios castanhos do cabelo dela enquanto mexia na salada e falava, animada, sobre uma apresentação que teria na semana seguinte. Eu a ouvia com atenção e respondia quando fazia sentido, mas não me deixava levar completamente pela conversa. Minha mente costumava ir longe, mesmo quando eu permanecia sentada e aparentemente concentrada. — E aí, Lili? Você está me ouvindo? — perguntou ela, sorrindo, embora o olhar deixasse claro que sabia exatamente que eu havia viajado. — Estou, sim — respondi, devolvendo o sorriso. — Só estava pensando em como este semestre está passando rápido. Parece que foi ontem que comecei a última fase do meu quarto mestrado. — Quatro mestrados… Às vezes eu até esqueço o quanto você é assustadoramente inteligente, sabia? — Ela riu. — Enquanto eu estou lutando para não reprovar em Estatística, você acumula títulos como quem acumula sapatos. Não é justo. — É só organização. E uma memória fotográfica também ajuda bastante — falei, dando um gole no suco de laranja. — Não é nada extraordinário. É só olhar e guardar. — “Não é nada extraordinário”, diz ela… — Chloe balançou a cabeça, divertida. — Falando nisso, nossa casa está precisando de algumas compras hoje à noite. A geladeira está quase vazia. Sorri ao ouvir aquela frase. Nossa casa. Sempre fora assim, desde o dia em que nos conhecemos, em Denver, pouco depois de eu me mudar para lá aos dezoito anos. Chloe não tinha mais ninguém. Os pais haviam falecido quando ela ainda era criança e deixado dinheiro suficiente para que vivesse confortavelmente pelo resto da vida, mas nenhuma família. E eu… bem, eu tinha família demais. Ainda assim, naquele momento, precisei me afastar de verdade. Então nos agarramos uma à outra. Éramos praticamente irmãs. Não existia “minha casa” e “sua casa”. Era sempre nossa. — Tudo bem, passamos no mercado — concordei. — Mas não encha o carrinho de besteiras, está bem? Da última vez, você disse que compraria apenas frutas e voltou com três pacotes de biscoito recheado. — Foi uma emergência! — defendeu-se, rindo. — E você comeu metade. Não venha com essa. Depois de pagar a conta, caminhamos de volta para casa. Morávamos em Denver, em uma vizinhança tranquila, cercada por árvores altas e ruas largas. Escolhi me mudar para lá logo depois que meu avô faleceu. Eu tinha dezoito anos e precisava me afastar de Dallas, dos olhares de pena e de todas aquelas pessoas que pareciam saber exatamente o que eu sentia antes mesmo de eu conseguir entender. Comecei a faculdade aos dezesseis anos, fazendo tudo on-line, mas, quando meu avô morreu, percebi que precisava de distância de verdade. Meus pais me deram o apartamento e bancaram minhas despesas no início… mas aquilo não durou muito. Aos dezenove anos, montei minha primeira empresa. Hoje, tenho várias espalhadas por diferentes estados, todas voltadas para tecnologia e segurança de sistemas. Os negócios rendem muito bem — tão bem que me tornei milionária. Tenho um patrimônio construído por mim mesma: casas, carros, a fazenda do meu avô, que administro sozinha, além de sedes próprias e outros investimentos. Não preciso de ninguém. Mas isso é um segredo que apenas Chloe e eu compartilhamos. Nem meus pais sabem. Para eles e para os meus irmãos, tenho um trabalho qualquer que “dá para me sustentar”. Sou orgulhosa demais para aceitar o dinheiro deles, e só. Eles vivem dizendo: “Filha, você quer alguma coisa?” “Peça se precisar, está bem?” Como se eu ainda fosse a menina que precisava de mesada para pagar as próprias contas. Eu deixo que pensem assim. É mais fácil do que explicar que tenho mais dinheiro do que todos eles juntos poderiam imaginar. Uma vida dupla, talvez. Mas funciona para mim. E assim continuará até que eu decida o contrário. Chegamos ao prédio, subimos e abrimos a porta. Nossa casa era ampla e aconchegante, decorada em tons quentes. As estantes estavam repletas de livros das duas, havia almofadas coloridas espalhadas pelo sofá e quadros que escolhêramos juntas. Não existia divisão. Não havia “seu lado” ou “meu lado”. Era tudo nosso. — Que dia lindo, não acha? — disse Chloe, jogando-se no sofá e batendo a mão no lugar ao lado, convidando-me a sentar. — Você acha que vai chover mais tarde? — Acho que não… mas não confie muito no tempo daqui — respondi. Fui até a cozinha, peguei duas garrafas de água e joguei uma para ela. Foi nesse momento que o celular vibrou sobre a mesa de centro. Olhei para a tela e senti um aperto leve — não de tristeza, mas da consciência de que algo estava prestes a acontecer. Mãe. — Um minuto, está bem? — falei. Atendi ali mesmo, sem sair da sala. — Oi, mãe. Tudo bem? — Oi, minha filha… Tudo bem, sim. Eu só estava com saudade — a voz dela veio doce, mas carregava aquele tom que eu conhecia bem: o tom de quem guardava um pedido havia algum tempo. — Como você está? Como vão os estudos? Tem certeza de que não precisa de nada? Seu pai e eu podemos mandar um dinheirinho… Sei que seu trabalho deve dar para o básico… — Estou bem, mãe. Está tudo correndo bem — interrompi com suavidade, mas firmeza. — Não precisa mandar nada, está bem? Já conversamos sobre isso. Eu me viro muito bem. O trabalho me sustenta direitinho. — Eu sei que você é orgulhosa, filha. Isso está na família. Seu avô também era assim. Mas não há problema em aceitar ajuda, está bem? É só para você saber que estamos aqui. — Eu sei. Obrigada. Mas está tudo certo mesmo. A Chloe está aqui comigo, como sempre. — Que bom que você tem companhia… Que bom, filha. Ela fez uma pausa, e eu soube imediatamente o que viria a seguir. — Liliana… O feriado de Ação de Graças está chegando. Seu pai e eu estávamos conversando… Já faz cinco anos, filha. Cinco anos desde que você foi embora, depois que seu avô partiu, e nunca mais voltou para passar um feriado na nossa casa, em Dallas. Respirei fundo enquanto girava a garrafa de água entre os dedos. Dallas. A cidade enorme e vibrante que respirava futebol americano como se aquilo fosse oxigênio. O lugar onde o Dallas Cowboys era quase uma religião. A cidade cercada por quilômetros de fazendas e pastagens, onde ficavam a sede principal das minhas empresas e a fazenda do meu avô. Onde as famílias se conheciam havia gerações. Onde os pais eram amigos antes mesmo de os filhos nascerem e, por isso, todos crescíamos juntos como se fôssemos irmãos. E onde ninguém — nem mesmo os meus pais — fazia ideia de quem eu realmente era por trás da imagem da “filha orgulhosa que se vira como pode”. — Mãe… Você sabe que eu vou à fazenda. Não é como se eu nunca voltasse ao Texas. Só não tenho muita vontade de aparecer na casa dos Reis para ser tratada como a irmãzinha que ainda precisa de ajuda. — Eu sei, filha. Mas a fazenda não é a mesma coisa, e você sabe disso. O jantar será pequeno, apenas para os mais próximos. Seu quarto está exatamente como você o deixou. Não mexemos em uma almofada sequer. Seu pai faz questão de que tudo esteja pronto quando você decidir voltar. Ela fez uma breve pausa. — Nós sentimos falta de ter você aqui, de verdade. Não apenas de vê-la aparecer de passagem. Suspirei. Era verdade. Eu voltava ao Texas com frequência. Ia direto para a fazenda, participava de competições de equitação sem contar a ninguém, supervisionava a sede principal e as outras filiais remotamente… mas nunca avisava ninguém da família. Nunca dava explicações. Entrava, fazia o que precisava ser feito, passava algum tempo com os cavalos, cuidava dos meus negócios e ia embora como uma sombra. Mas minha mãe estava certa dessa vez. Cinco anos afastada da família depois da morte do meu avô já era tempo demais para continuar fugindo da própria casa. — Posso levar a Chloe? — perguntei, finalmente. — Claro que pode! A sua passagem já está comprada. É só acrescentar o nome dela. O quarto de hóspedes está sempre pronto. Venha, Liliana. Só venha. Fechei os olhos por um instante. — Está bem, mãe. Eu vou. — Que alegria, meu amor! Vou avisar todo mundo. E não se preocupe com nada, está bem? Se precisar de qualquer coisa — dinheiro, inclusive — é só falar. Não tenha vergonha de pedir. — Está bem, mãe. Obrigada. Desliguei e deixei o celular de lado. Chloe me observava com uma sobrancelha arqueada, esperando. — E então, Lili? Nós vamos? — perguntou ela, embora já soubesse a resposta. Chloe sempre sabia. — E eles ofereceram dinheiro de novo, não foi? Como se você não tivesse o suficiente para comprar a cidade inteira. — Como sempre — revirei os olhos, rindo baixo. — Eles acham que tenho um emprego de meio período que m*l paga as contas. Não fazem ideia de que eu poderia sustentar a família inteira por dez gerações sem sentir falta. Mas tudo bem. Um dia, talvez eu conte. Hoje, não. — Então vamos para Dallas? — Ela sorriu, animada, embora não parecesse surpresa. Já conhecia bem aquele caminho. — Tudo bem. Nós vamos, sobrevivemos e voltamos. Sempre funciona assim, não é? — Não será tão simples quanto isso — avisei, rindo sem muito humor. — Lá é… intenso. É uma cidade grande, mas todo mundo parece se conhecer. As famílias dos amigos dos meus pais são todas ligadas. Crescemos juntos porque nossos pais são amigos há décadas. Ethan e os outros jogam futebol americano na equipe principal da cidade. É aquele negócio todo: todo mundo sabe quem é quem e todo mundo tem uma opinião sobre mim. — Ethan… Ethan Reis? — perguntou ela, ligando os pontos. — Espere… Reis? Você é Liliana Reis? Da família Reis? — A mesma — confirmei, rindo de leve. — Não é segredo. Eu só não costumo usar o sobrenome como cartão de visitas. E definitivamente não quero que descubram o tamanho das minhas empresas antes da hora certa. Cruzei os braços. — É muito mais interessante deixá-los pensando que sou a filha orgulhosa que luta para se sustentar do que ser conhecida como a “filha milionária dos Reis” que todo mundo quer explorar. — Meu Deus… Então seu irmão é o Ethan Reis? Linebacker? Um dos melhores da liga? Ele mora em Dallas, joga lá… E os amigos dele? Aqueles que cresceram com vocês? — Os olhos dela brilharam. — Diga que eu vou ter de aturar o Killian Reed. — Ele é o melhor amigo do Ethan desde os cinco anos. As famílias são parceiras há gerações. Então, sim… ele estará lá. — Killian Reed… Quarterback do Cowboys! O cara é um fenômeno! Mas você não gosta muito dele, não é? Percebi pelo seu tom. — Não há como gostar de alguém que passou a vida inteira me tratando como se eu fosse a coisa mais sem graça do mundo — respondi, direta. — Ele vive me provocando, me diminuindo e fazendo piadas às minhas custas na frente dos outros. E tem o hábito insuportável de me chamar de “meu céu” só para me irritar. Ele sabe que isso me tira do sério e faz questão de repetir na frente de todo mundo. Chloe continuou me observando em silêncio. — Todos acham graça e dizem que é “coisa de irmão”, que irmãos vivem se provocando. Pois que seja. Eu não sou obrigada a gostar das provocações dele. — Nossa… Que cara i****a. Mas também… que gato, não é? — Ela sorriu de lado. — Como você consegue odiar alguém com aquele rosto? — É fácil. Basta ouvi-lo falar por cinco minutos para a beleza desaparecer — revirei os olhos. — Ele é arrogante e se acha o dono do mundo porque joga futebol americano bem. Peguei a garrafa de água e me recostei no sofá. — E o pior é que ele acredita que sou uma menina frágil e mimada, que precisa da mesada dos pais. Não faz ideia de que tenho várias empresas, imóveis e carros. Não sabe que administro a fazenda, viajo sozinha e tomo decisões que ele provavelmente nem saberia explicar. — Você parece estar bastante ansiosa para que ele descubra tudo isso. — Não estou ansiosa. Só acho que será interessante vê-lo perceber que a “sem graça” tem mais sucesso do que ele. — E os outros amigos? Há mais jogadores nesse grupo? — Ethan e Killian são os mais conhecidos, mas há outros sete rapazes que cresceram conosco. São filhos de amigos dos meus pais, todos criados quase como irmãos. Alguns jogam em times de outros estados; outros estão na mesma equipe que eles. Parei por um instante. — Mas, quando chega o feriado, quase todos voltam para Dallas. Então haverá bastante gente. E muitas conversas sobre jogos, estratégias, temporadas, contratos… — Como se eu fosse reclamar! — Chloe sorriu, maliciosa e animada. — Imagine só: uma casa cheia de jogadores de futebol americano, todos na casa dos Reis. Ela se acomodou melhor no sofá. — E, se o Ethan for parecido com o que aparece nas fotos… Bem, talvez eu me divirta mais do que imaginei. — Cuidado com o meu irmão. Ele é perigoso. Sabe como é: charmoso, sorridente… Faz de conta que não oferece perigo até perceber que já conquistou tudo. Apontei um dedo para ela. — Não se entregue fácil. Deixe-o correr um pouco. Faz bem para a alma dele. — Quem disse que eu vou me entregar? — Chloe arqueou uma sobrancelha e sorriu de lado. Em seguida, deu-me um leve empurrão no braço. — Eu também posso ser divertida, sabia? Vou deixá-lo pensar que tem tudo sob controle… e então mostrar que não é bem assim. Gosto de ver homens confusos. — É assim que se fala — ri, balançando a cabeça. — Mas não diga que eu não avisei. O grupo inteiro é mais ou menos assim. Eles vivem se provocando, fazendo piadas… — E o Killian é o rei da provocação — completou ela. — Exatamente. Não se impressione se ele fizer alguma gracinha comigo na sua frente. Esse é apenas o jeito i****a de ele ser. — Pode deixar que eu me defendo — disse ela. — E você também, está bem? Não deixe que ele a provoque demais. — Não precisa pedir. Aprendi há muito tempo a não levar desaforo para casa. Se ele vier com gracinhas, eu respondo. Sempre foi assim. Dei de ombros. — Todo mundo ri e diz que é “aquela dinâmica entre os dois, de ódio e amor”. Mas não existe amor nenhum. Existe apenas o fato de eu considerá-lo insuportável e de ele se divertir com a minha cara de raiva. Só isso. — Certo, certo… Se você diz… — Chloe fez uma expressão de quem não acreditava completamente, mas continuou sorrindo. — Então, quando partimos, Lili? — Dois dias antes do feriado, de manhã cedo. Assim chegamos com tempo para ajudar minha mãe com os preparativos, descansar um pouco… e enfrentar o que quer que esteja esperando por nós. — Parece um plano. — Não será o fim do mundo. É apenas uma viagem. Depois voltaremos para cá, e a vida seguirá como sempre. Eu me levantei e caminhei até a janela. — Minha vida de verdade está aqui. Minhas empresas estão funcionando, meus estudos estão quase terminando. Dallas é apenas o lugar onde nasci, onde tenho uma família, uma sede para administrar e uma fazenda para cuidar. Cruzei os braços, observando o movimento da rua. — Nada além disso. Se Killian Reed estaria lá, que estivesse. Não seria a primeira vez que eu teria de suportar a presença dele, e certamente não seria a última. Se quisesse continuar me chamando de “meu céu” para me irritar, que o fizesse. Eu tinha uma resposta na ponta da língua e paciência de sobra — ou melhor, paciência nenhuma — para lidar com homens que se achavam importantes demais. Que viesse. Eu não tinha mais dezoito anos. Não tinha mais medo de encará-lo e dizer exatamente o que pensava. E, se alguém descobrisse quem eu realmente era por trás da imagem da “filha orgulhosa que se vira sozinha”, que descobrisse. Quando eu quisesse. Até lá, poderiam pensar o que bem entendessem. Naquela noite, deitada no escuro do quarto, pensei na fazenda, nos cavalos e na equipe da sede em Dallas, que precisava de uma visita. Pensei nas competições de equitação das quais participava sem contar nada à minha família. Pensei em tudo o que havia construído com as próprias mãos antes mesmo de completar vinte anos — e que ninguém da minha família fazia a menor ideia de que existia. Se a imagem de Killian sorrindo daquele jeito convencido passou pela minha mente? Passou. Mas eu não fiquei corada. Não fiquei boba. Não comecei a sonhar acordada. Apenas pensei: Você vai ter de melhorar muito para me derrubar, Reed. E, dessa vez, você não faz ideia de quem está provocando. Sorri para mim mesma no escuro. — Só mais alguns dias — sussurrei. — Depois, tudo volta ao normal. E, dessa vez, eu realmente acreditava nisso. Dallas não era o meu destino. Era apenas uma parada. Eu já não era a menina que havia fugido de lá cinco anos antes, depois de perder o avô. Agora, voltava de cabeça erguida, com a vida construída, independente e milionária em segredo. E ninguém — nem mesmo ele — conseguiria me fazer sentir pequena outra vez.

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