Capítulo 2: Bilionário, Bad Boy e Louco

1186 Palavras
Lucca ​— Lucca, a noiva já está aguardando por você há um tempo, precisamos ir agora... Normalmente são as mulheres que se atrasam no casamento. ​— Eu... não... — as palavras saíram emboladas, por mais que me esforçasse. A última noite na clínica foi um completo caos. ​— Tome isso! — ele me estendeu mais uma garrafa de água, e eu bebi o líquido, sorvendo em pequenos goles. Havia tomado bastante água desde que saí, mesmo assim senti a minha garganta arranhando, dolorida e seca. Um efeito colateral dos remédios. Tommy era meu segurança pessoal há muito tempo, ele era muito mais do que isso, era meu amigo. Olhei para as correntes jogadas no banco ao meu lado e balancei a cabeça. ​— Seu avô está preocupado, com tudo que aconteceu ontem, a médica sugeriu que você deveria ser contido. Eu também achei isso demais — Tommy sorriu pra mim —, mas, cara, você quebrou a clínica toda ontem. Foi um grande espetáculo, estou chocado que a mídia ainda não tenha descoberto. Dei um sorriso torto e tomei mais um pouco de água. Queria eliminar o maldito efeito sedativo do meu organismo o quanto antes, o sentimento de impotência só me deixava mais irritado com a situação. ​— Como... como ela.. é? — as palavras saíram arrastadas. Nem mil porres se comparavam com o que fizeram comigo naquela clínica. Desgraçados! Surto psicótico e raiva são duas coisas muito diferentes, eles deveriam ter aprendido isso na faculdade. Malditos incompetentes! ​— Bonita, mas muito jovem. Céus, dezenove anos e nas mãos de um homem como você... — ele fez uma pausa temendo ter falado demais — Se quer um conselho, não a trate com rudeza. Posso estar enganado, mas ela não parece ser como a mãe. ​— Se ven-vendeu... ​— Talvez eu tenha me impressionado um pouco com a jovem, ela é muito bonita — ele se justificou. Bonita ou não, jovem ou não, eu precisava de um herdeiro e com urgência. Meu avô, quando foi até a clínica, disse que me tiraria de lá se eu aceitasse me casar. Como se uma mulher fosse capaz de me domar. E então ele voltou com uma proposta ainda mais ousada, se eu tivesse um herdeiro, ele me daria o controle de todas as empresas do grupo Prado. Fiquei lisonjeado, que apesar de me considerar louco, sabia que eu era bom com os negócios. Bom, o suficiente para assumir a posição dele. Eu recusei na primeira vez, por causa da Letícia, mas então ela desapareceu e não havia mais motivo pra continuar enjaulado. Tommy viu o outro segurança se aproximando e se apressou em me acorrentar outra vez. ​— Não dá mais pra esperar. Você tem que entrar na igreja! — avisou. Fui carregado até o altar, por Tommy e mais um segurança. A igreja estava cercada pelos homens do meu avô, não pude deixar de sorrir. Será que ele acha que vou colocar a igreja abaixo se não gostar da noiva? Quando olhei para a jovem que se tornaria minha esposa, desejei do fundo do coração sentir raiva, ou ao menos ficar contente por ela estar tão assustada e trêmula, mas aquele olhar... ela tinha um olhar quebrado. Inocente demais. Servil demais. ​— Pode beijar a noiva... Os olhos de jaboticaba, cobertos por longos cílios, se arregalaram. Apesar de ainda sentir o corpo pesado, e a visão ainda estar turva, ordenei que Tommy me soltasse, ele obedeceu imediatamente. Um homem devia ser capaz de ao menos beijar a própria esposa no dia do casamento. Ela recuou assustada, os lábios vermelhos entreabertos em um convite silencioso. Agarrei o seu pulso frágil e vi os seus olhos buscarem o meu, minha aparência devia estar terrível, porque vi seus olhos marejarem. Por mais que tentasse, a imagem dela vez ou outra ficava desfocada. Ainda assim, ela estava linda. O vestido de renda fina, envolvia o seu corpo com perfeição. Quis provar os seus lábios, mas diante das suas lágrimas, toquei brevemente sua testa em um beijo casto e então saí da igreja, deixando minha esposa para trás. A princípio, ficaria na casa do meu avô com ela. Ele estava muito disposto a me vigiar, considerando a quantidade de seguranças que me acompanhavam, mas então o meu celular vibrou no bolso da calça. Era a Letícia. ​"Estou aguardando você e a sua esposa na nossa casa" Sorri para a tela do celular. ​— Vamos para o castelo — fiquei surpreso, com o som da minha própria voz. O efeito dos remédios estavam indo embora. Isso era bom, não podia desapontar minha esposa na noite de núpcias. ​— Seu avô não vai gostar da mudança. ​— Sou bom em... em deixá-lo com esse sentimento de desgosto. Passei parte da viagem dormindo, o que me fez muito bem, quando acordei já estava chegando no destino e o efeito do sedativo havia passado quase totalmente. ​— Como se sente? ​— Me sinto bem melhor — respondi, com a voz firme. ​— Seu avô está furioso! ​— Um recém-casado precisa de privacidade, avise a ele! Tommy deu um soquinho no volante. ​— Eu sabia, você gostou da garota. Se parar de fazer besteira, talvez um dia ela goste de você. ​— Que pessimista... Hoje mesmo terei aquela mulher em meus braços. ​— Lucca... não estrague tudo! — ele avisou — ela não parecia muito satisfeita com esse casamento. Ainda acho que ela não é como a mãe. ​— Ei, assim você me ofende. Não vou forçá-la, mas vou testá-la e veremos se ela é ou não como a mãe! ​— O que vai fazer se ela for como a mãe? ​— Eu sou um bilionário, bad boy e louco. Não me faltam opções. ​— E se ela for uma boa moça? ​— Sinceramente, eu nunca pensei nessa possibilidade. Mas não há espaço em meu coração para mais ninguém. No máximo, posso e irei encaixá-la na minha cama. — dei um sorriso torto. ​— Precisa pensar na sua felicidade também... ​— Está sentimental hoje, Tommy? ​— Casamentos me deixam emotivos. Embora o seu tenha sido o casamento mais sombrio que eu já assisti. Entrei no castelo me sentindo enjoado, não entendia por que Letícia gostava tanto daquele lugar. Foi ali onde o pesadelo das nossas vidas começou e ela sempre dava um jeito de voltar para aquele lugar. ​— Lucca! — ouvi sua voz animada — Acho que a sua esposa está com medo de você, e a culpa é minha. ​— Shhh — coloquei o dedo sobre a boca dela — Não fale essas coisas aqui. Por que acha que Coryne está com medo de mim? ​— Ela trancou a porta do quarto de vocês. — Isso só pode ser brincadeira — estreitei os olhos, sentindo a irritação escalar rápido demais — Enquanto ela for minha esposa, nós dormiremos na mesma cama. Mesmo que pra isso eu precise derrubar cada maldita porta desse lugar!
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