Kate é uma das minhas antigas colegas de escola. Ela nunca casou e como eu é uma solteirona. Diferente das outras que além de casadas estão morando bem longe. E sempre que possível eu e Kate nos damos bem e até conversamos. Mas Apollo não suporta a ideia de me ver com ela. Por que o histórico de Kate não é lá essas coisas. Segundo ele, "ela é má influência pra mim". Além de ter sido presa a partir dos dez anos por roubar uma senhora que atravessava a rua e ter passado sua infância presa e sozinha. Kate é órfã, mora sozinha em um dos becos de Chicago em uma casa não muito confortável eu diria que nenhum pouco confortável.
Trabalha como vendedora em uma loja de autopeças e age por impulso como eu. Traduzindo Apollo morreria se soubesse o que faço quando estou com essa garota.
Após terminar minhas gins- tônicas , as amasso e as jogo no lixo. Depois me aproximo do balcão e pago nas mãos do barman que respira fundo ao me ver sair do Pub. Coitado, tenho certeza que nunca foi tratado assim.
Infelizmente meu super ego. Não me deixa ter compaixão dele.
Abro um riso ao ver minha garota do lado de fora. Pego o capacete, cubro minha cabeça. Jogo minhas pernas ao seu redor, sentindo minhas pernas presas a sua lataria. E rolo os olhos pelo local. Onde é possível ver algumas mulheres seminuas aos beijos com seus clientes bêbados. É como se estivesse vendo Genna. Em suas habituais mini saias, sua meia tarraxa trançada, seu sutiã vermelho com um decote grande a mostra, seu salto de quinze centímetros e um sorriso travesso nos lábios. Se empenhando em seu serviço miserável. Fazendo uma mistura de amor louco e sexo doentio.
Balanço a cabeça tentando esquecer o desgosto por ter nascido dessa mulher. Giro as chaves da moto e a ligo saindo dali o mais rápido possível.
"Tente esquecer essa mulher Ruby. Ela não merece seu amor por ela"
Depois de dobrar a primeira esquina que leva para o pier da cidade vejo a casa de Kate escondida em um dos becos escuros. Paro em frente ao beco e desligo a moto. O local fede a peixe podre e pelo chão vejo garrafas de cerveja vazias. Pego meu capacete e o jogo pelo braço.
Saio rapidamente da moto e ando pelo beco em direção a casa de Kate. Rolo os olhos pelas paredes escuras enquanto ando, até que vejo alguém sair da casa e se escorar na porta. Semicerro os olhos. Tentando reconhecer. Nada. Apenas sei que não é Kate. Me aproximo e a pessoa vira o rosto pra mim como se quisesse me reconhecer também. Nos encaramos.
É um garoto, deve ter mais o menos a minha idade, está de camisa moletom, bermuda jeans rasgada e cabelo bagunçado. Seu jeito brusco de fumar o torna sexy, porém intrigante. Ele sorri ao ver que eu o observo e traga seu cigarro, depois com ignorância o sopra sobre meu rosto com desdém dando uma baforada e gargalha.
Fecho o punho.
Vou te mostrar quem é Ruby seu palhaço!. Penso e me preparo pra encher esse infeliz de soco, mas sou interrompida:
— Oh... Ruby pensei que não viria. — Diz Kate atrás dele.
Ainda encarando o cara escroto falo:
— Oi Kate... Quem é o verme?
Ele sorri de lado e me fita com desdém.
— Esse é meu irmão... Agora parem de se encarar né. Tá ficando chato.— Retruca me fazendo desviar o olhar dele.
Olho pra Kate e mostro um meio riso.
— Prazer gatinha, sou Arthur o tal verme.— Brinca virando pra Kate e beijando sua testa— Se ela não fosse tão rabugenta eu pegava.
Serro os dentes.
— Não posso dizer o mesmo.— Rosno e ele me olha sorrindo.
Ah garoto, eu adoraria tirar essa sua carinha de pivete com socos e pontapés.
Depois de me olhar pisca pra mim e entra em um dos quartos.
Viro rapidamente pra Kate.
— Desde quanto você tem irmão?
Ela ri e joga seus braços sobre meu pescoço. Me dando um grande abraço. Nos abraçamos.
— O conheci ontem, cê acredita que ele veio me procurar depois de tantos anos, ele é filho do meu pai com outra mulher... Aquele lance de irmão filho de outra mãe, sacou?!?
Fico confusa. Mas entro na pequena casa e sento em um sofá branco rasgado. A sala dispõe de duas cadeiras de madeira já desgastadas, seu sofá inseparável antigo. Um rack de dois compartimentos onde cabe televisão e receptor entre controles. Uma lâmpada de iluminação fraca no centro que pisca as vezes e uma foto dela com a mãe e o pai. Quando criança.
— Ele é um verme você sabia?— Murmuro tirando minha jaqueta e ficando apenas de cropped.
Ela gargalha. Olho pra Kate de baixo pra cima ela está em uma das suas roupas aleatórias, um vestido rosa rodado de alça médio e cabelo preto amarrado em trança. Kate não se parece nem um pouco comigo, somos morenas, mas a estrutura corporal dela é magra. Uma morena linda eu diria.
— Sei disso também Ruby. Mas e você como está? Ah, antes que me diga... Eu quero te mostrar uma coisa não sai dai.— Sugere entrando em seu quarto do lado esquerdo.
Fala como se eu fosse sair correndo. Levanto do sofá e decido pegar o controle do rack ligo a pequena televisão e vejo uma novela local em um dos canais. Odeio novelas, mas por falta de opção decido ficar no mesmo canal.
Logo Kate sai de onde entrou e joga nas minhas mãos um jornal.
— Pra que isso?— Pergunto a olhando.
— Pra te mostrar a minha boxeadora preferida.— Comenta apontando pra uma garota sorridente que carrega um cinturão de luta e o mostra para as câmeras.
—Hum, essa garota tá linda na foto... Eu não sabia que você curtia lutas.— Ela olha pra mim e revira os olhos.
— Não, eu não curto mocinha. Na verdade eu odeio lutas, são sangrentas e tudo... Mas depois de ter visto você lutar, agora eu torço por você. —Sorri e me abraça, enquanto eu analiso minha foto na capa do jornal.
Odeio quando tiram minhas fotos sem minha autorização.
Encolho os ombros.
— E então, vamos sair?— Intervenho fazendo bico.
Ela balança a cabeça negativamente.
—Eu bem que queria...
Arqueio as sobrancelhas.
— E por que não pode?
— Tenho que ficar ao lado dele Ruby.— Diz triste e mais uma vez fico confusa.
— Não tou entendendo, ele é um bebê por acaso? Por que até onde sei bebês não fumam.— Exclamo alto pra ele ouvir e ao fundo escuto ele reclamar baixinho.
Ela bufa.
— Ai, ai Ruby, uma história muito complicada... Mas eu te garanto que com calma te conto.
Cruzo os braços e a olho feio.
— Promete?
— Prometo!— Diz cruzando os dedos e os beijando. Sorrimos uma pra outra.
Estar ao lado dela me trás paz. Sempre me trouxe paz.
—Hum... Okay, então você quer saber como eu estou... Estou bem, mas se chegar tarde na casa do Senhor Apollo você será convidada ao meu funeral. — Ela sorri e volta seu olhar pra televisão.
Levanto do sofá e me escoro na porta aberta. Logo Kate está ao meu lado e me abraça por trás. Sorrio com sua aproximação.
— Preciso te contar algo.— Sussurra desconfiada.
Viro pra ela.
— Sobre o verme?
Ela volta a rir.
—... Não, e por favor para de chamar ele de verme.— Pede fazendo carinha de cachorro sem dono.
— Sabe que não vou conseguir, ele é um verme sim.—Afirmo fazendo cara de nojo.
Ela bate no meu braço.
—Pode até ser, mas já chega.
Reviro os olhos.
— Beleza, mas eae do que quer falar?— Indago sorrindo, mas a realidade me dá um tapa na cara.
— Sobre sua mãe.
Rapidamente fico séria e bufo irritada.
— Não foi você mesma que disse pra mim deixar ela de lado e cuidar da minha vida?—Lembro e ela fica frente a frente comigo.
—Sim Ruby, mas eu vi ela.
Engulo em seco, mas não demonstro interesse.
—... Que bom.
Dou um soco no ar.
— Na rua... Ela tava estranha Ruby, sei lá... Andava pedindo dinheiro na rua com sua roupa seminua... E quando me viu com o Arthur pirou de vez, perguntou por você muitas vezes e me disse...— Diz compartilhando o que viu.
Passo as mãos pelo cabelo e saio da casa. Não quero ouvir sobre essa mulher. Pego o casaco do meu braço e o jogo sobre meus ombros.
De longe ouço Kate me chamar:
— Ruby... Espere..
Paro em frente a minha moto e ouço seus passos atrás de mim.
— Não quero saber dessa mulher Kate e você sabe disso!
Gentilmente ela toca meu ombro.
— Ela me disse que sente sua falta Ruby... Sei que você não a suporta, mas acho que pelo menos deveriam...
Viro bruscamente pra ela.
— O que? Deveríamos conversar é isso?
— Bem... Sim.
Balanço a cabeça.
— Esqueça. Já ajudei essa mulher uma vez e o que recebi em troca? Nada, ela simplesmente se foi, só isso. Sem nem me explicar do por que ter ido embora... Eu a amava... Não suportava ficar longe dela, mas agora? A odeio Kate... Eu.. Eu...— De repente em meio a minha maldita confissão deixo algumas lágrimas caírem.
Argh me odeio por isso.
— Desculpa... Ruby. — Murmura me abraçando.
Luto intensamente contra a vontade de chorar e me despeço de Kate, ela se desculpa pelo ocorrido, mas não há o que se desculpar. Ela não tem culpa da minha vida ser uma merda. Decido voltar pra casa, mas não pra casa do Apollo e sim pra minha. Pro meu apartamento. Onde posso chorar sozinha, sem ninguém pra me encher o saco. Não quero ouvir suas broncas pelo menos não agora. Não hoje. Saio do apartamento as pressas, passo por algumas pessoas e tento mostrar meu sorriso o máximo possível, já que elas insistem em me dar bom dia.
Quem manda ser uma das melhores lutadoras de Chicago?
Passo pelo portão central e subo na moto. Pego as chaves e a ligo. Pronto agora é rezar mentalmente para que Apollo esteja em seus melhores dias.
Ao chegar vislumbro a grande casa de dois andares espelhada a qual se tornou nossa casa de boxe. Academic's boxe aqui vários e vários garotos e garotas se inscrevem todos os dias em busca de seus sonhos. Perdi a conta de quantos estão matriculados. Um local bem amplo, com cores harmonizadas entre verde cana e amarelo fraco. Dentro sua cor opaca contorna todo o ambiente. O tornando tranquilo. Logo a frente vejo Helena uma mulher de basicamente trinta anos, loira de olhos cor de mel em sua habitual saia preta que vai até o joelho, seu óculos de grau vermelho e sua regata verde. Farda da equipe. O desenho é a imagem de um boneco de treino. Helena é uma das ajudantes de Apollo. Ela está ao celular e quando me vê franze o cenho. Ela sabe que Apollo odeia atrasos. Bufo nervosa e desço da moto. A deixando ao lado de alguns carros.
Ando em direção a entrada, mas Helena desliga a ligação e levanta a mão para mim. Me fazendo parar. É o que faço.
— Sinto te dizer Ruby, mas Apollo está uma fera.—Avisa guardando o celular no bolso da saia— Brigou com os garotos do treino e comigo sem motivos.
Engulo em seco. É, ele vai me matar.
— Acho que sei bem qual é o motivo.— Respondo e ela sorri triste.
Ela inspira e respira. Abrindo caminho pra mim. Adentro o local e o vejo de costas. Ele está brigando com Letícia, uma das recentes lutadoras que também entrou nesse ramo assim como eu. Ela tenta pedir desculpas, mas ele não aceita e volta a passar mais sermões.
Reviro os olhos.
Ando até a mesa de Helena e coloco meu capacete e a chave da moto no balcão. Depois olho novamente pra Apollo e o vejo de sobrancelha arqueada. Ele ainda não me notou e dou graças por isso. Decido então, passar por alguns garotos que estão carregando peso. Um peso maior que o outro, eles sorriem e disputam pra ver quem levanta mais um supino. Sorrio, mas vou em direção ao meu armário. Abro o mesmo e procuro minhas roupas de treino.
De repente ouço palmas atrás de mim e não preciso virar pra saber quem é.
— Bravo pequena, bravo. Deixa eu advinhar... Você encontrou aquela sua amiga de novo a Kate e as duas resolveram encher a cara sem querer.— Intervém com desdém.
Viro lentamente pra ele e balanço a cabeça negando.
— Não Apollo, dessa vez ela não me acompanhou. — Os garotos que sorriam entre eles, agora estão nos olhando apreensivos.
— Hum... Que bonito, aliás meus parabéns você foi a vencedora desse mês.— Ironiza de dentes cerrados.
— De que?
Ele coloca as mãos na cintura.
— Não sabe? Que tal por ter chegado as dez horas. Sabe daqui a pouco está na hora do almoço, você não quer almoçar?
Tento me aproximar, mas ele faz que não com a cabeça. Fico onde estou.
— Apollo eu posso...
— Nananinanão, nem vem com explicações por que eu já tou cheio disso... Você, você quase me matou garota. Eu te liguei umas quinze ou vinte vezes ontem e você não me retornou... Eu queria pelo menos saber onde estava.
Ah, cara que mancada.
— Me des...— Ele interrompe:
—Será que você não percebe o grau de dificuldade que enfrentará hoje a noite? Não está tendo compromisso consigo mesma e nem com a equipe... Nem sei por que você ainda treina. Responsabilidade Ruby, é tudo o que te peço.— Murmura massageando as têmporas.
Cabisbaixa balbucio:
— Me desculpe Apollo, eu prometo que...
Ele fecha os olhos enquanto falo e novamente me interrompe:
— Chega. Você vai agora se trocar e se alongar e seu treino pode ter certeza vai ser bem mais intensivo que antes... Até por que...— Antes que ele termine Helena intervém.
— Hum... Apollo.— Chama com voz trêmula.
— O que é?— Ele a olha furioso.
—... Ele chegou.
Olho pra ela. Nos olhamos sussurro: desculpa. Ela ri baixinho como se me entendesse.
— Mas já? Ele viria somente a tarde...— Reclama de testa franzida.
Todos ao nosso redor nos fitam confusos.
— Sim, mas ele está lhe esperando no seu escritório.
Ele reflete por alguns segundos e decide:
— Tudo bem fale que estou a caminho.... E você Ruby faça exatamente o que pedi. Essa nossa conversa ainda não acabou. — Solta me olhando feio, vira pros garotos e grita— Mandei parar?
Nervosos eles continuam seus exercícios e Apollo sai as pressas em direção ao seu escritório, enquanto fico pensativa.
— Ruby... Tudo bem?— Indaga Levi se aproximando. As garotas recém chegadas conversam entre si e voltam ao treino ordenado por Apollo não mais tão contentes como antes.
É meninas. A vida de estrela não é tão fácil quanto pensam.
Viro pra ele e comento:
— Tudo sim Levi... Acredite estou acostumada a levar carão toda vez que erro alguma coisa.— Murmuro comendo o interior da boca.
— Ele só é preocupado com você Ruby. Você é como uma filha pra ele...
Assento com a cabeça.
— Disso eu sei, mas errar não é uma das coisas fáceis de se controlar. Principalmente pra mim.
Ele ri.
— Ah, é e por que?
— Por que essa é uma das consequências de ser eu.
Após falar me disperso de Levi e pego minha roupa do armário. Vou pro vestiário feminino. Troco de roupa e visto um de meus short pretos e um top cropped. Faço uma trança embutida bem rápida no cabelo e vou até a pia. Molho as mãos e passo pelo rosto todo. Observando meu reflexo pelo espelho.
Quem é ele? De quem Apollo estava falando e por que Helena não mencionou seu nome?. Fico pensativa. Talvez depois que Apollo se acalmar eu possa lhe perguntar.
Mas o fato é Apollo nunca se acalma.
Após fazer uma série de aquecimentos vou pro andar de cima e faço três séries no maior tempo possível. Preciso evitar ouvir mais sermões de Apollo. dez flexões, quarenta agachamentos e sessenta abdominais. Quero ver ele brigar ainda mais comigo.
— Acho que ele nos odeia.— Diz Letícia correndo seus trinta minutos na esteira.
Sorrio enquanto termino meus agachamentos e inicio as abdominais. Deitando as costas em um colchonete que uso para não doer tanto a lombar.
— Acredito que não Letícia, ele só quer competidores perfeitos, mas infelizmente é o que não sou.
Ela gargalha e desliga a esteira. Desce e senta no chão perto de mim.
— Por que se atrasou hoje?
Fico sem jeito. Não quero ter que desabafar minha noite de frustração da qual passei e ainda vivo.
—Hum... Atrasos, sabe como é.
— Sei...— Pisca pra mim e levanta do chão.— Já sabe quem vai enfrentar hoje?
Coloco as mãos sobre o rosto.
— Sim, Apollo disse que será uma antiga lutadora... Mas não lembro o nome.
Ela aperta a boca e solta:
— Parece que é de Seattle. Ele ta bastante agitado por causa disso... Por que será? Será que ela é muito boa?
Sorrio e estalo a lingua.
— Não sei. Mas sei que ela achou uma boxeadora a sua altura.
Ela assente sorridente.
— Verdade e boa sorte.
— Valeu. Digo o mesmo pra você.— Murmuro lembrando que ela enfrentará Bruna, uma morena insuportável da Filadélfia. Já a enfrentei e sei bem que trapacear é um de seus golpes.
— Obrigada, bom tenho que treinar com Levi. Parece que Apollo tá ocupado com alguém muito importante.— Da ênfase em importante.
Sorrimos. Termino meu exercício e sento. Inspiro e respiro. Letícia estende a mão pra mim e eu aceito levantando do chão.
— Deve ser mesmo. Bom vamos juntas... Preciso ir pro ringue treinar.
Descemos da escada e de repente ela para no meio da escada, ficando em minha frente.
— Oh meu Deus. Que gato é esse?— Indaga olhando pra alguém a frente.
Balanço a cabeça e reviro os olhos. Deve ser algum recém chegado que ela vive paquerando. Como sempre.
Levanto o olhar e admiro um garoto de corpo forte, músculos bem dotados escondidos por um casaco preto de capuz, pernas grossas e fortes por debaixo de uma calça moletom preta e uma máscara que mais parece sair de um desenho em quadrinho em seu rosto, branca de plástico que cobre o rosto inteiro deixando a mostra apenas seus olhos que de longe fica impossível definir sua cor.
Enquanto todos o observam andar pelo ambiente, ele acende um cigarro e fuma sem se importar. Esse seu jeito petulante me faz lembrar do verme do irmão da Kate. Mas logo deixo esse pensamento pra lá. Apollo sorri a todo momento e apoia seu braço no ombro do tal garoto e os dois parecem amigos de infância.
Eu e Letícia permanecemos nas escadas observando atentamente os passos do novato.
— Será que Apollo aceita relacionamentos entre lutadores? Por que gata, que pedaço de m*l caminho é esse?— Intervém se abanando com a mão.
As garotas que executavam seus exercícios ficaram paralisadas e faziam de tudo pra chamar sua atenção.
— É o que também desejo saber.— Murmuro andando até eles. Mas Letícia segura meu braço.
— Ruby o que pensa que está fazendo? Apollo vai te matar.
Viro pra ela. Nos olhamos.
— Bom, acho que vou correr esse risco.— Falo e ela solta lentamente meu braço.
Ando rapidamente em direção a Apollo que quando me vê chegando franzi o cenho.
— Aconteceu alguma coisa Ruby?— Indaga e o tal garoto me olha de baixo pra cima. Fico impassível.
—... Quero saber se você não vai me ajudar...
Ele revira os olhos.
— Estou ocupado agora. Vá por favor treinar com Bryan.— Sugere apontando pra Bryan um cara moreno que também me auxilia sempre que pode.
Viro pra trás e vejo Bryan sentado no ringue. Ele sorri quando me vê, devolvo o sorriso. Mas volto a olhar pra Apollo.
— Apollo eu só queria...
—Depois pequena, agora não é uma boa hora.— Solta ríspido. Ele ainda tá de m*l humor.
De relance vejo o
tal garoto sorri baixinho e sou obrigada a encará-lo.
— Tá rindo do que palhaço?—Apollo arregala os olhos pra mim.
—Ruby!— Exclama irritado.
—Não, tudo bem Apollo. —Diz me olhando intensamente e continua— Desculpe por sorrir gatinha, mas você não me deu escolha.
Me irrito ainda mais e me aproximo dele. Apollo Intervém e fica em sua frente. Me impedindo de acabar com ele.
— Ruby por favor. Vá treinar não se esqueça da luta de hoje.—Insiste arqueando as sobrancelhas e respiro fundo.
—Tudo bem, eu não iria sujar minhas mãos com um verme mesmo.—Falo e sou obrigada a recuar, mas ao ficar de costas. Escuto a risada dele. Ele ri como se gostasse de irritar qualquer um. Ah garoto, você não perde por esperar.
Inspire, respire, inspire, respire. Agora não seu verme. Mas pode ter certeza. Um dia eu acabo com você!
Bufando vou pro ringue. E ignoro o sorriso amigável de Bryan. Ele pisca incrédulo, mas compreende minha raiva. Pego minhas luvas que ele carregava no braço e as visto nas mãos. Cauteloso Bryan pega sua luva e se prepara pra lutar contra mim.
— Antes de tudo não me diga que teve mais uma de suas brigas com Apollo?— Indaga com as mãos na cintura.
— Com certeza Bryanzinho. Eu sempre brigo.—Brinco sorrindo de lado e lhe dou um soco no braço. Bryan ri surpreso.
—Epa. Mãos no queixo, joelhos firmes e olhar centrados no seu oponente. Não quero ter que te colocar no chinelo novamente.—Lembra sorrindo de orelha a orelha e continua— Aliás isso me lembra da sua luta. Saiba que eu assisti e achei um desmerecimento da parte do Juiz. Pra mim a outra garota deveria ter ganhado.
Gargalho com ironia. Ele sempre faz isso pra me desmerecer e ganhar sempre que treinamos juntos. É seu antigo jogo de persuasão e humilhação.
— É mesmo coroa? Bom chegou sua hora de me mostrar do que é capaz.— Comento e ele vem pra cima de mim tentando me dar uma chave de braço, mas consigo me desviar pro lado e dar uma rasteira nele.