Pré-visualização gratuita PROLOGO- Tudo está onde deveria estar, tudo menos a verdade.
Ruby Lins
" Resista Ruby, lute você é muito melhor do que isso..."
Olha só quem diz, meu treinador Apollo que vive brigando comigo e vive me enchendo o saco pra que eu seja forte e suporte a dor... Isso me faz rir. A verdade é que Apollo sempre esteve do meu lado, é solteiro, tem trinta anos e dono de um corpo irresistível, esse cara me cuidou desde meus treze anos, ele jurou a mulher que se auto denomida minha mãe dona Genna uma alcoólatra assumida que eu chegaria ao topo e que me faria uma boxeadora de primeira mão. Bem ele o fez e até hoje me sinto um fardo pra ele. Apesar de sempre dizer que me ama como a uma filha.
Agora deixa eu esclarecer uma coisa, nesse momento estou no ringue lutando com uma adversária de um metro e sessenta e cinco, basicamente temos o mesmo tamanho e também o mesmo peso cinqüenta e sete até por que as regras são bem claras as participantes devem ter o mesmo peso, só não é obrigatório ter o mesmo tamanho, ela é loira e eu morena, ela tem olhos azuis e eu castanhos claros. Porém essa garota parece lutar melhor que eu, da vontade até de rir da minha própria desgraça. Sinto minha boca doer, e depois do soco que ela me deu na barriga acho que não vou poder comer por um bom tempo, ela é boa. Então tecnicamente minhas chances de morte são.... Muitas melhor nem pensar pra não morrer antes da hora, mas longe de mim me julgar menor. Até por que é como meu treinador sempre diz: "Você é o que é, jamais abaixe a cabeça para seu oponente não se julge inferior, você é melhor que isso Ruby". Por tanto, sou quem sou!
Após tantos socos e varias pessoas na arquibancada gritando meu nome, me sinto na obrigação de vencer. Levanto do chão, respiro fundo e dou uma leve corridinha pra frente e pra trás, levanto o olhar e observo minha adversária. Bonita, loira e com um sorriso de zombaria estampado no rosto.
Mas vou mostrar pra ela o que essa morena aqui pode fazer.
Movimento os braços pra frente e equilíbro o corpo. Com uma só mão a convido a se juntar a mim. Sorrindo ela se aproxima e isso é mais que necessário pra lhe dar dois soco no queixo, outro na barriga e nocaute, fraca ela cai de costas no chão. Depois parto pra cima dela e a torcida vai a loucura como se tudo não passasse de uma brincadeira. Tentando se proteger ela coloca as luvas sobre a cabeça mas continuo lhe dando vários socos. Até que o juiz faz a contagem e venço mais uma de minhas longas disputas.
Solto o ar que estava preso e abro um riso, um riso de alivio por ainda estar viva.
Feliz e com um sorriso arrebatador Apollo adentra o ringue e me pega no colo.
Apollo- Eu sabia pequena, sabia que conseguiria.- Diz beijando minha testa. O juiz se aproxima e levanta meu braço.
Locutor- Vencedora invicta Ruby Lins!- Grita pelo microfone e todos da arquibancada tiram varias fotos e batem palmas pra mim. Seguro a vontade de chorar e coloco as mãos sobre o peito. Cuidadoso e protetor Apollo limpa com um lenço molhado algumas gotas de sangue que descem por minha boca e pelo meu nariz.
Apollo- Pronto pequena, agora vamos pra casa e por favor tente descansar- Diz me pegando no colo e me carregando pra fora do ringue. Cansada e dolorida me deixo dormir em seu colo. Sei que ele irá me levar pra sua casa. O lembro sempre de que tenho meu próprio apartamento e que consigo cuidar de mim mesma, mas não adianta, ele insiste em afirmar que me ama e que não suportaria ficar longe de mim, eu sei, eu sei tipico de um pai, um pai que ainda nem sei qual é, segundo Genna eu não deveria conhecer meu pai e muito menos me preocupar com isso, sua resposta definitiva é de que ela não sabe nem quem é meu pai.
Que lindo pra uma mulher que deveria ser meu exemplo falar uma coisa dessas não acham?
Após chegar em casa Apollo me coloca na cama e um sono profundo me golpeia.
Logo na manhã seguinte um barulho ensurdecedor me faz abrir os olhos. Levanto da cama bagunçada e vou em direção a janela, abro a mesma percebendo o quanto a manhã esta linda e inalo o ar frio de Chicago, rolo os olhos e vejo alguns garotos brincando na rua. Então foi esse o barulho que me acordou.
Observo seu jogo de futebol tão intenso, infantil, tão...
- Hum... Então minha boxeadora preferida resolveu observar a rua?- Indaga Apollo abrindo a porta do quarto e se aproximando vestindo apenas um dos seus calções de suas antigas lutas, como ex boxeador ele ainda mantém intacto tudo desde sua primeira luva até seu saco de pancadas.
Abro um riso e gesticulo pros garotos.
Ruby- Isso... Isso é vida Apollo, sem dor ou preocupação, diferente de mim que tenho uma vida conturbada e estou te levando junto.- Falo cabisbaixa e com um só movimento ele levanta meu queixo me fazendo olhá-lo.
Apollo- Ha não... Isso de novo pequena, poxa, vida nova, tente esquecer pelo menos uma vez que sua mãe é alcoólatra e que não se sabe ao certo onde ela esta, ontem você venceu mais uma luta, e seu titulo de melhor boxeadora de Chicago ainda não foi comemorado!- Afirma fazendo uma dancinha de mãos na cabeça e subindo na cama. Sorri com isso.
Apollo sempre querendo levantar minha auto estima.
Ruby- Não é querendo ser estraga prazeres Apollo, mas não esqueça que tenho outra luta amanhã, á garotas se matando pra ter meus títulos e isso eu não posso deixar.- Lembro entrando no banheiro e me despindo.
Apollo- Como esquecer se você insiste em me lembrar?!?- Diz pegando minhas roupas do chão e colocando em um sexto de roupas sujas.
Encolho os ombros e começo a banhar deixando a água tocar meu ombro machucado e meu lábio inferior que ainda dói. Pego o sabonete líquido e passo por todo o meu corpo, dos pés até o pescoço. Fecho os olhos e respiro o cheiro de hortelã.
Apollo- Te espero na cozinha e por favor não demore tenho uma surpresa pra você!- Exclama. Desligo o chuveiro rapidamente e coloco a cabeça do lado de fora do banheiro.
Ruby- Eu odeio surpresas, por que insiste em fazê-las pra mim?- Pergunto bufando.
Apollo- Por que diferente de você, eu gosto de surpresas, e como seu treinador e protetor exijo que me obedeça, te espero lá embaixo pequena!- Grita me chamando pelo apelido carinhoso, "pequena" ele ama me chamar assim. Droga, aposto que á vários de nossos assistentes que nos ajudam nas lutas e tenho quase certeza de que ele convidou meu ex namorado Levi pra participar, toda vez ele faz isso. Argh!
Termino o banho e visto qualquer roupa que encontro no closet. Um short preto rasgado e uma de minhas camisetas masculinas azul escura, faço um coque frouxo no cabelo e calço uma rasteirinha. Olho meu reflexo no espelho e saio do quarto.
Tudo em silencio, isso já me espanta, solto o ar e tento parecer feliz e surpreendida, o que esta fora de cogitação pra mim, não sou uma garota romantica muito menos delicada.
Com um pouco de receio adentro a cozinha e sou recepcionada por vários gritos e aplausos. Mostro meu melhor sorriso e arregalo os olhos como se eu não soubesse de nada.
Apollo- Espero que não me mate pequena, mas você precisava disso... Melhor do que todos nós, é você e vou logo avisando não é por que venceu hoje que irei ser bonzinho não, amanhã bem cedo começaremos o treino.- Diz bebericando uma garrafa de tequila e todos gargalham.
Rolando os olhos por todos vejo Levi encostado no canto da parede me olhando de baixo pra cima. Desvio o olhar e falo:
Ruby- Oh eu sei que todos aqui estão super felizes com a nossa vitória, por que pra mim essa é a nossa vitória, não importa se eu estava lutando e se me machuquei toda, o que interessa é que todos foram importantes para essa vitória, gosto que estejam comemorando ... E isso é bom, mas vamos focar galera ainda temos mais uma luta e Apollo eu cresci com você e sei muito bem que não é uma vitoriazinha que te fará mudar do dia pra noite e eu até concordo.- Replico e ele sorri piscando pra mim.
Apollo- Essa é minha pequena, agora vamos beber!- Grita.
Logo todos começam a dançar e a beber, mas eu não estou no clima, ainda sinto meu corpo gemer de dor e não sou de ferro, por isso me isolo e fico sozinha na sala assistindo uma série sobre boxe, gosto de tudo que estiver relacionado a box. Até que alguém de olhos verdes e jeito de bom moço. Senta ao meu lado no sofá. Levi. Sua camisa social preta dobrada até os cotovelos e sua calça jeans lhe julgam mais velho.
Levi- Olá senhorita Ruby.- Diz sorrindo e não deixo de sorri também, apesar de ser meu ex, Levi ainda se esforça pra manter um bom relacionamento comigo e isso é legal da parte dele, mas as vezes ele insiste em lembrar nosso passado o tempo todo.
Ruby- Oi Levi.- Falo voltando minha atenção pra TV.
Levi- Esta ganhando todas hein, como se sente?- Pergunta sem tirar os olhos de mim.
Ruby- Ah me sinto ótima... Sabe Levi, tudo o que eu quero é chegar as boxeadoras mundiais e estou no caminho certo.- Comento coçando a nuca.
Levi- Hum... E pra isso precisou terminar comigo né?- Não falei, ele sempre joga na minha cara que eu não queria nada com ele e infelizmente Levi trabalha junto comigo, não especificamente comigo, mas ele também é um boxeador e isso inclui em estarmos sempre lado a lado na academia que treinamos.
Ruby- Levi eu...
Levi- Não tudo bem, eu entendo Ruby, sei que não sou e nunca vou ser o que você quer...- Diz cabisbaixo e um sentimento de culpa me persegue. Quero abraçá-lo, mas sei que se fizer isso ele vai pensar que ainda a chances entre nós.
Fechando os olhos, falo:
Ruby- Sinto muito, mas não quero falar sobre isso e se me der licença preciso dormir, Apollo irá me massacrar bem cedo amanhã e você sabe como ele é intransigente!- Falo desligando a TV e levantando do sofá.
Levi- Tudo bem, só tenta pensar na gente Ruby... Pelo menos uma vez, pensa em tudo o que passamos juntos.- Diz tocando meu rosto, me Afasto rapidamente.
Ruby- Não me leva m*l não Levi, mas não existe agente ta legal? Não existe, espero que você seja feliz e por favor me deixa em paz!- Murmuro e ele se despede assentindo e saindo de casa. Dou um soco no ar e corro pro quarto, quanto mais eu descansar será melhor.
Não suporto ter que desenterrar meu passado, principalmente com Levi. Cara ótimo, de boa familia, mas naquela época tinhamos apenas quinze anos e agora temos vinte ele já deveria ter se conformado. Nosso namoro durou uns seis ou sete meses por ai, não sou garota de contar os meses e muito menos os dias de namoro, eu só queria alguém que me entendesse e ele era bom nisso, só que Genna vivia em confusão se drogando e quando eu não tinha nada pra comer Levi me ajudava, sempre esteve do meu lado. Eu o tratava mais como amigo do que namorado.
Um dia depois da nossa primeira vez terminei o namoro, não é que ele seja r**m de cama, longe disso Levi foi ótimo, é dono de um corpo perfeito, rosto lindo e jeito meigo é que eu não queria levá-lo pro mesmo buraco que vivo, minha vida é um verdadeiro sofrimento e junto a mim ele só viveria na tristeza.
Terminar com ele não foi fácil, mas as lutas me ajudavam a acalmar meus demônios. Minha mãe? Bem essa vive dormindo em qualquer cabaré, uma vez Apollo em suas viagens a encontrou na rua bêbada, suja, ele a trouxe pra cá eu a cuidei, mas não adianta. Ela ama o que faz e assume de cara erguida que não vai mudar.
Continuo sem entender por que ela vive assim, Apollo preferi que eu esqueça, mas como esquecer sua mãe? Tem um remédio pra isso por acaso? Deito na cama e tento dormir. Fecho e abro os olhos. Não consigo, levanto da cama e tiro minha camiseta ficando apenas de sutiã e short, pego uma de minhas cordas do closet e começo a fazer uns pulos de boxeador cruzado, concentração, habilidade e precisão são as características para esses saltos resolvo saltar sessenta vezes e deixo um intervalo de um minuto pra descansar, flexionando os joelhos como se estivesse fazendo exercícios de agachamento. O cansaço quer me vencer, mas minha força de vontade é bem mais forte que isso.
Após longos exercícios de pula corda, optei fazer abdominal deito no chão que não esta tão frio e flexiono os joelhos, depois com as duas mãos na cabeça levanto levemente o tronco indo de encontro com meus joelhos, faço uma série de três de quarenta e começo a sentir a barriga latejar e tremer, não que eu precise fazer abdominal longe disso, meu corpo é bem definido e mantenho meu tanquinho sarado sempre que posso, mas amo sentir dor principalmente se for um exercício, continuo a repetição. Até que a porta é aberta e um Apollo de cara amarrada me fita.
Essa não, lá vem bronca.
Apollo- Mas você é teimosa em pequena, levanta desse chão e descansa por favor!- Diz balançando a cabeça e colocando as mãos sobre a cintura. Bufando respondo:
Ruby- Não adianta... É melhor esquecer... Não quero dormir, muito menos descansar... Preciso exercitar o corpo...- Falo entre suspiros e faço a repetição novamente, dessa vez bem rápido.
Apollo- Eu sei do que você precisa pequena, sou seu treinador... Não me faça te amarrar nessa cama e te fazer dormir a força.- Grita me puxando pelo braço. Levanto do chão e me encosto na parede. Tentando mudar de assunto pergunto:
Ruby- Hum... É impressão minha ou a festa acabou?
Apollo- Sim, acabou!- Responde arrumando minha cama.
Ruby- ... Parece que alguém esta zangado.- Falo brincalhona e começo a roer as unhas.
Apollo- Não enche pequena.. Acontece que a p**a da Diana continua me ligando... Poxa eu pensei que uma mulher soubesse aceitar um "não" como resposta.- Rebate dando um soco no meu travesseiro. Seu jeito irritado me faz querer rir, mas me controlo.
Diana, é uma das mulheres que já tiveram um caso com ele. Morena de olhos castanhos e corpo lindo, é uma mulher bem elegante, mas ciumenta demais, lembro-me bem da primeira briga que os dois tiveram, ela cismou que Apollo estava de olho em outra mulher só por que vivia saindo pra assinar alguns contratos e me garantir no boxe, ela também não suportava Genna, vivia dizendo que Apollo e Genna tinham um caso, eu não acreditava muito, apesar de Genna ser minha mãe de uma coisa eu tenho certeza ela não consegue ficar apenas com um homem e não demonstrava nenhum afeto por Apollo, eu gostava da Diana ela era aventureira como eu e amava uma briga, tudo haver comigo, mas Apollo não suportava, é como ele dizia: "Ela me sufoca".
Ruby- Sabe Apollo, se me lembro você terminou com ela.- Intervenho andando pelo quarto e ele se volta pra mim.
Apollo- Sim terminei, mas não sei como ela conseguiu meu número novo e vive me enchendo de ligações e mensagens... Eu não aguento!- Afirma sentando bruscamente na minha cama. Com um só movimento sento em sua perna.
Ruby- Isso me faz lembrar também uma coisinha...- Menciono de sobrancelha arqueada.
Apollo- Que coisinha?
Ruby- Tu sabe muito bem, já te pedi mais de mil vezes pra não incluir Levi em mais uma de suas festas e você continua o trazendo pra perto de mim, não entendo essa injustiça comigo, pow Apollo assim não dá... Esse moleque vive lembrando de como éramos felizes e tal.- Revirando os olhos fico de cara amarrada.
Protetor Apollo acaricia meu cabelo.
Apollo- Tudo bem, prometo que vou parar... Mas pensa bem, ele te ama e quando te olha sei lá, eu sinto que pode ter ainda algo entre vocês... E ele é tão...
Ruby- Legal, gente boa, parceiro, amigo, lindo?- Pergunto e ele afirma com a cabeça- É ele é Apollo isso e muito mais, só que o que eu sinto pelo Levi é a mais pura e sincera amizade.
Apollo- Hum... Sabe eu tou amando desabafar com a minha pequenina, mas essa teimosa precisa dormir.- Diz me dando uma chave de braço.
Bato de leve em seu braço e ele me empurra na cama.
Apollo- Vai já dormir, eu quero você disposta a tudo amanhã bem cedo e pra que eu te sacrifique, e te torture preciso que descanse todas as energias contidas nessa pequena massa muscular.- Diz levantando da cama e fechando as janelas. De joelhos sobre a cama imploro:
Ruby- Mas Apollo, são exatamente...- Pego o celular do criado mudo e verifico as horas- onze da manhã, esta na hora do almoço... E se me lembro ninguém em sã consciência, dormiria a essa hora!
Apollo- Por isso mesmo, você não é ninguém, você é Ruby a minha pequena que se não der uma folga pro seu corpo pode desmaiar durante a luta, descanse, esse é meu último aviso.- Diz com um sorriso de orelha a orelha. Piscando pra mim ele fecha a porta atras dele. Bufo de raiva, mas obedeço fecho os olhos e me concentro em dormir.
Após uma tarde cheia de sonos e mais sonos, despertei as seis da noite, levanto da cama e tomo uma ducha gelada pra espantar a preguiça, após isso visto minhas roupas íntimas e por cima uma de minhas calças pretas justas ao corpo, calço um vans cinza, um top cropped também preto bordado e por cima dos ombros jogo minha jaqueta de couro. Passo uma leve maquiagem só pra tirar a cara de zumbi e deixo os cabelos soltos coisa que nunca faço quando estou no treino ou lutando. Sempre faço tranças, até por que essa é uma das regras.
Desço do quarto e vejo Apollo novamente sentado no batente da janela pensativo. Pego uma maçã da mesa de centro e começo a comer a mesma. Me aproximo em silencio de Apollo e me preparo pra assustá-lo, mas por instinto ele sente minha presença.
Apollo- Já te disse pequena pra me assustar precisa treinar muito!- Diz me olhando de esguelha. Abro e fecho a boca.
Ruby- Droga, preciso treinar mais.- Afirmo fazendo cara de desapontada, mas ele desvia o olhar de mim e volta a fitar as estrelas. Terminando de comer a maçã, toco sua mão e o abraço.
Apollo- Se vai dizer que vai sair, por mim tudo bem, só uma coisinha se chegar tarde eu te mato amanhã no treino.- Ameaça e cruzamos os olhos.
Ruby- Sim vou sair... Mas antes esta pensando no que?- Pergunto curiosa.
Respirando fundo responde:
Apollo- Na sua mãe, na Genna... Onde ela pode esta em pequena, será que voltou pra quele bordel?- As desconfianças que não existiam começam a existir e dou razão a Diana, Apollo sempre pedi pra que eu esqueça Genna, mas ele lembra diariamente dela, como se tivessem vivido algo. Gosto dela, mas sua falta de caráter e sua forma de viver me enojam.
Uma raiva cresce em mim.
Ruby- Não sei nada dela... E por favor Apollo não mencione o nome dessa mulher principalmente quando eu estiver por perto.- Digo ríspida e me Afasto dele. Cauteloso se aproxima de mim tocando minha bochecha.
Apollo- Desculpa pequena... Eu só... Bem você esta certa, vá, saia e se divirta por nós dois.- Sugere beijando minha testa. Balançando a cabeça afirmativamente saio e vou pra garagem, indo em direção a minha moto uma Harley Dyna Wide Glide 2010, minha belezinha sustentável a vejo jogada no canto um pouco suja porém bem cuidada, Apollo odeia a ideia de que eu esteja em cima de algo de apenas duas rodas, mas eu como boa menina não me importo com o que ele pensa. Pego as chaves que sempre deixo no bolso da jaqueta e subo na moto, passo as mãos por todo o seu contorno e a admiro, comprei ela com minha primeira grana, Apollo ficou irado por que gastei meu dinheiro comprando essa besteira, tentou de tudo pra que eu parasse com isso e a vendê-se, mas não adiantou depois de muita insistência consegui convencê-lo e ele acabou cedendo. Sorri lembrando de como Apollo me paparica. Coloco o capacete e deixo meus cabelos deslizarem pelas omoplatas, endireitando o corpo e posicionando as mãos no guidom ligo a moto e em fração de segundos estou passeando lentamente pela cidade de Chicago a cidade mais movimentada pra ser exata. Sentir-se livre. Longe de problemas. Uma de minhas aventuras ir a praia ou assistir a lutas. Após desfilar com minha preciosa Harley o pelo centro da cidade resolvo parar em um de meus pubs preferidos.
Estaciono a moto logo em frente onde é possível vislumbrar outras motos Harley enfileiradas e vários carros tunados de todos os tipos. Desligo a moto, tiro as chaves jogo as mesmas no bolso da calça e desço dela. Tiro meu capacete e o coloco no seu guidom. Balanço a cabeça e deixo meus cabelos soltos ficarem ondulados. Viro de frente pro local onde desejo ficar sozinha e o admiro antes de entrar. Me sinto em casa quando estou aqui. Ela trabalhava aqui como garçonete. Genna. Sempre que conseguia escapar de Apollo e seus treinos eu vinha visitá-la bem antes dela buscar salvação nos braços de qualquer um. O outdoor em frente iluminado com cores avermelhadas chama atenção de todos Miller's pub um dos bares mais bem frequentados daqui. Tem um estilo máfia que encanta a todos e sua arquitetura nos lembra um hotel. Com alguns móveis e aquela madeira antiga. Ambiente bem tradicional. Possui varias opções de cervejas. Bom local pra ir beber e jogar conversa fora, além de suas paredes serem detalhadas com imagens de jogadores de basquetebol. Sempre que venho aqui sinto como se pudesse ver em cada garçonete o rosto da Genna. Adentro pela porta que está aberta e sou admirada por vários olhares curiosos. Fecho a cara e bufo de tédio. Odeio quando me olham assim como se eu fosse um "extraterrestre".
Não sou tão diferente, sou?
Escondendo as mãos na jaqueta me aproximo da mesa de bebidas que se encontra super lotada. As pessoas conversam a toda hora. Faço gesto pro barman, mas ele está muito ocupado mexendo na droga do celular. Apollo sempre me pedi pra respirar fundo quando sinto esse desejo de matar. Ótimo pra mim. Respiro fundo e dou um soco forte na mesa fazendo algumas bebidas caírem e derramando alguns copos de cerveja. Muito obrigada Apollo parece que não funcionou. O som barulhento de música eletrônica é desligado na mesma hora. E por ironia do destino todos ao meu redor estão me olhando novamente.
Ruby, controle-se!
Fecho, abro os olhos e encaro o barman que deixou o celular cair de medo. Agora ele já não sabe se deve me atender ou sair correndo.
Ruby— Três Gim-tônica. Agora! —Grito sem querer e ele se apressa pegando os mesmos do freezer e os entregando nas minhas mãos.
Pego rapidamente de suas mãos e e vou pra última mesa que tá mais escura que noite de eclipse.
Me jogo na cadeira e a música volta a tocar. Alta como sempre querendo quebrar os tímpanos de todo mundo.
Não consigo entender por que insisto em vir aqui? Será que ainda espero que ela entre por aquela porta e chame por mim? Que venha sorrindo e me abrace?
Na boa a mãe que eu tenho nunca mais fará isso. Pode ter certeza.
— Olá gatinha... — Diz um homem de barba e cavanhaque segurando duas cervejas e sorrindo pra mim. Entorto a boca e sem dar atenção pra ele abro a primeira lata olhando a espuma sibilar a medida que eu a jogo goela a baixo.
—Hum... Não vai me dar atenção princesa? Estou aqui. Fala comigo... — Murmura sentando na outra cadeira a minha frente.
Amargo e gelado. Tão forte quanto posso suportar. Seu gosto fresco me deixa saber o quanto ainda estou viva. Suas gotas são refresco para meus pensamentos solitários.
Volto meu olhar pro homem a minha frente e penso: "Se eu o matar quem sentirá sua falta? Não, melhor não. Deixa pra próxima".
Irritado e percebendo que estou lhe dando um fora o homem segura forte meu pulso e me encara:
— Você tá pensando que é quem? Eu mandei falar comigo sua vagabunda. E se não falar você vai... —Rosna tocando bruscamente minha mão direita.
Ruby— Odeio ser estraga prazeres de alguém, mas posso abrir uma exceção pra você! — Falo segurando forte sua mão direita e a apertando. Aprendi essa arte de defesa com meu bom e velho treinador. O homem geme de dor, mas eu volto a apertar ainda mais.
— Não por favor... Não...
Ruby— Ah não? Mas você pediu tanto por isso que eu me sinto tentada a continuar .— Brinco estalando seus dedos de tanto apertar.
— Por... Favor... Eu tenho família.... —Implora quase chorando. Seu rosto está bem vermelho. Talvez eu não tenha apertado totalmente. Resolvo apertar ainda mais e lhe fazer algumas indagações.
Ruby— Hum... Familia é bom, sabia? Já que tocou no assunto me diga o que é familia pra você?
Ele engole em seco e procura as palavras pra se expressar.
— Hum.... Fa-familia é união, é você está ao lado de quem ama. Cuidar para que não se machuquem, deve os defender sempre que possível... Nunca deixá-los sozinhos.— Responde pensativo.
Ruby—Isso, totalmente maravilhoso... Mas já que a família é tudo isso. O que você faz aqui?— Pergunto bebericando novamente a bebida.
Em silêncio ele pisca várias vezes tentando processar o que eu havia lhe dito e já não se importa com a dor da mão e sim com minha pergunta. Fico confusa.
Solto sua mão e o observo. Ele permanece em silêncio e massageia a mão machucada. Em fração de segundos seu rosto se ilumina e ele sorri pra mim.
— Muito obrigado moça... Hoje eu briguei com minha esposa por besteira. Ciumes dela... Mas você me ajudou. Me fez ver o quanto minha familia deve ser amada, o quanto sou abençoado por ter três filhos lindos e uma esposa dedicada... Muito obrigado....
Diz beijando minha testa. Pego minha segunda lata e a jogo goela abaixo observando o homem sair de perto de mim e parar perto da porta. Antes que ele saia do local . Vira pra mim.
—... E moça, mil desculpas. —Grita sorridente. Sem saber o que fazer apenas meneio a garrafa na direção dele e ele sai o mais rápido que pode. Continuando minha bebida, fico pensativa. Se até aquele homem se redimiu e decidiu ir atrás da sua família. Por que Genna não faz o mesmo?
Meu bolso começa a vibrar. Pego meu celular e verifico a chamada de Kate. Ela não desiste.
Sorrindo deslizo o dedo na tela e a atendo:
Kate— Pensei que não iria atender Senhorita boxeadora. —Solta Sorrindo.
Reviro os olhos.
Ruby— E por quê eu faria isso?— Indago fingindo não saber.
Kate— Sabe muito bem mocinha, desde que começou a morar com o "Senhor chefão" . Você nunca mais me ligou e quando eu te ligo sempre inventa que tá ocupada.— Resmunga batendo em alguma coisa da qual o barulho quase me deixa surda.
Pego uma das latas da mesa e começo a empilhar uma por cima da outra. Até que todas caem e eu as empilho novamente.
Ruby— Hum... Em primeiro lugar ele não é "Senhor chefão" e sim Apollo, ele está fazendo um ótimo trabalho comigo. Me ajuda sempre que pode e você sabe disso Kate... E em segundo eu não invento nada. Eu realmente estava ocupadíssima esses dias...— Me defendo como posso, mesmo sabendo que ela não acredita.
Kate— Tá, tá conta outra dentinho... Mas eae tá fazendo o que?— Pergunta com desdém e posso ouvir um rock super alto ao fundo.
Ruby— Estudando ué.— Minto encolhendo os ombros.
Ela ri.
Kate— Ruby, sério. Não minta pra mim. — Rebate estalando a língua. Bufo.
Ruby— Não sua boba. Estou no Pub....— Ela me interrompe irritada.
Kate— Nem precisa dizer o nome já sei até qual é... Ruby você acha mesmo que ainda vai reencontrá-la?— Indaga se referindo a Genna. Fecho os olhos e massageio as têmporas.
Não é que eu ainda sinto falta da minha mãe é que esse maldito vazio sempre me persegue.
Ruby— Eu não acho nada tá? É só que... Eu gosto daqui Kate... E eu sei lá se ela ainda vai ser uma alcoólatra ou uma prostituta assumida de merda ou se vai voltar ... É só que...— Fico sem palavras. Meus olhos lacrimejam... Ótimo sinal, deve ser efeito do álcool.
Isso é o que você diz!— Responde meu subconsciente e******o.
Kate— Tudo bem amiga, você está certa. Eu é que nem deveria te fazer uma pergunta dessas, sou muito chata... Mas você hein. Vai encher a cara e nem convida os amigos.— Briga dando risada.
Ruby— Kate eu...
Kate— Nananinanão Ruby, vem agora aqui e por favor não me venha com "eu vou me ocupar amanhã" né, por favor esse papo já ta velho.
Gargalho.