Capítulo 20

1848 Palavras
Alina Vislumbrei-me no espelho do bar enquanto servia uma cerveja. Eu parecia exausta, meu cabelo liso, grandes bolsas sob meus olhos. Não fiquei surpresa — não foi fácil tentar dormir em um quarto ao lado do Nikolay, sabendo que ele poderia atravessar aquele linha a qualquer momento. Ele poderia me pressionar contra a cama, uma sombra enorme na noite escura, suas mãos me pressionando duramente contra o colchão, ele tirando minhas roupas, abrindo minhas pernas. Enfiando profundamente seu p*u duro em mim. — Ei, prima, p***a. Você está sonhando acordada ou o que? Xinguei e fechei a torneira. A cerveja tinha derramado na soleira e feito uma poça. — Desculpe — eu disse, limpando a lateral do copo e o entreguei. Donal apertou os olhos no meu e limpou a bagunça que fez a espuma comigo. — Eu senti que você não tem estado muito por aqui. Onde você esteve? Dei de ombros, olhei por cima do ombro dele para onde os outros primos estavam sentados em uma mesa, bebendo e fazendo bagunça. Vadim e Tully estavam lá, e Tully cuidadosamente fingiu que eu não existia. — Por aqui, trabalhando. Você não tem mais aparecido. Donal sorriu. — Consegui uma promoção. Tenho comandado uma pequena equipe. Eu levantei minhas sobrancelhas. — Bom para você. Eu sempre pensei que você estava destinado a limpar os banheiros pelo resto da vida. Donal riu. Ele tinha um belo sorriso, dentes retos, um rapaz irlandês bonito. Ele seria exatamente o tipo de cara com quem meu pai queria que eu me casasse. Só que eu não tinha nenhum interesse nele. — Tenho subido na vida. Você ficaria orgulhosa de mim, se estivesse por perto. Você deveria vir dar uma volta no quarteirão em breve, talvez depois que você sair hoje à noite? Dei de ombros sutilmente. — Sim, claro, talvez. — Isso não parece muito promissor. — Eu tenho apenas andado ocupada. — Misteriosa também. Vamos, Alina, qual é o seu problema? Desde que você se mudou daquele lugar, isso é como você não quisesse estar com a família nunca mais. Eu estou sendo ausente, distante até quando estava no bar. Como poderia eu explicar para ele que eu odiava a família, odiava meu pai, e odiava o que ele estava se tornando lá dentro? Donal estava bem agora, mas cedo ou tarde, ele se tornaria apenas mais um babaca Petrov, longe demais para voltar atrás. Eu não queria isso para mim, nem para ele, nem para nenhum dos meus primos mais novos. Mas não havia nada que eu pudesse fazer para salvá-lo. Nunca houve nada que eu pudesse fazer. Fui impotente a vida toda. — Não é isso... Eu estou apenas ocupada. Tentando me manter aqui. Ser barman não está exatamente me deixando rica. — É por isso que você tem que voltar para a família. Olha, eu sei que você e seu velho não se dão bem, mas ainda assim. Você é um achado. Muitos caras dizem isso. Eu sorri um pouco para ele. — Sério? — Sério. Especialmente o pequeno Tully. Sempre falando sobre o quão gostosa você é desde que tingiu as pontas do seu cabelo de vermelho. Ele gosta dessa merda rebelde. Eu ri e olhei para Tully. Ele olhou de volta para mim, corou um pouco e rapidamente desviou o olhar como se soubesse do que estávamos falando. Mas não foi isso. Não, ele corou porque sabia que eu arrancava dele informações que eu não tinha o direito de saber. Minha risada e meu sorriso desapareceram lentamente. Eu nunca mais estaria na família. Nunca seria normal, nunca. Mesmo que ser normal fosse confortável. — Bem, gatinha, pense sobre isso com carinho, ok? — Vou fazer isso. Donal me lançou outro sorriso encantador e então saiu para se juntar aos outros. Virei as costas para eles e me ocupei em arrumar as garrafas e limpar os copos. Se eu observasse aqueles caras muito de perto, eu teria um vislumbre de como minha vida poderia ter sido se Aiden nunca tivesse sido sequestrado, ou se meu pai não fosse um monstro tão abusivo. Eu poderia viver como aquelas garotas que ficam penduradas em volta deles. Mas, em vez disso, eu era uma estranha impotente. A porta se abriu e alguém sentou-se no bar onde Donal estava há um minuto antes. Virei-me para ele, forçando-me a ser ligeiramente amigável. Mas minha gentileza rapidamente desapareceu. Renzo sorriu para mim. — Oi! O que diabos você está fazendo aqui? — perguntei, olhando ao redor em pânico. Os únicos caras do Petrov eram os primos mais novos na mesa, e eu duvidava que algum deles soubesse quem era Renzo. Mas isso era perigoso. Realmente e******o e perigoso. Minhas mãos tremiam e o suor voltava a escorrer pelas palmas. — Pensei em passar aqui e conversar um pouco. Senti sua falta ultimamente. Aiden mandou lembranças. Soltei um suspiro sibilante e me inclinei em direção a ele. — Você não pode entrar aqui com a minha família presente. — f**a-se sua família — ele disse, olhando para mim. — Não se esqueça para quem você realmente trabalha. — O que você quer? Ele sorriu novamente e examinou a garrafa atrás de mim. — Tem alguma coisa boa? Uísque, algo envelhecido e caro. E não se preocupe, eu dou boas gorjetas. Eu olhei fixamente para ele. — Você não vai beber aqui. Ele suspirou dramaticamente. — Como quiser. Eu sou mais legal quando estou bebendo, mas tudo bem. Ele levantou as sobrancelhas. — Ei, eu queria te mostrar uma coisa. Deus, quase me esqueci. Ele enfiou a mão no bolso e tirou o telefone. Ele deu um toque, deslizou algumas vezes e então o levantou. Era uma foto de Aiden, amarrado em uma cadeira. Ele foi espancado até sangrar. Seus olhos estavam machucados e inchados, fechados, e seus lábios estavam rachados. Sangue estava espalhado no chão ao redor dele, salpicado no concreto como chuva. Cobri minha boca para não gritar. Renzo casualmente guardou o telefone. Ele me observou cuidadosamente, como se estivesse saboreando minha reação. Abaixei minhas mãos e as fechei em punhos, apertando-as. — Se você continuar machucando-o assim, ele não vai durar muito tempo. Então o que o que você vai fazer, seu babaca? Renzo sorriu. — Encontrar outra pessoa para torturar e chantagear, eu acho. — Por que você está fazendo isso? — Porque você precisa de motivação. Meu Don quer saber quantos homens a família Petrov está enviando, e cabe a você fornecer essa informação. — Eu não pude ter essa informação para você — Eu disse desesperadamente, tentando me lembrar do rosto mutilado de Aiden da minha mente. Deus, pobre Aiden. Sendo espancado e sangrando por toda a sua vida. E eu ainda estava tão impotente para ajudá-lo. — Você terá que tentar, senão eu apareço com mais fotos. E partes do corpo. Não se esqueça das partes do corpo. Renzo riu e deu um tapa no bar. — Descubra quantos homens estarão nisso. Ele se levantou e esticou o pescoço. — Foi adorável ver você de novo. Ele saiu andando e foi embora sem dizer uma palavra. Eu vi um olhar de Donal, uma cabeça inclinada e uma carranca, mas eu simplesmente o ignorei e me virei. Eu estava tremendo. Aiden, espancado e machucado. E aquele bastardo do Renzo ainda me usando. O bar de repente pareceu pequeno e sufocante. Eu conseguia respirar, mas não conseguia ar. O lugar estava se fechando em minha volta, como um armário abarrotado de roupas velhas. Couro sobre a carne nua. Eu empurrei para uma das portas me apressei a voltar ao corredor. Eu sai para o beco — E Nikolay estava lá — Renzo — eu sussurrei. Nikolay me agarrou pela cintura e me puxou para perto dele. Ele me segurou firme enquanto lágrimas fluíam. Eu chorei em sua camisa, sem me importar com a bagunça que eu estava fazendo. Eu não conseguia segurar, não conseguia mais reprimir. Eu falhei com Aiden tantas vezes e iria falhar novamente. Eu me odiava por isso. Odiava ter deixado Renzo me controlar e odiava ser tão impotente para fazer tudo parar. Aiden não merecia nada disso. Nada disso deveria estar acontecendo, Era eu que deveria ter sido trancada no porão. Deveria ser eu amarrada naquela cadeira. Deveria ter sido eu naquele quarto e meu pai vir todas as noite para me bater. Minhas costas machucadas, rasgadas e ensanguentadas. Isso nunca aconteceu, nunca fui eu, porque eu sou uma covarde. Eu lentamente me acalmei nos abraços de Nikolay. Ele me fez sentir protegida, pelo menos, mesmo que essa proteção fosse apenas uma ilusão, e apenas enquanto ele estivesse por perto. Mas ele não poderia estar em todos os lugares todo tempo. — O que ele queria? — ele perguntou, afastando meu cabelo e enxugando meus olhos. — Mostrou-me fotos de Aiden. Quer saber quantos homens estarão no embarque. Ele deixa sair um suspiro. — E seu irmão está bem? — Espancado, mas acho que ele está vivo. — Isso é bom então. Contusões podem se curar. Mas você não pode voltar a viver quando você está morto. — O que vamos fazer? Como vou continuar quando sei que estão machucando ele? A raiva e a tristeza ficaram presas na minha garganta e me forcei a engolir. — Venha comigo , vamos sair daqui. — Meu turno... — f**a-se seu turno. Você pode dizer ao seu chefe que você se sentiu m*l ou algo assim. Venha, vamos voltar para casa. Pisquei para ele, vendo seu rosto através das minhas lágrimas. Ele se abaixou e beijou minha bochecha suavemente. — Estou com medo por ele, Nikolay. Estou com muito medo. — Eu prometo que vou trazê-lo de volta. Se eu tiver que destruir esta cidade em pedaços, eu farei isso acontecer. Você confia em mim? E por alguma estranha razão, eu confiava. Eu o vi matar duas vezes por mim. Eu o vi espancar um homem até a morte com um taco de beisebol e atirar em um gigante no crânio. Ele rasgou sua vida em pedaços por mim, e agora eu tinha que confiar nele, mesmo tendo crescido sem confiar em ninguém. Nikolay era minha chance. Ele era o único caminho. Fiquei na ponta dos pés e o beijei com uma profundidade que me surpreendeu. Sua língua pressionou minha boca com fome, como um ataque. Mordi seu lábio e deixei suas mãos se moverem pelo meu corpo. Deixei que ele segurasse minha b***a e me apertasse com força contra ele. Eu senti o seu p*u endurecer contra mim e eu deixei sair um suspiro suave. Seu beijo foi terno e profundo, como se ele quisesse me rasgar e beber minhas entranhas - e havia uma parte louca e sombria de mim que queria exatamente isso. Ele poderia arrancar minha dor fora. Ele poderia me fazer me sentir alguém melhor. Tudo o que eu tinha que fazer era pedir. Eu mordi seus lábios firmemente, então olhei fixamente nos olhos dele. — Termine isso em casa. Ele não disse nada. Apenas agarrou meu pulso e me arrastou com ele.
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