O Café do Luar fervilhava naquela tarde. As mesas estavam cheias, os baristas trabalhavam sem parar e o aroma de grãos recém-torrados preenchia o ar. No meio do movimento, Ana caminhava entre os clientes, sorrindo, cumprimentando, ajustando detalhes. Era a imagem perfeita da empresária realizada. Até que a porta de vidro se abriu. Miguel entrou. O terno azul escuro contrastava com o ambiente casual, e a presença dele fez algumas cabeças virarem discretamente. Ele não parecia um cliente comum — parecia alguém que carregava um peso. E seus olhos estavam fixos apenas nela. Ana congelou por um segundo, mas logo recobrou a postura. Endireitou o corpo e se aproximou, o sorriso educado no rosto. — O senhor deseja uma mesa? — perguntou, formal, como se ele fosse apenas mais um cliente. Migue

