O relógio marcava sete da noite quando Ana subiu no elevador para a cobertura. O coração batia descompassado, mas o rosto mantinha-se sereno. Ao chegar, Miguel já a aguardava, parado diante das janelas de vidro que exibiam a cidade acesa. — Obrigado por vir. — disse ele, a voz baixa, quase um sussurro. Ana respirou fundo e assentiu. — Você queria a verdade. Pois é isso que vai ouvir. Ele indicou o sofá. Sentaram-se frente a frente, a tensão preenchendo cada centímetro do ambiente. — Cinco anos atrás — começou Ana, olhando fixamente para ele — eu descobri que estava grávida. Foi no mesmo período em que você começou a se afastar, pressionado por sua mãe e pela família Azevedo. Eu estava perdida, mas determinada a te contar. Queria que soubesse, que assumíssemos juntos. Miguel engoliu e

