O sol já havia se posto quando Ana voltou à cobertura. O coração batia acelerado, mas sua expressão era serena. A noite anterior fora dela, a verdade dela. Hoje, seria a vez de Miguel. Ele a recebeu de camisa simples, sem gravata, diferente da imagem pública impecável que todos conheciam. Havia algo mais humano nele, mais vulnerável. — Obrigado por voltar. — disse, abrindo espaço para que ela entrasse. Ana pousou a bolsa sobre a mesa de centro e cruzou os braços. — Estou aqui porque quero ouvir. Mas quero ouvir tudo, Miguel. Sem cortes, sem versões convenientes. Ele assentiu, como quem já estava decidido. — Vai ouvir. Caminhou até a janela, respirando fundo, antes de começar. — Você sabe que minha mãe nunca me deu escolhas. Desde cedo, meu destino foi escrito em contratos. O casame

