A manhã começou como qualquer outra na cafeteria. O cheiro de café recém-moído, o som das xícaras se tocando e a campainha da porta marcando a entrada dos primeiros clientes. Ana tentava manter o foco no trabalho, mas a sensação de estar sendo observada não saía de sua mente. Desde que o nome dela começara a circular na mídia, cada cliente novo parecia um curioso disfarçado. Perto do meio-dia, o gerente, Sr. Renato, entrou pela porta com expressão séria. Ele raramente aparecia durante o expediente, preferindo ficar no escritório administrativo a alguns quarteirões dali. Ao vê-lo, Ana sorriu educadamente, mas o sorriso não foi retribuído. — Ana, pode vir comigo um minuto? — disse, a voz baixa e seca. Ela o seguiu até o pequeno escritório nos fundos. Quando a porta se fechou, o silêncio

