Ana passou a noite em claro. Por cinco anos, guardara o segredo de Gabriel como um escudo, mas a culpa pesava. Ele tinha o direito de saber quem era o pai — e Miguel tinha o direito de conhecer o filho. Depois de muito hesitar, decidiu: viajaria até São Paulo e o procuraria pessoalmente. De manhã, deixou Gabriel com dona Joana, pegou um voo e, poucas horas depois, estava diante do prédio corporativo da Castro Holdings. O coração batia tão forte que parecia ecoar no peito. — É agora… — murmurou, segurando a bolsa com força. Ao atravessar a calçada, avistou Miguel saindo pela porta giratória. Ele usava um terno azul-marinho impecável, o mesmo ar sério de sempre, mas com um toque de cansaço no rosto. Por um instante, tudo ao redor sumiu. Ana sentiu como se os cinco anos se dissolvess

