Os aplausos ainda ecoavam quando Ana deixou o palco. Os fotógrafos se acotovelavam, jornalistas esticavam microfones, e assessores da organização tentavam abrir espaço para a nova estrela da noite. — Por favor, um minuto para fotos! — gritava um dos organizadores, quase sendo atropelado pela multidão. Ana manteve o sorriso sereno, posando de forma natural, a estatueta firme em suas mãos. Seus olhos brilhavam sob os refletores, mas por dentro ela já estava distante. A noite tinha cumprido seu propósito: mostrar que não tinha mais medo. Miguel, do outro lado do palco, tentava abrir caminho. — Preciso falar com ela — dizia aos seguranças, que o bloqueavam com a mesma neutralidade com que impediam repórteres inconvenientes. — Senhor Castro, só convidados autorizados nos bastidores — expli

