Capítulo 12 — O Segredo

420 Palavras
Ana estava sentada no sofá pequeno de seu apartamento, abraçando uma almofada como se fosse um escudo. As cortinas fechadas deixavam o ambiente em meia-luz, protegendo-a do mundo lá fora. No fundo, o som distante do trânsito era um lembrete incômodo de que a vida continuava… mesmo quando a dela parecia suspensa. Bateram à porta. O coração dela disparou. Sabia quem era. — Ana… — a voz de Miguel soou do outro lado, grave, carregada de preocupação. — Abre. Por favor. Ela respirou fundo antes de girar a maçaneta. Quando a porta se abriu, Miguel entrou sem pedir licença, os olhos varrendo o rosto dela como se quisesse ter certeza de que estava inteira. — Eu soube da demissão — ele começou. — E também soube quem foi responsável. Ana desviou o olhar. — Não precisava vir. — Precisava sim — ele insistiu, aproximando-se. — Não quero que você enfrente isso sozinha. Ele tocou de leve a mão dela, e foi nesse instante que Ana sentiu o peso do segredo arder no peito. Desde que confirmara o resultado do exame dois dias antes, o medo vinha crescendo como uma sombra. Medo de Helena. Medo de que Miguel fosse forçado a escolher entre ela e o filho que carregava. — Miguel… — ela começou, mas a voz falhou. — As coisas estão ficando perigosas. — Perigosas pra quem mexe com você — ele corrigiu, firme. — Não pra nós. Ana mordeu o lábio, segurando as palavras que queria dizer. Queria contar. Queria sentir o alívio de dividir o peso. Mas só conseguia imaginar Helena descobrindo e usando a gravidez como arma para destruí-la. — Talvez seja melhor a gente… se afastar por um tempo — ela disse, forçando a voz a soar firme. O choque nos olhos dele foi imediato. — Você não pode estar falando sério. — Estou tentando proteger nós dois — mentiu, mesmo sabendo que a verdade era outra: estava tentando proteger o bebê. Miguel segurou o rosto dela com as duas mãos. — Eu não vou a lugar nenhum. Não importa o que minha mãe faça. Ela apenas assentiu, sem confiar na própria voz. Sabia que ele estava falando sério… mas também sabia que a guerra estava longe de acabar. E que seu segredo, mais cedo ou mais tarde, mudaria tudo. Quando ele a abraçou, Ana fechou os olhos, deixando que o calor dele apagasse por um instante o medo que carregava. Mas lá no fundo, sentia: o tempo para manter aquilo escondido estava correndo rápido demais.
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