A sala do apartamento de Payne não era algo extremamente luxuoso e de bom gosto, mas demonstrava claramente que era território de um homem solteiro. Zayn Malik, que não era de perder absolutamente nenhum detalhe, percebeu na hora. Ele respirou fundo ao ver Liam voltar da cozinha com duas xícaras de chá de limão com leite — pois ele simplesmente não tinha café em casa, só comprava quando estava na rua. Zayn não quis beber nada com álcool, Payne limitou-se a oferecer o que tinha e, por sorte, era a bebida preferida de Malik.
Os dois estavam sentados frente a frente. Zayn no amplo sofá de três lugares e Liam, obviamente mais a vontade, sentou-se na poltrona, deixando as duas canecas de chá em cima da mesa de centro. Não queria aparecer ameaçador e nem fazer Zayn sentir-se inconveniente naquele momento, mas a curiosidade — e até mesmo receio — do que ele estava fazendo ali, quase falavam mais alto.
— Zayn. — Liam começou já que o outro parecia concentrado olhando para o tapete. Ao ouvir seu nome, levantou os olhos para encarar Liam e pigarreou um pouco sem graça. — O que quer comigo? — A pergunta era literal, pois Payne já tinha entendido que o outro não queria nada com ele, não via motivos para vê-lo em sua sala em plena madrugada.
— Eu consigo ver, Liam. — Zayn disse um pouco inseguro, mas Payne não o interrompeu. — Antes você me perguntou se eu conseguia ver a sua verdade, e eu consigo…
Liam imediatamente levantou-se de onde estava e sentou-se ao lado de Zayn. Sentiu naquele momento que o outro queria apenas desabafar, colocar os seus demônios pra fora, como se fosse fazer uma autoanálise tão necessária naquele momento. Liam, que geralmente não tinha a característica de ser um bom ouvinte, apenas olhou para o outro sem dizer nada, demonstrou que estava ali para ouvir e não para convencer.
— O problema sou eu. — Malik continuou um pouco triste. — Eu tive dois relacionamentos sérios. Nos dois, mentiram pra, mim, eu fui traído muitas vezes e só descobri depois de muito tempo… Ouvi promessas de amor eterno que nunca se cumpriram… — Ele respirou fundo e achou que tudo que estava dizendo só serviria para fazer Liam querer se afastar dele, do homem complexo que era. — Eu então deixei de acreditar nas pessoas, nunca tenho mais do que uma noite de sexo, não permito me envolver… Eu tenho medo, Liam. Acho que as pessoas vão me machucar e quem vai acabar com o coração partido sou eu… Sou sempre eu… — A voz de Zayn transformava-se num sussurro aos poucos e ele novamente baixou os olhos
— Ouça… — Liam levantou o rosto de Zayn pelo queixo e olhou nos olhos dele aproximando-se um pouco mais. — Eu não sou esses caras do seu passado, Zayn.
— Eu sei, não é isso que quero dizer, é que…
— Não é sua culpa. — Liam o interrompeu ao ver que ele estava pronto para começar a chorar. — Você não mereceu nada daquilo, não tem a ver com você, tem a ver com eles… — Payne dizia aquilo como se soubesse que, sim, ele também foi aquele cara que partiu o coração de alguém em algum momento de sua vida. Ou vários. — Essas pessoas não são do tipo que realmente entendem o motivo que faz os outros se entregarem e entrarem de cabeça num sentimento. São poucos os privilegiados que conseguem se doar assim… E você é um deles, Zayn.
— Eu só acho que eu sou muito complicado pra você. — Zayn foi honesto, deixando uma lágrima escorrer. — Eu vou acabar te frustrando cedo ou tarde…
— Pare de antecipar as coisas. — Liam pediu com calma, limpando a lágrima do rosto do outro. — Não ache que você é o único a ter problemas aqui. Eu não sou perfeito, Zayn… Passo longe disso.
— Então o que a Alice disse é verdade? — Malik comentou com medo da resposta, mas Payne não iria mentir.
— É a verdade dela. — Liam deu de ombros. — Ela me coloca nessa posição de imprestável e cafajeste, mas eu nunca prometi a ela coisa alguma… Ela criou ilusões sozinha e, quer saber? Metade das pessoas que se ilude com relacionamento, se ilude sozinha. É claro que existem homens e mulheres que farão qualquer coisa para conseguirem o que querem, mas também existem aqueles que, como eu, não dizem nada, apenas agem pensando no presente e quase sempre acabam como vilões.
— Você está certo. — Zayn sorriu de canto, até um pouco surpreso de ver a forma de pensar do outro, era mais honesto do que ele pensava.
— Eu não vou te fazer promessas, Malik. — Liam acariciou os cabelos do outro falando baixo, sentindo seu corpo cansado pela primeira vez naquele dia. Parecia mais relaxado e, olhar para Zayn naquela penumbra, naquele ambiente que tinha cheiro de chá de limão, era como se o remetesse a um lugar confortável e seguro. — Não vou ficar aqui dizendo que não vou te fazer sofrer e te amar pra sempre…
— Ah não? — Zayn sorriu aberto, surpreso em ouvir aquelas coisas. O toque da mão do outro sobre seu rosto e cabelos, aqueciam seu corpo.
— Não posso te prometer essas coisas, Zayn. Seria irresponsável. — Liam continuou e Malik agora olhava pra ele um tanto curioso. — Não se promete “sentir” coisas, a gente não sabe o que pode acontecer amanhã… — Liam deu de ombros, como se tudo aquilo fosse bastante óbvio pra ele. — Não vou prometer que você sempre será feliz ao meu lado… Mas posso prometer que vou tentar o máximo que puder para que os momentos que passar comigo sejam mais bons do que ruins… — Ele sorriu e viu Zayn voltar a se emocionar com aquilo. — Não posso prometer que serei perfeito… Mas posso prometer ser honesto. Não vou prometer que não me verá de mau humor ou irritado por causa de trabalho… Mas posso prometer tentar não descontar em você…
— Liam… — Zayn não sabia nem o que dizer ao ouvir aquelas coisas. Seu coração estava tão acelerado, era totalmente diferente de tudo que ele já tinha vivido.
— Eu não sou um homem de muitas virtudes, Zayn. — Liam disse, ajeitando-se no sofá, até um pouco envergonhado de dizer certas coisas. — Acho que tenho mais vícios… E não foram raras as vezes que meu melhor amigo me deixou em casa porque eu não tinha a menor condição de dirigi. — Ele respirou fundo e Zayn prestava a máxima atenção, um pouco surpreso de saber daquelas coisas. — E aquele dia que estava na boate com você… Eu não senti falta de encher a cara para me divertir… Dançamos, rimos… Vi um mundo completamente diferente, pessoas e hábitos que eu não sabia que existiam… — Liam continuou e um sorriso ia se abrindo aos poucos. — Eu não senti nenhuma necessidade além de estar 100% consciente do que eu estava fazendo, porque você estava comigo, fazendo valer a pena…
— Eu nem sei o que dizer… — Zayn estava confuso, mas ao mesmo tempo feliz de ouvir aquilo.
— Me diga que me dará uma chance! — Payne pediu com toda sinceridade em sua voz, apenas torcendo para Zayn visse o quanto ele se importava. — Diga que acredita que no que estou dizendo, que mereço ficar ao seu lado…
— É claro que você merece… — Malik abriu um leve sorriso entre as lágrimas que lavavam suas bochechas e morriam em seus lábios.
— Não chore, por favor! — Payne sentia seu peito doer ao ver aquilo. — Quando estiver comigo, só quero te ver sorrir, te ver completo… Quero que olhe pra mim e não apenas me veja verdadeiramente, mas que consiga ver a si mesmo nos meus olhos, porque você é o único que eu consigo pensar!
Sem saber o que dizer e como agir, Zayn simplesmente beijou Liam de uma maneira que nunca tinha beijado ninguém antes. Suas bocas encaixavam perfeitamente e ele conseguia sentir aquela avalanche de emoções o invadindo, ele teve a certeza de que encontrar Liam foi a razão pela qual seus relacionamentos nunca deram certo antes: ele ainda não tinha encontrado a pessoa certa. Agora sabia, tinha certeza, nos braços fortes de Payne, entregue àquela boca tão quente, Zayn tinha certeza que estava exatamente onde deveria.
Ele levantou-se de onde estava sem desgrudar seus lábios de Liam e sentou-se confortavelmente no colo dele. Payne usava todos os seus sentidos para experimentar cada parte daquele homem, que não era mais uma curiosidade, que não era mais um momento físico, era uma conexão de almas. Ele queria viver aquele homem, queria simplesmente fundir seu corpo com o dele, como se fossem apenas um.
Liam nunca tinha entendido a maioria das músicas de amor, as poesias que falavam em transcender sua existência em nome de algo mais forte e mais poderoso do que poderia caber em seu peito e, numa fração de segundo, tudo fez sentido. Enquanto ele tirava a camisa de Zayn, tocando sua pele quente, sentindo aquela textura como se fosse a primeira vez que tinha contato real com um ser humano, ele esqueceu de si, aquilo tudo não era sobre ele. Era sobre fazer alguém feliz, sobre colocar a mais abissal vontade de uma pessoa muito, muito acima da sua.
Ele segurou Zayn firme pelas coxas e levantou-se, segurando-o em seu colo, sentindo os beijos dele por seu pescoço, seu rosto, sua respiração estava mais forte. O caminho até o quarto foi sem pressa, embora Liam só conseguisse pensar em dar aquele homem todo o prazer do mundo. Deitou-o com cuidado na cama e apenas olhou pra ele, nos olhos, nenhum outro lugar era mais importante do que aquele pra ele. Despiu-se devagar, sabendo que teria todo o tempo do mundo para aproveitar todos os segundos ao lado de Zayn, daquela nova sensação que ele experimentava.
Após tirar toda roupa, ele deitou-se ao lado de Malik e, ainda sem tirar seus olhos dos dele, passou a tirar a roupa dele também. Zayn não sabia mais nem quem era, parecia que outra pessoa estava nascendo naquele momento. Ainda sem conseguir conter as lágrimas, voltou a beijar Liam, apenas porque queria voltar a ficar em seus braços, sentia-se seguro ali, amado e desejado mais do que qualquer coisa antes em sua vida.
Os dois estavam abraçados, com as pernas entrelaçadas, nus em cima da cama, apenas trocando beijos e olhares. Estavam excitados de uma maneira diferente, como se quisessem fazer aquilo de maneira instintiva, mas diferente. Liam parecia pedir permissão com o olhar a cada momento, sentia que Zayn estava tão vulnerável e entregue, que a única coisa que ele parecia preocupar-se, era em dar prazer a ele e fazê-lo sentir-se protegido. Malik, que já achava que estava no céu, em uma nuvem prestes a fazer amor com alguém que nunca pensou que teria tamanha i********e.
— Você é lindo… — Liam disse baixinho, chegando perto do rosto dele. — E não há nada mais do que eu queria nesse momento do que te fazer gozar, te levar para outro estado de espírito… Amar você desse jeito, olhando nos seus olhos e fazendo você perceber que nada no mundo será capaz de te machucar. — Ele concluiu e apenas via Zayn sorrindo entre as lágrimas, que agora não eram mais de tristeza.
Payne molhou dois de seus dedos e colocou entre as nádegas de Zayn, provocando-o, preparando-o com cuidado para recebê-lo. O moreno bonito gemeu ao sentir Liam entrar nele com cuidado, devagar, movendo-se como se experimentasse uma coisa nova, observando cada reação ao que fazia. Às vezes colocava-se mais profundamente, as vezes mais lentamente. Com a boca, procurou o m****o completamente enrijecido de Malik e o chupou tão lentamente que Zayn achou que aquela sensação nunca mais iria embora.
Malik gemia baixinho, segurando os cabelos de Liam e apenas querendo acreditar que aquilo não era um sonho. Ele abriu os olhos lentamente, ainda com receio de que aquilo tudo fosse apenas fruto de sua imaginação, mas não, olhou e viu Liam olhando pra ele de volta e, em seguida, levando seus lábios de encontro aos dele, colocando-se perfeitamente entre suas pernas.
— Eu não estou mais com medo. — Zayn disse quando Liam tocou seu rosto sorrindo, secando suas lágrimas.
— Isso é tudo que eu precisava ouvir de você. — Ele respondeu e, devagar, colocou seu m****o dentro do outro com cuidado, realmente não querendo machucá-lo. Viu Zayn morder o lábio inferior e nada no mundo para Liam poderia ser mais incrível do que aquela cena.
Ele movimentava-se devagar, apenas querendo prolongar aquele momento o máximo que conseguia. Malik era tão apertado pra ele, aquela sensação era única e não era apenas física. Todo seu coração estava envolvido naquele momento e, tudo que ele consegua fazer ao ouvir Zayn gemendo de prazer daquele jeito, foi abraçá-lo beijando seu rosto e sentindo seu cheiro.
— Liam, você é maravilhoso… — Zayn dizia perto do ouvido do outro, sentindo-se completamente envolvido naqueles braços, ouvindo Payne ofegante com a cabeça enterrada em seu pescoço.
— Você merece a melhor parte de mim… — Payne respondeu num sussurro concentrado, entrando e saindo de Zayn, tão dentro dele que ambos pareciam apenas um. — E você sempre vai ter os melhores orgasmos comigo… — Ele continuava ouvindo Zayn gemendo com mais urgência, respirando com dificuldade. Podia sentir que o masturbava esfregando sua barriga contra o m****o dele. — Quero você gozando comigo e só pra mim… Sempre nos meus braços… Na minha boca… Nos meus beijos… — Ele percebia que Zayn iria gozar a qualquer momento, mas estava segurando o máximo que podia. Não queria que aquilo terminasse nuca. — Assim como sei que você é o único capaz de me levar ao máximo do meu prazer… — Payne sentia-se fora de si por um momento. Fechou os olhos apenas concentrando-se no que ouvia, no que sentia por todos os poros de seu corpo e no cheiro de homem que invadia seu quarto.
— Liam, eu vou… — Zayn não conseguiu terminar a frase, mas Liam sabia o que aquilo significava.
— Goza pra mim… — Liam sussurrou no ouvido dele, mordendo de leve sua orelha. — Goza comigo...
Os dois não estavam apenas sozinhos no quarto, estavam sozinhos no mundo. Num mundo apenas dele. Zayn gemeu alto o nome do outro quando gozou de uma forma tão intensa que seus músculos todos pareceram contraírem-se num orgasmo tão intenso, que ele sentiu-se tonto. Liam continuava seus movimentos mais rapidamente, agora sentia o corpo de Malik completamente relaxado e não teve dificuldades para derramar-se dentro dele como se até sua última gota de energia também deixasse seu corpo.
Os dois apenas respiravam em busca de ar para os pulmões, estavam absolutamente encharcados de suor e seus corpos quentes.
— Acho que eu te amo. — Zayn disse baixinho, acariciando os cabelos de Liam, percebendo a raiz molhada.
— Acha? — Liam riu do jeito do outro, sabendo que ele tinha medo de estar se precipitando ao dizer aquilo, mas não conseguia pensar em nada além de amor para transparecer o que sentia. Zayn apenas concordou com a cabeça com um sorriso engraçado. — Porque eu tenho certeza.
— Liam… — Malik ficou sem graça ao ouvir aquilo de um jeito tão seguro.
— Vem… — Liam disse sorrindo, levantando-se da cama e puxando Zayn com uma das mãos. — Vamos te dar um banho. — Ele comentou colocando um Malik sorridente, claramente nas nuvens, em frente a ele e o abraçando pelas costas. Ambos andaram juntos até o banheiro da suíte do quarto.
Sem dúvidas, sem porquês, sem hesitações, sem medos. Zayn Malik era um homem completamente renovado, assim como Liam, que sabia que a melhor coisa que fez durante aqueles anos todos, foi guardar-se para aquele momento especial que tinha acabado de acontecer.
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— Preciso de você. — Niall entrou na sala de Louis um pouco apressado e sem bater.
— Claro. — Louis, um pouco assustado, parou o que estava fazendo. Já passava das nove horas da manhã. — Aconteceu alguma coisa?
— Liam e Zayn não vem hoje. — Niall disse estranhando a coincidência, mas Louis não parecia lá muito surpreso. Sorriu de forma quase imperceptível. — Preciso que fique até mais tarde, Tomlinson.
— Sem problemas. — Louis respondeu sereno. No fundo, sabia que estava quebrando um galho para o amigo.
— Obrigado, sério. — Niall disse e, com a mesma pressa que entrou na sala, saiu batendo a porta atrás de si.
Não estava exatamente nos planos de Louis ficar naquele escritório até mais tarde, mas não via muita alternativa. Queria sair de lá e ficar com Harry, fazer uma surpresa pra ele, passear, jantar, t*****r no carro… Tomlinson respirou fundo e m*l conseguia conter o quanto estava apaixonado. Estava ficando cada vez mais difícil disfarçar e, principalmente, continuar naquele casamento. Pra ele, era um sofrimento ter que dormir ao lado de uma mulher que admirava tanto sem conseguir ser honesto. E, outra parte de si, só conseguia pensar que tinha certeza que queria passar o resto da vida ao lado de Styles.
Ele pegou o celular jogando-se em sua poltrona atrás da mesa. Estava lotado de coisas pra fazer e, aparentemente, iria trabalhar em dobro ainda, mas não conseguia resistir e começou a mandar mensagens para Harry.
Louis: Ei… Estou pensando em você, sabia?
Ele sorriu olhando a tela por alguns segundos, sabendo que a resposta viria em seguida. Logo pequenas reticências de alguém escrevendo apareciam num balão logo abaixo de sua mensagem.
Harry: Oi meu amor! Também estou, estou com saudades!
Louis: Eu queria tanto te ver hoje! Não consigo parar de pensar na nossa noite de ontem.
Harry: É, eu sei… Foi incrível. A cada dia que passa, você me deixa mais feliz…
Louis: Eu preciso te beijar, sinto falta da sua boca na minha…
Harry: Louis, você deveria estar trabalhando! :D
Louis: Mas eu estou… ;)
Harry: Concentre-se, ok? No final de semana podemos vir aqui em casa se você puder, é claro…
Louis: Quero… Eu tenho uma viagem de trabalho semana que vem, recebi um e-mail do meu chefe agora há pouco. Quero que venha comigo.
Harry: Não há nada que eu queira mais do que passar mais tempo com você… Mas Eu não posso sair de Londres agora.
Louis: Hazza, por favor… Vamos fugir dessa cidade um pouco, fingir que os problemas não existem e que somos apenas eu e você.
Harry: Eu sei que estou apenas lendo você me chamar de “Hazza”, mas consigo imaginar sua voz…
Louis: Não mude de assunto! :D
Harry: Eu te amo hahaha…
Louis: Venha me ver hoje então...
Harry: Hoje? Onde?
Louis: Aqui na agência… Vou ficar até tarde, mas posso salvar algumas horas pra te dar uns beijos…
Harry: Vou pensar… ;)
Louis: Se não vier, eu vou bater na sua casa de madrugada!
Harry: Tudo bem, tudo bem… Mais tarde estarei aí!
Louis: Bom garoto! :P
Harry: Como é que é?
Louis: Eu te amo, foi isso que eu quis dizer!
Harry: i****a! Hahaha… <3
Tomlinson guardou o celular e nem sabia, mas estava com um sorriso maior do que poderia caber em seu rosto. Quem o via, nem imaginava que ele estava cheio de trabalho, tendo que fazer hora extra e com a cabeça completamente cheia de assuntos pessoais pendentes. Mas nada, nada daquilo fazia a menor diferença pra ele. Tudo que ele podia pensar era em Harry, em seus cabelos, seu cheiro, sua boca tão deliciosa e seu abraço, transformado em um refúgio, um santuário para Louis. Ele não queria fingir que seus impasses familiares não eram importantes, mas estava adiando aquilo mais do que deveria. No fundo, ele sabia, mas aquela sensação de ter Harry sorrindo pra ele, com aquelas covinhas e seu corpo tatuado, era grandioso demais para ofuscar as reais dificuldades que aquilo representava.
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Eleanor chegou em casa por volta das oito horas da noite. Estava ligeiramente triste, abatida, mas não queria reforçar aquele sentimento — tinha medo de passar aquela negatividade para o bebê que crescia a cada dia em seu ventre. Teve seu primeiro ultrassom aquele dia e, por mais feliz que estivesse de saber que seu filho estava bem, estava desanimada por saber que Louis não havia estado com ela naquele momento tão importante. Recebeu uma mensagem do marido dizendo que ele precisava ficar até tarde na agência, pois Liam e Zayn não tinham aparecido aquele dia.
Ela tomou um banho e foi para a cozinha fazer um chá, pensou que poderia ler um pouco antes de dormir, mas sabia que não conseguiria nada muito além de uma ou duas páginas: depois que engravidou, sentia que seu sono era eterno.
Andando pelo corredor em direção ao quarto, ouviu a porta da sala se abrir revelando um Louis Tomlinson cansado, mas num bom humor notório.
— Oi! — Louis disse deixando a pasta de qualquer jeito o sofá, tirando o terno e jogando por cima de tudo. Ele andou sorrindo em direção à ela. — Como foi? — Ele disse referindo-se ao ultrassom.
— Está tudo bem conosco. — Ela disse recebendo um beijo dele na bochecha enquanto acariciava a própria barriga já ligeiramente saliente. — Ainda não dá pra saber o sexo, mas os exames mostraram que está tudo como deveria.
— Que ótimo, fico feliz em saber. — Louis disse aliviado. Sentia-se m*l por não acompanhá-la no médico, mas não culpado o suficiente para dar alguns amassos com Harry em seu escritório há poucos minutos. Ainda sentia o cheiro dele em seu próprio terno.
— Vá, tome um banho, vou preparar um chá pra você também. — Ela disse carinhosa.
— Certo, obrigada, El. — Ele disse andando pelo corredor até a suíte do casal. Tirou a roupa e rapidamente já estava embaixo do chuveiro.
De volta á cozinha, Eleanor por mais água para ferver na chaleira e foi distraída por um barulho vindo do bolso do terno de Louis, jogado em cima do sofá. Num primeiro momento, ela não prestou muita atenção, poderia ser mensagem de algum cliente e ela não era de mexer nas coisas do marido. Porém, os bipes de mensagens chegando continuavam seguidamente. Três, quatro vezes. Curiosa, ela andou até o sofá procurando o celular no bolso do terno preto de Louis e, quando pegou o aparelho, viu na tela as mensagens.
Surpresa ao ver o nome de Harry como quem as enviava, ela franziu o cenho e, mesmo sabendo que era errado fazer aquilo, leu as prévias das mensagens, achando-as extremamente esquisitas.
“Ainda estou sentindo seu cheiro na minha roupa”, a primeira mensagem dizia. Ela arregalou os olhos e, sem nem pensar, simplesmente desbloqueou o celular do marido, que usava o próprio aniversário como senha, e abriu o restante das mensagens.
“Sei que acabei de te ver no escritório, mas ainda estou e******o, com saudades da sua boca”. Eleanor lia as mensagens cada vez mais confusas. Talvez aquilo fosse um engano, talvez Harry estivesse mandando aquilo para o número errado. “Pensando bem, Lou… Acho que quero ir nessa viagem com você, esquecer um pouco essa coisa bagunçada que temos… Ouvir você me chamando de Hazza o tempo todo, especialmente na cama…. Você sabe o jeito que eu gosto, você faz tudo que eu gosto…”, ela lia as mensagens incrédula, m*l conseguindo segurar o celular sem tremer as mãos.
Ela ainda olhou as mensagens antigas, viu que não havia erros naquilo. Harry chamou Louis pelo nome muitas vezes, várias declarações de amor, planos e palavras de carinho. Conforme ela ia subindo a tela, via a data das mensagens e viu que aquilo já estava acontecendo há pelo menos um mês, desde que ela foi viajar.
Eleanor sentia-se tonta, sentia vontade de vomitar, estava em choque. Não apenas por descobrir um ponto extremamente importante sobre a sexualidade do marido, mas também por não haver explicações pra aquilo que não fosse a pior de todas: ela estava sendo traída. Por mais óbvio que aquilo soasse, doía profundamente em seu ser que, não apenas aquele que era seu marido a havia traído, pois Louis era mais do que aquilo pra ela. Tomlinson era seu amigo, seu cúmplice… O pai de seu filho.
Ela sentou-se no sofá e, mesmo sabendo que não deveria continuar a se torturar, permaneceu lendo as mensagens e chorando. Suas lágrimas pareciam nunca cessar e sua dor era tamanha que ela tinha dificuldades para respirar. Tentava concentrar-se no fato de que estava grávida, não podia e abalar daquela forma, mas era inevitável. Ela continuava lendo e relendo as mensagens e m*l reconhecia aquele que tinha convivido por tantos anos. Louis estava apaixonado por Harry e ela não sabia o que fazer com a própria vida.
Após alguns minutos, segurando o celular, mas agora encarando o nada em sua frente. A chaleira apitava que a água havia fervido, mas ela não se levantou de onde estava. Correndo e assustado, Louis voltou à sala com uma toalha apenas na cintura e ela e sabia que a parte mais difícil daquilo tudo estava para começar naquela hora.
— El? — Ele disse ao vê-la paralisada no sofá. Estranhou a atitude dela e a ouviu respirar fundo. — Você está bem querida? O que houve? — Ele tirou a chaleira do fogão e novamente o silêncio tomou conta do apartamento. — Eleanor? — Ele chamou preocupado, contornando o sofá e ficando de frente pra ela.
A imagem que ele viu o assustou, ela estava sem cor, chorando muito, seus olhos vermelhos olharam pra ele com um desprezo que ele nunca sentiu antes. Num primeiro momento, ele não entendeu, mas então viu nas mãos dela seu próprio aparelho celular, com o visor aceso, mostrando sua conversa com Harry.
Naquele momento, Louis achou que seu coração iria parar de bater a qualquer momento.