A quantidade de coisas que Harry fez naquela manhã era geralmente o que ele fazia durante o mês inteiro, mas de nada adiantou ocupar sua mente. Suas mãos ainda pegaram o aparelho celular para ligar para Louis várias vezes naquela manhã. Não estava mais tranquilo, agora ele tinha certeza que algo estava errado. Sabia que não seriam boas explicações ou boas notícias quando encontrasse Louis — se é que ele ainda o veria de novo, pois até nisso estava pensando.
— Se eu não venho atrás de você… — A voz de Alice adentrou a floricultura e Harry parecia extremamente surpreso de vê-la.
— Você é quem trabalha demais. — Ele largou o que fazia, sorriu um tanto sem graça e logo foi ao encontro dela para abraçá-la. — Como está?
— Realmente estou trabalhando muito. — Ela disse suspirando cansada. — Mas estava com saudades de você. Você sumiu também! — Ela disse e Harry sorriu olhando para o chão, não queria jamais dizer quem estava ocupando seu tempo.
— Desculpe, eu realmente estive ocupado. — Ele disse e ela apenas riu se aproximando mais dele.
— Conheço bem essa cara! — Ela disse animada. — Pode ir contando tudo agora mesmo! Quem é ele?
— Ele? — Harry assustou-se com o quanto aquela mulher era sagaz. — Não há ninguém… — Harry não tinha credibilidade alguma na voz.
— Qual é, Harry! — Ela riu ainda mais, beliscando sua barriga de leve, fazendo cócegas nele. — Pode começar a me contar agora mesmo!
— É sério, Alice, não há ninguém. — Ele disse respirando fundo depois de rir genuinamente com as expressões da amiga. — Havia… Não há mais. — Ele disse sério e deixando transparecer o olhar triste.
— Como assim, Harry? — Ela perguntou vendo que aquilo parecia ser mais sério do que Harry realmente estava dizendo. — O que houve? Está tudo bem?
— Estou, é apenas um pouco complicado. — Ele disse tentando não transformar aquilo numa grande coisa. — Não gosto de pensar que sou o tipo de cara que separa casais… — Ele disse dando um ar dúbio a sua frase.
— Oh… Ele não é solteiro… — Ela disse um tanto preocupada, Harry apenas balançou a cabeça dizendo não. Até gostaria de ter alguém com quem conversar sobre aquilo, mas não seria com ela. Não queria entrar em detalhes. — Quer almoçar comigo? Podemos conversar sobre isso…
— Eu aceito o almoço se não falarmos sobre isso. — Ele sugeriu com um meio sorriso e ela apenas acariciou o rosto dele compreensiva, percebendo que ele não estava pronto para tocar naquele assunto, e ela respeitaria.
— Como quiser. — Ela disse sorrindo e esperando que Harry avisasse sua mãe que estava de saída e iria fechar a floricultura por uma hora ou duas. Anne concordou, estava decidida a passar o último dia de Gemma e Grace em Londres com as duas, logo elas voltariam pra casa.
Harry entrou no carro de Alice e ambos foram para um restaurante um pouco afastado do centro, não queriam sofrer com o trânsito daquela hora. Novamente ele olhou para o celular com cada vez menos esperanças de ver algum sinal de vida de Louis. Não queria pensar mais naquilo, queria se forçar a mudar de assunto, mudar de foco, mas não adiantava, pensava em Louis todos os segundos. Não tinha paz de espírito, não conseguia sequer concentrar-se direito em toda aquela ladainha interminável de reclamações de homens que Alice fazia.
Ao chegarem no restaurante, sentaram-se na mesa e Harry respirou fundo a fim de relaxar. Não sentia fome alguma, mas pensou que olhando para aquele menu, alguma inspiração para comer algo decente naquele dia poderia surgir.
— Ah! — Alice recomeçou e Harry olhou para ela por cima do menu grande que cobria parte do seu rosto. — Depois que almoçarmos, tenho uma missão extremamente especial e gostaria de sua ajuda. — Ela disse abrindo um sorriso enorme.
— Claro, o que precisa? — Harry até pensou que aquilo poderia distraí-lo, não fosse pelo fato de que estava acostumado a Alice fazer alarde por pouco ou quase nada.
— Tenho ótimas notícias! — Ela disse deixando o menu de lado e Harry agora estava oficialmente curioso. — Talvez seja rude contar, mas talvez Louis não tenha dito ainda! — Automaticamente Harry baixou seu menu também ao ouvir o nome do outro. Agora ele estava realmente em pânico.
— Dito o que? — A voz de Styles era um sussurro.
— Está preparado? — Alice fazendo todo aquele mistério, estava começando a deixar Styles a beira de um ataque de nervos.
— Estou… — Ele sentiu seu coração acelerar.
— Eleanor está grávida! — Alice anunciou com um sorriso enorme e Harry perdeu a cor do rosto. Arregalou os olhos e sentiu o ar lhe faltar nos pulmões. — Não é uma notícia incrível?
Harry não sabia o que pensar e nem o que estava sentindo naquele momento. O tempo congelou a sua volta, sua boca estava seca e ele sentia-se embaixo d’água, afogando-se lenta e dolorosamente. Abriu um sorriso forçado, não poderia ter um surto na frente da amiga por absolutamente nenhum motivo que ela de fato fosse entender.
— Com certeza. — Ele respondeu com a voz fraca e voltou a encostar-se pesadamente na cadeira. Seu mundo desabou completamente.
— Então, ela me chamou para ser madrinha do bebê! Quero comprar um presente e quero que me ajude. — Ela disse animada já sinalizando para o garçom que fosse até a mesa.
Se Harry iria mesmo ou não, ele não sabia. Era complicado demais pra ele lidar com aquilo, não sabia mais nem direito quem era naquele momento, muito menos conseguiria comer alguma coisa. Apesar que tudo fazia sentido agora: o sumiço de Louis, seu silêncio, tudo se encaixava: sua mulher estava esperando um filho dele e não havia nada que ele pudesse dizer ou fazer que fosse ser a coisa certa. A dor no peito de Harry aumentava a cada momento que Alice falava sobre o quanto o casal estava feliz e citava o nome de Louis. Styles nem ouvia mais, não conseguia tirar da cabeça que aquilo era o fim, tinha acabado de perder o amor de sua vida.
x.x.x
Harry há muito tinha ouvido falar daquela sensação de parecer que estava em um sonho, que estava de fora vendo a vida de outra pessoa passar, outra pessoa que não era ele. Ele deu uma desculpa qualquer de precisar voltar a trabalhar, assim se livrou de Alice e suas lojas de bebê, seus artigos para crianças e nos livros que daria de presente para Eleanor. Aquilo não era uma competição por Louis, ninguém estava tentando “ver quem ficava com ele no final”, mas era inevitável para Harry pensar que não, não havia nenhuma condição dele ganhar aquele jogo.
Ele não quis entrar em detalhes, mas sua mãe e sua irmã logo perceberam que algo estava muito errado com Harry. Ele fechou cedo a floricultura e ficou o restante do tempo brincando com sua sobrinha, evitando conversar, evitando se explicar, evitando as tentativas de despistar respostas quando a perguntas eram “está tudo bem?” Não que fosse justo, mas Grace era sua escapatória perfeita. Estava com o rosto sujo de tinta porque a menina resolveu que iria fazer uma maquiagem em seu padrinho usando tinta guache.
— Grace. — Gemma entrou no quarto chamando pela filha e não evitou o riso ao ver a situação da menina com o tio, com seus rostos pintados.
— Olha, mamãe! — Ela dizia sorridente, apontando para Harry, que tinha um certo medo de que caísse tinta em seus olhos, mas sorriu mesmo assim. — Como o titio Harry está bonito!
— Está, filha, nossa. — Gemma disse caindo na gargalhada. — Você fez um ótimo trabalho, querida.
A menina olhou orgulhosa para o tio, realmente acreditando naquilo. Ela tinha um pincel em mãos que agora afundava em um copo de água para limpar — não que aquela água estivesse perto de estar limpa.
— Mas agora você precisa tomar um banho. — Gemma disse aproximando-se da menina. — Precisamos ir pra casa, meu amor.
— Não! — Ela disse tristonha.
— Eu combinei com você de que seriam apenas alguns dias. — Ela disse pegando a filha no colo e acabou por perceber que estava se sujando um pouco de tinta também.
— Não se preocupe, meu amor, o titio muito em breve vai visitar você de novo. — Harry disse levantando-se do chão e falando com a pequena nos braços da mãe. — Prometo que ficarei bastante dias.
— Tudo bem. — Ela disse conformada, mas ainda assim não estava feliz de ter que ir embora.
— Nos leva para a estação de trem? — Gemma pediu ao irmão.
— É claro. — Harry respondeu prestativo, buscando pedaços de papel para se limpar.
— Vou dar banho nela e depois tomar banho também, aí podemos ir. — Ela explicou já saindo do quarto. — Obrigada, Harry. — Ela concluiu e Styles apenas concordou com a cabeça.
Harry não queria ficar sozinho, mas também não queria ficar perto de sua mãe, pois sabia que era a deixa perfeita que ela queria para conversar com ele. Ele resolveu descer até o andar debaixo, na parte de trás da floricultura, para lavar o rosto. Havia espaço o suficiente e ele não precisava se preocupar em cuidar para não fazer muita bagunça.
Ele tirou a camiseta, igualmente respigada de tinta, e deixou de lado. Pegou uma mangueira de água e começou a passar no rosto para limpar, sabia que haveria muito trabalho pra ele, pois Grace era uma menina extremamente criativa. Ele via a água escorrer escura de seu rosto, fria como era aquele fim de tarde, foi quando sentiu que pela primeira vez tinha seus pés no chão e deu=se conta do que estava acontecendo em sua vida.
Foi a primeira vez naquele dia que aquele sentimento o atingiu em cheio, entrou invadindo em seu coração: ele provavelmente nunca mais veria Louis, ele sequer teve coragem de ligar pra ele para falar sobre o assunto pessoalmente. Ele apoiou-se na pia rústica que tinham ali e desligou a água, notando que suas lágrimas passavam a fazer o trabalho de limpar seu rosto da tinta. Ele permitiu-se chorar, colocar seus demônios pra fora, suas frustrações, de ficar pura e simplesmente triste. Aquela tristeza que rasgava seu peito e quase o impedia de respirar, mas ainda assim o fazia sentir-se vivo.
Perguntava-se como era possível que tivesse deixado aquilo acontecer, como se permitiu entregar o coração para a pessoa mais errada possível. Por que? Não tinha essas respostas, e pensou que mesmo que as tivesse, não ajudariam em nada em fazer aquela dor passar. Respirou fundo, tentando se acalmar, estava num estado de completo desespero.
Há menos de vinte e quatro horas atrás estava com Louis, planejando seu futuro com ele depois que ele contasse tudo a Eleanor, depois que ele realmente resolvesse jogar limpo, mas agora estava ali… Pensando no que faria de sua vida agora.
Pegou uma toalha velha para secar o rosto, não tinha tirado direito a tinta do rosto, ainda estava todo marcado, mas ele não estava mais se importando com aquilo. Prendeu os cabelos e notou um tom de verde em alguns fios, outros azuis, vermelhos e sentia um leve gosto de tinta ainda em seus lábios. Ele ouviu duas batidas na porta da floricultura e pensou que não poderia haver uma hora pior para ter que atender clientes. Foi até a parte da frente da loja e, pelo vidro embaçado, reconheceu aquela silhueta sem saber exatamente o que sentir.
Louis.
Sentiu seu coração palpitar e tinha acabado de perceber que não, não queria ter aquela conversa. Seria doloroso demais, ele não iria aguentar. Esperou a noite e o dia inteiro por aquele homem, uma manifestação qualquer que fosse e ele havia desaparecido. Harry esteve muito perto de ir atrás dele em seu trabalho mas agora, era como se a última coisa que ele quisesse, era olhar naqueles olhos azuis e ter que ouvir que estava tudo acabado.
Ele andou até a porta, não teria mais como fugir daquilo, a luz estava acesa e Louis sabia que havia alguém lá. Ele apenas andou a passos lentos até a porta da frente a abriu, sentindo o vento frio bater sobre seu corpo, mas não se importou. Os olhos de Louis estava vermelhos, claramente aquele homem havia chorado. Estava com a gravata solta e olhou para Harry como se simplesmente quisesse abraçá-lo e nunca mais soltar.
— Oi. — Tomlinson sussurrou. — Posso entrar?
Harry quase cogitou dizer não, sabia que sua expressão estava clara quanto ao que ele não queria ouvir. Mas aquelas coisas não iriam sumir só porque ele não queria falar no assunto. O problema continuaria ali e não havia outra maneira de fazê-lo desaparecer de sua vida se não fosse através daquela tão esperada conversa. Styles não disse nada, apenas abriu mais a porta e deu espaço para Louis passar, logo em seguida, deu as costas a ele e andou de volta até a parte de trás da floricultura. Ironicamente, onde tudo começou, onde deram seu primeiro beijo. Era poético pensar que era o lugar perfeito onde tudo acabaria.
Harry buscou sua camiseta para vestir e Louis só conseguia pensar no quanto amava cada parte daquele corpo. O silêncio entre eles parecia gritar tão alto a ponto de incomodar ambos, Harry respirou fundo quanto terminou de vestir-se e ouviu Louis pigarrear, olhando pra ele antes de começar a falar.
— Desculpe não ligar, sumir ontem e hoje. — Louis disse devagar, ditando apenas uma das coisas que o faziam estar errado naquela história. Ele aproximou-se mais de Harry, queria tocá-lo, embora tivesse certeza de que Styles não o deixaria fazer aquilo.
— Tudo bem. — Harry respondeu cruzando os braços, claramente seu mecanismo de defesa.
— Quando eu cheguei em casa ontem… — Louis recomeçou não sabendo de onde realmente tinha achado coragem para falar daquilo. Ele não sabia que Harry sabia, porém, para Styles, aquilo não amenizava em nada. — Eleanor me contou que está grávida. — Ele disse cuidadoso. Harry apenas baixou os olhos, não conseguia nem agir como se aquilo fosse novidade. Mordeu a parte interna da bochecha e então voltou a encarar Louis. — Mas você já sabia… — Louis relaxou os ombros ao perceber que o outro não estava nenhum pouco surpreso.
— Almocei com Alice. — Harry esclareceu e, mesmo que Louis pensava que não poderia se sentir pior, aquela culpa o atingiu novamente: Harry sequer tinha ouvido aquilo dele, foi de outra pessoa.
— Harry, eu queria ter falado, eu devia ter falado… — Louis tentou novamente se aproximar dele. — Me perdoe por desaparecer, eu não tinha coragem… Eu não estava pronto…
— Louis, ouça. — Harry sentia uma vontade tão grande de chorar que não tinha nem mais certeza se queria continuar ouvindo aquilo. — Não há o que conversar, certo? O que aconteceu com a gente foi um erro enorme! Que eu nunca vou conseguir reparar!
— Não diga isso… — Louis mostrou-se extremamente triste ao ouvir aquilo. — Por favor, não fale assim…
— É a verdade, Louis. — Harry disse convicto. — Eu peço desculpas por não ter respeitado seu casamento, eu não deveria ter deixado as coisas chegarem onde chegaram, eu reconheço meus erros e minha parcela de culpa nisso. — Harry tinha um tom de voz robótico e apenas via Louis negar com a cabeça, murmurando coisas como “não foi um erro”. — Você era casado e eu deveria ter mantido a distância, eu deveria ter te dispensado quando veio aqui…
— Harry…
— Não deveria ter te beijado, não deveria ter ido pra sua casa, não deveria ter… — E lá estavam as lágrimas que Harry tanto tentou segurar. Ele cobriu o rosto, não conseguindo nem terminar a frase.
— Por favor, não chore. — Louis dizia desesperado, aproximando-se de Styles, segurando seus pulsos, tentando fazer com que ele tirasse as mãos do rosto, mas tudo que Harry fazia era tentar se afastar, não queria deixar que o outro tocasse nele. — Eu te amo tanto, Harry…
— Eu não quero ouvir isso, Louis, eu não quero ouvir. — Harry saiu de perto dele respirando fundo, tentando manter a calma e o controle. Passou uma das mãos pelo rosto, ainda tinha tinta perto dos olhos e na raiz dos cabelos.
— Me deixa falar, por favor… — Louis disse e um longo silêncio se fez entre eles. Harry queria ouvir mas ao mesmo tempo não queria. Deus as costas ao outro, m*l conseguindo olhar pra ele sabendo que ele não podia mais ser seu. — Eu não quero que isso acabe, eu quero continuar te vendo…
— Você não pode estar falando sério. — Harry virou-se abruptamente para encará-lo.
— Eu não estou pronto pra ficar sem você. — Louis disse com medo, achava que conseguiria convencer Harry a lhe dar mais um tempo para resolver as coisas com Eleanor.
— Como pode estar preocupado com isso, Louis? — Harry dizia ficando ligeiramente irritado.
— Porque eu te amo, p***a! — Louis disse no mesmo tom, forçando o contato entre eles. — Eu não quero parar de te ver! Eu vou estar presente para ajudá-la, quero ser um bom pai, mas eu amo você e sei que você também me ama!
— Isso não importa. — Harry disse arregalando os olhos verdes, achando tudo um grande absurdo. — Como pode me dizer uma coisa dessas? Que tipo de pessoa pensa que eu sou? Desses que sai com homens casados esperando pacientemente pelo “eu vou me separar dela”?
— Mas eu vou! — Louis confirmou.
— Louis! — E Harry o repreendeu.
Os dois apenas trocaram olhares como se tentassem descobrir o que o outro tinha em mente, qual era a equação lógica que estava resolvendo em seu cérebro, já que aparentemente tinham visões diferentes sobre o mesmo assunto.
— Fique com a sua mulher, Louis, ela precisa de você. — Harry dizia e viu apenas Louis negar com a cabeça e bufar irritado. — Seu filho ou filha também vai precisar.
— E eu preciso de você. — Louis insistiu. — Por favor, não me deixe, podemos fazer isso dar certo ainda. Eu não quero ficar com ela, quero ficar com você.
Harry sorriu irônico ao ouvir aquilo. Respirou fundo triste, resignado, achava que aquilo talvez fosse alguma espécie de punição divina, pois nada como estar numa situação pra ter um julgamento diferente de quando se está apenas assistindo. Pensou que, de fato, só sabia quem sentia na pele. Ele virou-se calmamente de costas para Louis novamente como se tomasse coragem para só então encará-lo de novo. Viu em seus olhos azuis toda aquela expectativa de quem esperava, do fundo do coração, que Harry também se sentisse daquela forma.
— Sabe quem disse isso? — Harry recomeçou voltando a pegar a toalha velha que usou para secar o rosto.
— Quem? — Louis perguntou triste, já percebendo que nada estava adiantando ser dito, Harry já havia tomado a decisão.
— Meu pai. — Styles sorriu triste, num tom de voz embargado. — Ele disse exatamente isso para minha mãe quando a deixou quando eu era criança para ir viver com outra mulher. — Styles concluiu e Louis relaxou os ombros. Aquela associação era algo que Louis sabia que não conseguiria competir.
— Não é a mesma coisa, Harry… — Ele tentou.
— É exatamente a mesma coisa. — Harry disse triste, finalmente tinha se dado conta de que não havia outra decisão a ser tomada, aquele era o caminho.
Louis sentiu um vazio tão grande dentro de si, acompanhado daquela certeza de que sua felicidade estava a um palmo de distância, porém estava mais inalcançável que antes. Ele respirou fundo e soube que Harry o amava mas era digno demais para compactuar com o que Louis havia sugerido. Não era justo com Eleanor e ele sabia. Sabia também que era egoísta demais de sua parte pedir aquele tipo de coisa a outra pessoa.
— Harry? — A voz de Gemma no andar de cima despertou os dois daquele silêncio tão doloroso. — Você está aí embaixo? Estamos prontas.
— Estou. — Ele gritou de volta sem emoção. — Já vou subir.
— Certo. — Ela respondeu e Harry ouviu os passos dela se afastarem no andar de cima.
Ele olhou para Louis sabendo que ele estava sofrendo como ele, não era fácil reprimir aquele sentimento, uma vez que ambos tinham certeza do amor que sentiam um pelo outro, que não era passageiro e não tinha sido apenas uma aventura. Antes, o prazer de olhar para Louis era tão grande, que fazia Harry ser capaz de achar que nada no mundo seria capaz de separá-los. Mas, o vendo ali, tão de perto e tão inatingível por conta das circunstâncias, o fez perceber que seu sofrimento era inversamente proporcional ao que ele sentia antes.
Harry não resistiu e inclinou-se para beijar o outro, Louis correspondeu, querendo prolongar aquilo o máximo que podia. Mas o selinho não demorou muito e, mesmo triste, Harry passou uma das mãos pelos cabelos de Louis, que deixou uma lágrima cair solitária em seu rosto bonito.
Ambos sabiam que aquilo era um adeus.
— Parabéns. — Harry sussurrou perto do ouvido dele, claramente referindo-se a paternidade recém descoberta. Sentiu Louis o segurar pela mão enquanto se afastava dele e ouviu ele sussurrar em resposta.
— Eu não vou conseguir te esquecer. — Tomlinson tinha certeza daquilo. Ele apenas ficou parado vendo Harry subir as escadas de volta ao andar de cima. O tempo que ficou ali embaixo, apenas notou um lírio em cima da mesa e um pensamento sobre o quanto odiava aquela flor lhe veio á mente.
Ele deixou a floricultura, mas não tinha certeza se estava pronto para deixar a vida de Harry. O único problema era que aquilo não dependia mais apenas dele. Estava tão triste que, mesmo sabendo da expectativa de ter seu filho em seus braços em alguns meses, ainda assim não servia de consolo. Nunca pensou que iria amar uma pessoa em tão pouco tempo e com tanta intensidade.