Liam passou a tarde procurando por Zayn no trabalho. Fez tudo que precisava fazer e, além de querer mostrar a ele seu trabalho concluído, ainda queria saber como estariam as coisas entre eles. Tinha a leve impressão de que o moreno bonito estava fugindo e se escondendo dele, mas Liam sabia que era inútil: em algum momento, ele teria que aparecer naquela sala e Payne faria plantão por ali se precisasse.
A morena bonita parada na porta do escritório sorriu para Liam quando ele a viu ali.
— Oi, com licença. — Ela disse e Liam levantou-se para recebê-la, achou que poderia ser alguma cliente. — Estou procurando Zayn.
— Eu também. — Liam disse brincando indo de encontro a ela. — Entre, por favor. — Ela riu do jeito do outro. — Ele não está por aqui, é só com ele? De repente eu possa ajudar.
— Me chamo Doniya. — Ela se apresentou estendendo a mão, Liam a retribuiu na mesma hora.
— Liam. — Ele respondeu e a viu arquear as sobrancelhas. — Muito prazer.
— Sou irmã do Zayn. — Ela complementou sabendo exatamente quem era aquele homem. O “tal do hétero” que Zayn não parava de falar em casa.
— Ah sim! — Liam disse estudando-a com mais atenção. — Vocês se parecem um pouco. — Ele complementou gentil.
— Espero que isso seja um elogio. — Ela brincou rindo fazendo Payne também rir.
— Com certeza é. — Liam disse oferecendo uma cadeira pra ela. — Eu realmente não sei onde ele está e, se me permite acrescentar, eu mesmo tenho procurado por ele hoje. — Liam dizia e Doniya abriu um sorriso. Zayn não tinha lhe dado detalhes sobre a noite anterior, mas deu a entender que algo havia acontecido entre eles.
— Eu só passei para deixar algumas coisas pra ele. — Ela disse tirando alguns papéis da bolsa. — Ele esqueceu e pediu pra que eu trouxesse.
— Se quiser, posso entregar a ele quando vê-lo. — Liam se ofereceu enquanto ela colocava os papéis sobre a mesa de Payne.
— Obrigada, Liam, eu gostaria sim. — Ela disse simpática. De cara, já gostou dele. — Zayn sempre fala de você. — Ela comentou num tom casual, Liam arqueou as sobrancelhas e abriu o sorriso logo em seguida ao ouvir aquilo.
— É mesmo? Fala o que? — Liam perguntou sem nem tentar disfarçar a curiosidade. Doniya conseguia ver há milhas o interesse daquele homem em seu irmão.
— Que teve sorte em dividir o escritório com um homem tão bonito. — Doniya disse rindo, apenas testando a brincadeira e viu liam arregalar os olhos e igualmente rindo.
— Doniya? — Zayn entrou pela porta surpreso da irmã estar ali, especialmente rindo com Liam. Ela levantou-se e estendeu na direção dele os papéis que havia colocado na mesa de Liam. — O que está fazendo aqui? — Malik perguntou surpreso num tom mais baixo, um pouco sem graça e sem jeito de vê-la tão íntima com Liam.
— Vim trazer o que me pediu. — Ela disse com uma feição divertida para Zayn. Ele estranhou ela dizer aquilo, uma vez que não tinha pedido para que elea trouxesse coisa alguma ali. Conhecia bem sua irmã pra saber que ela articulou aquilo apenas para ir até o escritório e conhecer Liam.
— O que eu pedi… Claro. — Zayn entrou no jogo dela segurando a vontade de rir, ao mesmo tempo que olhava para ela como quem dizia “eu vou te matar por ser intrometida”. — Obrigado. — Ele disse entre dentes, pegando o que ela tinha em mãos.
— Liam. — Ela virou-se novamente para Payne e Zayn pediu a todos os santos que conhecia para que ela não falasse nenhuma besteira. — Vou fazer um jantar lá em casa para o aniversário do meu namorado amanhã. Gostaria de se juntar a nós?
— Doniya! — Zayn disse pigarreando em seguida. Liam apenas baixou os olhos e riu, vendo que Malik estava sem graça em ouvir aquilo. Nesse momento, Liam percebeu que Doniya sabia mais do que ele pensava.
— É claro. — Liam aceitou o convite para desespero de Zayn.
— Ótimo! — Ela disse sorridente. — Depois pode pegar o endereço com o Zayn. — Ela disse e Liam assentiu com a cabeça. — Foi um prazer conhecê-lo. — Ela dizia afastando-se e andando até a porta.
— Igualmente, Doniya. — Liam respondeu e viu Zayn a fuzilar com o olhar enquanto ela saía.
— Até depois, maninho. — Ela dizia rindo e Zayn sorriu nervoso, não queria demonstrar como se sentia, mas era inútil, Liam percebeu tudo.
Já passava das sete da noite e também da hora de terem ido embora. Liam chegou aos poucos perto da mesa e Zayn, que claramente fingia organizar algumas coisas, inclusive os papéis que Doniya havia trazido consigo. Abria e fechava gavetas e tentava se concentrar em não pensar no que tinham feito naquele escritório na noite anterior.
— Sabe que perto da impressora tem envelopes brancos. — Liam disse sorrindo, circulando a mesa de Zayn e quase o encurralando. — Não precisa pedir para sua irmã trazer de casa. — Payne, percebendo que Doniya não tinha estado ali para entregar coisa alguma, apenas ria do nervosismo do outro.
— Liam, por favor, não torne as coisas mais difíceis do que já são. — Zayn não ia nem perder tempo tentando justificar a presença da irmã ali. Sabia que Liam não era nenhum i****a.
— Eu não quero tornar as coisas difíceis. — Liam dizia encurralando Zayn na parede. Colocou uma das mãos na parede impedindo que Malik se afastasse dali. — Eu quero tornar elas… Mais divertidas… — Ele chegou perto da boca de Malik, pronto para beijá-lo e, por mais que Zayn não achasse que era uma boa ideia dar continuidade aquilo, simplesmente não conseguia mais resistir. — Mais gostosas… — Payne continuava falando e Zayn apenas fechou os olhos para ouvi-lo falar perto de seu ouvido. — Mais quentes… — Ele mordeu o lóbulo da orelha do outro enquanto falava. — Mais proibidas… — Ele segurou no m****o de Zayn por cima da calça dele.
— Liam, estamos no escritório, pelo amor de Deus… — Zayn sabia que aquilo era uma deliciosa armadilha. Ele segurou Liam pela cintura no intuito de afastá-lo, mas aquilo só serviu para dar a******a a ele para que novamente entregassem-se a um beijo intenso, daqueles que realmente as pessoas não deveriam dar em público.
Malik sabia que não deveria dar continuidade àquelas coisas que vinham acontecendo. Mas Liam era tão gostoso, tão irresistível, que ele não conseguia se conter. Era impossível realmente dizer a ele para parar, aquele beijo era tão envolvente, a língua dele se movimentava com tanta maestria que era quase ilegal Zayn estar gostando tanto daquilo, era viciante. Ele m*l conseguia entender o motivo de tudo aquilo, se era mesmo justamente pelo proibido ou se alguma coisa completamente nova estivesse acontecendo ali. Liam parecia tão certo, tão seguro, tão sólido com o que queria, que o próprio Zayn tinha medo de que fosse um sonho.
Talvez fosse mesmo aquela curiosidade física, aquele t***o apenas, Malik tinha medo que fosse apenas sexo para Payne. Fosse literalmente apenas uma atração física e Zayn, do jeito que era, sabia que seria difícil se policiar para não deixar que o sentimento o abatesse junto com tudo aquilo. Ele sabia que se deixar levar por uma paixão por Liam Payne era quase suicídio.
— Liam, já chega. — Zayn descolou seus lábios do outro. Com certo esforço, se desfez das mãos habilidosas do outro. — Não podemos fazer isso. — Malik respirou fundo, saindo de perto dele, como se buscasse ar puro, o cheiro de Liam o deixava tonto, e******o.
— Tudo bem. — Liam sorriu, seguindo-o pela sala. Sabia que não tinha mais ninguém ali, mas era realmente o lugar menos apropriado para ficarem se agarrando pelos cantos. — Vamos pra minha casa… — Liam convidou abraçando-o por trás, beijando sua nuca e Zayn quase sentiu um arrepio de perigo lhe correr pela espinha.
— Liam, Liam… — Zayn virou-se de frente pra ele e descobriu que era ainda pior ter que encará-lo nos olhos para dispensá-lo como sabia que precisava fazer. — Eu não posso me envolver com você.
— Por que? — Liam perguntou acariciando o rosto do outro, sentindo o quanto ele relaxava em seus braços. — Olha, eu já me desculpei pelo que eu fiz na boate… Achei que estivesse tudo bem entre a gente…
— E está. — Zayn confirmou, respirou fundo e não sabia direito como explicar aquilo. — Não é esse o problema.
— Então qual é? Você não gosta de mim? — Liam perguntou um tanto preocupado, ainda sem deixar que ele se afastasse. — Você tem outra pessoa?
— Não, não há ninguém… — Zayn dizia e percebeu que o próprio Liam estava mostrando a ele que não havia razões para tanta resistência. — Eu tenho medo de me apaixonar por você.
— Por que? — Liam franziu o cenho.
— Porque você não sabe o que quer! — Zayn respondeu como se fosse óbvio.
— Eu chupei seu p*u ontem. — Liam disse com o tom de voz mais grave que Zayn já tinha ouvido. Foi algo tão forme que Zayn não se atreveu a interrompê-lo. — E hoje, eu quero te levar pra minha casa… — Payne continuava e Zayn sentia-se desarmado diante daquele homem. — Você sabe o que eu quero fazer com você lá, não sabe?
Zayn engoliu a seco e apenas concordou com a cabeça. Ele sabia sim muito bem o que Liam queria fazer na casa dele e achou que era mesmo uma péssima ideia ceder àquilo. Sabia que seria absurdamente delicioso e, inclusive, talvez o fato de achar que Liam era na verdade hétero, o excitava mais do que o fazia temer. Porém, seu cérebro continuava mandando mensagens constantes, dizendo a ele para não fazer aquilo, que era uma ideia r**m, que não iria acabar bem, que os sentimentos que Zayn não iria conseguir frear, iriam vir à tona e afastar Liam dele.
— Tudo bem, vamos pra sua casa. — Mas é claro que Malik iria fazer justamente o que não deveria, afinal, era melhor fazer do que ir pra casa se masturbar fantasiando como seria.
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Liam abriu a porta de casa sorrindo e já se afastou, tirando sua camisa, calça e sapatos — afinal de contas, já sabiam perfeitamente o que tinham vindo fazer naquele apartamento.. Não teve pressa, fez de propósito para Zayn assistir. Ao mesmo tempo que se olhavam, Zayn fez o mesmo e, quando estavam ambos somente de cueca, Liam agarrou Zayn virando-o de costas contra a parede.
Zayn gemeu quando Liam mordeu levemente seu ombro, esfregando sua excitação em sua nádega, mostrando o quanto desejava aquele homem. Zayn estava enlouquecendo com aquela sensação, conseguia sentir a urgência do outro em possuí-lo, só pelos toques de suas mãos. Liam já estivera com várias mulheres — se tinha algo do que ele entendia, era sexo — mas aquilo não era igual, era uma sensação completamente diferente. Sabia que parte daquilo era motivado pela novidade, mas ele tinha certeza que Zayn tinha algo mais, algo que ele não sabia explicar. Liam o virou de frente e passou a beijá-lo com calma e aproveitando cada segundo daquilo, já que agora estavam mais a vontade um com o outro.
Liam conduziu Zayn para seu quarto, deitando-o na cama e subindo em cima dele e o acastanhado o encarou e sorriu, passando a mão pelo seu rosto.
— Você é tão lindo… — A voz de Liam era apenas um sussurro, e não era estranho para ele ou apenas um elogio, ele realmente achava aquele homem absurdamente bonito.
Liam mordeu de leve o queixo do moreno e desceu a boca pelo seu pescoço, ombro, peito e abdômen, deixando a pele molhada com sua saliva. Zayn sentia seu m****o pulsando de tanto desejo, jogou a cabeça para trás gemendo baixinho, Liam sorriu e abocanhando devagar, sentindo o gosto do moreno em sua boca.
— Liam... – Zayn gemeu alto o nome de Liam quando este passou a chupá-lo com vontade.
O moreno agarrou o m****o de Liam e o abocanhou com vontade. Liam saiu debaixo de Zayn e o deitou na cama, abriu as pernas do moreno se posicionando entre elas, chupando os próprios dedos e os levando a entrada de Zayn, que se abriu ainda mais quando os sentiu em sua i********e.
— Zayn... – Liam gemeu quando o moreno introduziu um dedo dentro dele.
O moreno sentia que estava muito duro enquanto esperava o que Liam ia fazer e, quando ele colocou as pernas do moreno em seu ombro, o penetrou devagar, deixando Zayn se acostumar aos poucos com a invasão
Payne saiu lentamente de dentro do moreno e rolou para o lado. Ambos estavam ofegantes e suavam como loucos. Malik não teve tempo de pensar em nada, tinha sido intenso demais para que ele conseguisse raciocinar ou dizer alguma coisa. Liam jogado ao seu lado na cama respirava tão alto que ele conseguia ouvir nitidamente o quanto aquele homem conseguia ainda sentir o êxtase do que tinham acabado de fazer.
— Eu só precisava... Só precisava… — Liam dizia em meio a suspiros, tentando fazer seu cérebro funcionar de maneira conexa, mas todos os seus músculos estavam relaxados e, pra ele, era impossível.
— Precisava? — Zayn perguntou e Liam subiu em cima do moreno novamente.
– Precisava te sentir, Zayn... — Liam riu, mas Zayn permaneceu sério. Parte de si estava feliz de ver que, ao menos, ele não tinha saído correndo dali. Porém, ele não poderia julgar aquela atitude com certeza ainda, provavelmente Liam ainda estava com a sensação do orgasmo muito vívida.
Zayn olhava para aqueles olhos castanhos como se quisesse acreditar em cada palavra e cada sentimento que Payne deixava transparecer. Mas seu medo ainda era maior, mais complexo do que aquilo. Ele mesmo sabia que suas ideias se contradiziam, já que seus sentidos mostravam uma coisa, mas seu bom senso, mostrava outra completamente diferente. Ao mesmo tempo que ele estava ali, com Liam por cima dele, olhando naqueles olhos tão perto, dentro daquele quarto cheirando a sexo, ele ainda tinha dificuldades de aceitar que talvez Payne não fosse assim tão heterossexual.
E sentia-se i****a ao mesmo tempo por deixar esse tipo de coisa dominá-lo.
— Eu preciso ir. — Malik disse tentando se livrar do corpo de Liam, que aos poucos, deixou que ele sentasse na cama.
— Uau, foi tão r**m assim? — Liam perguntou no clássico tom de brincadeira, mas ao mesmo tempo sério, querendo saber a resposta.
— Você tem mesmo que perguntar? — Zayn disse com um sorriso de canto, sentando-se na cama com os pés no chão e esfregando o rosto em seguida.
— Tenho. — Liam foi ficando mais sério e aproximou-se de Zayn beijando suas costas, sentindo o quanto aquele homem estava quente e febril. — Eu não sei se estava fazendo as coisas direito, eu nunca transei com um homem. — Payne parecia mais racional do que Zayn jamais imaginaria que ele tivesse naquela situação. — Eu realmente espero que você tenha gostado tanto quanto eu… Porque, sério… — Liam sorriu mordendo a pele do outro que sentiu um leve desconforto com os dentes de Payne quase cravados em seu ombro. — Isso foi muito bom.
Zayn levantou-se e sentia aquela ansiedade e aquele medo de se decepcionar, ele adiantava os pensamentos e acabava por descontar em Liam todas as suas frustrações e decepções. Payne continuava olhando pra ele sem entender aquela atitude distante, como se Zayn realmente estivesse pensando milhares de vezes antes de dizer alguma coisa. Ele sabia que seu t***o, e toda aquela aura s****l que cobria Liam Payne, foram os responsáveis pela sua presença naquele apartamento, mas agora que já tinham feito aquilo, Malik sentiu medo porque, pra ele, era apenas o começo. Mas estava inseguro se aquilo não era apenas tudo o que Liam queria.
— Zayn… — Liam levantou-se diante do silêncio do outro, sentou-se ao seu lado sem entender direito o que se passava com ele. — O que foi? O que eu fiz de errado? Foi alguma coisa que eu falei? — Liam procurava explicações, buscava os olhos de Zayn, mas esse insistia em não olhar pra ele.
— Nada… — Zayn respirou fundo, percebeu que estava deixando Liam desconfortável, achando que a culpa era dele, sendo que tudo apenas se tratava da mente bagunçada de Malik e todos os seus traumas de relacionamento. — Você foi ótimo, Liam… — Só então Malik olhou nos olhos dele. — t*****r com você foi… Surreal… — Ele sorriu ao ver o sorriso orgulhoso de Payne se formar em seu rosto. — E você se saiu melhor do que eu pensava…
— Certo, então vem comigo… Vamos tomar banho, dorme comigo… — Liam pediu e lá vinha aquela ansiedade de Zayn tomar conta de seu corpo.
— Aparentemente de banho eu realmente preciso. — Malik disse e Liam também levantou-se, segurando pela mão e o puxando até o banheiro amplo.
— Vem comigo. — Liam dizia ao ver que o outro não tinha certeza se queria companhia. — Não precisamos fazer nada, eu só quero olhar pra você, te tocar… Eu quero conhecer cada parte sua, você me excita e me faz ter essa vontade de saber mais…
Zayn respirou fundo e parecia absurdo ouvir aquelas coisas. Quem falava aquele tipo de coisa pra alguém na primeira noite de sexo? Payne não poderia ser real, aquilo não tinha como se verdade. Era perfeito demais. E, quando isso acontecia, Zayn desconfiava e acabava por se arrepender sempre na manhã seguinte.
Mas, quando deu-se conta, já estava sentindo Liam beijá-lo novamente, com uma ternura fora do normal, uma delicadeza que ele nunca antes havia sentido. O cheiro daquele homem o enlouquecia e tudo que Liam conseguia pensar era em ter Zayn em seus braços novamente. De onde aquela paixão toda estava vindo, ele não fazia ideia. Não tinha nem certeza se aquilo sequer era saudável para uma primeira vez juntos. A única coisa que ele não tinha mais dúvidas é que não, ele não precisava de mais ninguém.
Nunca se imaginou fazendo sexo com algum homem, mas agora, depois que experimentou a sensação, podia compreender melhor Louis e o porquê dele ter se apaixonado perdidamente por Harry. Liam não descartou mais essa possibilidade.
— Liam, eu não sei o que há com você e porque você está assim, mas não precisa isso, certo? — Zayn recomeçou tentando dar um ar casual à conversa. — Foi só uma noite, você estava curioso e...
— Ah Zayn… — Liam passou uma das mãos pelo rosto, entendendo o motivo de tudo aquilo. Malik obviamente estava com medo da rejeição. — Tudo bem, não vou mentir que grande parte do motivo foi sim curiosidadade, mas...
— Liam, olha só… — Zayn, que já tinha passado pela “manhã seguinte” várias vezes, fechou os olhos respirando fundo antes de continuar. — Não vamos tornar as coisas mais difíceis… A gente já trabalha junto, já é r**m o suficiente.
— O que eu fiz pra você estar se comportando dessa maneira? — Liam perguntou dando de ombros. — Você é a primeira pessoa que vem pro meu apartamento. — Ele disse e viu os olhos de Zayn mudarem por um segundo, como se quisesse desesperadamente acreditar naquilo.
— E você quer que eu acredite que você nunca dormiu com mulheres por uma noite? — Malik perguntou inseguro.
— Mas é claro que eu dormi. — Liam respondeu sem problemas em esconder aquilo. — Mas não aqui. Ninguém nunca dormiu aqui.
O silêncio se fez entre eles e Zayn sabia que estava caindo numa armadilha. Estava ciente daquilo, estava até conformado: era deliciosa demais aquela tentação, aquela sensação de que não deveria estar fazendo aquilo, mas fez. Novamente Liam tentou puxá-lo para um banho juntos e, dessa vez, Malik tentou esvaziar a cabeça e ir, simplesmente tentar aproveitar aquilo como se fosse a primeira e última — porque em sua mente, as chances de serem a primeira e última eram grandes. Ele tinha essa tendência a achar constantemente que tudo estava fadado ao fracasso.
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Harry teve vontade de entrar no trem e ir para Newcastle com a irmã e a sobrinha. Largar tudo, simplesmente desaparecer, trocar de cidade, trocar de bairro, trocar de amigos e de nome. Ele dirigia em silêncio pra casa ao lado da mãe, que fez questão de acompanhar a filha mais nova e a neta para se despedirem. Harry não queria conversar, mas estava fazendo um péssimo trabalho tentando parecer normal. Para qualquer pessoa, talvez ele conseguisse enganar, maquiando um sorriso aqui e ali, desviando o olhar ou fingindo estar concentrado na estrada, mas ele estava ao lado da mulher que não apenas lhe deu a vida, mas o criou sozinha desde que nasceu.
Quando chegaram em casa, ele jogou as chaves do carro em cima da cômoda e tirou o casaco pesado de frio — sabia que a neve chegaria em poucas semanas na capital britânica, pois o frio estava se tornando mais seco. Sua mãe foi até a cozinha e Harry ouviu-a colocar água para ferver, provavelmente faria chá.
— A senhora quer que eu vá para a floricultura? — Harry perguntou olhando no relógio, ainda poderia abrir por algumas horas.
— Eu não acho que seja uma boa ideia. — Ela apareceu com seu olhar calmo, ficando de frente para o filho e acariciando seus fios longos escuros, que lembravam tanto os cabelos dela mesma. — Quer me contar o que está acontecendo entre você e Louis? — Ela percebeu a tristeza e, por mais que não soubesse o motivo, sabia perfeitamente quem estava envolvido.
Harry titubeou em falar, sabia que aquilo seria pessoal para sua mãe também. Ele não conseguia tirar da cabeça a própria história quando lembrava da situação em que Louis se encontrava. Ele fechou os olhos e sentiu-se vulnerável, mas não com medo, afinal, era sua mãe.
— Eleanor está grávida. — Ele disse simplesmente. Sem rodeios e se dando conta de que era a primeira vez que dizia aquelas palavras em voz alta e, sim, elas machucavam muito, pois tornava tudo extremamente real.
— Filho… — Anne sentiu uma dor no coração tão profunda ao ver os olhos de quem seria eternamente seu garotinho, independente dele ser maior do que ela, e desejou mais uma vez o que desejava todos os dias desde que Harry nasceu: que pudesse simplesmente tirar aquela dor dele e sofrer no lugar dele. — Você e ele devem estar sofrendo tanto…
— Ele vai ser pai… Ele precisa ficar feliz, mãe, não quero ficar no caminho dele e nem da família dele. — Harry disse afastando-se, sentindo a visão ficar turva pelas lágrimas que estavam se formando em seus olhos. Não conseguia evitar, por mais que não aguentasse mais chorar por aquilo.
— Harry… — Ela o chamou seguindo-o até a cozinha. — Filho, ouça… — Ela sabia que ele não queria falar no assunto, mas que desabafar era mais do que necessário. — Sei que não quer ouvir isso, mas isso não deveria nem ter começado…
— Eu sei… — Harry concordava com a cabeça e limpava as lágrimas teimosas que caíam. — Eu sei, eu só não pude evitar… Ele se apaixonou também e tudo ficou impossível de ser evitado… — O moreno alto repetia aquilo constantemente para si mesmo, pois a ideia de que poderia ter escolhido outro caminho o apavorava.
— Isso já aconteceu antes, você vai superar… — Anne tentou consolar o filho. — Você superou o John mais rápido do que eu pensava...
— Não… — Harry sorriu triste, conformado. — Não dessa vez… Dessa vez foi diferente, mãe… O que eu senti com o John foi menos de 1% do que sinto pelo Louis… — Ele respirou fundo sentindo literalmente uma dor física em seu peito, como se não estivesse respirando direito. Seu coração doía. — Eu vou abrir a floricultura sim, quero me distrair, se eu eu ficar parado, eu acho que vou me atirar no telhado…
— Harry… — Anne disse triste ao ver o filho sofrer naquela intensidade. Ela tentou, mas ele deixou a cozinha novamente e ela apenas o ouviu batendo a porta do quarto, de longe dizendo algo como “vou tomar banho”. Ela não o impediu, já que ele ainda tinha tinta no cabelo.
Ela respirou fundo e entendeu perfeitamente que Harry jamais iria atrás de Louis e soube o que as palavras dele significaram quando mencionou que não iria “ficar no caminho de Louis e sua família”. Soube que a dor dele era ligada com sua própria vida e o abandono de seu próprio pai, e que jamais conseguiria viver sabendo que separou Tomlinson de seu filho e esposa. Era demais para ele aguentar, mais do que qualquer outra dor de ficar sem Louis, aquilo era inaceitável pra ele e Anne sabia. O impacto de crescer sem pai era esse, esse que Anne esperava o dia que iria conseguir ver nitidamente nos olhos do filho a mágoa deixada por um homem que jamais o procurou, a mágoa que Harry fingia não ter e fingir que não o atingia.
Ela entristeceu-se por seu filho, mesmo sabendo que não tinha culpa das cicatrizes deixadas por seu ex-marido, que apaixonou-se por outra mulher e a deixou sem nem pensar duas vezes, com Harry ainda em seu ventre. A verdade era que ela m*l lembrava-se daquele homem, mas pensava nele todos os dias, pois era inevitável. Ele nunca procurou-a nem para saber se Harry estava bem ou se ela e o menino precisavam de algo. Pensou no quão triste aquela situação se tornara para seu filho que, por sorte, havia crescido digno, grato a ela e honesto com quem havia se descoberto ser.
Teve apenas seus pensamentos interrompidos pela chaleira fervendo a água avisando que deveria ser desligada. Ela respirou fundo e preparou chá para ela e o filho, sabendo que não resolveria, mas talvez o ajudasse a se acalmar.