Do what you have to do

4844 Palavras
A noite estava fria da sacada do apartamento de Louis, mas ele já estava na sexta dose de uísque, o vento frio deixou de incomodar. Ele ainda vestia o terno, tinha apenas tirado os sapatos e a gravata. Já passava das dez horas da noite e ele estava naquela sacada por quase duas horas, percebendo que a cada minuto que passava, a ideia de pular dali de cima parecia cada vez mais atraente. — Amor? — Eleanor abriu apenas uma fresta da porta de vidro que separava a sacada da sala de casa. — Não acha melhor entrar? Está frio aí fora. — Ela comentou carinhosa, mas Louis não respondeu. A voz dela estava longe, ele parecia tentar projetar seu corpo para outro lugar, não queria ser ele naquele momento, achou que nunca iria se recuperar de saber que não teria mais Harry em seus braços, e aquilo nem era uma escolha dele, era do próprio Styles. — Amor? — Ela insistiu e agora abriu mais a porta passando por ela. Ela vestia apenas uma camisola branca fina com um robe da mesma cor por cima. Ela protegia seus próprios braços do frio. Louis continuava longe, sabia que havia alguém falando com ele, mas não queria responder. Estava triste, mas também estava com raiva e projetava, sem querer, aquela frustração toda em cima dela., como se Eleanor fosse a grande culpada por alguma coisa. Ao mesmo tempo que fazia aquilo, sabia o quão injusto aquilo lhe soava, afinal, ela sequer tinha qualquer noção do que se passava em seu coração e em sua cabeça. Sentia-se um verdadeiro monstro por não conseguir sequer estar feliz em saber que ela carregava o que deveria ser motivo de felicidade absoluta em sua vida: um filho. — Louis! — Ela voltou a chamar ligeiramente enfezada por estar sendo deliberadamente ignorada. — O que foi? — Ele respondeu mau humorado, deixando claro o quanto não queria incomodado. — Estou pedindo que entre, vai ficar doente. — Ela respondeu desconfiada do motivo daquela atitude, apenas imaginou que Tomlinson estivesse um tanto bêbado. Seus olhos estavam bem vermelhos e até mesmo ela já sentia um cheiro forte de álcool vindo dele. — Você está bebendo desde que chegou em casa. — Ela acrescentou vendo o copo vazio nas mãos dele. — O que está acontecendo? — Ela estava oficialmente preocupada, aquela não era o tipo de coisa que Louis fazia. Ele deu as costas a ela entrando em casa, deixando o copo vazio na mesa de centro. Não estava em seu juízo perfeito, a última coisa que ele queria fazer era conversar. Ele tirou o casaco do terno enquanto Eleanor o seguia, fechando a porta de vidro da sacada e as cortinas logo em seguida. — Vou tomar banho. — Ele disse sentindo-se tonto. — Louis. — Ela o impediu chamando-o novamente. — Olhe pra mim. — Ela pediu já que ele estava de costas. Ele fechou os olhos e respirou fundo, não era uma boa ideia que ela insistisse em querer conversar, mas ainda assim virou-se para encará-la. Sua expressão mesclava dúvida, estava desconfiada e bastante confusa. — O que você tem? — Nada, só estava bebendo e passei do limite. — Ele explicou simploriamente. — Desde quando? — Ela deu alguns passos na direção dele. — Te conheço há cinco anos, você nunca foi assim. “Perdi a conta” das doses é coisa do Liam. — Ela franziu o cenho olhando pra ele fixamente. — Eu tive um dia difícil, certo? Me permiti passar do limite. — Ele explicou já ficando irritado com tantas perguntas que ele não estava em condições de responder.  Ela mordeu os lábios percebendo que o marido estava mau humorado num nível que nem mesmo ela entendia e, nem mesmo Louis, estava com paciência de explicar. Ela não disse mais nada, preferiu não prolongar aquilo, estava grávida, a última coisa que precisava era ficar se estressando com discussões com Louis, especialmente quando o mesmo parecia estar arrumando uma desculpa para descontar suas frustrações, as quais ela sequer sabia o motivo. Fez apenas um sinal com a mão, como se o mandasse tomar banho. Não disse nada e Louis deu graças a Deus de ela não insistir naquilo, mas sabia que tinha acabado de comprar um problema com Eleanor, que detestava coisas não ditas e iria jogar aquilo na cara dele por uns bons dias. E, dessa vez, ela iria ter razão. Ela seguiu para o quarto e pensou em ler um livro antes de dormir, achou que o desconforto passaria logo. Louis entrou no chuveiro e desejou que a água conseguisse levar sua dor como lavava suas lágrimas, mas tudo que ele conseguia fazer era pensar em Harry e sentir, simplesmente sentir, queria sentir tudo de uma vez, com toda aquela intensidade, esperando que houvesse uma quantidade específica de dor chegando ao seu ápice e que, logo em seguida, iria embora. Mas não. Quanto mais ele pensava em Harry, mais queria sair dali e ir ficar com ele, sendo impedido apenas pela hombridade dada por seus pais, pelas pessoas que o cercaram enquanto ele crescia, cobrando que ele pagasse o preço de fazer valer o bom caratismo que dizia que não havia justiça entre escolher entre a esposa grávida e o homem que amava. x.x.x Well our love story reads like a book of lies (Bem, nossa história de amor é como um livro de mentiras) Good intentions, better alibis (Boas intenções, álibis ainda melhores) No happy endings, no straight lines, no movin' on, (Sem finais felizes, sem linhas retas, sem seguir em frente) But no goodbyes. (Mas sem adeus) This bittersweet revelry will be the death of me. (Essa reviravolta agridoce vai ser a minha morte) Louis acordou de manhã com uma ressaca desumana. Sua cabeça doía e ele m*l conseguiu pregar o olho durante a noite. Eleanor estava na cozinha apenas preparando algumas frutas para o café da manhã. Ainda estava chateada com Louis pela forma como ele havia se comportado na noite anterior, mas não disse nada. Não gostava de discussões e estava grávida, quanto menos se chateasse, melhor. Louis m*l consegui raciocinar enquanto terminava de se vestir e buscava a bolsa do laptop pelo quarto sem sucesso, não lembrava onde tinha colocado. Estava fora de seu horário normal, mas ele agora poderia programas suas horas como quisesse. Quase cogitou nem ir ao escritório, sua expressão estava péssima mesmo que ele tivesse tomado banho, estivesse barbeado e com cada fio de cabelo em seu devido lugar. — Sabe onde larguei meu laptop? — Ele perguntou ao ver Eleanor na cozinha picando algumas frutas para comer junto com seu iogurte sem açúcar. — Está ao lado do sofá. — Ela disse sem tirar os olhos do que fazia. Louis finalmente encontrou o que procurava e só então olhou para a bancada da cozinha onde ela havia deixado um café preto e duas aspirinas para dor de cabeça. Ele parou o que fazia e apenas encarou aquele copo descartável ao lado de um copo de água e os remédios. Não era a coisa em si, mas o gesto. Por mais que tivesse sido um grande i****a na noite anterior com a esposa, ela ainda se deu ao trabalho de saber exatamente como o marido acordaria no dia seguinte. Naquele silêncio longo entre eles, Tomlinson sentiu-se tão culpado que não sabia como tudo aquilo cabia dentro dele… — El… — Ele chamou-a pelo apelido que costumava usar na época da faculdade. Ela não respondeu, apenas ergueu os olhos para encará-lo. — Me desculpe por ontem. — Ele disse honesto e ela largou a faca e a maçã que tinha em mãos. — Eu não devia ter te tratado daquela forma. — Lou, conheço você há quase dez anos. — Ela recomeçou respirando fundo e tentando ser compreensiva. — Namoramos há cinco e acabamos de nos casar. Tudo que estiver acontecendo com você, me afeta. — Ela tinha um tom de voz calmo e Louis sabia que não merecia que ela estivesse sendo tão legal com ele. — Acha que não o conheço? Sei que algo está errado… — Nada está errado. — Louis aproximou-se dela, tentando se explicar, mas ele tinha plena noção que ela sempre sabia quando ele estava mentindo. — Eu só estou tentando me acostumar com a ideia de ser pai. — Não, não é isso. — Ela disse convicta e Louis não contra-argumentou. Era inútil. — Louis, tem quase duas semanas que não fazemos sexo. — Ela disse e Louis realmente estava com medo que ela tocasse no assunto. — Eu achei que você só estava ocupado com trabalho, agora que foi promovido, deve ter novos desafios, algumas adaptações pra fazer… — Eleanor, eu… — Mas aí eu voltei de Amsterdã. — Ela não deixou ele falar. Tomlinson estava claramente envergonhado. — Em qualquer outra época, você me arrastaria imediatamente para o quarto sem nem me deixar tomar banho antes ou atender aos meus protestos de estar cansada da viagem… — Ela deu a volta na bancada e ficou de frente para o marido, que tentava buscar em sua mente alguma desculpa pra aquilo que não fosse dizer a verdade. — Você sempre foi um homem passional, Louis… Nossa vida s****l sempre foi maravilhosa… Você sempre me fez sentir bonita, desejada, como se fosse a única mulher no mundo pra você, mas agora… — Você é maravilhosa, querida. — Louis disse realmente falando a verdade. — Você é linda, inteligente, tem uma carreira brilhante… Qualquer homem no mundo teria sorte de ter se casado com você… — Então por que você não me mostra? — Ela disse segurando-o pela gravata e o beijando apaixonada. Louis sabia muito bem onde ela queria chegar com aquilo e não tinha uma boa desculpa para não fazer o que ela queria. Ele decidiu se esforçar, talvez ela realmente o fizesse relembrar como ele costumava se sentir antes, como era apaixonado por ela, como realmente achava que poderia passar o resto de sua vida com aquela mulher. Ele tentou se concentrar no que lembrava deixá-lo louco por ela, em seus toques e seu cheiro. Quando tocou seus cabelos puxando-os de leve pela nuca, não se deu conta de que já estava pensando na textura dos cabelos de Harry, na pele macia de seu rosto e na forma como suas mãos passeavam por seu corpo fazendo Louis não querer nada além daquele homem dentro dele. Descobriu que era a única maneira de fazer aquilo: pensando nele. We go round and round, tryin' to work it out (Nós seguimos rodando, tentando fazer dar certo) And all I get is hell bent and bound (E tudo que consigo é um inferno pronto) Never far from right where we are. (Nunca longe de onde já estamos) x.x.x Liam tentava concentrar-se em fazer seu trabalho, mas descobriu o quanto era difícil fazer aquilo com um Zayn Malik bem na sua frente. O moreno bonito digitava rapidamente no laptop, parecia concentrado, mas percebendo os olhares de Liam em cima dele. Era quase que uma novidade para Payne ter aquele interesse apenas crescendo, mesmo já tendo indo pra cama com ele, aquilo não parecia passar. Era realmente algo novo pra ele, pois era quase automático o desinteresse dele quando já tivesse transado. Na manhã seguinte, ele era mesmo o tipo de cara que vestia-se e ia embora. Mas não estava sentindo nada além de uma vontade de louca de jogar Zayn na cama de novo. — Então, que horas sairemos hoje? — Liam perguntou respirando fundo e levantando-se de onde estava, indo ficar mais perto da mesa de Malik. — Como assim? — Zayn perguntou sem tirar os olhos da tela do computador. — O jantar que sua irmã me convidou. — Liam relembrou e sorriu ao ver Zayn quase paralisar olhando pra ele. — Você não está pensando em ir, está? — Malik disse num tom de voz sério. Tinha um certo pânico de imaginar Liam ficando cada vez mais próximo dele não apenas no trabalho, mas agora fora dele também. — Mas é claro que eu estou. — Liam disse colocando as mãos nos bolsos e balançando os ombros. — Seria rude não aparecer, especialmente depois que eu disse pra sua irmã que iria. — Liam, ouça, eu acho que precisamos traçar um limite aqui. — Zayn disse num tom preocupado. — Como gemendo na minha cama é um bom exemplo de que limites já foram ultrapassados. — Liam disse com um leve sorriso prepotente, Zayn apenas baixou os olhos ligeiramente desconcertado. — Qual é, Zayn, qual é o seu problema? Pára de tentar me afastar, eu não te dei motivos pra isso! — Ainda. — Zayn respondeu imediatamente. — Não me deu motivos ainda. — Ele concluiu e, antes de Liam responder, fez-se um breve silêncio. — Isso não é justo. — Liam disse por fim, ficando sério. — Não é justo que você desconte em mim suas frustrações amorosas. — Payne concluiu diante da atitude do outro, claramente conhecendo bem aquele sentimento de não se deixar envolver. — Eu sei que não é, mas não é como se eu pudesse controlar. — Zayn responder tranquilo, conformado. — Me dê uma chance. — Liam pediu, já perdendo a conta de quantas vezes disse aquilo a Zayn. — Só uma e você vai ver que não vou te magoar. — Você não pode me prometer isso. — Malik foi sensato. — Mas posso prometer tentar. — Payne disse e olhou nos olhos de Zayn sendo capaz de ver todo aquele medo e insegurança. And you'd think we'd get enough (E quando acha que já foi o suficiente) And know we're gonna f**k it up, (Sabemos que vamos estragar tudo) We're holdin' on, sinkin' down (Estamos abraçados, afundando) O momento deles foi apenas interrompido pela loira bonita, com os cabelos na altura dos ombros e extremamente bem vestida. Loira essa que Liam conhecia bem, mas não estava mais preocupado com o desconforto da presença dela, seu foco agora era outro. — Com licença. — Alice disse já entrando na sala. — Entre. — Liam disse vendo-a praticamente desfilar pra dentro da sala, ela automaticamente deu a ele um envelope branco. — Chá de bebê da Eleanor. — Ela disse. — Estou organizando e é surpresa. — Ela disse rapidamente e só então Liam pegou o envelope das mãos dela. — Bom dia. — Ela sorriu simpática para Zayn que retribuiu. — Bom dia. — Ele disse ajeitando a gravata. — Sou Zayn Malik. — Ele estendeu a mão na direção dela e ela retribuiu o cumprimento. — Alice Davis. — Ela disse educada. Em seguida voltou-se para Liam. — Louis quer falar com você, acabei de sair da sala dele, pediu que lhe chamasse. — Obrigado pelo recado. — Liam disse m*l tirando os olhos do envelope e ela estava extremamente surpresa com a atitude dele nada afrontadora e até viu a troca de olhares entre ele e Zayn quando ele saiu da sala, provavelmente indo em busca de Louis. — Um bebê a caminho? — Zayn disse puxando assunto, até um pouco interessado em conhecê-la, já que ela parecia ter uma certa i********e com Liam. — É, da minha melhor amiga, esposa do Louis. — Ela disse sorridente. — Sério? Louis vai ser pai? — Zayn disse surpreso. — Uau, que coisa incrível. — É, acho que ele ainda está se acostumando com a ideia. — Alice disse dando a entender mesmo que Louis não parecia lá muito feliz com a ideia. — Imagino que seja uma mudança drástica. — Zayn comentou casualmente. — Mas o importante é ter o apoio dos amigos também. Muito legal da sua parte fazer esse chá de bebê. — É, admito que é um pouco cedo pra isso, mas acho que ela vai gostar, ela está precisando de uma animação e Louis também. — Alice dizia virando-se na direção da porta. — Mas você está certo, ao menos ela tem a mim e, por mais que Liam seja um trate imprestável, sem dúvida ele é a melhor pessoa do mundo com Louis. — Ela divagou. — Traste imprestável? — Zayn disse sorrindo um pouco nervoso, sua curiosidade era ainda maior. — É, sabe mulherengo? — Ela disse de um jeito desinteressado. — Passou dois meses me cortejando e, quando finalmente fui pra cama com ele, ele nunca mais falou comigo. — Ela resumiu a história. — E eu não fui a única, ele faz isso sempre… Liam é assim desde a faculdade, não gosta de se comprometer, gosta só é do desafio da conquista. — Ela disse já refazendo o caminho de onde veio, Zayn parecia sério enquanto ficava em silêncio. — Enfim… Aquele charme dele é um perigo, é muito fácil entrar no jogo dele… Com certeza eu não fui a última. — Ela disse com um sorriso triste e Zayn apenas sorriu amarelo, um pouco nervoso. — Foi um prazer, Zayn. — Igualmente. — Ele disse e ela apenas deixou a sala e Zayn com muitas paranóias na cabeça e um medo ainda maior do que já sentia antes. Here we go around and around… (Aqui vamos nós rodando e rodando…) Making circles… (Fazendo círculos…) x.x.x Liam entrou na sala de Louis sem bater, ele estava sozinho atrás de sua mesa, apenas encarando o lírio azul dado por Harry há menos tempo do que parecia. Ele não disse nada, apenas desviou os olhos para a porta ao ver o melhor amigo entrar. — E aí… — Liam disse um tanto animado ainda segurando e envelope. — Chá de bebê, hein… — É, você conhece a Alice. — Louis disse apenas arqueando as sobrancelhas sem emoção. Virou-se na direção de Payne enquanto ele sentava-se na poltrona em frente à mesa de Louis. Era difícil pra ele lidar com aquela situação também, o sofrimento de seu amigo nunca antes esteve tão evidente. Louis tinha aquela clara expressão de culpa e sentimento de perda, de arrependimento e muitas coisas ao mesmo tempo que Liam sabia que, mesmo se Tomlinson tentasse explicar, ele provavelmente não consideraria. — Lou, você vai ser pai, é uma vida que vem fazer parte da sua história, é sua família. — Liam tentou animá-lo, mas tudo que Louis fez foi suspirar, igualmente sentindo-se m*l por não conseguir estar entusiasmado com aquilo. — Não fique com essa cara, pelo amor de Deus. — Desculpe. — Louis disse respirando fundo e passando as mãos pelo rosto. — Na verdade te chamei aqui porque quero justamente falar sobre isso. — Ele tomou fôlego e ensaiou um sorriso. — Quero que seja padrinho do bebê. — Louis disse por fim e sorriu aberto pela primeira vez desde que soube da notícia, Liam arregalou os olhos e ele pode jurar que viu lágrimas deixando-os mais brilhantes. — Você foi a pessoa que mais me ajudou desde que mudei pra Londres e me ajuda até hoje. — Louis concluiu e apenas levantou-se para receber um abraço acalorado do melhor amigo que não conseguia encontrar palavras para se expressar e dizer o quanto aquilo significava para ele. Liam sempre vira Louis como o irmão que ele não teve e tinha um instinto protetor muito grande quando se tratava do melhor amigo, mesmo que quase sempre acabava com Louis tendo que cuidar dele, fosse por um prazo de trabalho perdido, fosse pelas constantes bebedeiras desde a faculdade. Os dois ainda ficaram abraçados um bom tempo e Liam realmente estava honrado com o convite, significava muito para ele, especialmente porque ele mesmo sempre dizia que não seria um bom pai e provavelmente nunca teria filhos. We both need to lead while we dance along (Nós dois precisamos conduzir quando dançamos) One more graceful spin on who's right or wrong (Mais um giro gracioso em que está certo ou errado) — Você sabe que isso significa pra c*****o, não é, Tomlinson? — Liam disse enquanto ia se soltando aos poucos do abraço do amigo e secando as lágrimas que corriam. — Eu sei, eu sei. — Louis disse tocando ainda o ombro do outro. — É uma forma de mostrar toda minha confiança e apreço pela sua amizade de todos esses anos. — Eu vou ser o melhor padrinho que uma criança pode ter. — Liam disse de um jeito sério, como se estivesse mesmo firmando um compromisso. Louis apenas sorriu do jeito dele, sabia que era provavelmente verdade. — Não esperaria nada diferente de você. — Tomlinson disse confiante. — Sei que devo me animar com isso, e eu estou, não é pelo bebê… — É pelo Harry. — Liam disse tomando a boa e velha postura de melhor amigo. — É. — Louis confessou. — Eu o amo tanto, Liam, amo tanto que até dói… — Louis realmente sentia que aquele amor era tão forte que rasgaria seu peito a qualquer momento. — Louis, como isso foi acontecer com você tão rápido? — Liam perguntou tentando entender até onde aquilo tudo era capaz de chegar. — Eu não sei. — Louis foi honesto. — Sinceramente eu não sei… Só sei que sinto que nunca mais terei uma felicidade plena se não for com ele. — Ele concluiu jogando-se novamente na cadeira. — Como ele reagiu a isso tudo? — Liam perguntou por curiosidade, imaginou que os dois já tivessem conversado. — Pedi a ele um tempo, disse que não queria parar de vê-lo… — Louis! — Liam o repreendeu quando interrompeu. — Eu sei, eu sei… Mas não vou deixar Eleanor, mas eu também não queria deixá-lo… — Louis sabia que estava errado, mas não conseguia ver solução em tudo aquilo. — Só que obviamente que ele não aceitou, Harry é digno demais pra isso. — Por que não simplesmente diz a verdade a Eleanor? — Liam perguntou, mesmo sabendo que as razões poderiam ser óbvias. — Ela não merece que minta pra ela. — Não, não quero causar sofrimento a ela, ela está grávida, Liam. — Louis disse como se fosse óbvio. — Isso tudo é culpa minha, eu devo arcar com o problema, jamais deveria ter me envolvido com Harry… Só que agora já é tarde demais. — Como acha que ela vai se sentir quando souber independente do tempo? — Liam disse e ouviu seu amigo apenas suspirar. — Acho que vou apenas esperar que ela nunca saiba. — Louis disse fechando os olhos e apenas desejando poder beijar os lábios de Harry mais uma única vez ao mesmo, poder tê-lo novamente em seus braços por apenas mais uma noite. m*l conseguia respirar quando fechava os olhos, m*l conseguia dormir. — Acho que deve contar à ela. — Liam disse, num ultimato, vendo o sofrimento todo de Louis. — Pensei que você queria que eu ficasse com ela. — Louis franziu o cenho, estranhando a posição do amigo. — E eu quero, mas não desse jeito. — Liam disse sensato. — A forma como está guiando seu relacionamento, é bem óbvio que o tempo vai se encarregar de mostrar o fracasso. Não há como fugir, Lou. — Não é como se eu pudesse simplesmente falar com ela, Harry não me aceitaria de volta mesmo se eu a deixasse. — Louis explicou. — Ele se sente culpado. — Harry é um cara legal. Não pensei que gostasse tanto dele assim… — Liam disse um pouco surpreso ao ver o olhar distante do amigo. — Eu o amo, Liam, o amo demais. — Louis disse num sussurro e Payne claramente percebeu que seu amigo novamente parecia desconectado daquela conversa, do trabalho e até mesmo do que fazer sobre sua mulher. Payne pensou que poderia intervir de alguma forma, mesmo que não gostasse de se meter em coisas tão íntimas e, especialmente, porque não sabia muito bem qual a impressão que Harry Styles tinha dele. Porém, de uma certeza Liam estava convencido: Louis era seu melhor amigo e ele não conseguiria apenas assisti-lo sofrer sem fazer nada. The same old words, the same old song (As mesmas velhas palavras, a mesma velha música) Baby, we're right where we belong. (Amor, estamos exatamente onde deveríamos) x.x.x Era hora do almoço e Harry estava na floricultura anotando os pedidos do dia, pronto para chamar sua mãe para ficar no lugar dele já que precisava fazer algumas entregas, quando viu na porta da loja um Liam Payne um pouco sem jeito de entrar ali. Harry sabia exatamente o que ele tinha vindo fazer ali, mas não quis presumir nada. Ele saiu de trás do balcão devagar conforme Liam entrava, colocou as mãos no jeans claro que vestia e encarou aqueles olhos castanhos que claramente diziam que não tinham certeza se deveriam estar ali. — Lugar legal. — Liam disse sorrindo olhando para os lados, referindo-se à loja. Estava realmente muito bonita naquele dia, Harry havia organizado tudo só pra poder concentrar em alguma coisa que não fosse Louis. — Obrigado. — Harry ofereceu um de seus melhores sorrisos embora não muito verdadeiro. Queria qualquer coisa menos sorrir naquele momento. Liam respirou fundo e percebeu que não tinha mesmo um jeito fácil de fazer aquilo. Não conhecia Harry direito, mas se importava o suficiente com Louis para estar ali. Ele viu seu melhor amigo completamente arrasado, distraído a manhã toda e, inclusive, não querendo falar com ninguém, muito menos com Liam, que claramente já tinha mostrado seu posicionamento naquela situação que o melhor amigo estava passando. — Harry… — Liam começou após um breve silêncio. — Quero que saiba que eu realmente acho que você é uma pessoa muito legal. — Obrigado, Liam, também acho você uma pessoa legal. — Harry respondeu sincero, inclusive deixando claro que não se tinha problemas em saber que Liam não estava apoiando ele e Louis, afinal, nem mesmo Harry não estava mais disposto a ficar com um homem que teria que deixar a esposa grávida para ter um relacionamento com ele. — Eu só queria dizer que Louis está sofrendo muito. — Payne recomeçou e Harry estava realmente surpreso em ouvir aquilo. — E por mais que eu acho que ele deva mesmo ficar com Eleanor, eu não tenho mais tanta certeza se isso fará bem a ele. — Liam, eu agradeço a sua preocupação e a consideração de vir falar comigo a respeito, mas eu não tenho intenção de separar Louis de seu filho. — Não acredito que nem você e nem ninguém seria capaz de fazer uma coisa dessas. — Liam disse franzindo o cenho. — Qualquer um pode ser um bom pai se quiser, isso independe de estar num relacionamento. — Payne disse tão diretamente e, como se fosse uma coisa tão óbvia, que até mesmo Harry estava surpreso em ouvir aquilo. — Meus pais são separados desde que eu tinha dez anos. Eu sempre morei com minha mãe, mas não tenho nenhuma lembrança de não ter um pai presente. Pelo contrário, meu pai sempre esteve presente, em todas as etapas… É presente até hoje, assim como minha mãe… Harry calou-se por um momento. Ele não tinha um bom argumento para aquilo, pois, pela vida que levou, sempre associou a ausência de seu pai com a troca de sua mãe por outra mulher. Ele apenas encarou Liam e sentia-se m*l, mais confuso do que antes, sua cabeça estava realmente bagunçada. Grande parte dele queria sair dali e correr para Louis, mas seu lado racional ainda não o permitia administrar tantas informações. — Apenas pensa nisso. — Liam disse e preparava-se para se retirar. — Acho que as coisas não são tão simples e posso ver que também não vai conseguir se afastar de Louis assim tão fácil. — Mas eu preciso tentar… — Harry rebateu agindo racionalmente. — Faça o que tiver que fazer, Harry… — Liam disse deixando claro seu tom compreensivo. — Só que, se tiver uma escolha, espero que não seja sofrer. — Ele concluiu olhando Harry uma última vez e deixando a floricultura. Styles sentia-se ainda mais confuso do que antes, já não sabia ao certo o que fazer mais. Não queria se deixar levar pelas palavras de Liam, porém já as estava considerando até demais. Tinha coisas pra fazer, mas estava difícil mover seus pés do lugar, queria apenas fechar os olhos e, quando acordasse, estaria apenas em sua cama tendo um pesadelo. Seu coração acelerou e ele sentiu uma vontade imensa de simplesmente ligar e ouvir a voz de Tomlinson por poucos segundos, queria pegar o carro e simplesmente ir vê-lo, queria fugir dali mas sabia que não poderia fugir do que estava dentro dele. And it can't get much better and it sure can't get worse (E não dá pra ficar melhor e certamente nem pior) Well either way you turn, it's gonna hurt. (Bem, pra qualquer lado que vire, irá machucar.)
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