Chegando a mansão

1268 Palavras
Berkshire – Inglaterra — Eu não acredito que deixei meu avô me convencer a me casar através de um contrato — Ryan Mitchell falou furioso para seu amigo e fiel funcionário Ethan Jones. — Dizem que a garota é muito bonita — Ethan falou na tentativa de fazer Ryan olhar toda a situação, por uma outra perspectiva. o avô de Ryan havia conversado a respeito do casamento com Ethan, e pediu a ajuda do rapaz, pedindo que ele não deixasse de ressaltar a beleza de Anabela. — Ela é filha e herdeira dos donos da Philips Group, que morreram em um grave acidente a uns anos, quando voltavam do velório do fundador da empresa, o Sr. Morgan Philips, você lembra? — Eu lembro — Ryan falou puxando na memória. — Saiu em todos os jornais e tabloides de Londres. Meu pai e meu avô foram ao velório, e eu lembro que eu estava viajando. — Você sempre estava, Ryan — Ethan falou lembrando com um sorriso. — Maldivas, Cancún, Miami, Rio de janeiro. Nesse momento Ryan endureceu sua expressão. Ele sempre teve o espírito aventureiro, e lembrar de que não iria mais poder enxergar as belezas naturais por aí afora, era demais para ele aceitar. — Desculpa Ryan, eu não quis te deixar m@l. — Eu vou para o meu quanto — Ryan falou após suspirar, indo em direção a porta. Ethan ainda tentou ajudá-lo, mas ele recusou dizendo que iria sozinho. Em seu quarto, após chegar com a ajuda da sua bengala, Ryan se deitou em sua cama. Ele recordou do dia do acidente, e aquele velho e se... Que o atormentava tanto voltou. E se eu não tivesse ido para a ponta do iate? E se eu tivesse seguido a minha intuição e não tivesse ido aquele passeio? Ryan acordou com um péssimo pressentimento no dia do acidente, mas achou que era coisa da sua cabeça e ignorou. Ryan amava viagens e sempre que podia estava próximo ao mar. O cheiro inconfundível, o gosto salgado da água, a imensidão que qualquer olho humano era incapaz de enxergar. As únicas coisa que davam tanto prazer a Ryan, além do mar, eram seus desenhos e suas fotografias. Ele desenhava desde bem pequeno, tinha um ateliê em sua casa em Londres, ao qual não entrou mais desde o acidente. Além de um studio de fotografia, onde Ryan sempre registrava os lugares incríveis que já visitou. Na época, logo após o acidente, Ryan quis jogar tudo fora, mas foi impedido por sua mãe, que lhe prometeu deixar os dois locais trancados. — Drog@, agora vou ter que aguentar uma mulher com pena de mim, e me fazendo me sentir o pior dos miseráveis — ele falou bufando, se levantando da sua cama, indo em direção ao banheiro tomar um banho. Ryan tentava fazer o máximo de coisas sozinho. Ethan com a ajuda de Olívia, a governanta da casa, e os demais funcionários, deixavam a logística das coisas da casa de uma forma que Ryan conseguia identificar onde estava tudo, principalmente em seu quarto e no escritório, que era o lugar onde ele passava a maior parte do dia. Sobre o casamento, não haveria uma cerimônia. Ryan se recusou a aparecer na frente de convidados. Essa foi a condição para aceitar a imposição do seu avô, que usou da sua idade avançada e a sua doença terminal, para convencer o neto. O velho Liam Mitchell sabia que se falasse que ele precisava de companhia, e que não aguentava mais vê o neto definhando depois do acidente, ele não aceitaria, por não aceitar a piedade das pessoas. Então usou o amor que o neto tem por ele, para convencê-lo. O velho Mitchell sabia que o neto precisava daquilo. Ele havia conhecido a jovem Anabela no velório de Morgan Philips, seu velho amigo, e apesar de ainda ser uma criança na época, ela era encantadora, e falou lindas palavras para se despedir do seu avô, emocionando a todos. Desde que saiu do coma, e teve alta do hospital, Ryan se mudou de Londres, e foi morar em Berkshire, na casa de campo da família, para se isolar. Apesar de não enxergar, o olhar de pena das pessoas quando o viam, eram sentidos por ele, e isso deixava Ryan furioso. Até seus pais se ofereceram para se mudar com ele para a casa de campo, e ele recusou de forma categórica. O choro da sua mãe e o cheiro de whisky, além da voz embargada do seu pai nos dias que sucederam o acidente, deixavam Ryan muito m@l. Ryan se mantinha ativo no trabalho, fazendo de Ethan seus olhos, porém, administrava suas empresas e ações de sua casa. Seu pai comparecia às reuniões de acionistas o representando, e Ethan lhe auxiliava em tudo que dava para ser feito do seu escritório. Uma semana depois... Anabela saiu da mansão dos Philips se despedindo apenas dos funcionários, e Amélia a levou até o carro se debulhando em lágrimas. Arnold fez questão de levá-la pessoalmente até Berkshire, para não correr o risco da garota tentar fugir, apesar dela ter assinado o contrato de casamento sem relutar. Chegando na casa de campo de Ryan Mitchell, uma mansão que tomava um quarteirão inteiro, Anabela ficou impressionada. Ela desceu do carro sem nem olhar na cara de Arnold. Apesar do medo do que iria encontrar, ela sentiu um certo alívio. A viagem de pouco mais de uma hora no mesmo carro que Arnold, foi sufocante. Um enorme portão de ferro, de pelo menos três metros de altura foi aberto por um segurança, quando Arnold anunciou de dentro do carro que a esposa do Sr. Mitchell havia chegado. Anabela após a a******a do portão, andou alguns muitos metros, até chegar na entrada daquela enorme propriedade. Antes que batesse na enorme porta, ela foi aberta. — Seja muito bem-vinda, Sra. Mitchell — Olívia falou com um enorme sorriso. — Obrigada – ela respondeu retribuindo o sorriso, tentando disfarçar o quanto foi estranho ser chama de Sra. Mitchell. — Você pode me chamar apenas de Anabela. Olívia assentiu, sem saber se conseguiria chamar a nova patroa pelo primeiro nome, mas não quis protestar. — Vamos, entre. Posso te ajudar com a mochila? — Olivia perguntou encaminhando Anabela para a parte de dentro da mansão. — Esse lugar é enorme — Anabela falou olhando em volta, e entregando a sua mochila a Olívia, como a mulher havia pedido. — Sim, são muito cômodos, e temos dois andares para cima, onde ficam todos os quartos. Mas você terá tempo de conhecer tudo — Anabela sorriu ainda olhando em volta. Nesse momento, Ethan se aproximou. — Como vai, Sra. Mitchell, eu sou Ethan Jones, e trabalho para o Sr. Mitchell. — Prazer Sr. Jones, pode me chamar de Anabela. — Só se a senhora me chamar de Ethan. — Combinado — ela sorriu aliviada por até então está sendo bem recebida. — Agora vamos, o patrão a está aguardando — Ethan disse encaminhando Anabela em direção ao escritório. Nesse momento, Anabela sentiu o nervosismo tomar conta do seu corpo, e suas mãos estavam suando. — Como ele é? — ela perguntou antes de chegarem ao escritório. — Posso lhe dar um conselho? — o rapaz Perguntou. — Sim, claro. — Não o olhe com pena, isso o deixa furioso — ela assentiu. — Por mais que ele não enxergue, seus outros sentidos aguçados o possibilitam de perceber quando o olham com piedade. E respondendo a sua pergunta, ele é um bom homem. O acidente tirou seu senso de humor, mas ele continua sendo uma boa pessoa.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR