CAPÍTULO 23

1713 Palavras
Kael Draven. O corpo de Lyra treme sob minhas mãos, embora Jak já tenha destruído o tablet. Fico perplexo com a maneira como seu corpo se agarra ao meu enquanto ele treme de tanto chorar e uma sensação desagradável se acentua em meu peito ao ouvir algo tão doloroso. Seu choro expressa pavor e medo nas expressões mais puras e eu me pego odiando Higor ainda mais, embora eu não conheça o passado por trás da história de Lyra, pelo menos não a história toda. — Lyra, me escute — Eu pego o rosto dela em minhas mãos, enxugando suas lágrimas com meus polegares — Preciso que você me diga o que ele disse, não entendemos a língua. — Me encontrou, Kael — chora ainda mais — Não sei como ele fez isso, mas ele sabe onde estou, ele virá atrás de mim. Ela chora ainda mais, uma sensação estranha invade meu corpo ao vê-la chorar, ao vê-la sofrer. Faz com que todo o veneno que carrego no meu corpo deseje sair para perfurar sua garganta e destruir o que a feriu. Isso não me ajuda a conter minha ira quando seus braços se aproximam ainda mais do meu corpo e pronunciam as palavras com uma voz tremendo. — Não deixe que ele me encontre, por favor. — Para te encontrar, ele deve primeiro passar por nós. — Viro-me para olhar Orion e Jak — Iremos ver Marcos. Marcos é um amigo nosso, um médico que jurou lealdade à minha família e que tem uma pequena clínica onde levamos Lyra. Se Lyra não tem acesso à tecnologia e não saiu de casa, como ele pôde encontrá-la? Se não me engano, ela deve ter algum dispositivo embutido em algum lugar do corpo, caso contrário, significa que um dos meus homens me traiu e sua cabeça vai adornar a parede de um dos meus clubes. Jak pega Lyra em meus braços enquanto Orion dirige e eu faço algumas ligações para meus padrinhos. Aquele filho da p**a sabe a localização dela, então ele saberá os lugares onde estivemos, não poderemos voltar para casa, nos mudaremos para outra de nossas propriedades onde não levamos Lyra e, portanto, Higor não saberá sua localização. Ordeno que tudo seja transferido para o novo local, incluindo Ares, que já saberá a localização da casa de praia e se apegou ao cachorro. Eu me movo e movo todos os meus homens, coloco a maldita cidade inteira para trabalhar para mim. Chegamos a Marcos, entramos com ela que irá se submeter a alguns exames. Meus punhos se apertam de fúria enquanto vejo as cicatrizes que decoram as costas dela. Em cada maldito chapas que Marcos realiza sobre ela, fraturas que ela teve antes começam a brilhar, a maioria das quais não cicatrizou adequadamente. Ela não demonstra surpresa com as várias fraturas que encontra, somente fixa o olhar na parede enquanto Marcos detalha todas as lesões que encontra. Sinto meus punhos se contraírem nas extremidades do meu corpo com as imagens que surgem em sua mente quando imagino o filho do Higor apertando seu corpo quando ela era somente uma criança. Batendo nela assim como ele nos bateu naquele maldito orfanato. Estou distraído dos meus pensamentos quando ela solta um grito ao ver o resultado dos raios X que foram realizados nela. Há uma pequena mancha em um de seus braços em forma de roda. Não precisamos de mais instruções para saber do que se trata. É de um chip de rastreamento. Marcos começa a nos explicar como procederia para extrair o chip. — Não quero que me façam dormir — Lyra responde. — Será por no máximo uma hora, preciso retirar o chip… — Sem adormecer. — Não vai funcionar se eu colocar anestesia somente na área afetada, vai doer de qualquer maneira — Marcos tenta explicar. — Não estou interessada, não quero adormecer — Lyra insiste. — Não confio em você, não me verá inconsciente. Marcos bufa de frustração — Olha, não é a minha maneira de trabalhar e não preciso que alguém venha me dizer como fazer o meu trabalho, vou dar-lhe a anestesia, vou tirar o chip e vai acordar como se nada tivesse acontecido. Lyra sai da maca e sai da sala como uma criança de verdade em uma birra de merda, suspirando de frustração enquanto eu faço um gesto com a mão para que Orion vá atrás dela, enquanto Jak e eu continuamos ouvindo as instruções de Marcos. Mesmo que ele tenha que trazê-la à força, eles vão tirar aquele maldito chip dela. Continuo a prestar atenção ao médico até ouvir o grito do Orion para Lyra. — Lyra, largue isso, droga! Jak e eu demos uma olhada antes de correr em direção a onde Orion gritou e a cena que encontrei me surpreendeu muito. Lyra enrolou a manga curta do braço para deixá-lo completamente exposto, uma pequena toalha entre os dentes que esconde seus gemidos de dor enquanto a outra mão segura um bisturi, que corta seu braço tentando alcançar o chip. Sangue se acumula em seu ferimento cada vez que ela corta com mais força e seu punho pressiona a mesa cirúrgica à sua frente, tentando não deixar a dor fazê-la se mover. Seus dedos ficam brancos devido à força que ela aplica na empunhadura. Lyra não para, embora seu sangue comece a espirrar no chão. Ela solta o bisturi, deixando-o cair no chão, e explora o ferimento com a mão, fazendo seus lindos olhos azuis cristalizarem com a dor, mas ela extrai o chip e o deixa cair na bandeja ao lado dele. Uma pequena roda com uma pequena luz vermelha. Da mesma bandeja ao lado, ela pega um pouco de gaze, enrolando-a no braço com a ajuda do outro, fazendo um torniquete para que pare de perder mais sangue, e a toalha que ele tinha na boca cobre a ferida para limpar o pouco sangue que continua saindo. Acho a cena tão chocante quanto emocionante, ao mesmo tempo em que não sei o que dizer, fico petrificado na porta como um i****a. Orion está pálido, sem saber como reagir quando ela se esfaqueia com um bisturi a sangue frio, sem nada importante, nem mesmo a dor que ela sentia por esmagar metade do braço e Jak… Bem, Jak está animado com a imagem diante de seus olhos. Ela cambaleia para trás devido à perda de sangue, então Jak corre rapidamente para segurá-la, seus lábios carnudos estão pálidos, assim como seu rosto, e o sangue não para de sair. — Merda, Lyra! O que você estava pensando? — Eu reajo quando envio meus homens para trazer Marcos e suturar seu maldito braço. — Eu não queria que eles me colocassem para dormir — ela sussurra com sua voz fraca. — Você é uma maldita — Jak rosna — Eu gosto, agora estamos ainda mais certos. Marcos entra e fica petrificado por um momento até reagir e começar a suturar o braço dela, que reclama um pouco. Marcos não perde a oportunidade de repreendê-la por ser imprudente e estragar algo que poderia ter sido, como ele chamou, uma intervenção limpa. Claramente ela o ignora de uma forma bastante óbvia. Já faz uma semana que mudamos de localização depois que ela removeu o chip de rastreamento do braço. Ela se encontra batalhando no ringue de boxe contra Flávio; sua evolução tem sido significativa, embora ainda apresente certa descoordenação. Ela mantém a determinação em seus golpes, mesmo diante dos ataques contundentes de Flávio, que a acerta repetidamente. Apesar de uma lesão em seu braço que sangra ligeiramente, ela não consegue desferir os golpes que, tenho plena certeza, ela consegue executar, pois a observei treinar diariamente. Essa moralidade desnecessária me incomoda muito. Tento me concentrar nos documentos à minha frente enquanto Ares dorme aos meus pés. Foi uma boa ideia trazê-lo conosco e mudar nossa localização, pois minhas suposições eram verdadeiras e eles atacaram todos os lugares para onde levamos ela, incluindo a gaiola mortal e o cassino de Orion. Algo nesses artigos não faz sentido. Rastreei todos os malditos lugares sem encontrar o rastro de Higor e não acredito que aquele maldito rato seja tão bom em se esconder. — Kael, acho que você precisa ouvir isso. Sigo Orion em direção ao que é a nova área de recreação de Jak enquanto ouço os gritos de dor de um dos homens de Higor que conseguimos capturar, um de seus homens mais fiéis que atacou a jaula mortal. A primeira coisa que meus olhos veem é como o cara está amarrado a uma cadeira enquanto meus homens seguram sua mão estendida sobre uma mesa e Jak bate os dedos com um martelo, esmagando todos os ossos. — Você vai falar agora, seu saco de merda? Ou tenho que continuar a passar o meu tempo contigo? O cara chora por misericórdia, mas Jak não é conhecido por ser piedoso, então ele bate a mão novamente com o martelo, espalhando mais sangue pela mesa e deixando os dedos irreconhecíveis. — Ok, eu vou! Eu farei isso! — implorei. Jak dá um passo para trás e fica ao lado de Orion, então decido sair das sombras e deixar o cara olhar para mim pela primeira vez. — Tem alguém por trás do Higor, porque eu não acho que o império que ele construiu em pouco tempo seja obra dele. — Eu me aproximo do cara, pego o cabelo dele entre meus dedos e o puxo para me olhar nos malditos olhos enquanto falo com ele — Eu quero um nome. — Não… por favor, por favor. — Resposta incorreta. Faço sinal para Jak enquanto meus homens o seguram. Acho que Jak continuará martelando sua mão, mas o vejo voltar com um maçarico. Um maldito maçarico. Ele liga o maçarico e regula o calor, deixando a chama azul. Ele aborda o assunto com um dos sorrisos mais cínicos que já vi. — Última chance, dê um nome ao chefe. Mas o cara não fala, então Jak aperta a chama do maçarico no antebraço e o cheiro de pele queimada invade meu olfato, seguido por gritos nojentos de dor. — Por favor! Por favor! Jak remove o maçarico, acho que consigo ver algum osso. — Dê-me um nome — eu exijo. ‍ ‍
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