Capítulo 2

1468 Слова
  Ponto de Vista de Seraphina   Assim que estacionei na garagem, a realidade me acertou em cheio: não tinha nada nessa mansão de Alfa que fosse realmente meu. Nem um misero objeto.   Daqui a 29 dias, nem sei onde vou estar. Mas agora? Agora eu só preciso sair daqui. Longe do Marcus. A única coisa que vou levar é a minha dignidade — provavelmente tudo que ainda me sobrou.   Tava fechando o zíper da mala quando Marcus apareceu escancarando a porta. Ele entrou feito dono do lugar — ou dono de mim, como se ainda tivesse esse direito.   Chegou perto, como se nada tivesse acontecido, e tentou me beijar no pescoço. E, d***a, aquele maldito vínculo mexeu comigo de novo — minha espinha até arrepiou. Um suspiro escapou antes que eu conseguisse segurar.   Ele se animou e já enfiou a mão por baixo do meu sutiã, puxando de lado como se fosse normal. Encontrou meu seio num toque e, antes de eu perceber, minhas pernas já tavam quase cedendo. Parte de mim quis esquecer tudo e me entregar...   Aí o celular dele tocou.   A p***a daquele toque me fez acordar na hora. Empurrei ele com força.   "Seraphina?! Que m***a é essa?!" Marcus gritou, com aquele tom explosivo. Sério mesmo?   Fiquei encarando ele, coração batendo como louco, o sangue fervendo. O vínculo me deixava vulnerável e eu odiava isso. Precisava sair — tipo, ontem.   "Eu tô indo embora", falei, respirando fundo. "Marcus, quero o divórcio."   Crash!   A palavra bateu nele como uma granada. Atrás de mim, o armário de vidro despencou — estilhaços voaram no chão de madeira como um glitter mortal.   Marcus tava lá parado, fora de si, com a mão ainda cerrada depois do soco. Um lobo macho enfurecido vestido de gente.   Cacos de vidro caíram perto dos meus pés, alguns até grudaram no meu cabelo, mas eu nem me mexi.   Nem olhei pra cara dele — só encarei o rombo na porta do armário. Tão simbólico. Aquela bagunça quebrada? Era a gente.   "Divórcio?" A voz dele ficou fria, carregada de autoridade — energia de Alfa transbordando ao redor. "Repete isso, Seraphina."   Não pisquei. Nem pensei duas vezes.   "Quero o divórcio. Acabou." Minha voz saiu firme. Direta.   Ele deu uma risada seca e debochada. "Por causa da Maria? Você só pode estar brincando. Ela é uma parceira de negócios, Seraphina. Tá exagerando por nada."   Parceira de negócios? Quase ri. Era isso agora? Um jeito elegante de dizer "peguete no banco de trás da Bentley"?   "Não insulta minha inteligência, Marcus!" rosnei. A voz baixa, mas carregada de raiva. "Tá, eu sou humana. Pode me achar fraca. Mas nunca — nunca — vou aceitar traição."   Marcus se aproximou, os olhos vermelhos como se fosse atacar. "De onde você tirou essa coragem toda, hein? Você é só uma humana frágil. Tudo que você tem fui eu que dei! Sem mim, devia estar lavando prato em lanchonete de cidadezinha. Você acha mesmo que vale a pena trocar nossa vida por isso?"   Ele me agarrou pelo queixo e forçou meu rosto pra cima, me obrigando a encarar aqueles olhos âmbar onde eu costumava me perder. Agora só enxergava gelo e controle.   Cada palavra dele era como uma facada no peito. Doía. Daquele jeito que parece que algo tá rasgando por dentro, se enfiando até o osso.   Droga.   Claro que ele achava que eu nunca seria capaz de ir embora. Como uma passarinha mimada presa numa gaiola de ouro, com medo de bater as asas.   Pena que ele não sabia que essa passarinha já tinha descoberto como abrir o cadeado fazia tempo. Só de lembrar dos papéis do divórcio assinados — aquele meu golpe — senti até arrepio de satisfação. Um sorrisinho amargo escapou antes que eu conseguisse evitar.   Ele percebeu. Me conhecia demais pra não notar. Os olhos se estreitaram, a voz cortante: "O que você aprontou pelas minhas costas?"   "Se tá tão abalado, Marcus, por quê? Não era você que dizia que eu não sou nada? Que não tenho poder nenhum?" Fitei ele, sem desviar.   Num piscar de olhos, ele estava com a mão no meu pescoço, me prensando contra a porta quebrada. Os cacos cravaram na minha pele, mas m*l senti — o que me sufocava era a falta de ar, forçada a olhar dentro daqueles olhos incandescentes.   "Pouco me importa o que você fez. Mas não vou deixar você romper esse vínculo, entendeu? Você é minha, Seraphina. Sempre vai ser."   Me debati, bati com as mãos nos braços dele, forcei tudo que podia. Eu não ia acabar desse jeito. Não mesmo. Foi aí que o celular dele tocou — a porcaria do toque da Maria.   Os dedos dele tremeram, soltaram um pouco. Ele me encarou com um aviso no olhar, depois foi até a varanda pra atender.   "Oi, amor. O que houve?" A voz era doce, melada — a mesma que ele usava comigo.   Não consegui ouvir as palavras exatas, mas aquele tom derretido? Era gritante.   "Não chora, tá bem?... Eu tô indo agora... Se cuida, meu bem."   Encostada no armário quebrado, senti cada pedaço de vidro me cutucando. Mas doía bem menos que esse buraco no meu peito. Todo aquele cuidado dele — agora era só dela.   Ele continuava cochichando ao telefone, numa voz macia. Depois desligou sem nem olhar pra mim. Arrumou a gola da camisa, como se eu fosse transparente.   "Negócios da Alcateia. Você claramente precisa de um tempo pra colocar as ideias no lugar. Não volto tão cedo."   A porta bateu forte, levando junto o cheiro dele.   E aí eu desabei. Escorreguei pela parede, respirando aos trancos.   Por um lado, achei mesmo que ele fosse me m***r. E até agora não entendi por que diabos ele ainda queria manter esse vínculo. Já tinha a Maria. Ela era bem mais a cara dele como luna.   Ela tinha pedigree, era uma loba alfa — e eu? Só uma humana comum.   Meu trabalho, sim, sempre foi bom. Mas perto da Maria e aquele dinheiro todo, eu não era nada.   Sendo também uma lobisomem, eu sabia bem o quanto um vínculo entre companheiros é forte. Romper ele ia bagunçar tudo — coração, cabeça — coisa que só a Deusa da Lua devia entender. Mas Marcus era Alfa! Ele aguentava isso. Por que não me deixava simplesmente ir?   Foi ele quem destruiu o que a gente tinha. Fingir que ainda sente alguma coisa? Não cairia nessa.   Se ousasse soltar a palavra "amor", eu juro, enfiava uma faca naquele coração infiel.   Levantei, abri o notebook e comecei a procurar apartamento perto de Moonlight Baía. Aí puxei minha maior mala e fui empacotar tudo.   Minhas coisas? Nessa mansão sufocante? Quase nem tinha nada meu de verdade.   Cada presente dele — desde joias caras até sapatos edição limitada, bolsas de marca, aquelas baboseiras caríssimas de aniversário ou datas especiais — enfiei tudo na mala. Ia vender. Cada peça.   Quando peguei aquela caixinha de veludo, com a aliança de casamento que ele mesmo mandou fazer, minhas mãos tremeram só um pouco.   Dentro, lia: Marcus & Sera.   Eu acreditava de verdade que aquilo significava alguma coisa. Tipo, pra sempre.   Agora só parecia um "eu te amo" escrito na areia, segundos antes da onda levar embora.   Joguei a aliança na mala e dei um tranco no zíper. Aquele barulho? Era eu terminando de vez com qualquer sobra dele em mim.   Claro que Marcus não pisou em casa naquela noite. "Vai esfriar a cabeça," ele disse. Tradução: "Vou curtir com aquela qualquer."   Primeira coisa que fiz foi jogar todas as nossas fotos na lareira. Queimou tudo.   Uns dias depois, meu celular vibrou. Margaret. A voz dela sempre foi gelada, cortante — como uma lâmina de prata mergulhada no gelo. Ela me "convidou" pra ir até a mansão da família pra assinar um tal de "acordo atualizado".   "Beleza," respondi, segurando a pose.   A mansão dos Grimhilde ficava lá no alto do monte Pico Prateado, parecendo uma fera sombria observando a Floresta inteira.   Meu Maserati não aguentou — morreu no meio da subida. Nem pensei em chamar guincho. Tranquei as portas, dei de ombros e continuei a pé naquela estrada particular e enrolada. Graças a Deus eu não tava de salto. Só torcia pra não tropeçar e quebrar o pescoço.   Quase nunca ia naquele lugar — e com razão. Margaret nunca foi exatamente minha melhor amiga. Ela não era do tipo que convida pra tomar chá da tarde.   Mas agora que o caos tinha passado, que eu estava prestes a sair da família, e que Marcus e eu távamos a segundos do "já era", pensei: vai ver ela só quer um adeus civilizado.   Esse pensamento me deu um certo alívio. Até eu pisar no salão principal... e ver tudo arrumado como se fosse um baile de gala exagerado.   Aí eu entendi — Margaret tinha os próprios planos pra esse "encontro".
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